CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, janeiro 25, 2020

PONTE "EVANDRO CARREIRA"


Morador do Morro da Liberdade, na primeira metade da década de 1960, circulei bastante por uma ponte de madeira que ligava este bairro, passando pelo Cajual, ao de Santa Luzia e, consequentemente, à avenida Sete de Setembro. Era precaríssima.

Adiante, a ponte foi melhorada, certamente por indicação do vereador Evandro Carreira, daí o nome que lhe atribuíram. Em 1970 estava aos pandarecos, ao menos é o que se deduz da publicação de A Notícia, que reclamava total recuperação. Para mais estimular o reparo, o matutino teceu violentas observações, finalizando por indicar que o cruzamento servia como local de uso de drogas, daí o epiteto infundido: Ponte da Maconha.

Atualmente, é muito difícil sinalizar a posição dessa sumida ponte, pois a urbanização do espaço com a construção do Prosamim, permite aos mais idosos apenas que digam que a travessia nos levava à lateral do então Grupo Escolar Leopoldo Neves, ainda existente, promovido a Escola Estadual.
 
Reportagem do jornal A Notícia (22 janeiro 1970)
A ponte da maconha
A ponte “Evandro Carreira”, que liga Santa Luzia ao Morro da Liberdade (foto) balança, mas não cai. Desengonçada, rota, velha e treme-treme, ela está por um fio. Os moradores atravessam-na, mas com um enorme pavor de um desabamento total, que pode acontecer a qualquer instante. Como, entretanto, o público tem justo receio de experimentá-la a todo momento, o passadiço transformou-se em autêntica passarela de maconheiros, beberrões, marginais, homens e mulheres da pior espécie, que ali vivem vagabundando e atormentando mais ainda a vida daqueles dois bairros. O apelo é endereçado à Prefeitura, para consertá-la, como tem feito a tantas outras, e à Polícia para salvaguardar a integridade moral de quantos utilizam a caraquenta ponte “Evandro Carreira”.

sexta-feira, junho 07, 2019

SANTA LUZIA - BAIRRO



Praça de Santa Luzia, sem data
Conheci o bairro de Santa Luzia, enquanto morador de Educandos e, posteriormente, do Morro da Liberdade. Porém, conhecer como o professor Aguinaldo Figueiredo, não tem quem. Afinal, ele além de nascer no bairro, elaborou uma pesquisa para escrever sem mácula sobre o mencionado subúrbio.
Daí, quando o consultei sobre a foto que ilustra a postagem, ele foi enfático, descreveu-a tim-tim por tim-tim.

As palavras seguintes são do mestre santa-luziense:
Essa foto é do meu acervo e está no livro da Santa Luzia: o comerciante da esquina era senhor João Marinho Peixoto, casado com dona Mariana e tinha três filhas; ao lado dele, a casa de telhado em tacaniça é da família do Joel Santana Bastos, casado com dona Lourdes; a que está com as janelas escancaradas era da minha tia Ana Nascimento conhecida como Dona Silvia.
A casa que aparece seguindo a rua é da dona Arina, esposa de mestre João “Pedreiro” e a no final da rua, a casa de dois andares, era a padaria do Zé Barbosa (Zé Padeiro) que morreu semana passada com 103 anos; a da esquina, no canto direito da foto, com a entrada para a varanda e um batente de um degrau é da minha tia Ofélia que ainda mora lá.
Na foto inteira a cadela que aparece deitada na rua era a “Baleia”, que era da família do Zé Bezerra, vizinho da minha tia. Espero ter sido útil às informações do amigo.
Saudações ainda chazistas. Abraços.

quinta-feira, novembro 01, 2012

PARÓQUIA DE EDUCANDOS

Pe. Plácido, no palanque da
igreja de madeira,
antes da atual, 1942
Este bairro marcou em diversas oportunidades e formas sua presença na evolução de Manaus: a denominação, proveniente da escola dos educandos artífices; a mudança de nome para Constantinópolis, que não colou; pela “estrada”, hoje avenida Leopoldo Peres, aberta pelos moradores; pela presença do padre Antônio Plácido e suas metáforas, nem sempre religiosas; pela exuberância da Baixa da Égua; pelo cine Vitória e outros canais de diversão, estes pouco condizentes com a tradicional família educandense, os “inferninhos”.

