CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

11 de outubro de 2010

Marcha da sobrevivência

Em outubro de 1970, a Polícia Militar do Estado efetuou com seu pessoal um exercício entre a Capital e a cidade de Itacoatiara, ao qual denominou de "marcha da sobrevivência".
Convém lembrar aos menos idosos que, em 1967, o Exército inaugurou o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), atraindo alunos até do exterior. A PM amazonense enviou desde a primeira turma seus oficiais, portanto, havia na corporação pessoal adequado e entusiasmado para cumprir a manobra proposta ao comandante da Polícia - coronel (do Exército) Maury Araújo.

Arthur Reis, governador
Lembro ainda que a estrada Torquato Tapajós ou Manaus-Itacoatiara havia sido aberta a circulação, ainda sem asfalto, em setembro de 1965, enorme esforço do governador Arthur Reis (1964-67). Para marcar tão grandioso anseio municipal, a prefeitura levantou um monumento, assemelhado ao Arco do Triunfo, com placa comemorativa. O arco desapareceu no governo do prefeito Chibly Abrahim, em 1977. Um ano depois, quando da inauguração da Celetramazon, após o desfile de Sete de Setembro, a banda de música da PM foi deslocada de Manaus para aquele munícípio. Segui na representação da Polícia, e posso contar que chegamos cobertos de poeira.

O Jornal. Manaus, 11 outubro 1970
Encerrados os preparativos militares, no dia 10, a tropa selecionada partiu de Manaus, saindo do quartel da Praça da Polícia. Alguns oficiais (então capitães Osório, Amilcar), e cerca de quarenta praças, sob  o comando do major Câmara, oficial que possuía irrepreensível predileção pelo balneário da Ponte da Bolívia, e mais, conhecia a estrada como a "palma de sua mão", marcada pela casa de tapioca da dona Teté (à margem do rio Preto) e o banho do Pereuá, pouco antes do rio Urubu.

Como disse, a estrada não dispunha de pavimentação asfaltica, era na verdade uma estrada de terra. No verão, o poeirão e, no período das chuvas, a lama. Estava em início o esforço de colonização, para isso, Arthur Reis deliberou instalar marcos para assentamento de futuros municípios: Tavares Bastos e Visconde de Mauá. Apenas um prosperou, ainda assim, às margens do rio Preto da Eva.

Foto reproduzida de O Jornal. Manaus, setembro 1965
Esta operação militar, entretanto, não recolhe nenhum pionerismo. Em duas ocasiões, os filhos de Itacoatiara surpreenderam: em 1958, "um grupo de expedicionários  itacoatiarenses faz a pé o trajeto Manaus-Itacoatiara", orientados pelo mateiro Domingos "Carão". Tempo do deslocamento: onze dias.
A outra, em agosto de 1965, às vésperas da inauguração da rodovia, coube a um "grupo de jovens, montado em bicicletas", efetuar a ligação entre as cidades. Estabelecem novo recorde: dois dias.
Para saber mais, bem mais sobre Itacoatiara, consulte o historiador: franciscogomes.hist@hotmail.com

Há aqui uma histórica coincidência: quando da marcha, em 1970, eu já era oficial da Polícia Militar, exercendo o cargo de tesoureiro. Não pude seguir com a tropa. Fiz o percurso de automóvel para entregar um "vale" para cada policial que caminhava até a Velha Serpa. Ontem (dia 10), quarenta anos depois, acabo de regressar de Itacoatiara pela rodovia, onde fui rever velhos "cabos eleitorais".

O renovado Cine Cinco Unidos, marco de distintos tempos
de Itacoatiara (outubro 2010)