CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

29 de fevereiro de 2012

Memórias amazonenses

Fevereiro, 29

1908 – A faixa de terra que circunda o igarapé da Cachoeirinha, no bairro de Educandos, então denominado de Constantinópolis, sofre marcante reurbanização. A artéria no alto do barranco toma a denominação de boulevard Sá Peixoto; a paralela, que tem de referência o provincial Instituto dos Educandos Artífices, hoje EE Machado de Assis, e o saudoso dancing União Atlética de Constantinópolis, do Alonso, o Marreteiro, intitula-se rua Amâncio de Miranda.

Facsimile da firma de Sá Peixoto

O primeiro homenageado era o então senador Antônio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto, que marcou a vida política do Estado. Nascido em 1869 no Rio de Janeiro, então capital imperial, ao concluir a Faculdade de Direito de São Paulo, foi nomeado juiz federal na seção do Amazonas. Aqui desembarcou ao tempo do governo de Eduardo Ribeiro. Logo foi nomeado professor em colégios estaduais.

Em 1893, foi eleito intendente (vereador) e, sendo presidente, exerceu a superintendência (prefeito) de Manaus. No ano seguinte, era deputado federal, quando exerceu o magistério na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro.  Em 1897, foi eleito deputado estadual e dois anos depois voltava à Câmara Federal. E, senador em 1905, para concluir o mandato do senador pelo Amazonas, almirante Costa Azevedo.

No entanto, em 1908 foi eleito vice-governador do coronel Antônio Bittencourt. O período foi de desavença entre ambos, resultando no episódio dantesco do Bombardeio de Manaus, em outubro de 1910. Encerrado este mandato em 1912, foi no ano seguinte nomeado desembargador do Tribunal do Amazonas, aos 44 anos.

Apesar de afastado de cargo eletivo, porém, a partir desta posição no judiciário, Sá Peixoto continuou exercendo sua forte influência. A Academia Amazonense de Letras o conduziu a Cadeira 6, sucedendo a um fundador, J. Mendonça Lima. Faleceu em Belém (PA), aos 79 anos, em 1948.
Facsimile da assinatura do padre Amâncio de Miranda
 
O outro homenageado era o cônego Raimundo Amâncio de Miranda (1848-1901). Nascido em Manaus, de família pobre, teve no bispo do Pará, Dom Macedo Costa, assistência para alcançar o sacerdócio, servindo à Igreja em Belém.

Em 1888, era vice-presidente da província do Amazonas e, nessa condição, exerceu a presidência por escassos 20 dias, enquanto o novo titular aqui desembarcava. Talvez na ocasião tenha sido professor do Liceu Amazonense, o estabelecimento que antecede o Ginásio Amazonense, e também dirigiu a Instrução Pública. São poucas as referências sobre este sacerdote.

27 de fevereiro de 2012

Bacharéis da FDA na Academia de Letras

A Faculdade de Direito do Amazonas, então integrante da Universidade Livre de Manaus, precursora da atual Universidade Federal, graduou sua primeira turma em 1914. Como é sabido, foi esta faculdade que manteve o elo entre aquela e a atual instituição superior. Esteve sempre em funcionamento, produzindo os bacharéis para nossa Justiça e outras atuações.

Antiga sede da Faculdade de Direito, na praça dos Remédios
Uma cifra expressiva passou e ainda integra a Academia Amazonense de Letras. Cifra bastante minguada em nossos dias, por motivos que não cabem nesta postagem.
Relaciono, com alguma nota, os 34 bacharéis-acadêmicos de 1914 a 1960.
Símbolo da Academia de Letras

