CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, abril 30, 2022

ALMOÇO DA AVC

Ontem (29) ocorreu mais um encontro dos coronéis veteranos da Polícia Militar, e o número de comensais foi expressivo. A coordenação do evento conseguiu retirar de casa alguns impertinentes “domésticos”. A farra ocorreu no “Lenhador” e foi de bom tamanho e de boas risadas, em particular as gargalhadas do amado Torres. Assinaram a lista de presença: Osorio Fonseca| Ruy Freire| Romeu Medeiros| Mael Sá| Cavalcanti Campos| Odorico Alfaia| Eber Bessa| Deusamar Nogueira| Ewerton Amaral| Marinho Alcantara| Vital Menezes| Pereira da Encarnação| Chagas Pereira| Frandemberg Maués| Silvestre Torres| Ary Renato| Adson Costa e Silva| Luís da Rocha| Ronaldo Toledano| Cauper Monteiro| Edmilson Nascimento| Roberto Mendonça e Zé Alberto.

Arnaud, Macedo e Cabral no quartel do
então Corpo de Bombeiros/PM

O evento serviu para relembrar o falecimento de um camarada: coronel Arnaud Barbosa, fato acontecido em Fortaleza, onde residia, mas que foi sepultado em Manaus, com as honras de praxe. Em complemento, compartilho a oração divulgada por outro veterano, coronel PM/BM Levy Marques Sobreira, que a torno minha:

Amigos veteranos da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), hoje é um dia triste para nós devido a separação da matéria de um grande amigo: coronel PM e CBM, sim, posto que em ambas as corporações Nestor ARNAUD Barbosa serviu com amor e dedicação. A ocorrência é motivo também de alegria, visto ele ter sido presenteado com a vida eterna que Deus promete aos seus seguidores.

Arnaud sempre foi um sujeito alegre, brincalhão, gozador, bom de bola, bom companheiro. Saudades ficam, tristeza não, a vida da carne acabou, porém o espírito vivo permanece e nos serve como protetor.

Arnaud, bons momentos vivemos aqui e são eles que guardarei como lembrança. Obrigado pela sua amizade. Kelly e Eduarda, meus sentimentos por tão grande perda, todavia, vocês são muito fortes pela maravilhosa estrutura cristã em aceitar as decisões divinas. A todos os familiares do Arnaud os meus sentimentos.

Acima, Arnaud (com a mão na bola) no juvenil do Nacional FC
abaixo (à esq.) em congresso ao lado do tenente Levy


terça-feira, agosto 03, 2021

BATEDORES DA PMAM (3)

 Ainda em 1972, no comando do coronel Paulo Figueiredo, a Polícia Militar do Amazonas tornou a incluir duas turmas de oficiais R/2, a maioria amazonenses, mas alguns provenientes de Belém (PA) e outros do Nordeste (Fortaleza e Recife). Em novembro de 1973, então no comando do tenente-coronel EB Coutinho de Castro, a PMAM incorporou sete novos oficiais da reserva (R/2).

Francisco Correa, ainda aluno do NPOR; e subtenente
Nonato Bento, mencionado em post anterior

Entre estes, dois se destacaram como Batedores: tenentes Paulo Roberto Vital Menezes e José Francisco Bonates Correa. Este mais, porquanto havia servido na 12ª Cia PE, e, desse modo dispunha de amplas noções no manuseio de motocicleta militar. Na corporação estadual esteve sempre ligado ao policiamento de trânsito, no comando da Polícia Rodoviária (1984-87) e no do Batalhão de Trânsito (1997), sem contar sua passagem na direção-geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Outro ligado ao policiamento de trânsito foi o hoje coronel da reserva Vital de Menezes. Integrou a equipe de batedores e passou pelo comando do Batalhão de Trânsito em 1992 e 1995. Esteve no comando do batalhão sediado em Itacoatiara, sua terra natal, e onde deve ter admirado com frequência a moto dirigida por seu genitor. Encerrou sua passagem pelo serviço público na direção da Secretaria de Segurança Pública.

Marco Aurelio e Cabral Jafra, ambos com uniforme do 
NPOR. Ambos batedores, citados em post anterior

Vital ainda pode oferecer mais sobre sua atividade como Batedor, já Correa faleceu ano passado. Todavia, a presença deste na corporação deverá ser esculpida, como patrono do atual Batalhão de Policiamento de Trânsito. O comando desta unidade promove a gestão junto ao comando-geral da PMAM pelo preito.

A história dos Batedores prossegue.

quinta-feira, julho 29, 2021

BATEDORES DA PMAM (2)

Ao acolher o comentário de um vibrante “tenente-civil”, resolvi editar a publicação anterior, para contar de maneira adequada a evolução da arte de conduzir a motocicleta na Polícia Militar do Amazonas. Este vibrante oficial é o empresário Renato Aguiar Dias, que foi tenente PM em breve período, tendo se exonerado para dirigir o próprio empreendimento comercial. Seu comentário obrigou-me a consultar os Almanaques da Força Policial e ouvir alguns veteranos.

