CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de julho de 2010

Confraria dos Antigos Coronéis

Aconteceu hoje o almoço mensal desta associação, no restaurante do Hotel Comfort, localizado no Distrito Industrial.

Lembro que, no mês passado, o encontro foi suspenso em decorrência do falecimento do coronel Assante, que hoje recebeu uma singela homenagem da turma. O espaço onde aquele cordial colega sempre ocupava, ficou vazio.
Estiveram presentes os coronéis Cavalcanti (organizador do encontro), Medeiros, Alfaia, Ruy, Okada, Câmara, Amilcar, Nogueira, Celio, Torres, Eber, Abelardo, Osório (tesoureiro), Pereira, Alcantara, Torres, Santarém e Roberto.

Na preliminar, os acertos e os aperitivos

Alfaia (à esq.) e Santarém discutem a temperatura ideal da cerveja

Houve um fato interessante: a turma exercitava aquela conversa mensal, tomava algum aperitivo, quando o salão foi invadido por um congresso de jovens secretárias do DI. Os distintos cavalheiros correram ao bufet, antes que fosse tarde. Mas, "dançaram".
Cavalcanti
No final, como mostra a foto do Cavalcanti, o rancho foi de primeira. A conta, porém, sempre sofre fiscalização do conselho (Okada e Ruy).

Entre outros acertos, como saúde, proventos e outros indicativos médicos, ficou o de que, em agosto, nos veriamos no hotel junto ao Studio 5.

29 de julho de 2010

Irmãos Souza

Anteontem, em São Paulo, morreu Wallace Souza, que o país conheceu pela rapidez com que foi defenestrado do Legislativo e acabou na cadeia. Morreu, vítima de doença hepática crônica e outros disturbios jurídicos. Na tarde de hoje, foi sepultado no cemitério São João, em Manaus.
Conheci Wallace em 1983, quando sua saudosa mãe procurou o Governador Mestrinho para socorrer o filho. Era gravíssima a parada: Wallace estava condenado a ser excluído da Polícia Civil. Não sei se Mestrinho não quis ou não desejou ajudar aquela mãe. A Polícia executou a pena, Wallace perdeu o emprego.
Adiante, conheci o Carlos (Kalau, para os amigos e familiares), quando casou com a Juraci, que é filha de Jandira Macedo (morta ano passado), esta minha prima.
Lembro-me, então, de quando o Carlos começou na TV, com um programa vespertina, que buscava explorar os fatos mais nebulosos. Um dos primeiros, nem sei se o primeiro, mas foi o mais apelativo, devido a presença de um coronel da Polícia Militar. Cavalcanti havia sido exonerado da chefia da Casa Militar pelo governador Gilberto Mestrinho, por isso, estava com o Boto atravessado na garganta.
Na entrevista, aproveitou para explicar a exoneração e ameaçar aquele mandatário. A reação do governador veio a galope e com rigidez. Determinou ao comandante da PM que punisse o coronel falador por 30 dias. Um mês de cadeia. A punição foi cumprida no quartel da Praça da Polícia, que viu o constante entra e sai dos amigos do coronel preso.
Logo tivemos eleições, e Cavalcanti aproveitou a motivação para se candidatar. Fez quatro pronunciamentos no horário político, uma viagem pelo interior, mas até o município de Autazes, até onde seu automovel chegara.
Bom. Carlos também cesceu na política. Levou o irmão Wallace junto. Aproveitou-se da polícia, que o apoiava descaradamente. Penso que o falecido "xerife da cidade" muito colaborou com os irmãos Souza. A truculência com que tratava os moradores da periféria, jogava estes  para os programa "mundo cão", dando audiência e recordes de votos.

Acabou, Wallace, que você possa descansar em paz.

Aspecto do velório de Wallace Souza, no CEL Zezão, na Zona Leste

Carlos, registro aqui meu respeito e minha admiração pela sua trajetória. Você, Kalau, haverá de retomá-la. Em frente!

28 de julho de 2010

Conselho Permanente de Justiça

Em 28 de julho de 1971, o Conselho Permanente de Justiça da Polícia Militar absolveu, por unanimidade, o soldado Jonas Santos da Costa. Presidiu a sessão o Dr. Waldir Garcia, juiz militar. Atuou como Promotor Público, Dr. Gebes Medeiros, e como advogado dativo, o Dr. Simonetti, todos falecidos. O Conselho esteve composto dos oficiais: major Manoel Freire, capitães Nathan Lamego, Mael Sá e Odorico Alfaia.

Conselho de Justiça (à esq.) e o defensor, Dr. Simoneti,
e o Promotor, Dr. Gebes Medeiros

A acusação contra o soldado era de homicídio. O delito ocorreu em outubro de 1969, no garimpo Igarapé Preto, situado no município de Novo Aripuanã (AM), mas que ali se chegava unicamente por avião.