1914
- José Chevalier Carneiro de Almeida, nascido em Alagoas, um dos fundadores da Academia e pai de outro imortal – Ramayana de Chevalier;
- Sadoc Costa Pereira, o primeiro amazonense formado na FDA promovido a desembargador, ingressou na Academia em 1952.
1920
- Paulo Elheuterio Alvares da Silva, de Pernambuco, outro fundador da Academia;
- Washington Cesar de Mello, amazonense, empossado em 1951.
1922
- Leopoldo Carpinteiro Péres, de Pernambuco, empossado em 1933.
1929
- Vivaldo Palma Lima, da Bahia, tomou posse em 1934.
1933
- Américo Amorim Antony, poeta amazonense, ingressou na Academia em 1959.
- Mithridates Álvaro de Lima Correa, amazonense, acadêmico em 1952.
1934
- Leôncio Salignac e Souza, amazonense, que foi presidente da Academia entre 1958-1968.
1936
- Joao Nogueira da Matta, amazonense, empossado em 1959;
- Sebastião Norões, amazonense, empossado em 1969.
1939
- Felix Valois Coelho, do Maranhão, empossado em 1948;
- Jauary Guimarães de Souza Marinho, amazonense, empossado em 1994;
- Oyama Cesar Ituassú da Silva, amazonense, presidente da Casa entre 1993-95;
- Paulo Pinto Nery, amazonense, empossado em 1979.  
1943
- Aderson Andrade de Menezes, amazonense, empossado em 1956.
1944
- Carlos Alberto de Almeida Barroso, amazonense, acadêmico em 1960.
1945
- Agnello Uchoa Bittencourt, amazonense, empossado “post mortem” em 1997;
- Samuel Isaac Benchimol, amazonense, empossado em 2002.
1946
- José Bernardino Lindoso, amazonense, acadêmico em 1960;
- Mário Ypiranga Monteiro, amazonense, empossado em 1948.
1947
- Aderson Pereira Dutra, amazonense, acadêmico em 1983;
- Agenor Ferreira Lima, amazonense, empossado em 1979;
- Plínio Ramos Coelho, amazonense, empossado em 1984;
- Waldemar Batista de Salles, da Paraíba, acadêmico em 1969.
1949
- Octavio Hamilton Botelho Mourão, amazonense, empossado em 1983;
- Paulo Herban Maciel Jacob, do Pará, empossado em 1971.
1952
- Armando Andrade de Menezes, amazonense, acadêmico em 1998;
- João Mendonça de Souza, amazonense, empossado em 1952.
1954
- José Bernardo Cabral, amazonense, empossado em 1983.
1955
- Arlindo Augusto dos Santos Porto, amazonense, atual presidente;
- João Chrysostomo de Oliveira, amazonense, empossado em 1959;
- José Jefferson Carpinteiro Péres, amazonense, acadêmico em 1993.
1960
- Almir Diniz de Carvalho, amazonense, empossado em 2000.

26 de fevereiro de 2012

Bairro de Santa Luzia

Na sexta-feira passada, aproveitamos o encontro do Chá do Armando para comemorar, com antecedência, o aniversário do Aguinaldo Figueiredo. O conhecido professor de História comemora hoje 54 anos.
Professor Aguinaldo Figueiredo


Na ocasião disse-lhe do que mais e menos admirava nele. Esquecera-me de mais uma virtude: a sua paixão pelo bairro de Santa Luzia. Por isso, quero neste espaço novamente cumprimentá-lo, rogando à Santa que o ilumine na difícil tarefa de transmitir conhecimentos. E dizer-lhe que me preparo para o repiquete do Red, no próximo Chá.

Aproveito ainda para trasladar algumas informações sobre a paróquia de Santa Luzia, suplementando aquelas postadas na quinta-feira 23.
Esta divisão eclesiástica tem um privilégio, foi a primeira paróquia criada após a elevação do Amazonas a arquidiocese, mantendo seu bispo na direção do mesmo território. A Bulla papal tem a data de 2 de julho de 1952. Sessenta anos depois, temos Dom Luiz Soares Vieira administrando apenas a Arquidiocese de Manaus.

A paróquia de Santa Luzia foi criada no dia 24 de setembro de 1953, pelo arcebispo [do Amazonas] Dom Alberto Gaudêncio Ramos, sendo o seu primeiro vigário o padre Paulino Lammeier.
Desmembrada da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Educandos, seus limites se estenderam a partir do igarapé da Cachoeirinha, pelo beco da Serraria Amazonas, até à avenida Leopoldo Peres, daí seguindo pela estrada do Aeroporto de Ponta Pelada [Base Aérea de Manaus], abrangendo todo o perímetro de terrenos pertencentes à Aeronáutica. Do outro lado, ficou limitada pelo igarapé do Crespo e da Cachoeirinha, até o ponto inicial.

O terreno destinado à construção do templo foi produto da doação de um amigo da Igreja ao tempo em que o pároco de Educandos era o cônego Antônio Plácido de Souza, em 1946.
Este, desgostoso com o descaso do povo e as constantes invasões sofridas, devolveu a doação, sendo, em 1953, redoado (sic) pelos herdeiros do primeiro doador, àquela altura quase todo transformado em praça, ficando livre apenas a parte central onde foi construída a Escola Santa Luiza de Marillac, para obras sociais e instrução religiosa.

Mas o templo, em outro local, foi finalmente inaugurado a 13 de dezembro de 1967.

