CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, setembro 27, 2026

POESIA DOMINICAL (27)

 

                            Pereira Barroncas 

“Das curvas da noite imensa,

Surgiram caminhos loiros...”

— Estradas da inspiração,

Que só os gênios palmilham,

Em versos líricos dedilham,

dos aedos que se perfilam,

Ao Grêmio da Madrugada...

 

Eu sei, o estro é Aurora,

Que se esconde e se enflora,

Nos cílios da Primavera...

-- Que seu cabelo, não o era,

Nem seus braços, -- quem lhe dera,

Nem sua boca e

nem nada...

Eram apenas devaneios,

Do vate em seus anseios,

Áureos filões d'almos veios,

No cântico da Madrugada...

 

Que de cuidados ao poeta,

— Em sua alma de esteta,

— A poesia, — ao eleito,

Qual jovem núbil, em seu peito.

Dá-lhes abrigo, em seu leito...

Nem um engano e

nem nada...

“Caminhos loiros, o orvalho,

Pingando nos olhos, e, mudo,

— Qual Rosicler da Alvorada,

É do Farias de Carvalho,

A alma, o sentimento, é tudo...”

domingo, agosto 10, 2025

POESIA EM DIA DOS PAIS

 Andei buscando nos meus arquivos algum poema que preenchesse a data, ainda que não tenha relação, socorri-me do saudoso poeta Farias de Carvalho, sobejamente admirado. Aproveito para dedicar a postagem ao falecido meu genitor - Manuel Mendonça que, vindo da amazonía peruana, tanto amou esta cidade.

Recorte de A Crítica, 23 novembro 1957


  • Pelas portas, paredes, pesadelos
  • pendem pesados: gestos imprecisos,
  • fragmentos de poemas não colhidos,
  • tentativas de mar e de suicídio. 

  • A rede verde colhe o corpo e o tédio,
  • depois é barco de pescar a lua;
  • trabalho de deixar o amor no meio
  • e sacudir do sono os velhos tipos. 

  • Crânios, amantes, loucos, bailarinos.
  • Uma eterna aventura de palavras
  • plasma o casco da nau no cais da porta
  • para a velha viagem repetida:
  • a batida dos passos pela sala
  • e a cantiga da máquina no poema. 

Além do som os homens todos doidos

são puxados no comboio deste século.

Imaginai: Ontem na cacimba

a lavadeira declamou-me versos de Ezra Pound.

(Eu saí de lá com as mãos nas têmporas.)

 

  • Trazei o ouvido e atentai:
    • O monstro corcunda
    • Agasalha o meu filho louro
    • Lá para as bandas do Rio. 

 

segunda-feira, abril 28, 2025

PAVILHÃO SÃO JORGE (1951-1976)

 Em 22 de novembro de 1950, o prefeito de Manaus, Chaves Ribeiro, concedeu a José de Brito Pina, cidadão português, uma área de terra situada na então praça Gonçalves Dias (hoje integrante da praça Heliodoro Balbi), destinada à construção de um estabelecimento comercial. Nela, Pina construiu o Pavilhão São Jorge, destinado à venda de café e outros petiscos regionais, que foi inaugurado em maio de 1951.
O sobrenome do proprietário impôs ao comércio o epíteto ainda hoje manifesto: Café do Pina. Era bem frequentado, pois localizado em frente ao Cine Guarany e fronteiriço ao quartel da Polícia Militar e ao Colégio Estadual do Amazonas. Desse modo, conhecia uma variada freguesia diurna e noturna.

Devido a convivência com os membros do Clube da Madrugada foi crismado com outro cognome: República do Pina. Enfim, restou gravada a maneira como “seu” Pina saudava indistintamente os frequentadores: Alô, jovem!

Quando do falecimento do Pina, em agosto de 1982, o saudoso poeta, ator e mestre Farias de Carvalho o homenageou com esta publicação em A Crítica (18 ago.1982).  


