CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

1 de outubro de 2010

A tragédia do Freire II

1975 – Afunda na ilha do Marrecão, rio Solimões, próximo de Manacapuru, o barco Freire II, resultando em 58 mortos.

Jornal A Crítica. Manaus, 3 outubro 1975
Bombeiros recolhem corpos no rio Solimões. A Crítica.
Manaus, 3 outubro 1975

Em 1º de outubro, o barco Freire II marca encontro com a tragédia, quando, desrespeitando regras básicas de navegação e da natureza amazônica, afunda no rio Solimões, diante da ponta da ilha do Marrecão, próximo a cidade de Manacapuru. Estatística do infortúnio: 58 mortos e quase o triplo de sobreviventes.
Ao conhecer a extensão do acidente, o Governador do Estado, Henoch Reis, por sinal nascido naquele município, determina “a mobilização de todos os recursos de socorro, convocando a Polícia Militar do Estado e o Corpo de Bombeiros, recomendando que não medissem esforços no sentido de atender aos sobreviventes”.


O número de mortos impressiona, certamente a maior tragédia
A Crítica, 4 outubro 1975
Os Bombeiros deslocam para o local uma equipe de oito mergulhadores, aliás, os existentes na corporação, sob o tirocínio do tenente Jorge Levy. No primeiro dia, a equipe resgatou dezesseis corpos, operando até o final da tarde, quando suspendeu as buscas “diante da severa falta de condições, devido a correnteza e a péssima visibilidade e, ainda, a presença de peixes carnívoros”.
Foram dias de cenas duras, duríssimas, provocadas pelo estado dos corpos mutilados que o rio devolvia aos vivos. Três dias depois, “o resgate chega ao fim com 58 mortos”, propagava a chamada do jornal A Crítica que, em editorial, assegura que 
 
O Amazonas está de luto. As vítimas, na maioria mulheres e crianças, permanecerão na dor e na profunda saudade de todos os seus familiares, de todos nós que dificilmente poderemos algum dia esquecer o maior desastre fluvial até hoje registrado na Amazônia.


O desconsolo dos familiares ao enterrar seus mortos