Extraído de Elson Farias. Cem anos de fé: centenário da arquidiocese de Manaus (1993)

24 de fevereiro de 2012

Memórias amazonenses

Fevereiro, 24
1898 – Nasceu em Manaus, Leopoldo Amorim da Silva Neves, o Pudico, que foi governador do Estado (1947-51). Graduou-se em agronomia pela Escola Agronômica de Manaus (1921), quando nascia seu cunhado, o desembargador Paulo Jacob (tópico abaixo). Politico, foi prefeito de Parintins (AM).  E durante seu mandato, em 1932, em apoio à revolução constitucionalista de São Paulo, os amotinados do forte de Óbidos (PA) invadiram a cidade do Pudico.
Essa história é bem conhecida pelo codinome de Batalha Naval de Itacoatiara, que está completando 80 anos. Deixando Parintins, os revoltosos intentavam chegar a Manaus, mas foram rechaçados em frente a Velha Serpa, em confronto com características marcantes. Ambas as forças, legais e rebeladas, utilizavam barcos regionais ou navios cargueiros. E tudo terminou no rio Amazonas.
Neves, em 1947, ao final da ditadura Vargas, foi eleito governador do Estado. O patético apelido de Pudico (invenção familiar) não teve condições de manter o desfigurado Estado na superfície, de bubuia. Ao final do mandato, passou ao Cabeleira (Álvaro Maia) o Amazonas com mais obstáculos.
Morto, o nome de Leopoldo Neves, ainda bem que instalado em duas artérias de Manaus, foi cassado da mais vistosa e mais movimentada, a hoje avenida Kako Caminha. A outra homenagem é mantida no bairro de Santa Luzia, onde ainda abriga outro tributo: a Escola Estadual.
Leopoldo Neves morreu pobre, gabavam-se seus admiradores, em 1953.
Almir Diniz
1921 – Nasceu em Belém (PA), Paulo Herban Maciel Jacob, que faleceu desembargador do Tribunal amazonense. A sua naturalidade parece não bem definida, pois, Armando de Menezes e Almir Diniz, ambos contemporâneos da Academia de Letras e de outras associações, asseguram que o mesmo nasceu em Manaus.
No entanto, os saudosos desembargadores Oyama Ituassu e Mário Verçosa, portanto colegas, em estudos publicados sobre o Tribunal de Justiça, registram o nascimento de Paulo Jacob em Belém do Pará.
Admitido o registro do Tribunal, o autor de Chuva Branca vem engrossar a delegação paraense na Casa de Adriano Jorge. Agora são dez, a maior representação, aqui indicados pela antiguidade: Alcides Bahia; Benjamin Malcher de Souza; José Francisco de Araújo Lima; Benjamin Franklin de Araújo Lima; João Huascar de Figueiredo; Genesino Braga; Dom Alberto Gaudêncio Ramos; Mário Augusto Pinto de Moraes; Paulo Herban Maciel Jacob (de 1971 a 2003) e Zemaria Pinto de Figueiredo.
Romancista premiado nacionalmente, Jacob produziu quinze livros, de Muralha Verde (1965); passando por Dos ditos passados nos acercados do Cassianã (1969), encerrando com Tempos infinitos (1999).
Residiu durante anos em majestosa casa à rua Major Gabriel, de frente para o igarapé de Manaus. Motivo por esse apego, o governo do Estado adotou seu nome no espaço que o Prosamim transformou aquele degradado igarapé em Parque. Parque desembargador Paulo Jacob, onde eu moro.
Já contei isso neste canto. Na parte que circunda o Palácio Rio Negro, a continuação do mesmo igarapé tem a denominação de Parque senador Jefferson Péres, administrado pela Secretaria de Cultura. Uma beleza: tem segurança, horário, diversão para as crianças, ausência de cães, a Bandeira Estadual marcando aquele território e grama aparada e...
Atualmente, “seu” (desculpe a intimidade) Paulo Jacob, o seu Parque anda entregue às baratas, com o perdão desses insetos. Ele está entregue mesmo é ao mato, às capoeiras; aos desocupados, a colônia de pés-inchados; aos vândalos e à merda de cachorros e de humanos. Pois é, sem segurança, o pessoal faz o que bem entende.
Eu sei que hoje você habita os “acercados do Cassianã”, mas bem que poderia ainda exercer suas influências junto a Prefeitura, a fim de que a turma não destrua o profundo saneamento que embelezou a cidade, cuja conta deve ser paga por “nosostros”.
O acadêmico e desembargador Paulo Jacob morreu em 2003.

23 de fevereiro de 2012

O "Remanso" de Anísio Mello


Capa do livro
Recebi, de São Paulo, o livro de poesia Remanso, da lavra do meu dileto amigo Anísio Mello, amazonense que abandonou a terra, como muitos outros, e fixou residência no grande estado de São Paulo quatrocentão. Anísio não é desconhecido entre nós. Publicou em Manaus Lira nascente e Minhas vitórias régias.

Além de poeta, é pintor e musicista, sendo, portanto, um artista na mais ata e completa acepção do termo. Em Manaus realizou com pleno êxito algumas exposições de pintura. Sua mãe, D. Ester Taumaturgo Soriano de Mello, exímia pintora, deve ter exercido notável influência na formação artística do filho.