Não fui, amado Irmão Pina, não fui ver teu corpo sendo devolvido ao ventre escuro da terra. Faltou-me coragem. Eu, que não acredito na morte; que tenho consciência da nossa condição de simples inquilinos dessa estalagem de engodos a que chamamos de mundo; que estou absolutamente convicto da verdade da vida espiritual, ou, amado irmão Pina, fraquejei. Diante da notícia arrasadora, que a mim me foi dada nas latitudes da tua República, da nossa República, eu me decidi a ir te ver, a ir correndo beijar o teu rosto gelado, as tuas mãos inertes, cruzadas sobre o teu peito como um pássaro de asas recolhidas, subitamente despencadas do azul. Mas não pude, amado irmão Pina. Minha mente recusou-se a aceitar a brutalidade daquela imagem.

Por isso, amado irmão Pina, fechei os olhos molhados, queimados pelo sal do meu pranto e rebusquei, nos desvãos da memória, uma outra imagem tua. Viva. Radiosamente viva, riscando as pautas da brisa com os acordes do teu riso, inventando sinfonias na epiderme da manhã.

ALÔ, JOVEM!

E os homens iam chegando. Dos muitos caminhos da vida, traziam sonhos e mágoas, angústias e ilusões, amarguras e alegrias, fé e decepções. E na República, ancoravam os seus veleiros diversos, para um momento de fuga do velejar tresloucado. Fundeavam na República e no teu riso também. Estudantes, poetas, vagabundos, funcionários, operários, boêmios retardatários, patrões sisudos, donzelas, prostitutas amarelas, meninos desassistidos, engraxates indormidos, paravam todos, irmão, para o banho de amplidão, o banho azul na cascata que nascia em teu sorriso e tinha gosto de paz, e dava aquela vontade de ali ficar ancorado, e não erguer bujarronas, não velejar nunca mais.

Ah! A República! Com a beleza da sua Constituição de três artigos:

ARTIGO PRIMEIRO: A república do Pina é um Estado Imaterial e inconsútil, e existe além do tempo, urdida no coração dos que não esqueceram os fundamentos essenciais do amor.

ARTIGO SEGUNDO: São seus cidadãos todos aqueles que têm a capacidade de transportá-la dentro da alma, para recriá-la numa esquina qualquer da vida, num estilhaço de estrela, num albergue construído de saudade ou numa gota de sol brincando de arabescos na calçada.

ARTIGO TERCEIRO: Fica dito que esta lei não tem calendário para entrar em vigor, pois que em vigor sempre esteve gravada nas tranças de ouro das auroras e no suspiro violeta dos ocasos. 

Essa, amado irmão Pina, a República. Tua, nossa, do eterno. A República, da qual és o Presidente vitalício, agora afastado, para tratar, na embaixada do etéreo, com a diplomacia do afeto, da viagem de cada um de nós, teus concidadãos, aos quais receberás um dia, iluminando a chegada com claridade do teu riso, para o cafezinho do reencontro, na República, a outra, que já começaste a erguer, numa nesga qualquer do céu.

Até lá, meu Irmão. Até lá, Presidente. Alô, Jovem!


domingo, novembro 10, 2024

POESIA DO DOMINGO

O poema deste domingo foi elaborado por Carlos Farias Ouro de Carvalho
(1930-97), consagrado ao amigo intelectual, desembargador André Araújo, tendo sido publicado há 55 anos, no Jornal do Commercio (19 out. 1969).
 
Recorte da página do JC, 19 out. 1969


Eis-me aqui.

Aqui. Sobre esta gávea de assombros,

carcomido de vento e de silêncio,

tão duramente cego ainda,

como no instante estúpido do espasmo

que me trouxe a este mar do não-saber.

Meteoro ignoto,

cumpro-me em rotas claras de estilhaços

Nesse buscar-se atônito e remoto,

ande a trilha das traças nas estantes

mais escurece o abismo dos instantes

distantes, do saber; mergulho inútil,

esse naufrágio em lagos bolorentos

rebuscando o esqueleto das palavras

nos seus sarcófagos frios e poeirentos.

De que serve a mecânica dos astros

esculpida nos riscos e equações

desses mapas de humana geometria

se sobre o pântano, a corola fria

do lótus guarda mais sabedoria  

do que todos os ciosos pergaminhos

que se hoje são, é porque ontem foram

sombra e ninho à margem dos caminhos?

