CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, abril 15, 2023

CLUBE DOS OFICIAIS PMAM & CBM: 70 ANOS

No dia 9 último, o Clube dos Oficiais PM e BM amazonenses, hoje Associação, completou 70 anos. Intentei por dias escrever antecipadamente sobre a efeméride, porém, uma coisa e outra me impediram, mas foi de bom proveito. Ontem, o coronel reformado Alfaia me telefonou para perguntar quem foi Jonas Paes Barreto, o homenageado pela agremiação com nome em medalha.

Sem conhecer este detalhe, disse-lhe que Paes Barreto foi coronel da PM e, como tal, participou da fundação do Clube, sendo eleito o primeiro presidente. A primeira diretoria era composta, além deste oficial, por José Silva, Antonio Hosanah, Djalma Passos (orador), Olavo José de Araújo, Mirtilo Frick de Lira, Edmundo Monteiro, entre outros. Acrescentei que sabia pouco, muito pouco sobre este saudoso coronel, somente conhecia, que ironia, a sepultura da família dele. Sua ficha funcional – queira Deus - possa se encontrar nos escaninhos em que foi transformado o arquivo da corporação.

Minha identidade do Clube dos Oficiais 

Já escrevi e publiquei neste espaço sobre o Clube, por isso, sei quantos presidentes e outros membros da associação contribuíram para o atual estágio. Alguns nomes precisam ser relacionados: a primeira geração fundou o Clube; a segunda, implantou a sede associativa, sob a supervisão dos coronéis Ossuosky, Medeiros, Orleilson, Okada, vou encerrar a relação para não cometer algum pecado de esquecimento. A terceira geração vem ampliando a sede e mantendo o bom funcionamento, algumas vezes arranhado pela disputa pela presidência.

A minha carteira de sócio (sócio nº 16) foi assinada pelo presidente Romeu Medeiros, e data de 1977. Todavia, não mais sou associado, sou um mero observador. 

E para mais detalhes, veja os links abaixo:

https://catadordepapeis.blogspot.com/2011/03/clube-dos-oficiais-da-policia-e_08.html

https://catadordepapeis.blogspot.com/2011/03/clube-dos-oficiais-da-policia-e_08.html


sábado, abril 01, 2023

POEMAS DO SÁBADO

 Os poemas desta postagem são de autoria do saudoso Djalma (Vieira) Passos (1913-1990). Pertenceu à Polícia Militar do Amazonas, antes de enveredar pela política, onde se fez mais conhecido. Nascido no ainda Território Federal do Acre, completa em julho o centenário de nascimento. Quando estudante do Ginásio Amazonense (década de 1950) produziu três livros de poesia, um dos quais ilustra a postagem. 






quinta-feira, setembro 10, 2020

ENCONTRO DE DOIS POETAS

Luiz Bacellar
Ontem, o dia foi consagrado à lembrança do poeta Luiz Bacellar (1928-2012) por dois motivos: seu desaparecimento, há oito anos, e o lançamento do livro em sua homenagem escrito por Elson Farias. Farias também é poeta, porém, que ele me desculpe, quero relembrar ao saudoso poeta Djalma Passos (1923-90). 

Buscava subsídios para um trabalho literário, quando encontrei a apreciação de Luiz Bacellar sobre a poesia de Djalma Passos, inserido no livro deste - Tempo e Distância, publicado em 1955. Foram jovens da mesma geração, enquanto Bacellar estudou em São Paulo, Passos veio do Acre para se notabilizar em Manaus. Vamos ao texto de Luiz Bacellar.

é o terceiro livro de Djalma Passos. O segundo – As Vozes Amargas – publicado pela Casa do Estudante do Brasil em 1952, inaugurou a poesia social no Amazonas. Nele, o poeta nos transmite sua mensagem através dos ritmos largos e ondulantes de uma poesia cheia de inquietude pelos destinos do homem.

Ao seguir, As Vozes Amargas não teve da crítica a atenção que merecia, em face da desconceituação da poesia moderna, então chama "futurista" pelos maiorais da crítica e das letras provincianas, mas, embora tratado com tão clamorosa injustiça, firmou-se no conceito da nova geração. (Um grupo de novos, no qual se destacavam elementos ligados a círculos literários de outros estados, como Sebastião Norões, de poesia marcadamente social, surgia então para reivindicar o direito de renovar os cânones da poesia no Amazonas).