Anísio Mello é um poeta que não se escravizou a nenhuma escola. Possui versos brancos, poemas livres e sonetos metrificados e rimados. O poeta recomenda-se por qualidades eminentes, sentindo-se sempre em seus versos um sopro de quente inspiração. Celebra em sua poesia o vento, as flores, as tardes, as noites, os matupás dos lagos e dos igapós, os plenilúnios, pirilampos, numa palavra, a natureza policrômica deste Amazonas colossal, que é o eterno paraíso dos sábios e dos poetas.


Anísio Mello, na aba do Remanso
O autor enfeixou no volume versos de beleza pagã e também, versos sacros, como o soneto Hóstia, dedicado ao inspirado poeta Padre Manuel Albuquerque em que ele celebra a “Majestade eucarística do pão divino dos nossos altares”.
Anísio Mello é um poeta acentuadamente introspectivo, desses poetas que não têm só alma para cantar a natureza, com os seus lustres e as suas galas, mas possuem o hábito do recolhimento para as reflexões profundas. Homem sem exuberâncias comunicativas, prefere o silêncio das solitudes, onde as grandes almas se sentem bem. Ele próprio o declara na poesia Alma de cipreste, que é um perfeito autoretrato:

Minha alma é como um cipreste ereto e soturno!
Sente-se bem quando só.
No silêncio dos túmulos
está a meditação profunda!
No silêncio está a pureza da hora!
A poesia é filha do silêncio
e da meditação.
Poesia de silêncio é pura e toma forma.
As visões da imaginação
se esboçam no cérebro e acariciam
na veludez dos gestos a alma do poeta.
O poeta sente-se bem
e vai conversar com a poesia,
virando poeta outra vez.
Retratou-se o autor nesse lanço de expressiva inspiração. Seu espírito meditativo mais se assemelha ao cipreste contemplativo do que a uma árvore garrida de flores, e trepidante de gorjeios. Tem alma de cipreste, porque lhe apraz o “silêncio dos túmulos”, gerador das meditações profundas.

Agradeço penhorado ao meu dileto amigo a remessa de um exemplar do livro, em excelente papel e nítida apresentação gráfica. Desejo-lhe novos triunfos nas letras e nas artes, de tal modo que afirme na trepidação de São Paulo o vigor da inteligência amazonense!

Padre Nonato Pinheiro, da Academia Amazonense de Letras.
Letras & Livros  (Jornal do Comércio, de 6 novembro 1958)
 
Nota do “catador”: Anísio Mello somente alcançou a Academia Amazonense de Letras em 2003, quando contava 76 anos. Ocupou a poltrona azul nº 3 por somente oito anos. Neste sodalício, não teve oportunidade de dialogar com o padre Nonato Pinheiro, pois este “abriu vaga” em 1994.

Carta aberta aos Vereadores

Senhores vereadores:

(...) O padre Paulino Lammeier, zeloso vigário da paróquia, preocupa-se presentemente com a responsabilidade absorvente da construção da Matriz. Convidou-me a cooperar na campanha em prol da edificação do templo, que será dedicado à famosa taumaturga siracusana. Algumas contribuições já surgiram, sendo mais expressiva a do governo estadual, no valor de CR$ 20.000, (vinte mil cruzeiros).

Padre Nonato (à esq.), governador Gilberto Mestrinho (a frente)
e padre Paulino e um coroinha (à dir.). O Jornal, 1960
A paróquia de Santa Luzia é das mais pobres, dispondo apenas de modesto patrimônio. Sou testemunha da vida simples que o vigário mantém, sem nenhum conforto em sua residência, já tendo participado algumas vezes de sua mesa frugalíssima.

Pessoalmente entrei em entendimentos com os presidentes de três clubes sociais, que prometeram cooperar, restando reunirem as respectivas diretorias para acertarem planos de execução.

É evidente que tais contribuições particulares não serão suficientes para a construção da igreja. O alto custo do material e da mão de obra raia pelo absurdo. A Providência Divina inspirou-me uma sugestão, que respeitosamente transmito a VV. Exas. para os devidos fins.

A distinta professora Lucinda Felix de Azevedo doou à paroquia de Santa Luzia um grande terreno que pertenceu a seu falecido pai, Eduardo Felix de Azevedo. O referido terreno possui uma área total de quatro mil, trezentos e quarenta e cinco metros quadrados (4.345m2), com um perímetro de quatrocentos e oitenta e dois metros lineares (482m).

Limita-se ao norte com o igarapé da Cachoeirinha, por uma linha de 22 metros no azimute de 55º SW; a oeste, com terras de propriedade de I. B. Sabbá, por uma linha de 220 metros no azimute 15º SE; ao sul, com terras ocupadas por diversos moradores, por uma linha de 20 metros no azimute de 55º NE; a leste, com terras ocupadas por diversos moradores, por uma linha de 220 metros no azimute de 13º NW.

