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sábado, outubro 18, 2025

NOTAS SOBRE A POLÍCIA MILITAR AMAZONENSE

 A postagem traz a reprodução de uma coluna publicada em A Crítica, de responsabilidade do jornalista Rubilar Santos, circulada aos domingos. Bastante articulado com as Forças Armadas, sua coluna abrangia estas e a Polícia Militar, que havia incorporado o Corpo de Bombeiros. Apesar da idade – jubileu de ouro – esta coluna me fez recordar velhos camaradas, uns “que já são ossos”, outros que a aposentadoria afasta. Trouxe-me ainda à lembrança o congresso eucarístico que a cidade de Manaus abraçou, e a Cruz estilizada, tarefa do arquiteto Severiano Porto, que perdura no adro da Igreja de Fátima, na Praça 14. 

A Crítica, 29 junho 1975

POLÍCIA MILITAR

CURSO — Viajou com destino à cidade de Ribeirão Preto (SP), onde realizará o curso de Apicultura e Combate a Abelhas e Vespas, o capitão Osias Lopes da Silva do Corpo de Bombeiros.

CONGRESSO EUCARÍSTICO — O comando-geral da Polícia Militar está tomando todas as providências no sentido de oferecer segurança aos participantes do IX Congresso Eucarístico e ao povo em geral. Por outro lado, 80 policiais militares estão sendo preparados pela ESPEA, através do Curso de Formação Turística para Polícia Urbana, com finalidade de atender todos que participarem do Congresso, com maiores informações e dados.

EXAME DE SELEÇÃO — Será iniciado no dia 1º de julho, o exame de seleção para o Curso de Formação de Sargentos da PM. Mais de 100 candidatos frequentarão o curso.

OPERAÇÕES — Os comandos da Cia. de Trânsito, Polícia Rodoviária e Rádio Patrulha continuam realizando suas operações normais, no sentido de oferecer maior segurança à população amazonense, principalmente nos fins de semana. A Polícia Rodoviária participou das diversas operações realizadas com os seguintes oficiais: capitão Fonseca, tenentes Corrêa, Edson, Silva Santos e Santarém.

CAMPANHA EDUCATIVA — Em frente à Cia. de Polícia Rodoviária encontram-se diversas placas educativas, entre as quais anotamos as seguintes:

— MAIS CUIDADOS NOS CRUZAMENTOS E MENOS CRUZES NOS CEMITÉRIOS.

— COSTURAR É PARA COSTUREIRA, FIQUE NA SUA FAIXA.

— LEVE SEMPRE A PRUDÊNCIA COMO PASSAGEIRA.

— DIRIJA COMO SE SUA VIDA DEPENDESSE DISSO, E DEPENDE.

— NÃO APRENDA AS LEIS DO TRÂNSITO POR ACIDENTE. 

SOCIAIS — Contraíram núpcias no dia 13 passado, na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, com a jovem Elizabeth Reis Morais, o capitão Edson de Lima Matias, da Rádio Patrulha. Ontem [28 junho] na Catedral Metropolitana, o 2° tenente Sálvio de Souza Belota com a senhorita Angela Agro Pereira. Ele exerce as funções de ajudante de ordem do governador.

Edson Matias, 1980

ANIVERSARIOS — No dia 23 [junho], o capitão Edmilson, comandante da Cia de Trânsito; dia 24 [junho], o capitão Mar, do 1° BPM; dia 25 [junho], major Ilmar e o tenente Valente; hoje [29], o tenente-coronel Lustosa, assistente militar da SESEG e o aspirante a oficial Gerli Lopes, do 1° BPM. Sargentos — dia 24, o 3° sargento João Aristino Moura dos Reis; dia 25, os 3º sargentos Soriano Pereira da Silva e João Mareio Pereira Vieira. Até domingo

Pedro Lustosa, 2015


quinta-feira, outubro 28, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (XV)

Em dezembro de 1972, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto nº 2425 (Organização básica da Polícia Militar), para reestruturar a força militar do Estado. Entre as mudanças inseridas, destaque para a criação da Rádio Patrulha, instalada na avenida Duque de Caxias; da Companhia de Trânsito, alojada no flanco esquerdo do quartel do Comando Geral, onde estivera na década de 1940 o serviço de Bombeiros; da Polícia Rodoviária, com sede no entroncamento das avenidas Recife e Constantino Nery, hoje ocupado por unidade dos Bombeiros; e o Corpo de Bombeiros, em incorporação.