Acompanhei em parte esse fato, pois fui encarregado do inquérito, na condição de major da Polícia Militar. Lembro-me que o garimpo estava sendo disputado por dois (ou três) "proprietários". Um deles, conhecido por Valadares, amigo do saudoso coronel Neper Alencar, convidou-nos para um jantar de negócios no Hotel Amazonas, que aconteceu em dezembro de 1969.
Sabedor de minha presença no garimpo, Valadares propos-me o afastamento do pessoal concorrente e, para isso, fez-me um adiantamento para as despesas de viagem.
Viajei para Porto Velho (RO), cidade que fornecia o apoio logístico ao garimpo. Lá, tomei o avião do Sr. Valadares e desembarquei em Igarapé Preto. Seguiu comigo um sargento para servir de escrivão.  
Conheci o garimpo, com as dificuldades de locomoção e de hospedagem, com as misérias humanas de toda ordem. E a violência. Fiz o que pude. Mas, como não encontrei no local o acusado, voltei a Manaus por outro motivo prioritário, o nascimento da Valeria, minha primeira filha.
Ainda em nossos dias, leio em jornais da existência de garimpos, revelando as mesmas dificuldades que enfrentei há quatro décadas.

Jornal do Comércio, 29 julho 1971

27 de julho de 2010

Manáos versus Manaus II

No início do século XX, o logradouro onde hoje circulam os onibus de Manaus, era denominado de Praça do Comércio. Próximo da Catedral, circulavam naquele espaço charretes e outros transportes dos mais abastados. Também, os bondes elétricos.

Praça do Comércio, c1905
Nela se encontrava um chafariz, mostrando uma deusa protegida por leões. Entre outros estabelecimentos de diversão e alimentação, destaque para o Café dos Terríveis.
Reunia uma clientela eclética, em especial, de jornalistas e advogados, para aproveitar dos comidas e bebidas, e da música apresentada pela noite. Era um point apreciado.
Em 1905, teve papel destacado na organização do carnaval. O prefeito Adolpho Lisboa permitiu e até contribuiu para o reinado de Momo. O festejo bombou, houve desfiles de carros alegóricos pela aven ida Eduardo Ribeiro. As fotos existentes do evento provam a exuberante festança.

Posto de gasolina, Pavilhão Ajuricaba (à esq.) 1970

Décadas depois, essa praça recebeu o Pavilhão Ajuricaba, que agora ocupa a Praça Tenreiro Aranha. Depois trocou o chafariz por um posto de gasolina. Veio o prefeito Teixeira e mandou a decoração para outro local - Bola do Olímpico, que mudou para a Bola do Eldorado e, agora, ornamenta o Parque Jeferson Péres.


Na mesma época, a praça deu lugar ao terminal de ônibus. E o Café dos Terríveis virou Hotel Central. 

Visão de hoje de manhã. Compare

26 de julho de 2010

Presídio Central de Manaus a cores

Nada de excepcional. Ainda quando da inauguração da Ponte de Ferro, uma parede do presídio Raimundo Vidal Pessoa serviu para, mediante trabalho profissional de artes, decorar o espaço Mestre Chico.

Parede do presídio decorada


Agora, certamente, chegou a vez de completar o serviço. A pintura em cores vibrantes, bem ao gosto presente, retira aquela padronização de décadas.

Presídio Raimundo Vidal, hoje, mudando o visual

Não cabe discutir a cor original. O certo é que está ficando colorida, deve ser a humanização da pena pelas cores. Outra vantagem: a pintura servirá para decepar a árvore que cresce no frontal do edifício.

A pintura vai "cortar" o arbusto

25 de julho de 2010

Feira da Eduardo Ribeiro

Comemora-se hoje 10 anos de funcionamento da Feira de Artesanato da Eduardo Ribeiro. Iniciativa já consolidada, basta observar o espaço de tempo percorrido, sem intervalos.

Amostra de uma barraca


A Feira, promovida pela Prefeitura de Manaus em parceria com a Associação da Feira de Artesanato e Produtos do Amazonas (Afapa), funciona na principal avenida do Centro Histórico, aos domingos, até às 14 horas.

Outra barraca
Ali se reúnem quase três centenas de empreendedores, que oferecem comidas regionais, efetivamente a parte mais densa e procurada, mas há oferta de vestuários, artesanato regional, plantas, livros usados e a presença de alguns artistas.
A feira teve sua inauguração em 9 de junho de 2000. Muitos, entre os quais me incluo, não esperavam pelo êxito alcançado, por isso, desejo mais e mais sucesso a todos que a frequentam: tanto para os associados da Afapa quanto os compradores.

Cenas do corre-corre devido a um vendaval, em 2006


Um domingo, em 2006, assisti a um corre-corre dos expositores para se proteger do vendaval e fiz as fotos.