Esse terreno, Senhores Vereadores, não é outro que a praça ajardinada, em que se construiu o abrigo Salgado Filho, e que constitui o mais belo logradouro público do bairro. Tive em mãos todos os documentos comprovantes, que se encontram no arquivo paroquial: o título definitivo, passado pelo interventor federal Lauro Silva de Azevedo; a Certidão do Registro de Imóveis, assinada pelo oficial Washington Cesar Melo; e a escritura de doação, feita pela professora Lucinda Felix de Azevedo em favor da paróquia de Santa Luzia, assinada pelo tabelião Milton Nogueira Marques. O terreno foi medido pelo profissional Daniel Sevalho Junior.

Feita a presente exposição, entrego ao lucido critério de VV. Exas. a solução do caso. Convencido estou de que o pleito encontrará boa vontade e compreensão da parte do Sr. Loris Valdetaro Cordovil, DD. Prefeito municipal. O vigário não deseja litígios, mas espera da Câmara Municipal e da Prefeitura uma decisão fraternal e amiga.

Creio que a comuna poderia arcar com o compromisso do material para a construção do templo, e talvez da mão de obra, numa equivalência razoável do terreno paroquial, que o povo utiliza.

A causa é justa e nobre. Além do aspecto compensatório, que envolve a questão, salientamos a contribuição arquitetônica do novo templo para o embelezamento do bairro e o objetivo sublime de seu funcionamento, erguendo as almas para Deus nas asas da fé, da esperança e da caridade. (...)

Pedindo a valiosa proteção da insigne taumaturga sobre VV. Exas., senhores Edis, subscrevo-me atenciosamente.

Manaus, 1º de outubro de 1961



Padre R. Nonato Pinheiro

Nota atual: Esta postagem atende o amigo Aguinaldo Figueiredo, festejado autor de História do Amazonas e, mais especialmente, do premiado Bairro de Santa Luzia. Ele certamente poderá nos informar o resultado do pleito que o saudoso padre-acadêmico Nonato Pinheiro endereçou aos Edis, há pouquíssimo mais de meio século.

Nessa época, na condição de seminarista, frequentava a igreja do padre Paulino. De fato, era insignificante, pois, pequena e de madeira, não oferecia nenhum atrativo. O próprio vigário, um alemão, não encantava como os padres-cantores da igreja católica moderna. Depois, “promissor” goleiro do Botafogo, do Morro da Liberdade, frequentei bastante a praça. Ia lá para assistir ao sorteio da tabela do campeonato entre-os-bairros, ou seja, Santa Luzia e Morro.

Enfim, prometo ao devotado historiador santa-luziense que logo mais, com Black ou sem Red, entrego-lhe cópia desta carta. E, cantarolando com o poeta: “a praça Castro Alves é do povo...”, em Santa Luzia, aconteceu mesmo.

22 de fevereiro de 2012

Lançamento de livro



A Livraria e Editora Valer têm a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do livro Contos de Sagração (160p. R$ 25,) de Nicia Petreceli Zucolo, que acontecerá dia 29 de fevereiro, quarta-feira, às 19h, no Espaço Cultural da Livraria Valer, situado na Rua Ramos Ferreira, 1195 –Centro.
Contatos: (92) 3635-1245

Candidato à Academia

No instante em que já existe candidato em pré-campanha à vaga de Alencar e Silva, morto em setembro passado, transcrevo um texto do saudoso padre Nonato Pinheiro. Esclareço que este sacerdote possuía uma coluna jornalística, outra de noticias religiosas e prestava colaboração semanal com algum jornal. Além dessa imensa bagagem, noticiava sobre a Academia Amazonense de Letras.

Padre Nonato Pinheiro

Outro esclarecimento, o referido acadêmico integrou algumas das diretorias, na função de secretário-geral da Casa. Dessa maneira, sabia das coisas. E a transparência era mais patente.

Em sua coluna Letras & Livros, inserta no Jornal do Comércio (18 setembro 1958), Nonato Pinheiro registrou:

Candidatos à Academia

Inscreveram-se como candidatos às vagas da Academia Amazonense de Letras, em ordem cronológica, os intelectuais Djalma Passos, Waldemar Batista de Sales, Lafayete Carneiro Vieira, Francisco Pereira da Silva e João Nogueira da Mata.

Djalma Passos é poeta. É candidato à cadeira nº 13, cujo patrono é Tobias Barreto. A cadeira teve primitivamente o patrocínio de Visconde de Taunay. Seu primeiro ocupante foi Gaspar Guimarães, jurista de soberba cultura, que deixou uma tradição flamejante, assim no Fórum como na Academia.

Sucedeu-lhe na cadeira o desembargador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro, que proferiu belo discurso de posse. Apesar de reverenciar a memória de Escragnolle, Arthur Virgílio não conseguia manter-se tranquilo. É que sentia falta de um lúmen em uma de nossas poltronas: o patrocínio de Tobias Barreto.