Embora sem contatos prolongados, Djalma Passos acha-se integrado a esse grupo, do qual fazem parte: Freitas Pinto, o mais velho dos novos, Jorge Tufic e Carlos Farias, poetas diferentes entre si mas coesos quanto à necessidade de renovação dos valores poéticos; e nele toma parte, destacando-se como o pioneiro da poesia social, além de ser o único desses poetas que já estreou em forma de livro.

Djalma Passos, que é também contista ainda inédito, é um dos mais brilhantes oficiais da nossa Polícia Militar, atualmente no posto de major, tendo exercido a elevada função de comandante da Guarda Civil de Manaus, durante o período de 31-01-51 a 17-11-54, quando escreveu, em defesa do guarda civil Manuel Carlos de Melo, acusado de causador da morte do cidadão conhecido nos meios boêmios pela alcunha de “Caroço”, o opúsculo Entre o Dever e o Cárcere (Manaus 1953). Foi, por certo, nesse cargo, que Djalma Passos teve a oportunidade de entrar em contato mais direto com o homem da rua, o que marca profundamente sua expressão de poeta e contista.

Poeta cheio de profunda ternura pelos desajustados sociais, Djalma Passos é uma das mais puras vozes líricas da poesia planiciária; possuidor de uma linguagem despojada e simples, galvaniza e marca, com o estigma de sua poesia, o leitor mais desinteressado; senhor de uma fluidez límpida e clara, transporta-nos aos redutos de seu espírito observador do homem da rua, através da “fonte perene” de uma expressão profundamente individual.

Pertencendo à categoria dos que têm os olhos voltados para o futuro, sob o signo da pergunta, Djalma Passos domina, com tôda a maestria, a expressão larga e a ênfase do verso withmaniano.

DJALMA PASSOS

dá-nos neste volume uma continuação à temática social de As Vozes Amargas. E, até mesmo, podemos ver no seu “Poema do Feto” um complemento do “Poema aos que hão de vir” de As Vozes Amargas.

O homem, entidade no tempo mais que no espaço, é, como se vê, a constante genérica na poesia de Djalma Passos, onde avultam ainda as subconstantes da Infância, da Noite e do Mar.

O Futuro sempre aparece como maior preocupação do poeta: “Poema aos que hão de vir” e “Poema do Feto”. Caracterizando-se como poeta de ritmos livres (quase sempre tão traiçoeiros para os que se deixam dominar pela sua aparente facilidade sem se submeterem ao rigor sutil e sem manter consciente obediência aos autênticos movimentos interiores), Djalma Passos atinge maior pureza lírica e riqueza expressional nas composições que intitula simplesmente Poema.

 Em TEMPO E DISTÂNCIA, por pura condescendência para com o presente surto de reatualização do soneto, ao que parece, o poeta realiza alguns, entre os quais se deve destacar o que tem por título "Nossas Mãos".

Sem preocupações de afetar sua autêntica modernidade, Djalma Passos exclui, muito acertadamente, o problema da unidade em sua obra, tendo antes a preocupação da transmissão de sua mensagem. E consegue plenamente seu objetivo! Vale destacar, por exemplo, entre os poemas de As Vozes Amargas, os de títulos: “Poema do Moleque Brasileiro”, “Poema do Olhar Extinto”, “Estranhas Vozes”, “Procedência”, “Anjo Noturno”, “O Homem Só” e “Despedida do Viajante Noturno”. No “O Poeta de Branco” há uma interessante correspondência de sentimento com “O Poeta Come Amendoim” de Mário de Andrade.

A função de sua poesia carrega-se do mais intenso significado nos dias cheios de angústia e expectativa que estamos passando. Poeta dos mais autênticos e expressivos, surpreende-nos de vez em quando com “pulos de gato” de poesia no mais cristalino estado de pureza: “A noite lá fora é um mistério, o vento derrubou todas as estrelas...” (Despedida do Viajante Noturno). Sua penetrante naturalidade realiza no leitor aquilo que chamaremos de “comoção lírica totalmente independente de qualquer intenção ideológica”, não se podendo, portanto, classificar a poesia de Djalma Passos de “dirigida”.

Resta-nos chamar a atenção do leitor, neste livro, para a extraordinária potência poética de Djalma Passos que é, sem favor, o fundador da poesia social, “do povo e para o povo”, no Amazonas. Que os novos que se estão agrupando agora sob a denominação de Clube da Madrugada lhe façam justiça.

