CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de julho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas VIII

No início de 1960, a Companhia de Bombeiros Municipais (CBM) possuia 36 homens, dos quais, 24 soldados. Estava sediada em um galpão nos fundos da Prefeitura, na Praça Dom Pedro II. A partir dessa data, com a ocorrência de uma série de desastres, que marcam profundamente o serviço de extinção de incêndios, acontece a reestruturação do serviço. E o transforma em definitivo.

Relembro que este serviço vinha sendo cumprido por duas entidades: a oficial, a Companhia de Bombeiros Municipais, e a oficiosa, os Voluntários do comandante José Ventura. Por razões inatingíveis, os governos estadual e municipal cuidavam com mais proveito da oficiosa. Mesmo que não houvesse pagamento de salários, afinal se tratava de voluntários, eram destinadas dotações mensais para a manutenção de equipamentos.


A Crítica. Manaus, 21 out. 1958

Quando, em 1957, o comandante Ventura efetuou campanha na Cidade, buscando arrecadar fundos para a aquisição de viatura especializada, afinal comprada, recebeu do governo do Estado uma verba substancial. Por isso, diante do desaparecimento dos voluntários, a Prefeitura teve que se empenhar na restauração dessa instituição. A mudança pôs-se em marcha a partir de 1963.

A Crítica. Manaus, 8 maio 1956

Vejamos o relato do combate ao incêndio na Usina de Castanha “3 Unidos”, produzido pelo Jornal do Comércio,(13 maio 1960):
Normalmente as estufas trabalham com a temperatura de 50 a 55 graus centígrados e nestes dois últimos dias estavam funcionando com 65 a 70 graus, o que por certo provocou o sinistro.
Violento incêndio ocorreu às 11h de ontem, nas estufas de secagem de castanha da fábrica “Três Unidos”, de propriedade da firma Bentes, Melo & Cia., situada na rua Visconde de Porto Alegre esquina com a av. Ipixuna, que se prolongou até as últimas horas da tarde, ficando totalmente danificadas as estufas e dois pavilhões de alvenarias cobertos de zinco onde se encontravam localizadas.
Causa provável: Falando a nossa reportagem, o encarregado da estufa, Sr. Waldemar, e um dos sócios da firma declararam que a possível causa do incêndio fora a elevada temperatura imposta à mesma, tendo em razão do fato pegado fogo os tabuleiros de castanha daí se propagando para as paredes e pegando fogo também uma grande quantidade de castanha que se encontrava secando.

Carros-pipas da Força Aérea Brasileira, Deram e ambulâncias do Exército, do Samdu e Pronto Socorro estiveram em ação, transportando feridos para o Pronto Socorro e Hospital Militar. Os alunos da Escola Técnica e os Escoteiros prestaram também a sua colaboração ajudando as autoridades a evacuar as ruas e transportando materiais de dentro dos depósitos.Por ocasião do combate a este sinistro, mas em decorrência de acidente de trânsito morreu Constantino José Machado, subcomandante dos Voluntários. O acidente aconteceu no cruzamento das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, quando o ônibus da Transportamazon (empresa estatal), avançando no cruzamento, colidiu com o carro-pipa dos voluntários. Além do morto, saíram gravemente feridos os bombeiros: o motorista, Mario Cunha (21a), e os ajudantes Milton Dib Nunes (18a) e Cláudio Barbosa Santos (19a).
Autoridades em ação: Registre-se na oportunidade a atenção decisiva do pessoal da Policial Civil, que orientado pelos delegados Raimundo Parente (1930-1991) que foi Senador entre 1978 a 1986, Artur Costa e José Maciel e os policiais João Pereira da Silva, comissário, Afonso Resende e Renato Moraes, escrivões do DESP, os quais se dirigiram imediatamente para o local, tomando todas as providências quanto ao isolamento e guarda dos bens da firma que estavam sendo jogados para o meio da rua, não permitindo aglomerados de pessoas que nada tinham a fazer. Isolamento do tráfego foi outra medida tomada pelo titular do DESP com real proveito.

Sete dias depois, entretanto, Barbosa Filho entregou o comando ao substituto, 1º tenente Tomaz Monteiro Filho, alegando precisão de se ausentar do Estado. Viajou e não mais retornou ao comando. Visto por olhares correntes, estou convencido de que a Companhia de Bombeiros foi afortunada, pois aquele oficial, ao correr, não acelerou a ruína da corporação.
Feridos: Para o Pronto Socorro foram conduzidos os seguintes feridos, em conseqüência do incêndio, os quais procuravam ajudar na remoção dos produtos: Armando da Silva Oliveira, José Ipiranga da Silva, Maria do Carmo Pereira, Maria de Lourdes Nascimento, Hamilton Oliveira, Dionisio Avelino dos Santos, Esmerindo Rodrigues de Almeida, Maria de Nazaré Graças, Elmira Pereira da Silva, Cândida Pedroso Guimarães, Manoel Fernandes Nazaré, Luiz Pereira Lima, Roberto Viana Chaves, José Drumond de Carvalho e José de Almeida Pena, subdelegado da Praça 14 de Janeiro. Todas as vítimas sofreram ferimentos leves e após a medicação seguiram para suas residências.
Maquinações políticas, por certo, conduziram Plínio Coelho à administração da Prefeitura de Manaus. Nomeado pelo governador Gilberto Mestrinho, foi empossado em 28 de junho. Empossado, nomeou para o comando da Companhia o 2.º tenente (da Polícia Militar) Alfredo Barbosa Filho, comissionado no posto de capitão. Barbosa Filho, conhecido desportista ligado ao Nacional Futebol Clube e, por via deste forte atributo, ao Prefeito, assumiu a CBM em 5 de julho.

Plínio Coelho, novamente governador em 1963, repetiria a malfadada experiência nomeando o mesmo oficial para o comando da Polícia Militar. Deu zebra, deu no que deu, ambos foram cassados pelo Governo Militar de 1964.

Plínio Coelho mantém-se no cargo por escassos 45 dias. Em 11 de agosto, passou a Prefeitura para o presidente da Câmara Municipal de Manaus. Na condição de interino, Walter Rayol esteve até 12 de abril de 1961, quando a entregou a Loris Valdetaro Cordovil. Na Companhia de Bombeiros, a interinidade do tenente Tomaz Filho perdurou até 30 de agosto, quando assumiu o capitão Edmundo Monteiro Filho, que somente foi afastado do comando, por coação revolucionária, em 8 de agosto de 1964.