Sabe-se que o saudoso acadêmico, cujo segundo aniversário de falecimento comemoramos amanhã, tinha o culto do excelso sergipano, a quem chamava “o maior brasileiro de Sergipe e o maior sergipano do Brasil”. Conseguiu a troca de patrono, ficando extinto o patrocínio do visconde.
Tenente-coronel da PM Djalma Passos

O poeta Djalma Passos anexou ao seu requerimento as seguintes obras: Poemas do tempo perdido (edição do Centro Plácido Serrano); As vozes amargas (edição da Casa do Estudante do Brasil) e Tempo e distância (Tipografia Fênix). O autor tem ainda duas obras inéditas: Vidas paralelas (contos) e Feira de ideias (discursos, artigos, ensaios). E duas outras em preparo: Espírito das ideias republicanas no Brasil e História do Brasil.

Concorre como candidato à mesma cadeira de Tobias Barreto o senhor Lafayete Vieira, contista, poeta e cronista, que remeteu uma coletânea de trabalhos insertos na imprensa local.

Notas deste: Apesar da "declaração de voto" do padre-acadêmico, venceu a disputa o desembargador Lafayete Vieira, que segue ocupando a referida cadeira. O poeta Djalma Passos abandonou a aspiração de pertencer à Casa de Ariano Jorge.

21 de fevereiro de 2012

Anísio Mello e A Voz dos municípios

Anísio Mello, o saudoso multiartista morto há dois anos, sempre esteve envolvido com a imprensa. De ambos os lados, seja para promover seus trabalhos, seja na fundação e direção de jornais, tanto escolares, como sindicais, e até municipais.

A jornalista (de óculos) junto a Amazonino Mendes

Em São Paulo, entre 1958 e 1964, dirigiu o Correio do Norte, com a pretensão de expandir e divulgar a produção cultural dos estados nortistas. Fez o possível, como se pode ver da temporada que conseguiu manter o quinzenal em circulação.
De retorno a Manaus, e depois do desalento produzido pelo seringal em Eirunepé (AM), fixou-se em Manaus, para manter suas atividades. Uma delas foi a inauguração do jornal – A Voz dos municípios da Amazônia, que ele e sua esposa, Maria Lindalva de Mello, esperavam dinamizar. Não foi muito longe. Conheço apenas a primeira edição.

Nela, a jornalista Lindalva Mello entrevista Amazonino Mendes (atual prefeito de Manaus) que havia vencido seu primeiro prélio para o governo do Estado. Coincidência ou não, ele perderá em um único município: o de Eirunepé, onde nasceu. Portanto, “pegou mal” para aquele polo do rio Juruá. E, daí o desabafo da jornalista Lindalva Mello, ela igualmente daquele beiradão.

Em resumo, escreve a jornalista, Amazonino “nada acrescentou ao que dissera durante a sua vitoriosa campanha. Confirmou, apenas, a sua competência, conhecimento de causa e falou como quem sabe das coisas.” E, mais adiante, sobre a derrocada em Eirunepé, frisa que o eleito “está magoado com sua terra natal... O resultado das eleições em nosso município é como uma espinha de tambaqui (sic) a travessada na garganta. Vai demorar para descer...

Memórias de Manaus

Meu amigo Ed Lincon, conhecedor da história dos cinemas de Manaus, me enviou duas ilustrações: o Cine Palace (1965-1973) e a primitiva igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Desconhecia essa habilidade do autor. Devo informar que a primeira reproduz uma foto de jornal, enquanto a segunda, é cópia de uma foto.

Cine Palace, av. Boulevar Alvaro Maia

A trajetória desse cinema já foi contada em recente publicação. Quanto a igreja dos Remédios, devo esclarecer que esta possuía sua frente para a atual rua dos Andradas, que como se sabe seguia para outra ribanceira.

Melhor explica tem o saudoso padre Nonato Pinheiro, em Nótulas históricas da paróquia: a capela fazia fundos para a atual praça dos Remédios. No ano de 1870, graças ao zelo do padre José Manuel dos Santos Pereira, então vigário geral da Província e pároco da capital, auxiliado pelo presidente da Província, esta capela passou por notáveis melhoramentos, com sensível modificação da primitiva estrutura.

 

A capela de 1870 (acima) e a atual igreja dos Remédios (abaixo)

Convém esclarecer que a igreja Matriz de Manaus sofreu um incêndio em 1850, restando unicamente a capela dos Remédios para o atendimento religioso. Dai, certamente, a dedicação do governo em restaurar esse templo.

Enfim, a igreja que hoje conhecemos, voltada para a praça, foi Dom Basílio Pereira, 4º bispo do Amazonas, que a inaugurou e benzeu solenemente, a 11 de setembro de 1927.  

