CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, outubro 21, 2026

CAMPANHA ELEITORAL

Estamos meio assombrados com a evolução da atual campanha eleitoral, em que os blocos de candidatos estão se digladiando de forma violenta, utilizando principalmente os meios virtuais. Recentemente, ao folhear jornais locais publicados há quarenta anos, ou seja, de 1986, destaquei recortes dessas edições para ilustrar esta postagem. Recordo que era período eleitoral, com a peleja pelo governo entre Amazonino Mendes (vencedor) e Arthur Netto. Assim como na corrida atual — em que Salazar apelidou Aziz de "capivara" —; na campanha de 1986 Amazonino comparou Arthur a um “curupira”. Também postei fotos de jovens candidatos, uns vitoriosos, outros, nem tanto, com destaque para o senador reeleito Plínio Valério.



Plínio Valerio - Jornal do
Commercio
- 1º outubro 1986


Jornal do Commercio, 1º outubro 1986

sábado, março 28, 2026

CENTENÁRIO DE ARMANDO DE MENEZES (3)

Quando da comemoração do centenário de nascimento de Armando Andrade de Menezes, festejada no sábado passado (21), o acadêmico Zemaria Pinto leu o texto aqui postado. De sua autoria, foi lido (por Tenório Telles) na Academia Amazonense de Letras, em 16 de agosto de 2006, quando do lançamento do livro de Armando de Menezes – Em memória de Paulo Jacob. 

Armando de Menezes, gravura por
Bjarne Furtado 

Em Memória de Paulo Jacob

Em Memória de Paulo Jacob não fosse por um claro anacronismo, diria que Sérgio Buarque de Holanda, ao elaborar a sua teoria do “homem cordial”, teria tido como modelo o querido Armando de Menezes. Armando é só coração. E por aí se desenvolve a principal vertente da sua literatura. Porque o memorialista é antes de tudo um amoroso. Não, eu não disse apaixonado. A paixão é violenta e por vezes cruel. Se o amor afasta-se do ódio por uma linha tênue, essa linha é a paixão. É a paixão que separa o amor do ódio, o bem do mal. Para o proustiano Pedro Nava, poeta da memória, “na reconstituição de memórias, nós levamos para o passado um lastro de presente que corrompe a nossa lembrança. Não sou historiador, sou memorialista. Trato de fatos que tenho a liberdade interpretar, porque fui participante deles.” Armando ergueu o edifício de sua obra em toro de três pilares: a lembrança, o amor e a simplicidade. A lembrança como matéria de trabalho. O amor como base da composição. E a simplicidade como expressão.

Conheci o Armando há pouco mais de um ano. Mas, ele não sabe, há mais de 20 ouço Thiago de Mello falar dele. Eu, que sou por natureza retraído, só depois de conhecer o Armando compreendi a frase que o querido Thiago repete sempre: “a amizade é a mais alta forma de amor”.

Não faz muito tempo, o nosso presidente Elson Farias registrou, a respeito do Armando, que, entre as “inúmeras artes em que é mestre o nosso companheiro de academia, a arte da amizade é a que e exerce com a maior destreza e a mais clara sabedoria”.

Lembrança, amor, simplicidade. A matéria de trabalho. A base da composição. A expressão. Essa equação fica muito evidente — e sua comprovação, mais fácil — no livro que Armando nos entrega nesta noite: Em Memória de Paulo Jacob. A começar pelo título, objetivo, direto, simples, mencionando a memória como fio condutor: memória de um amigo, um grande amigo, como constatamos na leitura, que atravessara à outra margem do grande rio. Estas pouco mais de 50 páginas encerram um significado inestimável: uma homenagem póstuma, um ritual marcado, paradoxalmente, pela alegria que o amigo ausente provocava em vida, pela lembrança dos seus feitos e, em especial neste caso, pela lembrança de sua obra. E que obra, senhores! Pois estamos tratando de Paulo Jacob, um dos grandes romancistas brasileiros da segunda metade do século passado.

 