Luiz Bacellar 

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sexta-feira, janeiro 24, 2020

GUARDA CIVIL DO AMAZONAS



Por um ofício do Conselho Nacional das Guardas Civis do Brasil foi comunicado ao diretor da Guarda-civil do Amazonas a extinção de todas as corporações coirmãs, em todo o território nacional. O ato foi assinado pelo presidente da República, Emilio Garrastazu Medici, no dia 31 de dezembro passado [1969], cujo decreto recebeu o nº 1072, da mesma data.
O Sr. Salum Omar entrou em contato imediato com o titular do DESP [Delegacia Especializada de Segurança Pública], o qual por sua vez entabulou conversações com o Secretário do Interior e Justiça, visando adotar uma providência a respeito do assunto.  

LEGISLAÇÃO NA GC
Ontem pela manhã, nossa reportagem manteve contato com vários guardas-civis, agora já sem o tradicional fardamento, e todos sem exceção mostravam-se desolados com a extinção daquela corporação que completou 55 anos de existência no ano passado. Agora cerca de 212 elementos estão sem saber quais serão as providências adotadas pelo governo, pois nada transpirou do diálogo mantido entre o sr. Salum Omar, titular do DESP, e o secretário do Interior e Justiça.
A guarda-civil amazonense foi criada em 1914 e reformulado em 1918, sua existência é uma série de atos heroicos. Vários de seus elementos morreram no cumprimento do dever. Tem um legado de tradições e sempre soube desincumbir-se com acerto e lhaneza em suas missões.

E AGORA?
Até o momento nada foi comunicado aos guardas-civis sobre as suas situações funcionais. Ninguém sabe qual será o destino que os aguarda. Poderão preencher os claros existentes no DESP, como também poderão ser incluídos na Polícia Militar do Estado. Mas há um problema: em sua grande maioria os guardas-civis são homens de idade e, se submetidos a uma rigorosa inspeção – como soe ser a dos candidatos à PM, não serão julgados aptos.
Em São Paulo, o general Olavo Viana Moog, secretário de Segurança, criou um Grupo de Trabalho para estudar o caso, com prazo de 45 dias para se pronunciar. Também são várias diretrizes incluindo a incorporação dos elementos da GC na Força Pública, no quadro da Polícia Civil e outros itens menos importantes.
Mas, em nosso Editado, os 212 homens da GC permanecem sem saber qual será o futuro. Somente uma coisa foi adotada: não poderão usar o uniforme que foi motivo de orgulho para seus componentes e a certeza de segurança à população.

OBSERVAÇÕES DO CORONEL ROBERTO:

A Guarda Civil foi uma corporação militarizada que, atuante em todo o país, efetuava patrulhamento e proteção de parques e residências, sob a gerência da Polícia Civil. No Amazonas, funcionando apenas na capital, foi criada em outubro de 1914 e extinta em 1969, conforme decreto presidencial. Teve uma destacada atuação entre 1930 e 1936, quando a Polícia Militar do Estado foi desativada.
Após esse período, e o encerramento da Segunda Guerra, com o Estado seguindo em decadência, acarretou profundas carências aos órgãos de segurança. Incluída a Polícia Militar estadual. A Guarda Civil foi durante longo tempo dirigida por membros da PMAM, tendo obtido mais destaque o então major PM Djalma Passos (político, foi deputado federal).
Passos, em defesa de um seu subordinado, travou um debate com o então delegado de polícia Bernardo Cabral, hoje um nome de reconhecimento nacional. O guarda civil, subordinado de Passos, em seu local de serviço, feriu de morte ao irmão de Cabral. Não teve perdão, mofou no presídio.

Com o advento do Governo Militar (1964-85), a GC foi enquadrada, e foi extinta no país. Porém, o que fazer com seus integrantes? Em São Paulo, onde esta era mais destacada, houve choro e ranger de dentes, mas foram integrados à PMESP. Em Manaus, houve incorporação à Polícia Civil e outros órgãos estaduais. Devido a idade e os requisitos exigidos, nenhum obteve ingresso na PMAM.
Lembro bem da condição de Carmelo Oyola Cortez (meu sogro), um boliviano que buscando o Brasil, acabou abrasileirando-se em algum barranco do rio Madeira, e com este atributo, serviu essa instituição como Guarda Civil de 3ª Classe. Quando da extinção, foi incorporado à Polícia Civil, onde conquistou a função de “bagageiro” do Chefe de Polícia, Paulo Pinto Nery.

A sede dessa Guarda estava na rua Guilherme Moreira, cujo terreno possuía ligação com o da Central de Polícia, pela rua Marechal Deodoro. O Banco do Brasil adquiriu o velho “casarão da Marechal”, como era identificado pela imprensa. E o da Guarda, ainda guarda alguma marca de identificação. Não obstante passados 50 anos.