15 de fevereiro de 2012

Memória amazonense

O segundo governador do Regime Militar – Danilo Duarte de Matos Areosa (1967-71) nomeou para dirigir o Depro (Departamento de Promoções), ao conhecido radialista e empresário Joaquim Marinho. Este órgão promovia o turismo no Amazonas, ou dava início ao movimento que a Zona Franca ajudou a expandir. Hoje, para dirigir esse importante segmento, temos uma secretaria de Estado.
Publicada em O Jornal, dezembro 1967
A foto de jornal mostra o governador Areosa, acompanhado de seu assessor, Marinho, além do gerente da então poderosa Varig, “dando comida” ao golfinho, em dezembro de 1967.

14 de fevereiro de 2012

Poesia... de Sebastião Norões


Reportagem de A Crítica, 24 abril 1956
 Em abril de 1956, ocorreu o lançamento do primeiro livro deste poeta. Trata-se de Poesia frequentemente, que pode ser o primeiro livro gerado pelo Clube da Madrugada. Pode ser, porque outro poeta – Jorge Tufic, com seu Varanda de Pássaros, disputa esta primazia. Poesia... foi reeditada pela Editora Valer, na série Resgate, em 1996.

Apesar da contenda, aqui está o registro do feito de Norões, cujo evento aconteceu em 23 de abril, na Livraria Escolar, que existiu à rua Henrique Martins.

Norões nasceu em Humaitá (AM) em 1913, e realizou seus estudos secundários em Fortaleza (CE). Em Manaus, graduou-se pela Faculdade de Direito do Amazonas, na turma de 1936. Consagrou-se como professor de Geografia do Colegio Dom Bosco e Ginásio Amazonense Pedro II. Pertenceu a Academia Amazonense de Letras. Morreu em 1971.

Outro saudoso poeta, Farias de Carvalho, que esteve presente aquele acontecimento, escreveu a respeito uma efusiva crônica (abaixo), ressaltando a importância da obra inaugural do colega Sebastião Norões.

Primeira festa, uma grande lição

Farias de Carvalho

Pois é. Aconteceu no duro. Nem ceticismo. Nem indiferença. Maledicência. Má vontade criminosa. Nada empatou que o marco fosse plantado, como nada empatará que outros se plantem.
Farias de
Carvalho

O lançamento do livro do poeta Sebastião Norões foi uma festa magnífica. A primeira no gênero. Festa e lição. Festa para os que já a aguardavam ansiosamente. Lição para os céticos. Afirmativa de que no Amazonas já há uma nova consciência literária em formação, arrebanhando poetas e prosadores para mais perto da vida. Do homem. Seus problemas. Anseios. Lutas. Vitórias e esmagamentos. A prova é a poesia de Norões. Que é mesmo “frequentemente”. Poesia salpicada de vivencias e de mensagens. De caminhos. De “emoção recordada em tranquilidade”.

Nos seus sonetos e poemas, pujantes de vida e de realidades humanas, o poeta não se deixou ficar pendurado em nenhum balcão pegajoso de limo, com a guitarra a espelhar raios de lua. Simples, poeta de carne e osso como outro homem qualquer, falou de infância e de mar, de santuários e estatuetas, tudo com o gosto bom das colinas simples. Nada de trabalhos dourados. De ourivesaria. Que o povo, de pés descalços e barriga inchada só vê joia nas vitrines.

Poesia só. Frequentemente. Inteiramente. Poesia sabendo a si mesma. Banhando a todos. Os que creem. Combatem e esperam. Assistem cheios de revolta e horror a “Rosa se despetalando”. Sob os pés do mundo. Bárbaro. Material. Inconsciente e brutal.
Jornal do Comércio,
26 abril 1956
O livro do poeta Norões marcou uma fase na reintegração da Rosa. O início da recuperação total das correntes culturais do Amazonas. Agora, dentro da nova concepção e da nova era, o Brasil vai conhecer a verdadeira literatura da taba. Já se pode afirmar, depois de trinta anos de mentalidade reacionária, que as nossas letras ressuscitam. Voltam ao mundo. E o berço foi o livro do poeta.

Agora é cuidar da criança. Dar-lhe, para que sobreviva, o alimento que vem do cérebro e do coração dos homens que pensam um Amazonas novo. Integrado na clareza do momento. Na realidade do mundo em que vivemos. Carregado de paz e de amor. Pronto para a aparição que o resto do País reclama.

Vamos continuar o trabalho. E obrigado, Norões, pela primeira estaca.