 

OH! Os relâmpagos do caos, por essas messes,

que não sabemos, mas, em nós,

enfuna as bujarronas do viajar

por esses mares todos feitos de ar!

 

OH! Os relâmpagos do caos, por essas messes,

onde a inútil colheita apodrece

nos desastres da busca, palimpsestos

acolhendo em seu ventre, como cestos,

essa poeira vã dos cérebros aflitos

que as lunetas gastaram, pobres gritos

afogados nas noites desse lodo,

onde ainda orquestramos nosso engodo.

O melhor é gozar entre os crepúsculos

incêndio do festim, e nesse ir

de desastre em desastre, plantar musgo sobre

o muro da pálpebra, e dormir.  

domingo, setembro 22, 2024

POESIA PARA O DOMINGO

 A poesia para este domingo pertence ao mestre desta arte Farias de Carvalho (1930-1997), que foi publicada pelo Jornal do Commercio, na edição de 19 de outubro de 1969.

 

Jornal do Commercio, 19 out. 1969

DIDÁTICA INÚTIL

 

Farias de CARVALHO

Para André Araújo, irmão

 

Eis-me aqui.

Aqui. Sobre esta gávea de assombros,

carcomido de vento e de silêncio,

tão duramente cego ainda,

como no instante estúpido do espasmo

que me trouxe a este mar do não-saber.

Meteoro ignoto,

cumpro-me em rotas claras de estilhaços

nesse buscar-se atônito e remoto,

onde a trilha das traças nas estantes

mais escurece o abismo dos instantes

distantes, do saber; mergulho inútil,

esse naufrágio em lagos bolorentos

rebuscando o esqueleto das palavras

nos seus sarcófagos frios e poeirentos.

 

Do que serve a mecânica dos astros

esculpida nos riscos e equações

desses mapas de humana geometria

se sobre o pântano, a corola fria

do lotus guarda mais sabedoria

do que todos os ciosos pergaminhos

que se hoje são, é porque ontem foram

sombra e ninho à margem dos caminhos?

 

OH! Os relâmpagos do caos, por essas messes

que não sabemos, mas, em nós,

enfuna as bujarronas do viajar

por esses mares todos feitos de ar!

 

HO! Os relâmpagos do caos, por essas messes

onde a inútil colheita apodrece

nos desastres da busca, palimpsestos

acolhendo em seu ventre, como cestos,

essa poeira vã dos cérebros aflitos  

que as lunetas gastaram, pobres gritos

afogados nas noites desse lodo

onde ainda orquestramos nosso engodo.

 

 

O melhor é gozar entre os crepúsculos

o incêndio do festim, e nesse ir

de desastre em desastre, plantar musgo sobre  

                        o muro da pálpebra, e dormir. 

domingo, agosto 18, 2024

DOIS POETAS AMAZONENSES

 Na sequência: i) a capa do livro de poesia de Farias de Carvalho (1930- 1997) - PÁSSARO DE CINZA (Manaus, 1957); ii) o oferecimento inserido no exemplar de Farias para Mário Ypiranga (1909-2004), folclorista e, em tempo oportuno, poeta; e iii) a consideração pouco lisonjeira de Ypiranga expressa em página do livro sobre o autor.

Livro publicado em Manaus, em 1957

Oferecimento do autor para "meu irmão querido"
Mário Y. Monteiro

Comentário de Mário Ypiranga: "Esse Farias é vigarista
até nas mensagens. Acaba pedindo uma entrada de
favor no Céu, como pedia ao Vasco Farias, no cinema."

 

sábado, maio 25, 2024

VOVÔ VASCO (1892-1969)

Vasco Faria
 Seu nome era Vasco José de Farias (1892-1969), nascido em Portugal e morto em Manaus. Marcou sua existência nesta cidade como sócio da Empresa A. Bernardino, cuidando com esmero do cinema Guarani, motivo pelo
qual, devido sua devoção e acolhimento ao público, recebeu a dadivosa alcunha de
Vovô Vasco. Quando de seu falecimento, um dos admiradores publicou em A Crítica (23 ago. 1969) a crônica aqui postada.

