CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de junho de 2010

Deu na VEJA



O poeta Ferreira Gullar, 79 anos, acaba de ganhar o Prêmio Camões, a mais importante distinção literária da lingua portuguesa. A edição desta semana antecipa trechos da entrevista que o poeta maranhense concedeu a revista cultural Dicta&Contradicta.

Reproduzo apenas um pequeno trecho, no qual ele discorre sobre sua participação na esquerda e do desfecho do governo de Salvador Allende.


Enganos da esquerda
Vivi a experiência da União Soviética, em Moscou, e depois vivi o drama e a derrota do (presidente) Allende no Chile - eu estava lá quando ele foi derrubado. Tudo isso me levou a ter uma visão crítica em relação à revolução, em relação às coisas em que nós acreditávamos. Aprendi que a coisa era mais complexa do que imaginávamos.
Sonhávamos em chegar ao poder - e então chegamos ao poder no Chile, com Salvador Allende. E aí? O que aconteceu?
Houve uma grande confusão: as esquerdas não se entendiam. Os radicais queriam obrigar Allende a fazer o que não podia ser feito - o que ele sabia que não podia fazer, porque seria derrubado.
No fim, foi a própria esquerda que causou a queda de Allende. Aquilo me deixou arrasado. Sacrifiquei minha vida, meus filhos, para me meter numa confusão dessas.
Então tá. Eu só queria entender. Parabéns, Gullar, pelo prêmio.