Publicada no Jornal do Comércio, 26 abril 1956

12 de fevereiro de 2012

Cabo de Polícia

Estátua do cabo zuavo que sempre "protegeu"
 a PMAM contra a greve
A greve dos policiais nos estados da Bahia e Rio de Janeiro seguem acumulando debates. E a atividade espúria de associações de classe vai sendo esclarecida. Aquilo que no primeiro instante parecia um centro recreativo, ou foi criado para tal finalidade, vem se transformando em sindicato, e pior, copiando suas mazelas.
Conversando com interessados no assunto, houve quem me lembrasse do cabo Anselmo, que ludibriou a esquerda e, em seguida, as forças opressoras. Talvez ele tenha sido um produto da movimentação dos sargentos, que o presidente Goulart apoiou com veemência, em 1964.

Outro fato exemplar primevo: um comandante dos fuzileiros da Marinha que se passou para o lado dos amotinados e, creio, foi carregado em triunfo. Tal qual aconteceu com o general Gonçalves Dias, pateticamente transformado em liderança de baderneiros.

A presença de cabo na condução de greves, já deu eleição a um cabo da PM mineira. Agora, estão ai o cabo Daciolo e o ex-cabo Prisco botando “pra quebrar”... e incendiar. Com tanto desaforo, conseguem mesmo é abalar a disciplina e a hierarquia das corporações.

No Amazonas, em 1999, o então governador Amazonino Mendes aposentou coronéis “incompetentes”, e promoveu jovens oficiais. O fato produziu uma reviravolta na direção da corporação que, acredito, seja uma das causas de tantos desentendimentos que, na última década, conturba a força estadual.

Bem vemos o que acontece quando um membro da corporação, de baixa hierarquia, um cabo de polícia, conduz movimento reivindicatório. E ainda falando da Segurança no Amazonas, aqui há uma figura bem estilosa, trata-se do sargento Pereirinha, do clube dos sargentos.

Para encerrar a conversa sobre tão desagradável acontecimento, fui buscar uma crônica de Manoel Bessa (Jornal Velho: crônicas.Manaus: Nortgraf, 2001), na qual o autor “ilustra” a importância do cabo de polícia.

O sobrinho da rapariga
Manoel Bessa

Foi numa festa lá num pé de serra do Ceará. Quatro "cabras valentes" na porta, desarmando o "macharal" e barrando os "furões". Só entrava quem pagasse duzentos réis (réis mesmo, porque ainda não havia nem cruzeiro nem real). Foi quando apareceu um baixinho invocado e foi peitando a cabroeira. "Vou entrar e não pago, porque sou autoridade". E antes que houvesse uma reação, deu suas credenciais. "Sou sobrinho da rapariga do cabo do destacamento da polícia". Falou, e a porta foi logo se abrindo.
Manoel Bessa, 1958

Pode ser piada, mas revela a mentalidade de uma época. Quando eu exercia o cargo de juiz auditor militar na nossa PM [AM], certa vez comentávamos entre os oficias superiores alguns frequentes atos de arbítrio de nossos soldados. O coronel Pedro Câmara, com aquele seu humor inteligente, lembrou o dito de um seu amigo: "Se eu tivesse as amantes que minha esposa diz que tenho, o dinheiro que meu vizinho pensa que tenho e a autoridade que um soldado de polícia julga que tem, eu seria o dono do mundo".

Na verdade, a história de nossas PMs tem lances interessantes. Normalmente nasceram como verdadeiras milícias, macaqueando a estrutura de organização piramidal do exército, como forças públicas a serviço dos governos estaduais.

No sertão do Brasil, cada surra em político contrário ao Governo garantia uma promoção. Os oficias eram de "tarimba" e só tinham alguma formação quando vinham do Exército, para poder ocupar um posto superior. Depois surgiram as academias, cada vez melhor estruturadas, nada deixando a desejar em relação às academias do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Aqui no Amazonas, os primeiros "cadetes" apareceram com as reformas empreendidas na PM nos governos de Plínio Coelho [1955-59] e Gilberto Mestrinho [1959-63]. Hoje, quase todos estes estão usufruindo sua justa aposentadoria, como coronéis. No período da Revolução de 64, se iniciou um processo de desvio na formação de nossos oficiais PMs que eram treinados mais para enfrentar uma possível guerrilha urbana (o que nunca ocorreu) do que para manter a ordem pública.

Isto pode ter contribuído um pouco para distorcer a visão de alguns, que passavam a olhar o "civil" sempre com desconfiança. Inclusive só um oficial da ativa do Exército podia ocupar o cargo de comandante-geral de uma corporação policial militar no País. (...)

Tenho certeza que nossos atuais oficiais, uma verdadeira elite, em razão do alto nível de suas academias, devem estar refletindo sobre isto. Nem o cabo (muito menos o sobrinho da rapariga do cabo), nem o coronel, estão lá para mandar e desmandar.

Têm hoje a grande responsabilidade de ajudar a reverter o clima de insegurança que infelizmente domina a sociedade civil. E para tanto necessitam flexibilizar seu excesso de militarismo, o que permitirá uma maior identificação com as comunidades, a cujo serviço se destinam.