23 de julho de 2010

Memorial Amazonense XXIX

Julho, 23

1858 – Lançamento da pedra fundamental da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, de Manaus.

1892 – Promulgada a terceira Constituição Política do Estado, pelo Congresso dos Representantes, que disciplina a permanência de Eduardo Gonçalves Ribeiro na direção do govrerno do Estado. Este mandato se estende até 1896. Também em decorrência da Constituição, o Poder Legislativo toma a denominação de Congresso dos Representantes do Estado do Amazonas, composto de 24 representantes com mandato de três anos.



1896Fileto Pires Ferreira assumiu o governo do Estado, em substituição a Eduardo Gonçalves Ribeiro, ambos oficiais do Exército. Por motivos ainda não esclarecidos, renuncia ao mandato, em 1898.

Silverio Nery
1900Silverio José Nery assumiu o governo do Estado e o dirigiu até 1904. quando ocupou a vaga de Senador. Nele se manteve até 1930. Tornou-se o mais importante político do Estado desde o Império, com predominância na metade do século XX. Morreu em 1934.


1904 – Assumiu o governo do Estado, Antonio Constantino Nery, oficial do Exército e irmão do antecessor. Não completa, todavia, seu período governamental, enfermado, deixa o governo em 1907. 


1905 – O Regimento Militar do Estado, a Polícia Militar de hoje, possuía 1100 homens, e nova organização: dois batalhões de infantaria, o corpo de bombeiros e o esquadrão de cavalaria. Seu comandante permanecia o coronel Adolpho Lisboa.
Praça da Polícia, 2010
1907 – inaugurado o ajardinamento da Praça da Constituição, sendo Governador, Constantino Nery, e Prefeito de Manaus, Adolpho Lisboa. Em 1923, esta praça toma o nome de Gonçalves Ledo, sendo Prefeito, Dr. Tristão de Sales. Em 1930, por ocasião da revolução de Vargas, a praça toma a denominação de João Pessoa (político paraibano morto na época, em Recife). No biênio 1938/39, quando Prefeito, Antonio Maia, este logradouro sofre uma divisão, no trecho a partir da rua Marcílio Dias até a rua Guilherme Moreira, tomando o nome de Roosevelt. Hoje, unificada, denomina-se Heliodoro Balbi, ou no popular, Praça da Polícia.

Antonio Bittencourt


1908Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, coronel da Guarda Nacional, assumiu a chefia do Poder Executivo. Seu período governamental ficou marcado por tremendas disputas políticas e desforços militares. Ao final, em 1913, a posse do governador passa para o primeiro dia do ano.





1924 – Irrompeu na Cidade a rebelião conduzida por oficiais do Exército, contra o governo de César do Rego Monteiro que, doente, se curava em Paris (FRA). Após dominar a Polícia Militar e afastar do Executivo o substituto, Turiano Meira, assumiu o governo o tenente Ribeiro Júnior. Durou apenas um mês a bravata, porém, instalou nova ordem no Amazonas. A rebelião passou à história pelo nome deste oficial.


2008 – Realizada a abertura da Mostra Literária do Amazonas, organizada pelo SESC, a rua Henrique Martins - Centro, homenageando o poeta Luiz Bacellar.


2009 – Morreu, em Manaus, Narciso Julio Freire Lobo (foto, à esq. ao lado do autor do blog). Narciso Lobo nasceu em Manaus, em 1949, era professor da Universidade Federal do Amazonas. Graduado em jornalismo pela UFF, cursou mestrado em Cinema e doutorado em Ciências da Comunicação (USP). Publicou "Poemas Amazonas" e participou de diversas antologias poéticas. Em parceria, publicou "Hoje tem Guarany" (1983); "No rastro de Silvino Santos" (1987) e "Viagem ao coração do Brasil" (1994), entre outros. Manteve regular colaboração no jornal A Crítica, de Manaus. Até seu falecimento, manteve um blog na internet. Foi membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras, eleito em 2003. 


22 de julho de 2010

Manáos versus Manaus

Sob este título, nada original, pretendo reproduzir fotos da nossa capital. São fotografias de ontem que, revistas pelo mesmo ângulo, possam mostrar as modificações da mesma cidade.


Passagem Cabral, Centro
Começo hoje com a Passagem Cabral, que existe entre a avenida Sete de Setembro e a rua Dr. Almino, próxima a primeira ponte. A atuação do Prosamim manteve o trâfego no local, agora com mais brilho, depois do reparo necessário para se adequar a Passagem ao Parque Jefferson Peres.