De fato, o serviço de Batedores devidamente estruturado passou a integrar a Companhia de Trânsito (Cia Tran), criada em 1972, quando esta foi instalada no quartel da Praça da Polícia, com entrada pela rua José Paranaguá. Naquela ocasião, com o advento da Zona Franca, o governo do Estado adquiriu quatro motos Harley-Davidson, cujos “restos mortais”, 50 anos depois, ainda assombram os depósitos de manutenção.

Recorda ainda o tenente Renato – que era o chefe do setor de moto mecanização da Cia Tran – que as motos foram identificadas pelos prefixos: AM-010 | AM-011 | AM-012 | AM-013 e foram diariamente utilizadas no comboio do governador João Walter, seja da residência deste no Palácio Rodoviário e o Palácio Rio Negro, seja nos deslocamentos oficiais.

Tenente Fernando Valente (acima) e
Nestor Arnaud, ainda fardados de alunos 
do NPOR 


Em janeiro de 1972, o comandante da PMAM, coronel EB Paulo Figueiredo (1971-73) fez ingressar na corporação novos oficiais R/2. Dos incluídos, participaram de um Curso ou Estágio de Escolta e Segurança em Motocicleta, acredito que na 12ª Companhia de Polícia do Exército (Cia PE), atualmente 7º BPE: tenentes José Cabral Jafra, Fernando Valente Pereira, Nestor Arnaud Barbosa e Marco Aurelio Gomes da Silva, e o sargento Raimundo Gaio de Moraes Filho. São estes, portanto, os primeiros a conquistar o distintivo desta especialização.

A história dos Batedores vai prosseguir.

quarta-feira, outubro 12, 2011

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (XXIV)

Ao final de 1994, a PM do Amazonas indicou o coronel Deusamar Assis Nogueira, que deixava o gabinete do vice-governador Francisco Garcia, para o comando dos Bombeiros. Enquanto este oficial transferia os encargos daquela função, o tenente-coronel Homero Leite de Almeida exerceu o comando em caráter transitório, de 22 de novembro a 20 de janeiro de 1995, data da posse do coronel Nogueira.

O governador Amazonino Mendes, empossado em 1.º de janeiro, designou para o comando da Polícia Militar o coronel Mael Rodrigues de Sá, que assumiu ainda em janeiro.

Governador Amazonino Mendes e coronel Mael Sá, 1995
Para melhor compreender a evolução dos Bombeiros, cabe recordar um acontecimento de ampla repercussão nacional; em 1988, o Congresso Nacional promulgou a Constituição vigente, intitulada de Constituição cidadã. Antecedida de amplos debates, a Carta Magna acomodou numerosos direitos, entre esses proporcionou aos Bombeiros a conquista da emancipação.

Há tempo, essa secessão estava engajada nos quartéis dos soldados do fogo de todo o País, lembrando que estes foram submetidos à Polícia Militar durante o regime dos militares, salvo os do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Tão logo a Constituição foi promulgada, deu-se partida em busca da separação, cabendo ao estado do Acre a conquista da pole position, em março de 1989. Em busca desse intento, os bombeiros amazonenses encetaram reuniões e encontros (quase tudo documentado) e, encorajados nesses, superaram árduos insucessos.

Até que o governador Amazonino Mendes autorizasse a divisão, havia passado dez anos desde o sucesso do desbravador acreano.

Cabral Jafra, Asp Of Exército


Em 1º de novembro de 1995, o Corpo de Bombeiros assistiu nova substituição de comandante; assumiu o coronel José Cabral Jafra.

Quando foi designado para comandar o CCB, coronel Cabral Jafra conhecia bastante tanto o quartel quanto o serviço de bombeiros. Afinal, em 1973, quando da incorporação do CBM ali servira próximo de oito anos, de forma que se considerava autodidata no assunto.

Enfrentara diversas ocorrências de variadas magnitudes e conhecia os veículos, cuja primeira remessa de importados, ele recebera. Comandou pouco mais de seis meses.
Nesse período, empenhou-se em dotar o Centro de Atividades Técnicas (CAT) de novo direcionamento, tratando-se de órgão administrativo obrigado a lidar com entidades civis e atender regras destas e da prefeitura de Manaus. Tem convicção de que disciplinou o trabalho e sua gestão financeira.

Coronel Cabral
Outra preocupação sua dizia respeito à disciplina no quartel. Comumente conhecida por ordem unida, ou seja, colocar a turma nos brios. E mais, sob recomendação do comandante-geral, enraizar os conhecimentos operacionais, em dialeto policial militar, cumprir a instrução programada.

