CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de junho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas VII

Em janeiro de 1957, a Companhia de Bombeiros era constituída de 21 homens, comandados por três oficiais.

Subtenente Tertuliano da Silva Xavier; 1.º Sargento Antonio Ferreira da Rocha e Sebastião Ramos Filho; 2.º Sargento Luis Constantino Melo; 3.° Sargento Antonio Januário da Silva; Luis Batista dos Santos; Benjamin Dantas Bacelar e Raimundo Ribeiro da Silva. Cabos Raimundo Nogueira da Silva; José Pacheco Nonato; Ayrdon Xavier; Nicanor Gomes da Silva; Pedro Evaristo da Silva; Manuel de Araújo Vieira e Raimundo Duarte Paiva. Soldados Raimundo Carlos da Silveira; Sebastião Magalhães da Silva; José Pereira Moreno; Júlio de Carvalho Xavier; Aluisio da Silva Maia; José Maria Campos e Agenor Alves da Silva.


A precariedade geral cercava o serviço dos Bombeiros, tanto que a prontidão de incêndio, ou seja, o pessoal escalado para o primeiro atendimento, estava restrito a três elementos (um sargento, um cabo e um soldado). Não se deveria exigir mais, diante da inexistência de viatura para a corrida.
Havia mais pessoal escalado, mas se perdia em patrulhas de feiras e de mercados e guardas de serviços da própria comuna. Alguns, à disposição  de políticos e de outras autoridades.
A escala em feiras e mercados era mais interessante, mais vantajosa, porque rendia sempre algum dividendo, nem que fosse para "a merenda do praça". No entanto, era degradante para os Bombeiros, serviam como "pau pra toda obra", executando todos os serviços da Prefeitura.
Até para recolher lixo eram utilizados, recorda o ex-comandante Nicanor Silva, salientando que o pessoal vestia macacão branco, sem qualquer identificação.


Os bombeiros municipais seguiam sem viaturas, portanto, a reboque dos voluntários. Acordo implícito entre as corporações definiu que, quando houvesse algum sinistro, os bombeiros do comandante Ventura recolhiam o pessoal do capitão Monteiro e, juntando os retalhos, seguiam a cata de milagre.
“Milagre não vale“, proclamam jocosamente os Bombeiros. Aqui em Manaus, os louros, as alegrias de algum sucesso recaiam apenas  nos voluntários.

Com tais justificativas, capitão Monteiro procurou o coronel Cleto. Houve um desentendimento, que passou a um bate-boca e, por pouco, não chegou às vias de fato. Neste sentido, Cleto Veras deixou tradição. Era truculento, tanto na caserna quanto com os civis. Há passagens bem identificadas e em bom número, como a grave ocorrência no balneário do Parque Dez, em outubro de 1958, quando um magarefe tentou alvejá-lo. O tiro acabou atingindo a um Bombeiro, o futuro comandante Nicanor Silva.

No segundo semestre de 1957, por ocasião da preparação do desfile de 7 de Setembro, ocorreu um desentendimento entre comandantes. Entre o da Polícia Militar, coronel Cleto Veras, e o dos Bombeiros, capitão Edmundo Monteiro. Por hábito incorporado pelo comandante da PM desde sua posse, neste desfile, policiais deveriam portar as duas armaduras existentes na PMAM. Monteiro, oficial de bom porte físico, foi escalado pelo comandante Cleto para vestir a medieva armadura. Ao experimentar o trambolho, o modelo escalado reclamou do elmo, pois este deixava sua cabeça desconfortável, daí estimar que durante o desfile militar sofreria maiores incômodos.
Após a altercação com o capitão Monteiro, o comandante da PM decidiu "expulsar" os Bombeiros do Quartel da Praça da Polícia. Não seria grande o estrago, pois os Bombeiros apenas ocupavam um alojamento no andar superior. Uns gatos pingados, que dispunham somente de seus objetos pessoais e, cada um, de um colchão, porquanto a cama-patente pertencia à carga policial.
Sem apelação, os sem-teto tomaram seus pertences e se dirigiram para a Prefeitura que, afinal, era a casa materna. É conveniente lembrar que os Bombeiros, a despeito da subordinação à Prefeitura, se abrigavam na casa alheia. Deu no que deu!
Assim, a partir de 10, a Companhia de Bombeiros Municipais passou a funcionar em um galpão existente detrás da sede da Prefeitura, à praça Dom Pedro II. Onde décadas depois foi montada a sede da Manaustur, ainda existente.
Proclamou o Boletim de 17 set.1957 que, tendo em vista a mudança do Quartel desta Companhia, do Quartel da Policia Militar para o próprio Municipal, sito à av. 7 de Setembro, deixaram de ser confeccionados os Boletins Internos nos dias 10 a 16 do corrente mês, em face de não existir alterações.

Anexo da ex-sede da Prefeitura de Manaus, na
Praça Dom Pedro II, endêreço dos Bombeiros 

Sem alternativa, acolá os Bombeiros se alojaram provisoriamente e, como para ratificar o adágio, o provisório perdurou por mais de cinco anos.

Quartel dos Bombeiros, entre 1963-1974
no Canto do Quintela, Manaus

No início de 1963, quando ocupou o tradicional prédio da avenida 7 de Setembro, próximo ao Canto do Quintela (cruzamento das avenidas Joaquim Nabuco e Sete de Setembro), que, como já descrito, fora inaugurado em 1934, ao tempo da interventoria de Nelson de Mello.

Curiosidade: número do telefone de urgência - 2307. Anote.