Rua Dr. Almino, ao fundo, antes da recuperação, 2006


A Passagem, também conhecida por Ponte, em seus primeiros momentos, era um “atalho” construído sobre madeira utilizado pelos moradores dessa artéria para alcançar a avenida Sete. Araújo Lima, quando Prefeito de Manaus, a reconstruiu. Outras administrações municipais trataram de melhorar a Passagem que chegou, em nossos dias, estruturada em concreto.

Demolição da Passagem, maio 2009

A melhoria do local obrigou a substituição da “ponte”, por uma rampa bem mais confortável.


Cabral, por que esta denominação? Não há registro confiável.


Rua Borba, Cachoeirinha


Essa era a situação da rua Borba no entroncamento com a rua Humaitá, no bairro da Cachoeirinha.

A Crítica, 30 março 1960


Não há muito que explicar. Durante anos quem circulava por aquele local percebia a “invasão”, que começou com casas de madeira e hoje, as edificações apresentavam-se em alvenaria.

Rua Borba, vendo-se a urbanização do Prosamim 


Novamente o projeto Prosamim colocou ordem no local. É o que mostra a foto de hoje mesmo.

19 de julho de 2010

Gilberto Mestrinho

Completa-se hoje o primeiro ano de morte do professor Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo. Gilberto Mestrinho, para os politicos, Boto, para os eleitores. Reconhecidamente, o político que marcou com desenvoltura sua participação na história amazonense. Em resumo, governou o Amazonas em três oportunidades e representou-o no Senado. Ainda, representou o então Território Federal de Roraima, até ser cassado pelo Governo Militar (1964).
Não desejo aqui ampliar os dados sobre sua vida, sua biografia já foi elaborada pela professora Iraildes Torres, no livro Arquitetura do Poder, lançado pela Edua ano passsado.

Propaganda circulada em ACrítica, 1º out. 1958,
quando venceu a primeira campanha para governador 

Mas, como não vi qualquer manifestação na Cidade pela data, em homenagem ao ilustre morto reproduzo um texto do saudoso L. Ruas, escrito por ocasião do primeiro governo de Mestrinho (1959-1963). Lembrando que, como Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho se empenhou na restauração da luz elétrica em Manaus. Coube-lhe a iniciativa de adquirir a usina flutuante que funcionava, ancorada na "beira mar" de Educandos.



O HOMEM E A LUZ
(Para o governador Gilberto Mestrinho)
No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam a face do abismo; e o espírito de Deus movia-se sobre as águas. E Deus disse: Exista a luz. E a luz existiu. Deus viu que a luz era boa. (Gen, I:1-4)


E só depois da criação da luz, o Senhor começou a criar as outras coisas. Pois, como poderiam existir as outras coisas se não houvesse luz?

E depois da criação da luz começou a interminável dança dos seres vivos.

Em seguida, o Senhor criou o verde das ervas aveludadas dos campos e a brancura cândida dos lírios.

E criou as árvores pejadas de frutos vermelhos e dourados, as uvas roxas e as laranjas sumarentas.

E criou os répteis brilhantes e lisos e os peixes de escamas prateadas.

E teceu as pétalas macias das rosas e as plumagens iriantes e fofas das aves e dos pássaros. E as aves começaram a matizar de ritmos lépidos e multicores a mataria densa das grandes florestas e o azul luminoso do firmamento.

E criou, também, os animais selvagens: a negra pantera, o louro leão e os lustrosos paquidermes.

E criou os alvinitentes rebanhos de mansos cordeiros e os animais domésticos.

E, finalmente, criou o homem e a mulher e lhes deu olhos e inteligência de ver o corpo e alma de amar para que completassem e amassem, deslumbrados, a maravilhosa coreografia dos volumes e das linhas, do claro e do escuro, das sombras e da luz, dos tons e dos semitons.


E a terra era um jardim de delícias.

E quando a noite cobriu a terra e apagou a cintilação das cores, o Senhor ensinou o homem a repetir o seu gesto criador.

E o homem tomou dois sílex em suas mãos inexperientes e comovidas.

E curvado sobre eles, atritando um contra o outro, arrancou do coração da pedra o mistério inenarrável do fogo.

E a luz existiu.

E, desde então, o homem aprendeu que a luz é necessária para continuar a tarefa que o Senhor lhe confiara de perpetuar e aperfeiçoar a criação que Ele apenas esboçara e iniciara.

E o homem construiu castelos, apascentou rebanhos, plantou messes, edificou catedrais, ergueu cidades, penetrou florestas, arquitetou pontes, cavou minas, fabricou navios, burilou diamantes, imprimiu livros, engenhou máquinas, represou rios, dominou os mares e os ventos, modificou a face da Terra.


E o Senhor abençoava a continuação de seu trabalho criador que se realizava em todos os cantos da terra.

