CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de outubro de 2010

Livraria Acadêmica II

Rogel Samuel escrevendo sobre Benjamin Sanches, passou pela Livraria Acadêmica, tendo me enviado o comentário seguinte:

Leio no excelente Blog do coronel que a Livraria Acadêmica de Manaus fechou as portas em 2009. Eu saberia se tivesse ido a Manaus, pois era um dos lugares aonde sempre ia, desde a adolescência. 
“Fundada em 1912, este estabelecimento fechou as portas ano passado. Agora, o edifício passa por reformas e, certamente, ali não mais haverá livros nem papéis. Nem o acolhimento fidalgo do seu Barata. Restará apenas saudades pelo fim do mais antigo templo ocupado pelos leitores da cidade” escreveu Roberto Mendonça.
“O Estado, por iniciativa da Secretaria de Cultura, já transferiu o que restou do acervo da Acadêmica para o Centro Cultural Palácio Rio Branco. Merece ser visitado, aproveitando o visitante para estender os olhos pelos outros seletos ambientes”, acrescentou.
Numa de minhas idas à Acadêmica, comprei um raríssimo exemplar de “Argila”, de Benjamin Sanches, com a bela capa de Moacir Andrade.
O livro estava tão escondido no fundo da sala, que o Sr. Barata não queria vender-me, pois não sabia o preço.

Onde andarão aquelas gigantescas estantes de madeira? E o passado, ali recolhido?
Aquela livraria teve muito a ver comigo: Foi uma das poucas livrarias de Manaus que comprou o meu “O amante das amazonas” diretamente da Editora Itatiaia.

Termino reproduzindo um poema de “Argila”, chamado “”:

Ver
sem
bem
crer.
Crer
sem
bem
ver.
Crer
é
fé.
Ver
não
é.
Argila, Manaus, Sérgio Cardoso, 1957


Rogel:

Suas angústias são pertinentes, afinal tem-se notícias de tantos acervos bem construídos que passaram às prateleiras de “sebos”. Tranquilize-se, o material da Livraria Acadêmica, em sua maior parte, agora compõe uma sala do Centro Cultural Palácio Rio Branco, ali onde serviu de sede para a Assembleia Legislativa do Amazonas.
Outra iniciativa benfazeja foi a produção de um CD-vídeo – Memória da Livraria Acadêmica (1912-2009), material produzido pelo filho do seu Antonio, o Humberto (Beto) Barata, distribuído apenas para os saudosistas, pois se trata ainda de trabalho artesanal.


A Tarde. Manaus,
16 maio 1960
 Para encerrar, reproduzo a Fé, de Sanches, e a Fé, de Aureo Mello, encontradas em jornais de Manaus.

O Jornal, Manaus, 20 agosto 1944