Veja a dedicação dos Guardas, Oliveira publicou em 1957 o folhetim abaixo:



sexta-feira, abril 19, 2019

NOTÍCIA SOBRE A NAVEGAÇÃO AÉREA



Aumentando e valorizando a ligação aérea da nossa capital com o Sul do país, a Cruzeiro do Sul inaugurou ontem [15.09.1963] uma nova linha, utilizando aviões a jato, do tipo Caravelle. O acontecimento revestiu-se de
Cópia de A Gazeta, 16 setembro 1963
importância, dado que propicia progresso para o nosso Estado, mostrando o interesse daquela progressista empresa nesta região.
O Caravelle da Cruzeiro do Sul, que inaugurou a nova rota, regressou às primeiras horas de hoje e tinha a seguinte tripulação: comandantes Araújo e Winter, 1º oficial Xavier, navegador Viana e comissárias Rita, Dinorah, Aparecida e Paes.
Como passageiros do aparelho vieram, na qualidade de convidados da Cruzeiro, os senadores amazonenses Edmundo Fernandes Levy e Vivaldo Lima Filho, os deputados federais Djalma Passos e Manuel Barbuda e suas respectivas esposas; o sr. Raimundo Figueira, presidente do BCA [Banco de Crédito da Amazônia, atual BASA], e esposa; além de outros destacados passageiros.
À noite de ontem, no Hotel Amazonas, a Cruzeiro do Sul fez realizar um coquetel, oportunidade em que homenageou o mais antigo e a mais nova funcionária de sua filial de Manaus.
As fotos são flagrantes do acontecimento, vendo-se o senador Vivaldo Lima Filho quando, em nome da Cruzeiro, entregava um prêmio ao sr. Werner Dieckmann pelos seus 26 anos como funcionário da empresa, e o deputado Djalma Passos conferindo uma lembrança à senhorita Nazareth Silva, a mais nova integrante da numerosa família da Cruzeiro do Sul em nosso Estado.

Anotações próprias sobre a nota supra de A Gazeta, Manaus, 16/09/1963:

1.  A empresa Cruzeiro do Sul destacou-se em Manaus, com sua agência localizada no cruzamento da avenida Eduardo Ribeiro com a rua Henrique Martins, cuja edificação em nossos dias é ocupada por uma loja de roupas.
2.  Esta esquina acolhia um bom número de transeuntes, de diversas classes sociais, tornando-se um point conhecido por “Canto do Fuxico”.
3.  A empresa durou até ser adquirida pela Varig, cujo agente era E. V. d’Oliveira, com a sede na rua Guilherme Moreira. Recordo ainda que a Cruzeiro manteve uma linha entre esta cidade e a de Iquitos (Peru), escalando em Tefé e Tabatinga. Quando a Varig abandonou esta rota, coube a Transbrasil operar.
4.  Pelo visto, a Cruzeiro teve o privilégio de conectar Manaus com o restante do país pelos Caravelles, ou seja, colocou a cidade na velocidade dos jatos.
5.  O deputado federal Djalma Passos era oficial da Polícia Militar do Estado, e (importante), não sei porque circunstância, tornou-se compadre de meu pai.

Anúncio publicitário inserido no mesmo jornal

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

CLUBE DOS OFICIAIS


Com o intuito de colaborar com a história desta agremiação policial militar, transcrevo esta publicação do extinto O Jornal, edição de 21 de abril de 1970. Vale lembrar que este clube ainda que fundado há 16 anos, ainda não possuía sede de qualquer forma. Reunia-se como se vê nesta postagem na sede de 
terceiros.

Coronel Caetano Felix
A ausência de um endereço bloqueava sua atuação. Nada produzia, salvo uma homenagem e outra, daí talvez o número de oficiais reformados em sua direção. Afinal, o número de oficias era insignificante: 47 na ativa e, pouco mais de 100, na inatividade.
O presidente que assumia havia sido comandante da PMAM entre 1954-55, portanto, um dos fundadores do Clube. Tem mais, a Loja maçônica Caetano Felix do Nascimento venera seu nome.


Recorte do citado periódico
O Clube dos Oficiais da Polícia Militar do Estado do Amazonas vai festejar hoje a data do Patrono dos Polícias Militares, alferes José Joaquim da Silva Xavier, Tiradentes, com sessão solene que será realizada na sede da ASPA [Associação dos Servidores Públicos do Amazonas], às 20 horas, quando serão empossados os membros de sua Diretoria e Conselho Deliberativo.

