CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

1 de fevereiro de 2012

Coronel Carneiro: noventanos

Carneiro, em festas

Lamento registrar que meu amigo Francisco Carneiro da Silva, o coronel Carneiro, está sem condições de abraçar os familiares e amigos que hoje brindam seu aniversário. Nem de conhecer este registro fraternal. Segue amparado pelos seus mais próximos e, uma vez ou outra, lembrado pelos colegas da Polícia Militar do Amazonas.

Conheci o Carneiro quando este, no final da década de 1960, foi reincorporado a PM, depois de absolvido pela Justiça amazonense. Ele havia sido punido pelo Governo Militar, em 1964. Era então entusiasmado capitão, que se fez amigo dos jovens tenentes, entre os quais me incluía, admitidos na PM no biênio 1966-67.

Em Fortaleza, Roberto (à esq) e Carneiro (à dir.), demais
colegas do CAO/1972 
Adiante, em 1972, tive o privilégio de seguir com ele para Fortaleza, onde na PM do Ceará enfrentamos o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. Foi um ano de convivência entre nossas famílias e a praia de Iracema. E os livros, claro. Consolidamos a amizade e, a partir dai, pude testemunhar sua vocação pelo serviço policial e sua dedicação à família, apesar dos percalços domésticos.

Coronel Carneiro deve ser lembrado na Polícia Militar por alguns motivos, saliento um: trata-se de um policial que incorporou como soldado e, vencendo empecilhos de diversas ordens, alcançou o oficialato e, mais que isso, passou para a reserva (aposentou-se, no jargão civil) no topo da carreira.
Delegado de Parintins

Relembro dois fatos que ele me narrou: a ida à então Capital Federal, em 1952, para um curso nos Bombeiros. Era ele sargento e aproveitou o entusiasmo dos governantes em qualificar os integrantes dos Bombeiros Municipais de nossa capital. Não lhe foi prazerosa a estadia, pois, mesmo apoiado pelos colegas de curso, os vencimentos devidos em Manaus chegavam com muito atraso em seu bolso. Em razão disso, ao lado de um companheiro, fez publicar em O Jornal, de Manaus, sua queixa. Resultado: tão logo retornou a Manaus, foi preso disciplinarmente.

Em 1959, o saudoso governador Mestrinho nomeou, “coronel comandante da Polícia Militar do Amazonas”, ao Dr. Assis Peixoto. Peixoto fez do tenente Carneiro seu ajudante de ordens. Nessa condição, viajaram a Porto Alegre (RS) para um encontro com a cúpula das PMs do Brasil. A foto que ilustra esta postagem mostra, além dos citados amazonenses, o então governador gaúcho, Leonel Brizola.

Gov. Leonel Brizola (à esq.), Carneiro (centro)
e Assis Peixoto (à dir.), em Porto Alegre
Depois do curso em Fortaleza, Carneiro seguiu conquistando as promoções devidas e cumprindo as tarefas da caserna. No entanto, o inexorável tempo de deixar o “quartel do coronel Neper Alencar” chegou. Ainda assim, o tenente-coronel Carneiro relutou, seguindo até os derradeiros momentos, o quartel era sua paixão. Tanto que na reserva, ainda aceitou cargos administrativos relacionados com sua especialidade.

A corporação policial militar não possui esta informação, talvez a Amazonprev possa comprovar: Carneiro, possivelmente, seja o oficial mais idoso. Se não, é o segundo. Por isso e pelas tantas que não pude relatar, voltei hoje para abraçá-lo, torcendo pela sua penosa saúde. Coisa de amigo.