Do matutino A Crítica, Manaus, 23 ago. 1969

A respeito deste boníssimo lusitano, celebrado em seu profundo amor às crianças, em nosso Estado desde os treze anos de idade, ninguém diz novidade. E não porque, neste instante em que lhe deploramos o trespasse, aos setenta e sete anos bem vividos nesta Cidade de trezentos janeiros, que fez sua pelo coração, seu nome excede-se em repercussão e fixa-se nesta exata expressão de beleza, de título, de distinção e agradecimento de sucessivas gerações: VOVÔ VASCO. Reconhecê-lo, aclamá-lo assim numa apoteose de vulgarização citadina, expansiva, franca, é já de si realce, esplendor. Como bem se vê e entende, é criar em torno de sua vida, sem improvisação, sem falsas aparências, uma demonstração de louvores e agradecimentos. É dar-lhe espaço, horizonte na forma belíssima, acessível de nossa clarividência, de nossa ação, de nossa estima em tê-lo feito, através de nossos vereadores, CIDADÃO DE MANAUS.

VASCO FARIA teve uma vida de bondade monumental. Não chegou a ser rico, abastado. Não morava em palácio confortável. Trabalhou, fez-se presente ao seu querido Cinema Guarani, com aquela conhecida pontualidade, até ser atingido pela brutal doença que o levou, para sempre, de nosso convívio: da companhia de devotados amigos de longos anos como Alísio Chaves Ribeiro, os irmãos Cardoso da Editora Sérgio Cardoso, e os companheiro afeiçoados da empresa A. Bernardino & Cia. Ltda.

Da meninice à plena mocidade e desta à idade respeitável pela vetustez, nesta Terra outrora aceita como das patacas, não aprendeu a criar riqueza; ser, por exemplo, dono de grande casa comercial. Não, não aprendeu isso, é fato. Mas, sem dúvida, aprendeu a criar roteiros audiovisuais de fitas vistosas, ilustrativas, harmoniosas e de bom gosto para as crianças. Era um empolgado nesse cuidado de saber associar o mais arrebatador ao mais florido de boas ações nos filmes cinematográficos que oferecia aos frequentadores mirins do Guarani. Era, nessa soberbia de espírito, de argumentos revestidos de fatos educativos, um entendido de bons programas. Não foi homem despido do alto conhecimento das telas e das estátuas. Deu-nos, a ver, algumas vazes de rápida conversa, que, em sua bela e acessível humanização, soube abrir portas e janelas, respirar ao sol e dar-se na admiração de amplos espaços e horizontes. (...)

Soube viver, confundir-se, completar-se naqueles anos belíssimos de uma época faustosa. Manaus do seu tempo de mocidade, de seu mundo real e irreal em harmonia, misturado, conheceu-o, aplaudiu-o, gritou-lhe o nome, viveu com ele os quadros pomposos, risonhos, felizes de suas grandes alegrias. Foi um venturoso nessa satisfação que voa através das ótimas camaradagens de longos anos e de tantas coisas. Camaradagem que não se isola entre os espadachins românticos da sua fase cintilante. Que é história, lembrança de entusiasmos, de fatos agradáveis em encontros fortuitos de aniversários, de ruas e logradouros públicos. (...)

Já agora, nestes três últimos anos de sua vida, quando íamos ao Cinema Guarani, ao avistar-nos, fazia-nos o indefectível sinal. Parávamos. Conversávamos. Levantava-se, ia ao seu escritório e quando voltava passava-nos às mãos: jornais, revistas, boletins informativos e notícias de Portugal. Com o seu desaparecimento perco o boníssimo amigo e as ótimas e ilustrativas publicações que mas [a mim as] dava de sua extremosa Pátria do outro lado do Atlântico.

Congratulamo-nos, mais uma vez, com o fulgurante poeta Farias de Carvalho pelo belíssimo e carinhoso soneto [O Vasco do Guarani] que lhe ofereceu no magnifico PÁSSARO DE CINZA. Igualmente com os clarividentes e ilustres vereadores da Câmara Municipal de Manaus, e com o Sr. Prefeito [Paulo Pinto Nery], em face da adesão calorosa, pelo justo e digno título com que lhe homenagearam os méritos e lhe alegraram de boas recordações a alma e o coração. (...)