Os novos dirigentes do Clube que serão empossados hoje, são os seguintes:

DIRETORIA

Presidente — Coronel PM RR Caetano Felix do Nascimento;
1° Vice-Presidente — Coronel PM RR José Silva;
2° Vice-Presidente — Major PM Helcio Rodrigues Motta;
1° Secretário – Capitão PM Osório Fonseca Neto;
2° Secretário — Capitão PM Manoel Roberto Lima Mendonça; 
Tesoureiro — 2° Tenente PM Ref Olavo José de Araújo;
Adjunto Tesoureiro — 2° Tenente PM Jarbas Rocha da Costa,
Orador Oficial — Tenente-Coronel PM RR Djalma Vieira Passos.



CONSELHO DELIBERATIVO

Coronel PM Ref Antonio Hosannah da Silva Filho;
Major PM Hilário Motta Ardaya;
Capitão PM RR Francisco Assis de Magalhães;
Capitão PM Humberto Henrique Soares e
Tenente PM Antonio Ferreira Lima.

quarta-feira, janeiro 10, 2018

CLUBE DOS OFICIAIS PMAM


Major Djalma Passos, membro da
Diretoria e autor
da Exposição
Em final de Governo sempre aparecem as maracutaias administrativas, são arrumações quase sempre para beneficiar aos assessores que se despedem. Isso sempre reflete no órgão de origem e repercute de forma negativa na imprensa. Os exemplos estão no noticiário jornalístico de todos os meios.

Assim aconteceu em 1954, no encerramento do derrotado governo de Álvaro Maia, às vésperas da posse de Plínio Coelho (31 janeiro 1955), quando uma sobreposição de governadores interinos causou imensos quebra-cabeças. Um deles, afetou a Polícia Militar do Amazonas.

A lei de promoção sancionada em dezembro de 1954 amparava aos oficiais servindo na Casa Militar, em detrimento dos da caserna, os do batente, que se insurgiram, levando a questão ao público por intermédio do Clube dos Oficiais.
Mais de 60 anos depois, é possível entender a posição do Clube dos Oficiais diante dos acordos palacianos. Somente ainda não “encontrei” o oficial que assinou como presidente do Clube. A exposição associativa foi divulgada no Jornal do Commercio (14 janeiro 1955).


O Clube dos Oficiais da Policia Militar do Estado, com base no artigo 2º de seus Estatutos, vem com o mais alto respeito à presença de Vexa. expor o seguinte, visando salvaguardar os interesses desta PM, de gloriosas tradições, bem assim colocar o Governo a cavaleiro para melhor conceituar a Polícia Militar do Estado perante a opinião pública:

a) — O quadro de fixação do efetivo da PM (Lei nº 177, de 21/12/1954) alterou sensivelmente o quadro anterior e foi executado sem a audiência do órgão técnico competente e fugiu, portanto, aos princípios e normas militares, tomando aspecto desprimoroso, o que motivou censuras públicas da imprensa;
b) — Em face do exposto acima, este Clube, em sessão extraordinária em sua sede provisória, às 14 horas de hoje, por unanimidade de votos da Diretoria, resolveu dirigir a Vexa. o presente memorial pedindo que não sejam preenchidas as vagas existentes pela Lei nº 177 e que, tão logo seja possível, a mesma mereça uma revisão criteriosa de parte do Legislativo, ouvido naturalmente o órgão técnico desta Polícia Militar que poderá apresentar um quadro isento de injunções políticas; 
c) — O Clube, que representa o pensamento sincero e honesto de grande parte da oficialidade do Estado, pensa que a Polícia Militar não deve ficar à mercê dessas flutuações perigosas à disciplina e ao bom nome da Corporação e da classe e entende perfeitamente que V. Exa. não tem nenhum objetivo em contribuir para tais medidas, e, somente por dever do elevado cargo em que se encontra investido, assinaria atos de tal natureza, servindo, sem uma melhor orientação, aos interesses individuais e a manifestações de egoísmo, incompatíveis com o decoro e a austeridade militar; 
d) — Cumpre ressaltar a V. Exa. a maneira altamente dignificadora com que dois membros da Diretoria do Clube, que seriam promovidos a major e a capitão respectivamente, por disposição da Lei nº 177, renunciaram plenamente a esse direito, por entenderem que o bom nome da Polícia Militar está acima de suas situações individuais e se declararam capazes de maiores sacrifícios assim exija a PM, a fim de se colocar muito bem no conceito público;
e) — Pede também não seja dado cumprimento à Lei nº 171, de 17/12/54, que modificou a Lei nº 21, de 12/05/52 (Lei de Promoções), que subordina o merecimento dos Oficiais ao vergonhoso processo do elogio gracioso, colocando aqueles que ainda não possuem uma alta formação espiritual e princípios fundamentais da ética militar e do dever, na situação deprimente de pedir elogios ou galgar a hierarquia militar à sombra de pessoas influentes;
f) — Pede ainda que não sejam mais concedidas promoções ao pessoal inativo desta PM (Reserva Remunerada e Reformados), senão em virtude da Lei, promoções essas que sem nenhum amparo legal têm onerado extraordinariamente os cofres públicos e transformado a inatividade da Polícia Militar em uma nova e rendosa indústria.

