CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

8 de outubro de 2010

Bombardeio de Manaus - centenário

Vista aérea de Manaus, cerca dez anos depois do Bombardeio.
Há um acontecimento na história amazonense ao qual se tem dedicado pouca importância. Quando se afirma que Manaus foi bombardeada, em 1910, a impressão que passa é que se está blefando. Foi exatamente essa a reação que expressou o filho universitário quando comentei com ele sobre essa postagem.
É, pois, sob essa emoção que hoje se comemora o primeiro centenário do Bombardeio de Manaus

Não se pode reduzir o violento episódio à responsabilidade única do então senador Pinheiro Machado (1856-1915), como registram compêndios escolares. Apesar de se saber que o senador gaúcho dominava o poder legislativo federal, e  possuía forte influência no Executivo. Seria um precursor do finado baiano ACM (Antonio Carlos Magalhães)

Tanto esforço bélico empregado no Amazonas, fora a solucão mais insensata para encerrar uma desavença política. O objetivo do canhoneio foi enxotar em definitivo o governador Antonio Bittencourt (1853-1926).

Bittencourt serviu por longo período aos governos do Amazonas, com mais intensidade a partir do governo de Silverio Nery (1900-1904). Eleito senador em 1903, não conseguiu aprovação, posto que Pinheiro Machado "elegeu" em seu lugar o barão de Ladário. Em 1908, Bittencourt assume o governo do Estado. 

Em outubro de 1910, todavia, os mais notórios embaraços do governo de Antonio Bittencourt atingiram o ápice, ocasião em que as forças federais promoveram o Bombardeio de Manaus. O intento foi temporariamente alcançado, pois o Governador ausentou-se do Estado aproximadamente por vinte dias, ou seja, até que a Justiça Federal ordenou sua reintegração no governo do Amazonas.

Nesse dia, o governador Bittencourt "resistiu até o final da tarde, quando o corpo consular e a Associação Comercial o convenceram a ceder". Em defesa da legalidade há notícias de que várias autoridades e homens ilustres pegaram em armas. Aliaram-se à Polícia Militar do Estado, da qual, no enfrentamento, morreram dois praças.

Bittencourt viajou para Belém (PA), onde aguardou a decisão da justiça superior do País. Ao regressar, assumiu o governo das mãos do vice-governador Antonio Sá Peixoto. Em deferência aos mortos, mandou erigir um mausoleu em reverência aos praças mortos em 8 de outubro de 1910.
Há cem anos!

Quartel da Polícia Militar, ao tempo do Bombardeio