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

CHAVE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO CMA

Ossuosky (acima) e
Farias de Carvalho
 O fato foi o seguinte: quando comandante-geral da PMAM, o coronel EB Mário Ossuosky (1975-79) enfrentou grave crise na segurança promovida por delinquentes negros. Ou, era o que se propagava na corporação. Certo dia, um soldado PM aborda o desembargador Paulo Feitosa que conduzia sua família em automóvel próprio. O magistrado era negro, apenas por isso o militar tratou aquela autoridade com o rigor da lei.  O presidente do Tribunal de Justiça buscou ao citado comandante, que concordou com seu subordinado, agravando a crise.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Farias de Carvalho amplificou o imbróglio, que segue abaixo, compilado do matutino A Notícia (edição de 22 out. 1975)

 


Fechar as portas do Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia, seria a decisão tomada pelo presidente do Poder Judiciário, face à decisão do comandante da Policia Militar, coronel Mário Ossuoski, ao cobrir de razões um soldado que agredira a autoridade do desembargador Paulo dos Anjos Feitosa. O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo.

O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para em seguida identificar-se. A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir c capô. a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro. "Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando" - afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões. (...)

Recorte do matutino A Notícia, 22 out. 1975

Enquanto isso, o Presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao Governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem. Providência idêntica será adotada pela presidência da Assembleia Legislativa com relação aos deputados, algumas vezes desrespeitados por soldados sem qualquer senso de educação. 

sábado, março 25, 2023

POEMAS PARA O SÁBADO

 São da lavra do poeta Carlos Farias Ouro de Carvalho (1930-97) os poemas que compõem esta postagem, ambos circulados no Jornal do Commercio. Poema homenageia ao saudoso desembargador André Araújo; o Conto ao soldado cego Euclides dos Santos, me faz lembrar a campanha de Canudos  (1897) enfrentada pela corporação militar estadual.


Jornal do Commercio, 14 março 1956
 

Jornal do Commercio, 27 maio 1955


domingo, dezembro 01, 2019

COLÉGIO ESTADUAL DO AMAZONAS: 150 ANOS


O Colégio Amazonense Dom Pedro II, instalado à avenida Sete de Setembro, quando de seu centenário (1969) era conhecido por Colégio Estadual do Amazonas. É facilmente reconhecido, não somente por sua localização central na cidade, mas pela exuberante formação de jovens concludentes do ensino médio. Para os finalistas deste ano, a festa possui dupla emoção, pois se trata da celebração do sesquicentenário – 150 anos – do Estadual.
A direção empenha-se ao máximo, pois iniciadas em março passado, ainda não foram encerradas.

Todavia, esta postagem recolhi do noticiário do jornal A Crítica (28 novembro 1969), quando este matutino anunciava o início dos festejos centenários do CEA.

Centenário do CEA, jornal A Crítica, 26 nov. 1969

Um desfile pelas principais ruas da cidade, com representações dos colégios de grau médio abriu, ontem, os festejos comemorativos ao 1° Centenário do Colégio Estadual do Amazonas [CEA]. Às 13 horas, no pátio externo do CEA, o professor Nobre Leão proferiu uma palestra, focalizando aspectos históricos do estabelecimento, seguindo-se a inauguração da exposição de pintura e fotografias.
Às 20 horas, finalmente, o professor Farias de Carvalho discursou brilhantemente sobre o papel histórico do CEA e sua significação sociocultural. Sem qualquer interrupção nas provas que estão sendo realizadas, a programação de aniversário do Colégio Estadual terá prosseguimento, hoje, a partir das 16 horas, com um torneio interno de futebol de salão, a ser disputado entre as equipes (alunos e professores) do IEA [Instituto de Educação do Amazonas] contra o CEA.
Às 20 horas, também no CEA, será realizada a Noite do Cinema Jovem, incluindo a exibição de dois filmes premiados de Roberto Kahané, assim como dois outros curtas-metragens de cineastas paulistas, apresentados em Manaus, por ocasião do 1° Festival Norte de Cinema Brasileiro.