Estas exposições, que o Clube em boa hora faz a VExa., visam tão somente reerguer a Polícia Militar do declínio em que vai na opinião pública e consideram também a sua oportunidade em face da crise econômico-financeira em que se debate o Estado, numa hora de graves preocupações em que não se justificam favores nem agraciamentos extemporâneos.  Sabendo que elas se coadunam perfeitamente com os propósitos sadios de VExa., que tudo tem feito para superar injunções e vencer obstáculos à frente da pública administração de nosso Estado, subscrevemo-nos atenciosamente. 
Manaus, 13 de Janeiro de 1955

Pela Diretoria:

Capitão José Ribas, Presidente 
Tenente-coronel Antonio Hosanah Silva, Vice-presidente [médico, patrono do IML, onde serviu por décadas]
Major Djalma Passos [deputado estadual e federal]

sábado, outubro 14, 2017

POESIA DE JORNAL (III)



Postei durante a semana sobre a cidade de Lábrea, cujo topônimo recorda seu fundador, coronel Antônio Labre.

Para rematar a semana, reproduzo o poema de Sylvio Omena, de quem não possuo referência, sacado do matutino A Crítica (19 julho 1956), louvando sua terra natal. 

Acredito que por deficiência de tipos, muito comum de então, o jornal esqueceu o “A”, de Lábrea. Não creio que o poeta louvasse o fundador.  


LÁBRE[A]
Sylvio Omena

Entre muitas, és a mais bela cidade
De todo garboso e gigante solo querido,
Teu nome ascende por todas as idades,
A flor mais linda do Amazonas garrido.

Lábrea. Escuta daqui ausente o filho teu
Que soberbo... canta em versos o colorido
Do lençol verdejante que sobre tudo estendeu,
Mas, tu ficaste inerte... radiante e florida.

Teu passado belo e saudoso,
Que o presente reclama insistentemente...
Vem. Que teus filhos te esperam ansiosos.

Ajudai. Ó Deus esse povo paciente...
Trazei ó Deus a esses corações bondosos
A liberdade de viver economicamente.





Djalma Passos (1923-90) escreveu esse poema encerrando o curso secundário, por isso pertencente a um grêmio estudantil, atividade então muito comum. Era já integrante da Polícia Militar do Estado.

A publicação abaixo ocorreu no matutino O Jornal (10 agosto 1944). Passos publicou seus poemas em dois livros: Poemas do tempo perdido (1949) e As vozes amargas (1952). 


À EMBAIXATRIZ DA BELEZA
À Futura Rainha dos Estudantes
Djalma Passos
(Do Centro Estudantil Plácido Serrano)


Virá com doce som de raras harmonias,
Entre pompas reais e soberbas princesas,
Majestosa sob oiro e ricas pedrarias,
Onde fulgem rubis e gemas e turquesas!

No seu régio cortejo aureolada e formosa,
Com uma expressão de amor, sublime e sedutora,
Virá como a manhã festiva, cor de rosa,
Que de beijos de sol o firmamento doura...

Assim ela virá do reino das quimeras,
Do palácio floral das belas primaveras,
Na apoteose da sua efémera realeza!

E todos hão de cair ajoelhados, pequenos,
Ante o olhar divinal, ante o corpo de Vênus,

Da egrégia Embaixatriz do Sonho e da Beleza.

sexta-feira, novembro 18, 2016

CLUBE DA MADRUGADA: 62 ANOS (3)

A derradeira parte do texto do saudoso poeta Alencar e Silva sobre o Clube da Madrugada, que celebra seu aniversário no próximo dia 22. O original encontra-se no livro póstumo deste poeta - Quadros da Moderna Poesia Amazonense (2011).