E depois que haviam decorridos milênios de séculos desde aquele milagre inicial, produzido pelas mãos trêmulas do primeiro homem, o Senhor olhou para a sua criação e viu, com imensa tristeza, que aquele lugar mais belo da sua criação ainda permanecia como aquele abismo, primitivo de faces cobertas pelas trevas.


O Senhor viu, com imensa tristeza, sua criação abandonada, sua criação paralisada, sua criação permanecendo ainda no primeiro capítulo do Gênesis.

Porque não havia luz.

E o Senhor, então, criou um novo homem e lhe ensinou o milagre da luz como fizera ao primeiro homem.

E o novo homem, como o primeiro, lutou curvado, não contra a dureza do sílex, mas contra a rude crosta da descrença e da desilusão que haviam envolvido os corações de seus irmãos.


E, depois de uma luta titânica, a luz existiu.

E a criação do Senhor que, até então, fora abandonada e desprezada, começou a se agitar, a vibrar, a cantar e a dançar.

E a alegria que invadiu a criação do Senhor foi tamanha que o Senhor olhou com emoção para o lugar mais belo da sua criação, para o jubilo que se derramava do coração dos filhos dos homens e viu que era bom o que aquele novo homem fizera.


E viu que podia descansar e abençoou aquele homem e o seu trabalho e disse: Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra, e dominai-a, e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu, e sobre todos os animais que se movem sobre a terra. (Gen. I: 28)
  • Publicado no livro Linha d´água. Rio: Artenova, 1970.

18 de julho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas X



Por ocasião de sua transferência para o Quartel da Sete de Setembro, em abril de 1963, a corporação dos homens do fogo já mostrava revigoramento, devido à inclusão expressiva de soldados. O efetivo fora assim elevado para 63 praças e quatro oficiais. Mas, em 11 de julho, o efetivo já mostrava redução pela metade: cinco sargentos, quatro cabos e 22 soldados. O número de oficiais seguia o mesmo.



A descrição seguinte entristece. Entristece, porque parecia não se ter a quem apelar. As forças de combate ao fogo que ainda compareciam, tornaram-se impotentes, desclassificadas, consoante os noticiários. Foi o que ocorreu com o incêndio da Livraria A Normalista, que queimou “até o último caibro“. Havia motivos, sim, para inquietação na Cidade.
O incêndio na loja de impressos, de controle regular, tudo consumiu. O Prefeito Josué Cláudio empenhava-se para o avanço dos bombeiros, já instalados em novo aquartelamento, e já dispunham de bem mais equipamentos, mas faltavam viaturas. A explicação encontra-se no bojo da reportagem de O Jornal, de 19 mar., citando o então deputado Arlindo Porto.


Em decorrência de tanta grita, vinda de toda a cidade, O Jornal alertou para o terror vivido, diante da ausência de um corpo de combate ao fogo. Os bombeiros voluntários, pelo desaparecimento de seu comandante, agonizavam. Os municipais, apesar do esforço do Prefeito, não possuíam "pernas", e o município de Manaus, recursos. A quem apelar? Esclareceu o editorial O grande alerta, de O Jornal.
Destruída pelo fogo a Livraria “A Normalista”

Ainda perdura, no seio da opinião pública, outro motivo de comentários entre todas as rodas, do pavoroso incêndio de ontem, no prédio da Livraria “A Normalista”, localizada na avenida 7 de setembro, do qual só restaram cinzas, ruínas, escombros, ameaça de desabamento das paredes e prejuízos totais para a firma proprietária, representada pelo industrial Carminé Arone, dono, também da Sapataria “Arone”, que por um triz não desapareceu nas chamas, pois é um prédio ligado à casa sinistrada.


Queimou até o último caibro e até a última resma de papel. Nada foi possível salvar. E, não fosse a intervenção dos elementos do Departamento de Estradas de Rodagem e o equipamento do Destacamento da Base Aérea de Manaus (Aeronáutica), talvez a tragédia fosse maior, de proporções mais alarmantes, porque os Bombeiros Municipais e Voluntários, ali chegando, nada puderam fazer senão olhar e isolar o local, pois não têm mangueiras, não têm carros de incêndio, escadas, nada, afinal, a não ser a boa vontade de serem úteis nessas ocasiões. Os dirigentes do estabelecimento calculam os prejuízos em mais de 30 milhões de cruzeiros (embora o prédio esteja no seguro, cujo valor desconhecem), pois entre materiais e mercadorias existiam – segundo o Sr. Arone cerca de 20 milhões e o prédio poderia ser vendido por mais de 10 milhões.

O Jornal. Manaus, 19 março 1962                            
A repercussão do incêndio foi tal, que ontem mesmo o deputado Arlindo Porto (foto), na Assembléia, dirigiu um apelo ao Presidente do Banco da Amazônia (Basa), no sentido de atender ao Prefeito Josué Cláudio de Souza, que luta para adquirir dois carros equipados para combater as chamas, em nossa capital. Esses carros se encontram armazenados no cais de São Paulo, esperando que a Prefeitura pague o seu valor de compra.