Zuavo no quartel da
PMAM

Concluído o processo administrativo, em 23 de janeiro, o serviço de extinção de incêndios passou à esfera estadual, abrigado na Polícia Militar do Amazonas. Transcorrera, desde a separação de 1951, pouco mais de duas décadas de muitos acidentes e dilatadas misérias. Chegara o momento de crescer, de prosperar, por isso, rejubilavam-se os municipais.


Ao Estado, representado pela Polícia Militar, cabia contratualmente o direito de selecionar os oficiais e os praças do extinto Corpo de Bombeiros de Manaus. E, de acordo com suas especializações, distribuí-los em quadros especiais. O selecionamento esteve a cargo do major Pedro Câmara, nomeado comandante do Corpo, o primeiro nesta nova fase. A seleção, que adiante será apreciada, produziu graves e profundos desacertos.
Osias Lopes
Secundavam-no, o capitão Roberto Mendonça, autor deste espaço, e meia dúzia de jovens e vibrantes oficiais da milícia estadual. Pela ordem: capitão Odorico Alfaia Filho, tenentes Osias Lopes da Silva; Carlos Alberto de Sales; José Cabral Jafra; José Menezes Pinheiro; Nestor Arnaud Barbosa. Acrescido do tenente Nicanor Gomes da Silva, do extinto corpo municipal.

Os bens móveis de domínio do município, utilizados pelo Corpo de Bombeiros, passaram à gerência do Estado. Outras medidas impostas pela convenção: a dotação de Cr$ 700.000,00 (setecentos mil cruzeiros), por parte da Prefeitura de Manaus, para a construção do quartel do Corpo; para a manutenção da nova organização, 100.000,00 (cem mil cruzeiros) mensal, com reajuste anual, de acordo com a disponibilidade da Prefeitura.


Para a regularização do terreno onde hoje se encontra o Quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro de Petrópolis, a Prefeitura realizaria o pagamento de cento e cinquenta mil cruzeiros ao Hospital Adriano Jorge, pertencente ao Governo Federal.

Quartel dos Bombeiros, em Petrópolis. A Crítica, 4 set 1974
Em caso de desistência do Governo Estadual, hipótese em que o serviço retornaria à responsabilidade do Município, a área da rua Codajás, em Petrópolis, destinada a construção do aquartelamento, e o terreno localizado à rua Recife (ao lado da extinta boate Acapulco), hoje em disputa judicial, passaram à administração do Estado.

Terreno dos Bombeiros na rua Recife, em litígio
O Estado, em cumprimento de suas obrigações, importou da Mercedes Benz na Alemanha, aproveitando os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM), uma dezena de viaturas especializadas e adequadas ao serviço. Algumas, pelo ineditismo na região, turbinaram o sucesso do “novo” Corpo.
O sucesso deslumbrou tanto aos técnicos quanto aos beneficiados, a população, dessa maneira restaurava o respeito e a crença na entidade que sobreviveu arrostando incontáveis e inacreditáveis sacrifícios.
A incorporação estava concretizada, reunindo duas instituições após mais de duas décadas de afastamento. Os esforços governamentais carreados iam ao sentido de oferecer serviço compatível com o desenvolvimento da metrópole.
Inauguração do equipamento importado. A Crítica, 4 set 1974

Saliento que, de parte da Polícia Militar, as diligências foram múltiplas, porém pautadas pela Inspetoria Geral das Polícias Militares. A seleção do pessoal incorporado foi realizada debaixo de normas rígidas e com tal sisudez que os oficiais submetidos à seleção, alguns deles ex-comandantes, não receberam o respeito nem a dignidade do posto. Por isso, vi rolar lágrimas e ouvi lamentos pesados de familiares desses falecidos oficiais, atingidos pela Revolução e, sabe Deus, passíveis de indenização, como tantas que abarrotam bolsos pelo País.