PRELUCIDAÇÃO

Havia, por certo, razões para esse comportamento, ditadas, umas, subconscientemente, pela autocensura que teme contrariar a ordem estabelecida, ou que a aceita, e, outras, pelo natural processo de envelhecimento e asfixia de um quadro marasmático que não tinha por onde renovar-se, de vez que todos os caminhos pareciam estar bloqueados, como no poema de Aníbal Machado, e não havia salvo-conduto para a canção.
Dir-se-ia, então, que não havia bons poetas em Manaus? Havia-os, sem dúvida, e, alguns, mesmo, muito bons, como Hemetério Cabrinha, Américo Antony e Álvaro Maia, para mencionarmos apenas aqueles para os quais a arte poética não era um mero exercício de diletantes, mas, sim, o sopro vital que os acompanharia por toda a vida. Conheci-os bem e de perto e fui amigo dos três. 
Em verdade, só o dom da poesia fazia-se-lhes traço comum, a par do talento que os distinguia e os nobilitava. No mais, pessoas em tudo e por tudo diferentes entre si. Hemetério Cabrinha (1892-1959), o poeta de Vereda Iluminada e Frontões, publicados respectivamente em 1932 e 1959, era carpinteiro de profissão. E notável orador. Reunimo-nos várias vezes no café "Leão de Ouro" e no bar "Avenida" para falar de poetas e poesia. Eu gostava de ouvi-lo. E foi em sua própria voz, um pouco rouca mas bem empostada, que ouvi poemas inteiros do seu primeiro livro, bem como trechos dos poemas, editados em plaquetes, Satã, Caim e O Cristo do Corcovado. 
Certo dia, em 1951 ou 1953, indo eu ao Palácio Rio Negro, encontrei o poeta, já chegando à casa dos sessenta, a envernizar as escadarias internas da sede governamental, e ele, sorridente e orgulhoso do seu trabalho, a exibir-me as fortes mãos de operário manchadas de verniz: "Poeta, as águias voam alto, porém, para pousar nos altos píncaros, é preciso que tenham garras fortes!" Achei linda a tirada do mestre Hemetério Cabrinha. 
E fui à presença de outro poeta, o governador Álvaro Mala, a fim de solicitar, e obter, as quatro passagens que nos levariam (a mim e mais três companheiros) ao sul do país. Da produção poética de Álvaro Maia (1893-1969), também grande orador e excelente escritor, conhecia-se, então, apenas os poemas, poucos e bons, que ele se permitira estampar nos periódicos locais — suficientes, todavia, para incluí-lo entre os melhores poetas amazonenses de todos os tempos. 
Sua obra poética só seria conhecida em sua totalidade ao ser editada, em volume único, em 1958, sob o título de Buzina dos Paranás, onde o apuro formal corre em parelha com o seu telurismo e seu sentimento amoroso pela gleba estremecida. 
Quanto a Américo Antony (1895-1970), suponho que se há de lamentar sempre, talvez, não ter o poeta, que era Promotor de Justiça, reunido em livro senão parte mínima de sua obra (Os Sonetos das Flores, de 1959), num volume que, em verdade, não representa o que de melhor o poeta escreveu.
Pode-se, pois, prever, com larga margem de probabilidade, que o melhor de Américo Antony corre o risco de perder-se, na hipótese de sua família não ter diligenciado na recolta do material inédito ou publicado esparsamente nos jornais e revistas locais. (Desde já, todavia, essa hipótese deve ser afastada, eis que, ainda há pouco, nos vimos investido pelos filhos do poeta residentes no Rio de Janeiro — Sra. Isis Antony de Souza Brasil e Marco Aurélio Antony na condição de depositário do acervo de inéditos de Américo Antony, constituído de pouco menos de setecentos poemas, em sua maioria sonetos, e que muito em breve estaremos transmitindo à guarda e providências da benemérita Academia Amazonense de Letras). 
Vê-se, assim, que dos três poetas apenas Hemetério Cabrinha editou regularmente os seus livros, à medida que os escrevia. Foi, também, dos três, o único a não fazer parte da Academia, ainda que méritos lhe sobejassem. 
Por motivos de outra ordem e que se impõem tanto pela sua maior proximidade do ideário renovador do movimento madrugada quanto pelas características de fundo e forma de sua poesia inscreve-se neste pórtico o nome de Djalma Passos (1923-1990), apesar de sua passagem quase que meteórica pela poesia. Isto por que, a partir de 1955, ano em que saiu a sua terceira coletânea de poemas, não mais o poeta assinalou sua presença no território poético, frustrando, deste modo, as expectativas de quantos viram no autor de As Vozes Amargas (de 1952) uma voz, repassada de humanidade, a erguer-se contra as injustiças sociais e a acenar-nos com uma nova luz, e que ainda parece ressoar como o canto de um anjo rebelde pejado de revolta. 
Não se focalizasse, aqui, apenas um segmento da história da poesia amazonense, obrigatória, por certo, seria a menção a vários outros poetas que lhe fecundaram o território sagrado, como Jonas da Silva e Quintino Cunha, os quais, aliás, dividem entre o nosso e os seus estados natais a honra de os contar como seus. 
É claro que um critério mais elástico nos permitiria a inscrição neste preâmbulo de alguns outros nomes que, não obstante a sua contemporaneidade, conservaram-se à margem do movimento renovador, a exemplo de Áureo Mello, todavia, e sem que vá nisso qualquer censura ou juízo de valor, pergunto-me se seria esse o procedimento correto. 
Como quer que seja, parece que as lacunas e omissões em cometimentos da espécie são fatalmente inevitáveis, quando se tem o objetivo de constatar fatos e relatar as impressões mais duradouras por eles suscitadas. (fim)