Dom João da Matta
Para lembrar a instalação da paróquia de Educandos, sob a proteção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e, óbvio, pequeno relato da história do bairro, reproduzo o texto encartado no Suplemento, comemorativo das festas jubilares da Diocese de Manaus, em 1946. Nesse ano e na vizinhança dessa igreja, eu nasci.

Até 1941, o bairro operário de Educandos teve a sua vida religiosa ligada à da paróquia dos Remédios, de que era curato. Estendia-se, então, até ali, a jurisdição daquela paróquia, atravessando o igarapé de Educandos para, do outro lado, atingir a população operosa daquele extenso bairro.

domingo, fevereiro 26, 2012

BAIRRO DE SANTA LUZIA

Na sexta-feira passada, aproveitamos o encontro do Chá do Armando para comemorar, com antecedência, o aniversário do Aguinaldo Figueiredo. O conhecido professor de História comemora hoje 54 anos.

Professor Aguinaldo Figueiredo
Na ocasião disse-lhe do que mais e menos admirava nele. Esquecera-me de mais uma virtude: a sua paixão pelo bairro de Santa Luzia. Por isso, quero neste espaço novamente cumprimentá-lo, rogando à Santa que o ilumine na difícil tarefa de transmitir conhecimentos. E dizer-lhe que me preparo para o repiquete do Red, no próximo Chá.

Aproveito ainda para trasladar algumas informações sobre a paróquia de Santa Luzia, suplementando aquelas postadas na quinta-feira 23.

Esta divisão eclesiástica tem um privilégio, foi a primeira paróquia criada após a elevação do Amazonas a arquidiocese, mantendo seu bispo na direção do mesmo território. A Bulla papal tem a data de 2 de julho de 1952. Sessenta anos depois, temos Dom Luiz Soares Vieira administrando apenas a Arquidiocese de Manaus.
A paróquia de Santa Luzia foi criada no dia 24 de setembro de 1953, pelo arcebispo [do Amazonas] Dom Alberto Gaudêncio Ramos, sendo o seu primeiro vigário o padre Paulino Lammeier.
Desmembrada da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Educandos, seus limites se estenderam a partir do igarapé da Cachoeirinha, pelo beco da Serraria Amazonas, até à avenida Leopoldo Peres, daí seguindo pela estrada do Aeroporto de Ponta Pelada [Base Aérea de Manaus], abrangendo todo o perímetro de terrenos pertencentes à Aeronáutica. Do outro lado, ficou limitada pelo igarapé do Crespo e da Cachoeirinha, até o ponto inicial.

O terreno destinado à construção do templo foi produto da doação de um amigo da Igreja ao tempo em que o pároco de Educandos era o cônego Antônio Plácido de Souza, em 1946.
Este, desgostoso com o descaso do povo e as constantes invasões sofridas, devolveu a doação, sendo, em 1953, redoado (sic) pelos herdeiros do primeiro doador, àquela altura quase todo transformado em praça, ficando livre apenas a parte central onde foi construída a Escola Santa Luiza de Marillac, para obras sociais e instrução religiosa.

Mas o templo, em outro local, foi finalmente inaugurado a 13 de dezembro de 1967.

Extraído de Elson Farias. Cem anos de fé: centenário da arquidiocese de Manaus (1993)

segunda-feira, setembro 26, 2011

Acidente de avião, 40 anos

Jornal do Commercio, 29 set 1971
Estava devendo um recorte de jornal ao historiador Aguinaldo Figueiredo, nascido e criado no bairro de Santa Luiza, e autor de um livro premiado sobre aquele pedaço da Zona Sul.


Vou fazer a entrega em público. Trata-se do acidente de aviação, acontecido naquele bairro, com o “avião” teco-teco de prefixo PT-CXP, pertencente a prelazia de Roraima, em 1971. São, portanto, quarenta anos passados desde aquela manhã.

Não houve mortos a lamentar, apenas feridos, conduzidos ao Pronto Socorro do Estado, hoje Urgência. Os acidentados foram Weber Bastos, piloto; João Siqueira da Silva, coronel da reserva da Força Pública de São Paulo; padre Mário, da prelazia; Eduardo Penteado.

Quem de fato sofreu foi o Sr. José Felix da Silva, proprietário de três casas de madeira sobre as quais o pequeno avião encerrou sua viagem.