CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de junho de 2010

Uma carta e três nomes

Anísio Mello, c1952


Um dia de 1952, partiu de Manaus, em busca do progresso paulista, o casal Anísio e Lindalva Mello. Recém casados , enfrentavam tremendo desafio. Anísio, já era experimentado artista plástico (aquele tempo, apenas pintor), com participação em exposições. Aprendera o jornalismo na prática, na confecção de jornais escolares.
Mas, para enfrentar o desafio, era preciso entre outras providências, alguma apresentação, o encaminhamento de um amigo para outro amigo.
Assim, o casal portou a carta de Ramayana para Adalberto.




Rio, 20/12/52

Meu caro Adalberto,
O nosso conterrâneo Anísio Mello veio do Norte, casado há 5 meses, para vencer.
É desenhista arquitetônico (sic) e pintor de sensibilidade primorosa, sem cursos acadêmicos, além de poeta de valor. Leva uma vasta bagagem de telas, para um possível exposição.
Pede, e eu por ele, apoio e solidariedade, coisa que nunca falhou nesse coração amazônico!
É um casal jovem, que deseja trabalhar honestamente, com inteligência e vontade!
Rogo por eles e creio em ti, meu caro Adalberto, com efusão d´alma!
Um velho abraço do
Ramayana


Falei do primeiro nome: Anísio Mello. Desconheço se recebeu ajuda de Adalberto Valle, que tinha sede em São Paulo. Mas, foi na capital paulista que o casal prosperou. Por anos, Anísio publicou um jornal quinzenal - Correio do Norte, destinado a divulgar o Norte. Concluiu um curso superior e funcionário do Banco de Crédito da Amazônia, neste se manteve até sua aposentadoria.
O terceiro nome é o do saudoso Ramayana de Chevalier, nome já tratado neste espaço. A foto é da campanha estadual de 1958. Não conseguiu êxito.