sábado, novembro 22, 2014

CLUBE DA MADRUGADA - SESSENTANOS


Armando de Menezes, Astrid Cabral e Zemaria Pinto

O sexagésimo aniversário do Clube da Madrugada ocorreu hoje, e sucedeu exatamente na Academia Amazonense de Letras, levando-se em consideração que foi a única solenidade deste dia. A mesma entidade cultural que, nos primeiros dias do CM e com registro no Manifesto, fora defenestrada, repulsada, acusada da inércia de seus quadros, pelos jovens madrugadenses.
  

Ninguém se lembrou da praça da Polícia e do Mulateiro, pois, quem sabe uma reunião no local da fundação, junto à placa comemorativa, seria uma ótima sugestão. A manhã esteve mais para se conservar na cama, devido a temperatura reduzida pela ameaça de chuvas. O próprio tempo, portanto, colaborava com a efeméride.

A Casa de Adriano Jorge, sob a presidência do acadêmico Armando de Menezes, teve a iniciativa dessa comemoração, que se estendeu por todo este mês. A coordenação geral deste programa coube ao diretor de Eventos, acadêmico Zemaria Pinto, que proferiu a palestre de hoje, tratando da Poesia no Madrugada.

Alencar e Silva
Experiente, conhecido poeta, Zemaria Pinto discorreu com brevidade, mas com solidez sobre as gerações deste movimento. Dos fundadores, ainda produzindo, foi lembrado o poeta Jorge Tufic. Passaram pelo inventário do palestrante, entre tantos, os nomes de Antístenes Pinto, Alencar e Silva, Farias de Carvalho, Moacir Andrade, L. Ruas, Luiz Bacellar, do primeiro tempo. 



Tomo a liberdade de acrescentar o nome de Djalma Passos, lembrando que Jorge Tufic, em seu livro sobre os 30 anos do Madrugada, registra o nome deste poeta. Talvez a atividade política de Passos, como deputado federal, o tenha afastado da cidade e dos atuantes membros do clube.
 
Almir Diniz
Também foram citados os sucessores, sem a intenção de encerrar a listagem, Zemaria Pinto, um dos incluídos, mencionou Alcides Werk, Max Carphentier, Astrid Cabral (presente à sessão), Elson Farias, Anibal Beça, Anísio Mello, Aldisio Filgueiras. Lembrou, em especial, o nome do vice-presidente da Casa, Almir Diniz, que não pertenceu ao CM, mas que tem idade para ter sido um dos fundadores, mas que não esteve no palco.  Diniz justifica tal ausência pela sua condição, à época, de repórter de O Jornal, cujo trabalho o obrigava a “entrar pela madrugada”. Desse modo, não teve tempo para juntar-se aos clubistas.


A sessão teve ainda a participação do músico e arranjador Maury Marques que, com o banquinho e o violão, mostrou o arranjo que elaborou para diversas composições poéticas. Este trabalho foi realizado em parceria com o diretor de Eventos, que assinou os comentários sobre os poemas escolhidos. Tudo caminhava para o lançamento do CD Lira da Madrugada, com a mencionada obra, porém a empresa gravadora não concluiu o serviço. Ficou para uma breve oportunidade.

O comparecimento dos membros do silogeu amazonense foi reduzido, além dos citados (presidente e diretor de Eventos), estiveram presentes Max Carphentier, Astrid Cabral, Marilene Corrêa e Renan Freitas Pinto. A plateia, no entanto, correspondeu em número respeitável, tanto assim, que o Presidente, emocionado, ao fechar a sessão manifestou sua satisfação pela presença do grande público.

Assim, pois, até os SETENTANOS do Clube da Madrugada.
Vou estar presente! Assim espero, assim seja.