    Quase na mesma data, o Prefeito Josué Cláudio de Souza promoveu um remaque na instituição. Aproveitou a Lei nº 802, de 6 jul. 1963, para extinguir a Companhia e, sob os mesmos escombros, gerar o Corpo de Bombeiros de Manaus. Aproveitou o pessoal e as instalações da extinta companhia. Apenas uma maquilagem facial, pois o serviço prosseguia roto. Muito roto.
Manteve o mesmo comandante, auxiliado por cinco oficiais e 56 praças. Ao menos em efetivo, nem sempre de gabarito, os bombeiros cresciam.

Uma semana depois, em consonância com esta lei, o prefeito de Manaus realizou algumas medidas no comando do Corpo. De partida, comissionou Edmundo Monteiro Filho no posto de major, na sequência, promoveu ao posto superior o 1.º tenente Sebastião Vicente do Nascimento, 2.º tenente Antonio de Souza Barros e o subtenente Tertuliano da Silva Xavier.
Ainda nos enumerados da lei, o art. 4.º determinava que  fosse organizado um regulamento próprio. Enquanto não ordenasse seu regimento, ressalvava o art. 5º, a corporação seria conduzida pelas normas da Lei n.º 63/51, e pelos regulamentos adotados no Exército. Que barafunda!
A cidade está inteiramente desguarnecida, desprotegida, sem qualquer recurso para enfrentar um incêndio, por menor que ele seja. Antes, contávamos com a heróica Sociedade dos Bombeiros Voluntários. No entanto, desassistida pelo Poder Público, ela está impossibilitada de funcionar com a eficiência de antigamente. O seu material está reclamando reparos radicais, que, infelizmente não podem ser feitos, à falta de recursos. Há homens de boa vontade, os Bombeiros Voluntários, sem perceber coisa alguma, estão dispostos a continuar a trabalhar em beneficio da coletividade, defendendo-a do fogo, porém, sem ajuda para renovação do seu equipamento nada, poderá ser feito. Eles não sabem fazer milagre.

De sua parte, o Prefeito da cidade luta pela reorganização do Corpo de Bombeiros Municipais. Já adquiriu duas modernas unidades, e muito equipamento para os seus “soldados do fogo”. Deu, por conta certa quantia em dinheiro. E, para completar o pagamento da encomenda, apelou para o Banco da Amazônia. Todo o material pedido aguarda embarque, no porto de Santos para Manaus. Porém, se o pagamento não se completar, a encomenda não será embarcada. A Prefeitura não tem dinheiro para atender ao resto do compromisso assumido e o BASA, até o momento, não deu resposta positiva ou negativa ao empréstimo, solicitado pela comuna.Apesar do descalabro exposto pela imprensa, o comando decidiu elogiar o pessoal que, de alguma forma, esteve combatendo o incêndio na livraria. É fácil concluir: o louvor demonstra ter sido divulgado unicamente para privilegiar os oficiais, tanto que seus nomes estão expostos, enquanto os praças foram identificados pela numeração. Será sempre assim na corporação.

17 de julho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas IX

O efetivo da Companhia de Bombeiros Municipais, no início de 1962, demonstrava uma perda considerável em relação ao ano anterior. Precisamente no pessoal básico, pois havia somente 12 soldados. Como relatei anteriormente, o tempo e as medidas administrativas começavam a mudar para melhor a organização.

A Gazeta. Manaus, 28 out. 1951

O marco dessa renovação pode ser estabelecido com a eleição do Prefeito de Manaus, em 7 de janeiro. Apoiado pelo Governador Gilberto Mestrinho, foi eleito Josué Cláudio de Souza, do PTB. O catarinense Josué Claudio, que desembarcara na cidade para cuidar dos Diários Associados, agora era o proprietário da Rádio Difusora do Amazonas, e desfrutava a imagem de político vitorioso realçada pelo poder da palavra fácil e repleta de entonação, especialmente quando apresentava, às doze horas, a Crônica do Dia. Em 23 de fevereiro, Josué Cláudio substituiu ao Loris Cordovil na Prefeitura de Manaus.

Quartel do Corpo de Bombeiros, no Canto do Quintela,
na av Sete de Setembro com a av Joaquim Nabuco, em 1965


Os bombeiros permaneciam alojados em um galpão situado nos fundos do Paço da Liberdade. O Prefeito empossado empenhou-se em melhorar o aquartelamento, apesar de tantas dificuldades encontradas. No entanto, somente em março do ano seguinte os bombeiros foram transferidos para o Quartel do Canto do Quintela, ou seja, na avenida Sete de Setembro quase esquina da avenida Joaquim Nabuco. Ali permaneceram até 1974.