Treinar e treinar, como convém aos bombeiros. Houve certo queixume de parte de oficiais, argumentando que o comandante não dispunha de formação qualificada. Extraordinário conversador, coronel Cabral, que se considerava autodidata na matéria, fez entender aos queixosos que seu tempo de Bombeiros o habilitava a exigir e a ensinar.

Conseguiu ser bem-sucedido. Uma ascensão funcional, porém, determinou sua exoneração, em 8 de maio de 1996. Assumiu a chefia da Casa Militar do governador Amazonino Mendes.

quinta-feira, outubro 28, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (XV)

Em dezembro de 1972, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto nº 2425 (Organização básica da Polícia Militar), para reestruturar a força militar do Estado. Entre as mudanças inseridas, destaque para a criação da Rádio Patrulha, instalada na avenida Duque de Caxias; da Companhia de Trânsito, alojada no flanco esquerdo do quartel do Comando Geral, onde estivera na década de 1940 o serviço de Bombeiros; da Polícia Rodoviária, com sede no entroncamento das avenidas Recife e Constantino Nery, hoje ocupado por unidade dos Bombeiros; e o Corpo de Bombeiros, em incorporação.

Zuavo no quartel da
PMAM

Concluído o processo administrativo, em 23 de janeiro, o serviço de extinção de incêndios passou à esfera estadual, abrigado na Polícia Militar do Amazonas. Transcorrera, desde a separação de 1951, pouco mais de duas décadas de muitos acidentes e dilatadas misérias. Chegara o momento de crescer, de prosperar, por isso, rejubilavam-se os municipais.


Ao Estado, representado pela Polícia Militar, cabia contratualmente o direito de selecionar os oficiais e os praças do extinto Corpo de Bombeiros de Manaus. E, de acordo com suas especializações, distribuí-los em quadros especiais. O selecionamento esteve a cargo do major Pedro Câmara, nomeado comandante do Corpo, o primeiro nesta nova fase. A seleção, que adiante será apreciada, produziu graves e profundos desacertos.
Osias Lopes
Secundavam-no, o capitão Roberto Mendonça, autor deste espaço, e meia dúzia de jovens e vibrantes oficiais da milícia estadual. Pela ordem: capitão Odorico Alfaia Filho, tenentes Osias Lopes da Silva; Carlos Alberto de Sales; José Cabral Jafra; José Menezes Pinheiro; Nestor Arnaud Barbosa. Acrescido do tenente Nicanor Gomes da Silva, do extinto corpo municipal.

Os bens móveis de domínio do município, utilizados pelo Corpo de Bombeiros, passaram à gerência do Estado. Outras medidas impostas pela convenção: a dotação de Cr$ 700.000,00 (setecentos mil cruzeiros), por parte da Prefeitura de Manaus, para a construção do quartel do Corpo; para a manutenção da nova organização, 100.000,00 (cem mil cruzeiros) mensal, com reajuste anual, de acordo com a disponibilidade da Prefeitura.


Para a regularização do terreno onde hoje se encontra o Quartel do Corpo de Bombeiros, no bairro de Petrópolis, a Prefeitura realizaria o pagamento de cento e cinquenta mil cruzeiros ao Hospital Adriano Jorge, pertencente ao Governo Federal.

Quartel dos Bombeiros, em Petrópolis. A Crítica, 4 set 1974
Em caso de desistência do Governo Estadual, hipótese em que o serviço retornaria à responsabilidade do Município, a área da rua Codajás, em Petrópolis, destinada a construção do aquartelamento, e o terreno localizado à rua Recife (ao lado da extinta boate Acapulco), hoje em disputa judicial, passaram à administração do Estado.

Terreno dos Bombeiros na rua Recife, em litígio
O Estado, em cumprimento de suas obrigações, importou da Mercedes Benz na Alemanha, aproveitando os incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM), uma dezena de viaturas especializadas e adequadas ao serviço. Algumas, pelo ineditismo na região, turbinaram o sucesso do “novo” Corpo.
O sucesso deslumbrou tanto aos técnicos quanto aos beneficiados, a população, dessa maneira restaurava o respeito e a crença na entidade que sobreviveu arrostando incontáveis e inacreditáveis sacrifícios.
A incorporação estava concretizada, reunindo duas instituições após mais de duas décadas de afastamento. Os esforços governamentais carreados iam ao sentido de oferecer serviço compatível com o desenvolvimento da metrópole.
Inauguração do equipamento importado. A Crítica, 4 set 1974

Saliento que, de parte da Polícia Militar, as diligências foram múltiplas, porém pautadas pela Inspetoria Geral das Polícias Militares. A seleção do pessoal incorporado foi realizada debaixo de normas rígidas e com tal sisudez que os oficiais submetidos à seleção, alguns deles ex-comandantes, não receberam o respeito nem a dignidade do posto. Por isso, vi rolar lágrimas e ouvi lamentos pesados de familiares desses falecidos oficiais, atingidos pela Revolução e, sabe Deus, passíveis de indenização, como tantas que abarrotam bolsos pelo País.