sexta-feira, novembro 22, 2019

CLUBE DA MADRUGADA: 65 ANOS


Acerquei-me da sede (Praça da Polícia) do Clube da Madrugada, em 1966, quando ingressei na Polícia Militar do Estado, doze anos depois da criação daquele. Todavia, confesso tristemente que não participei, sequer, dos encontros costumeiros, das exposições e dos lançamentos de livros ocorridos na Praça da Polícia, portanto, diante de meus olhos.
Logo do Clube da Madrugada
O trânsito pelo Café do Pina, região sagrada dos madrugadores, permitiu-me conhecer “de vista” um bom número de seus integrantes. A configuração desta agremiação permaneceu em minhas lembranças, que foram se diluindo diante das mudanças ocorridas no logradouro e, também, porque o Clube diminuiu suas mesas-redondas.
Assim se passaram anos...

Em 2004, voltei a me preocupar com o CM, quando passei a catar papeis sobre um dos seus integrantes: L. Ruas, o padre-poeta autor do livro de poesia – Aparição do Clown (1958). Desse modo, chafurdando nos jornais de antanho, redescobri o “clown” e os múltiplos acólitos. Então, aquelas figuras notórias na República do Pina foram se revelando, tendo L. Ruas me “ensinado” várias lições sobre poesia. Todavia, em se tratando desta arte, prefiro o saudoso Farias de Carvalho.
Reunião do CM, ao centro, o
governador Henoch Reis

Mantive amizade com dois saudosos integrantes do CM: Jorge Tufic e Luiz Bacellar. Além de grandiosas conversas e muitos ensinamentos sobre o Movimento, rolaram alguns uísques com Tufic e, no Pina restaurante (da av. Joaquim Nabuco), várias ceias com o eclético Bacellar.

Ainda naquele ano, auxiliei nos festejos do cinquentenário do Madrugada, celebrados no início da noite, no Largo de São Sebastião. Compareceu uma gama de intelectuais, que louvaram ao extremo as benesses oriundas desse Movimento.
Lançamento de livros no
 cinquentenário do Madrugada
Hoje, são contados 65 anos de fundação. No entanto, os ralos admiradores pouco hão de celebrar, em particular aos pés do mulateiro da Praça da Polícia, onde tudo começou, e serve de símbolo desse movimento. A data será aproveitada pelo poeta Elson Farias, pertencente a 2ª geração do CM, para festejar seu jubileu de ouro de ingresso na Academia Amazonense de Letras.

Quando o Clube da Madrugada completou 15 anos, em 1969, seu presidente Aluízio Sampaio promoveu a festa do 
debutante, tendo convidado a cidade em publicação do matutino A Crítica (22 nov. 1969), aqui compartilhada.

  
Recorte de A Crítica, 
22 novembro 1969
Mulateiro, símbolo do
Madrugada, 2016
O Clube da Madrugada, entidade responsável pela renovação das artes e das letras amazonenses, está no dia de hoje fazendo o seu “debut”, completando os seus quinze anos de atuante presença no cenário cultural do Amazonas. Fundado no dia 22 de novembro de 1954 por um grupo de jovens idealistas — escritores, poetas, artistas, economistas, sociólogos decididos a desoprimir o ambiente do desânimo e do marasmo em que vivia mergulhado e que se refletia desoladoramente no caráter decadente das atividades criadoras, em nosso Estado. O Clube da Madrugada vem, desde então, ao longo destes quinze anos renovando, agitando, inoculando alma nova e abrindo novas perspectivas às atividades criadoras do nosso espírito, no afã de integrá-las, em grau qualitativo e contributivo, ao nível em que elas se exercem nos centros mais desenvolvidos do Sul do País.
Pela sua importância, será a efeméride condignamente festejada pelos madrugadores, os quais têm encontro marcado hoje à noite, às 20 horas, na Praça Heliodoro BaIbi segundo adiantou-nos o presidente Aluízio Sampaio, que por nosso intermédio pede o comparecimento de todos os seus pares àquele encontro.