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Memórias amazonenses

Fevereiro, 24
1898 – Nasceu em Manaus, Leopoldo Amorim da Silva Neves, o Pudico, que foi governador do Estado (1947-51). Graduou-se em agronomia pela Escola Agronômica de Manaus (1921), quando nascia seu cunhado, o desembargador Paulo Jacob (tópico abaixo). Politico, foi prefeito de Parintins (AM).  E durante seu mandato, em 1932, em apoio à revolução constitucionalista de São Paulo, os amotinados do forte de Óbidos (PA) invadiram a cidade do Pudico.
Essa história é bem conhecida pelo codinome de Batalha Naval de Itacoatiara, que está completando 80 anos. Deixando Parintins, os revoltosos intentavam chegar a Manaus, mas foram rechaçados em frente a Velha Serpa, em confronto com características marcantes. Ambas as forças, legais e rebeladas, utilizavam barcos regionais ou navios cargueiros. E tudo terminou no rio Amazonas.
Neves, em 1947, ao final da ditadura Vargas, foi eleito governador do Estado. O patético apelido de Pudico (invenção familiar) não teve condições de manter o desfigurado Estado na superfície, de bubuia. Ao final do mandato, passou ao Cabeleira (Álvaro Maia) o Amazonas com mais obstáculos.
Morto, o nome de Leopoldo Neves, ainda bem que instalado em duas artérias de Manaus, foi cassado da mais vistosa e mais movimentada, a hoje avenida Kako Caminha. A outra homenagem é mantida no bairro de Santa Luzia, onde ainda abriga outro tributo: a Escola Estadual.
Leopoldo Neves morreu pobre, gabavam-se seus admiradores, em 1953.
Almir Diniz
1921 – Nasceu em Belém (PA), Paulo Herban Maciel Jacob, que faleceu desembargador do Tribunal amazonense. A sua naturalidade parece não bem definida, pois, Armando de Menezes e Almir Diniz, ambos contemporâneos da Academia de Letras e de outras associações, asseguram que o mesmo nasceu em Manaus.
No entanto, os saudosos desembargadores Oyama Ituassu e Mário Verçosa, portanto colegas, em estudos publicados sobre o Tribunal de Justiça, registram o nascimento de Paulo Jacob em Belém do Pará.
Admitido o registro do Tribunal, o autor de Chuva Branca vem engrossar a delegação paraense na Casa de Adriano Jorge. Agora são dez, a maior representação, aqui indicados pela antiguidade: Alcides Bahia; Benjamin Malcher de Souza; José Francisco de Araújo Lima; Benjamin Franklin de Araújo Lima; João Huascar de Figueiredo; Genesino Braga; Dom Alberto Gaudêncio Ramos; Mário Augusto Pinto de Moraes; Paulo Herban Maciel Jacob (de 1971 a 2003) e Zemaria Pinto de Figueiredo.
Romancista premiado nacionalmente, Jacob produziu quinze livros, de Muralha Verde (1965); passando por Dos ditos passados nos acercados do Cassianã (1969), encerrando com Tempos infinitos (1999).
Residiu durante anos em majestosa casa à rua Major Gabriel, de frente para o igarapé de Manaus. Motivo por esse apego, o governo do Estado adotou seu nome no espaço que o Prosamim transformou aquele degradado igarapé em Parque. Parque desembargador Paulo Jacob, onde eu moro.
Já contei isso neste canto. Na parte que circunda o Palácio Rio Negro, a continuação do mesmo igarapé tem a denominação de Parque senador Jefferson Péres, administrado pela Secretaria de Cultura. Uma beleza: tem segurança, horário, diversão para as crianças, ausência de cães, a Bandeira Estadual marcando aquele território e grama aparada e...
Atualmente, “seu” (desculpe a intimidade) Paulo Jacob, o seu Parque anda entregue às baratas, com o perdão desses insetos. Ele está entregue mesmo é ao mato, às capoeiras; aos desocupados, a colônia de pés-inchados; aos vândalos e à merda de cachorros e de humanos. Pois é, sem segurança, o pessoal faz o que bem entende.
Eu sei que hoje você habita os “acercados do Cassianã”, mas bem que poderia ainda exercer suas influências junto a Prefeitura, a fim de que a turma não destrua o profundo saneamento que embelezou a cidade, cuja conta deve ser paga por “nosostros”.
O acadêmico e desembargador Paulo Jacob morreu em 2003.

sexta-feira, abril 09, 2010

Memorial Amazonense

Abril, 9



1836 – Assume o comando das Armas e a presidência da Província do Pará, o general brigadeiro Francisco José de Souza Soares d’Andrea. Sua posse ocorre em meio a rebelião da Cabanagem, com a missão de restaurar a província paraense, da qual pertencia a Comarca do Rio Negro, hoje estado do Amazonas.


1872 – Nasce em Grünberg, cidade da atual Alemanha, Theodor Koch. Morre em 1924, na vila Vista Alegre situada no Rio Branco, ao participar de expedição ao Amazonas. Notabilizou-se pelas pesquisas e publicações sobre os índios amazônicos. A transladação dos restos mortais foi prejudicada pela Segunda Guerra Mundial. Somente acontece em1953, para o cemitério São Batista, de Manaus. Koch-Grünberg é patrono de Cadeira do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, ocupada por Rui Alberto Costa Lins.


1916 – Morre no Rio de Janeiro, o pintor Aurélio Figueiredo, que visitou Manaus, ao menos em duas oportunidades. É autor dos quadros Imperador Dom Pedro II e Princesa Isabel, de 1888, existentes no IGHA; A Libertação dos escravos, exposto na Biblioteca Pública, e o Banho de Ceci, do acervo da Pinacoteca do Estado.

Na foto, pormenor do quadro de Dom Pedro II


1953 – Fundação do Clube dos Oficiais da Policia Militar do Amazonas  (Copmam). Seu primeiro presidente foi o coronel da reserva Jonas Paes Barreto. Ainda permanece funcionando, em sede própria na avenida André Araujo - Aleixo.

2003 – Morre, em Manaus, Paulo Herban Maciel Jacob, desembargador aposentado. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, ingressa na magistratura e é empossado desembargador em 11 Nov. 1964. Foi presidente da Alta Corte no biênio 1982-1983, quando assumiu ocasionalmente o governo do Estado. Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, onde ingressou em 1969. Publicou vários títulos: Muralha verde, 1964, o primeiro; Dos ditos passados nos acercados de Cassianã, 1969, detentor do prêmio nacional Walmap, Um pedaço de lua cheia caía na mata, 1989, entre outros. Seu corpo foi sepultado no cemitério São João.