CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de outubro de 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (XV)

Em dezembro de 1972, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto nº 2425 (Organização básica da Polícia Militar), para reestruturar a força militar do Estado. Entre as mudanças inseridas, destaque para a criação da Rádio Patrulha, instalada na avenida Duque de Caxias; da Companhia de Trânsito, alojada no flanco esquerdo do quartel do Comando Geral, onde estivera na década de 1940 o serviço de Bombeiros; da Polícia Rodoviária, com sede no entroncamento das avenidas Recife e Constantino Nery, hoje ocupado por unidade dos Bombeiros; e o Corpo de Bombeiros, em incorporação.

Zuavo no quartel da
PMAM

Concluído o processo administrativo, em 23 de janeiro, o serviço de extinção de incêndios passou à esfera estadual, abrigado na Polícia Militar do Amazonas. Transcorrera, desde a separação de 1951, pouco mais de duas décadas de muitos acidentes e dilatadas misérias. Chegara o momento de crescer, de prosperar, por isso, rejubilavam-se os municipais.


Ao Estado, representado pela Polícia Militar, cabia contratualmente o direito de selecionar os oficiais e os praças do extinto Corpo de Bombeiros de Manaus. E, de acordo com suas especializações, distribuí-los em quadros especiais. O selecionamento esteve a cargo do major Pedro Câmara, nomeado comandante do Corpo, o primeiro nesta nova fase. A seleção, que adiante será apreciada, produziu graves e profundos desacertos.
Osias Lopes
Secundavam-no, o capitão Roberto Mendonça, autor deste espaço, e meia dúzia de jovens e vibrantes oficiais da milícia estadual. Pela ordem: capitão Odorico Alfaia Filho, tenentes Osias Lopes da Silva; Carlos Alberto de Sales; José Cabral Jafra; José Menezes Pinheiro; Nestor Arnaud Barbosa. Acrescido do tenente Nicanor Gomes da Silva, do extinto corpo municipal.

Os bens móveis de domínio do município, utilizados pelo Corpo de Bombeiros, passaram à gerência do Estado. Outras medidas impostas pela convenção: a dotação de Cr$ 700.000,00 (setecentos mil cruzeiros), por parte da Prefeitura de Manaus, para a construção do quartel do Corpo; para a manutenção da nova organização, 100.000,00 (cem mil cruzeiros) mensal, com reajuste anual, de acordo com a disponibilidade da Prefeitura.


Para a regularização do terreno onde hoje se encontra o Quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro de Petrópolis, a Prefeitura realizaria o pagamento de cento e cinquenta mil cruzeiros ao Hospital Adriano Jorge, pertencente ao Governo Federal.

Quartel dos Bombeiros, em Petrópolis. A Crítica, 4 set 1974
Em caso de desistência do Governo Estadual, hipótese em que o serviço retornaria à responsabilidade do Município, a área da rua Codajás, em Petrópolis, destinada a construção do aquartelamento, e o terreno localizado à rua Recife (ao lado da extinta boate Acapulco), hoje em disputa judicial, passaram à administração do Estado.

Terreno dos Bombeiros na rua Recife, em litígio
O Estado, em cumprimento de suas obrigações, importou da Mercedes Benz na Alemanha, aproveitando os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM), uma dezena de viaturas especializadas e adequadas ao serviço. Algumas, pelo ineditismo na região, turbinaram o sucesso do “novo” Corpo.
O sucesso deslumbrou tanto aos técnicos quanto aos beneficiados, a população, dessa maneira restaurava o respeito e a crença na entidade que sobreviveu arrostando incontáveis e inacreditáveis sacrifícios.
A incorporação estava concretizada, reunindo duas instituições após mais de duas décadas de afastamento. Os esforços governamentais carreados iam ao sentido de oferecer serviço compatível com o desenvolvimento da metrópole.
Inauguração do equipamento importado. A Crítica, 4 set 1974

Saliento que, de parte da Polícia Militar, as diligências foram múltiplas, porém pautadas pela Inspetoria Geral das Polícias Militares. A seleção do pessoal incorporado foi realizada debaixo de normas rígidas e com tal sisudez que os oficiais submetidos à seleção, alguns deles ex-comandantes, não receberam o respeito nem a dignidade do posto. Por isso, vi rolar lágrimas e ouvi lamentos pesados de familiares desses falecidos oficiais, atingidos pela Revolução e, sabe Deus, passíveis de indenização, como tantas que abarrotam bolsos pelo País.