Situação atual, em 2010

No local, funcionou por anos o Museu do Homem do Norte, sucursal da Fundação Joaquim Nabuco, sediada em Recife (PE). Hoje o prédio se encontra abandonado.

15 de julho de 2010

Informe como estou dirigindo

Esta frase, acompanhada de um número de telefone, se encontra em inúmeros veículos, especialmente, em caminhões. Adiante revelo o motivo desta coluna que inauguro para contar das dificuldades do trânsito.
Aproveito para lembrar que a Prefeitura de Manaus vem divulgando na midia o quanto tem produzido. Tem cuidado de tantos projetos e programas, mas nunca vi o interesse pelo trânsito.
Cuido de lembrar ainda que o trânsito nosso de cada dia mudou a partir do momento em que o Estado, pela Polícia Militar, passou a fiscalização e controle do trânsito para a Prefeitura, que tenta realizar por intermédio dos Azuis. A Polícia parece ter desaparecido das ruas, pois com o pessoal do trânsito estava em boa parte da Cidade. Os azuis não possuem efetivo, nem força.
Sofremos todos nós, que sem controle algum, decidimos por onde e como circular. Daí os incontaveis desrespeitos que diariamente assistimos ou enfrentamos.

Fusca de placa amarela, em 2009

Rodando sem o pneu esq. traseiro, av Djalma Batista

Circulando na contra-mão, 2010

Tomei a iniciativa de fotografar as aberrações, mas, como são tantas, desisti. Para demonstrar o que digo, reproduzo algumas dessas.

Caminhão da Coca cola na rua Codajás, Cachoeirinha
E começo por uma transgressão observada há dois dias, quando cruzei por um caminhão de distribuição da Coca-Cola parado em fila dupla. E, para aumentar a farra, com as grades de refrigerantes ao lado do veículo. Tem mais, no local passaram duas viaturas da Polícia Militar e, surpresa ou não, nem tomaram conhecimento da infração.

Até a próxima.

13 de julho de 2010

Lançamento de livros da Edua


Busto
de Eulálio Chaves 

Na noite de ontem, 12, ocorreu em cerimônia bem concorrida o lançamento das publicações da Edua. O evento foi realizado no Auditório Eulálio Chaves, no Mini-Campus. Estiveram presentes a Reitora da Ufam - doutora Márcia Perales, o Vice-Reitor – doutor Hedinaldo Narciso Lima, e outros membros dirigentes daquela Universidade.

No evento, por ter organizado Cinema e Crítica Literária de L. Ruas, fui escolhido para apresentar a relação dos 32 livros editados. Agradeci vivamente pelo duplo prêmio recebido: a publicação do livro e a escolha para participar da solenidade.
Busto de
Astrolabio Passos
Vários autores e familiares também estiveram prestigiando a festa. Festa comemorativa do primeiro ano da gestão da Reitora Márcia Perales, que, em sua fala, destacou a vasta produção editorial realizada pela Edua, dirigida pela doutora Iraildes Torres.


Algumas das publicações:



100 Anos UFAM, de Rosa Mendonça de Brito;

Amazônia e outros temas: coleção de textos antropológicos, Sidney Antonio da Silva (organizador);

As Malhas do trabalho e da economia solidária no Brasil, de Iraildes Caldas Torres;

As Terras pretas de índio da Amazônia: sua caracterização e uso deste conhecimento na criação de novas áreas, de Hedinaldo Narciso Lima, Beata Emöke Madari, Wenceslau Geraldes Teixeira e Willian Woods;
Cidades Brasileiras, vol II, José Aldemir de Oliveira (organizador);
Composição e Arranjo, de Adelson Santos;
Escravidão Indígena; O Pescador e Papagaio de Papel, todos de Mário Ypiranga Monteiro;
Expressões do mundo do trabalho contemporâneo: um olhar para os trabalhadores do Parque Industrial de Manaus, de Márcia Perales Mendes Silva;
Região e Conciliação, de Odenei Souza Ribeiro;
Reserva de desenvolvimento sustentável do Tupé: redes do Tupé espacialização e informações das comunidades, de Annuziata Donadio Chateaubriand;
Vida familiar e profissional: desafios e perspectivas, de Maria da Gloria Vitório Guimarães;
Além das Revistas Amazônida; HUGV; O Somanlu; Canoa do Tempo.

Ao final, foi servido um coquetel.

12 de julho de 2010

Medalha do Mérito

A Academia Amazonense Maçonica de Letras (AAML) realizou, em comemoração aos 30 anos de fundação, uma sessão solene, quando fez entrega de medalha a diversos agraciados. A solenidade ocorreu à noite de sábado, 10, no Teatro Gebes Medeiros, integrado a sede do Ideal Clube, na avenida Eduardo Ribeiro.


Sede do Ideal Clube, av Eduardo Ribeiro,
em 2008


O presidente deste silogeu, Francisco Colares, reuniu as diversas academias existentes na cidade para premiar os membros envolvidos com mais destaque com a cultura. Daí o título da medalha (fotos). Estiveram presentes associados da Academia Amazonense de Letras, Academia de História do Amazonas, Academia Amazonense de Medicina, Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas e Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. 





Entre os sócios do IGHA, receberam a Medalha Cultura 2010 da AAML, Armando Andrade de Menezes, Antonio Souto Loureiro, Geraldo dos Anjos e Roberto Mendonça (foto). Agradeço ao eminente presidente da AAML o galardão recebido. E consigno aqui meus parabéns pela iniciativa.  

Polícia Militar do Amazonas XII

  •  Companhia de Polícia de Rádio Patrulha – Cia P RP
Na metade do século passado, a Polícia Militar do Amazonas inovou com sucesso ao adotar o policiamento em dupla, celebrizado por Cosme e Damião. A iniciativa ocorreu no comando do coronel Cleto Veras, que fora nomeado pelo governador Plinio Coelho (1955-1959).
Para melhor desempenho do policiamento, foi escolhido um pessoal mais destacado, tanto em estatura quanto em apresentação pessoal. A corporação também caprichou no uniforme.

A Crítica, 25.08.1956
Essas providências trouxeram bons resultados. Instalado em 25 de agosto de 1956, logo o Cosme e Damião tomou conta do centro da cidade. Claro, porque as ocorrências de então estavam concentradas nesta área. E restritas a “bater carteiras”, a jogos de azar e pouco mais.
Este comandante foi substituido, mas o policiamento prosperou. No início da década de 1960, passou ao controle do Grupamento de Policiamento Ostensivo, sob o comando do saudoso major Nathan Lamego de Oliveira.


Em 1966, quando cheguei na Polícia Militar, encontrei o Cosme e Damião sob a referida estrutura, mas ainda prestando bons serviços e trazendo bons resultados.
A capital amazonense, nessa ocasião, já sentia a pujança do comércio da Zona Franca, espalhado pelo centro comercial. A polícia necessitava ampliar, fortalecer esse tipo de policiamento. Levou algum tempo, mas a mudança aconteceu em junho de 1972, quando o coronel Paulo Figueiredo inaugurou a Companhia de Rádio Patrulha, sob o comando do capitão Fausto Seffair Ventura (foto).


Era constituída de prosaicos automóveis VW, os simpáticos Fuscas, operados por dois patrulheiros e dotados de um sistema de rádio bem elementar. O quartel primitivo estava localizado na av. Duque de Caxias, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho (na ocasião, mudado para Ana Nery). Ocupava um aquartelamento bem simples, elaborado na prancheta do próprio comandante Figueiredo.

Quartel da Rádio Patrulha, av. Duque de Caxias, em 1975

Desaparecia assim o Cosme e Damião, que o coronel Antonio Guedes Brandão ressuscitou e, em nossos dias, segue prestando serviços. Mas, a Rádio Patrulha era o “bicho”, resolvia com mais presteza os problemas que o Centro de Operações (Cop) coordenava. Era temida, como pudesse ocupar o território de nossa cidade. Com o tempo, perdeu seu entusiasmo e, apesar de novos e mais possantes veículos, foi substituida.

A Crítica, 27 jan. 1980
Em 1977, mudou-se para o quartel existente na rua Dr. Machado, nos fundos da mesma maternidade, com ligação com o quartel anterior. Enfim, a evolução da cidade exigiu mais força no policiamento. A Rádio Patrulha foi extinta em março de 1988, sob o comando do major Wilde de Azevedo Bentes. Neste quartel, em nossos dias, encontra-se aquartelado o RAIO.


Eis a relação de todos os comandantes da Companhia de Rádio Patrulha:

capitão Fausto Seffair Ventura ?/06/1972
capitão Mael Rodrigues de Sá 15/10/1973
major Ruy Freire de Carvalho 07/02/1974
major Amilcar da Silva Ferreira 29/01/1976
major Mael Rodrigues de Sá 18/02/1977

Sede – Rua Dr. Machado
major Manoel Roberto Lima de Mendonça 1º/02/1978
major Alfredo Assante Dias 6/03/1979
major Romeu Pimenta de Medeiros Filho 10/04/1980
major Edval Correa da Fonseca 09/09/1981
major Jétero Silva de Menezes 28/06/1983
major Edmilson da Silva Nascimento 20/02/1986
major Manoel dos Santos Araújo 12/05/1986
capitão Fernando Antônio Andrade Oliveira 4/07/1986
major Manoel dos Santos Araújo 18/02/1987
major Wilde de Azevedo Bentes 25/03/1987