CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, junho 19, 2024

CHRISTUS, RÁDIO RIO MAR E CLUBE DA MADRUGADA: 70 ANOS


O lembrete me vem da crônica radiofônica - A Voz do Povo, escrita e lida pelo saudoso padre-poeta L. Ruas na Rádio Rio Mar. Aconteceu em 26 de novembro de 1979, no horário do meio-dia, quando esta emissora rivalizava, no horário, com a Difusora e A Crônica do Dia, de seu fundador Josué Claudio de Souza.

Recorte do original apresentado

O autor recorda os 25 anos de fundação destas três entidades: Instituto Christus, Rádio Rio Mar e, por fim, o Clube da Madrugada. Curiosamente, nos citados, L. Ruas esteve presente com categoria.

A VOZ DO POVO

HORÁRIO: 06,30 - 11,55

DIA: 26 NOVEMBRO 1979

PRODUTOR: L. Ruas

APRESENTADOR: L. Ruas

Senhoras e senhores ouvintes, bom dia.

Chegando ao início da última semana deste mês de novembro de 1979, um ano que tem se caracterizado por grandes mudanças políticas e por maiores dificuldades econômicas e financeiras, mas, ao mesmo tempo, por alvissareiras perspectivas culturais para o país, a partir do momento em que se iniciam a suspensão da censura prévia aos órgãos de imprensa, rádio e televisão, talvez seja conveniente lembrar três acontecimentos da maior importância para a vida cultural do nosso Estado e, em particular, para Manaus, ocorridos, exatamente, há vinte e cinco anos.

Corria o ano de 1954, que foi, também, um ano de profundas convulsões políticas no Brasil e que culminaram com a tragédia da morte de Getúlio Vargas. Os que precipitaram os acontecimentos que banharam de sangue - o sangue do Presidente - o Palácio do Catete e, por um processo de simbiose simbólica, todo o país, argumentavam que tudo aquilo era para salvar a honra da democracia. Então, era só a honra. Dez anos mais tarde seria necessário salvar a vida da própria. Tudo bem.

Em outubro daquele ano, ocorria o primeiro acontecimento que merece destaque: a fundação do Instituto Christus do Amazonas. Orígenes Martins voltava de Fortaleza, do Seminário da Prainha, da Juventude Universitária Católica e da Faculdade de Filosofia. Mas voltava, também, do Christus de Fortaleza que era o fruto de tudo isso como o seria também o Christus do Amazonas.O que é que queria aquele moço, aquele jovem professor de geografia, recém-casado, ao voltar à sua terra, abandonando as perspectivas que sempre são mais espaçosas em meios mais adiantados como era Fortaleza em relação a Manaus, uma cidade praticamente estagnada até então e que, apenas, começava, também no plano político, a sacudir as cinzas numa tentativa de ressurreição?

Orígenes queria mudar o processo educacional de Manaus. Queria trazer algo novo, algo que fosse capaz de sacudir o ramerrão do processo educativo aqui existente.

Muita coragem, muita ousadia, muita força de vontade, foi preciso. Não é à toa que se muda o que está estabelecido há séculos, principalmente, em meios tão simples e tão pequenos como era o de Manaus, há vinte e cinco anos que vivia às escuras - não é metáfora, não. Manaus vivia sem luz. E as aulas noturnas eram dadas à base de aladim. Agora parece que chegou a hora - agora, vinte e cinco anos depois - de um julgamento do trabalho pedagógico do Christus. Isto é oportuno. Mas que não se confundam juízes com apedrejadores. Ou melhor, que os linchadores profissionais não vistam a toga de juízes.

Em novembro de 1954, um outro fato também muito importante, ocorria: a fundação do Clube da Madrugada. Diz o Abrahim Aleme que o nome foi sugerido por Luiz Bacellar, o poeta. De qualquer maneira, o nome foi bem atribuído e corresponde exatamente à realidade do Clube: uma agremiação de jovens intelectuais, escritores, poetas, ensaístas, pintores, músicos, escultores, artistas que estavam se sentindo asfixiados pelo ar abafado e mofado de uma noite parada de um ambiente cultural esclerosado. Eles queriam um novo dia. Queriam romper as trevas e partir para um novo dia.

Assim foi. No dia, isto é, na madrugada do dia 22 de novembro de 1954, surgia o Clube da Madrugada, algo inteiramente novo como o nascer de um novo dia, não só pela média da faixa etária de seus membros fundadores, mas, principalmente, pelo espírito de transformação, pela inquietude borbulhante em cada um deles e por uma rutura com tudo aquilo que já estava maduro demais.

O que o Clube da Madrugada já produziu, se não se estivesse em Manaus, teria provocado reações barulhentas e divulgadíssimas. A verdade é que o que se fez de positivo no plano cultural de 54 para cá está ligado direta ou indiretamente ao Clube da Madrugada. Os quércias daqui e de outros lugares não destruirão o que já foi feito e o que está se fazendo.

No dia 15 de novembro de 1954, era lançada ao ar a primeira programação da Rádio Rio Mar, realização de três homens que ficarão para sempre na história da radiodifusão da Amazônia: Charles Hamu, Aloysio e Aguinaldo Archer Pinto. Com a inauguração da Rádio Rio Mar, ampliava-se o trabalho heroico da radiodifusão em nosso Estado iniciado pelo pioneirismo dos criadores da Baricéia.

Vinte e cinco anos. Parece que foi ontem. Mas ao mesmo tempo, parece que está tudo começando agora e que é preciso partir como se partiu para o futuro há vinte e cinco anos passados. Não há dúvida. Mais vinte e cinco anos esperam pela frente, o Christus, o Clube da Madrugada e a Rádio Pio Mar. Vamos lá.

segunda-feira, junho 28, 2021

ASSIS PEIXOTO: CIVIL COMANDANTE DA PMAM

 SECRETARIA DO INTERIOR E JUSTIÇA

EXPEDIENTE DO DIA 19|09|61

DECRETO

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, no exercício do cargo de GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, resolve

NOMEAR:

de acordo com o art. 15, item I, da Lei nº 494, de 16 de dezembro de 1949, o 2º Tenente R/2 do Exército Nacional, FRANCISCO DE ASSIS ALBUQUERQUE PEIXOTO, Procurador da Fazenda Pública da Procuradoria Jurídica e Fazendária do Estado, para exercer, em comissão, o cargo de Comandante da Polícia Militar do Estado, Padrão CC-1, nos termos do Decreto nº 13, de 21 de fevereiro de 1959. 

Fragmento do Diário Oficial

Este decreto tornou-se incompreensível. Explico: apesar de “nomear” o favorecido, os arquivos da Polícia Militar do Estado registram que naquela data ocorreu, ao contrário, a demissão do coronel Assis Peixoto, realizada pelo governador interino. Ao reassumir o posto, o governador Mestrinho manteve o comandante no devido ordenamento. Já escrevi sobre este imbróglio em dois posts, concluindo que ocorreu uma briga política-policial.

 

Todavia, o exposto decreto lido em nossos dias revela algumas incongruências: curiosamente foi assinado pelo governador em exercício, então o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Claudio de Souza; assegura que nomeia ao 2º tenente R/2 do Exército. De fato, Assis Peixoto, como restou conhecido na crônica manauara, havia concluído o NPOR realizado em Manaus por ocasião da II Guerra, portanto, às vésperas de completar 20 anos da formatura. Essa trivial patente serviu unicamente como “cortina de fumaça” para ludibriar a Força, posto que Peixoto era um Civil bem caracterizado, como vê-se apontado no próprio edito.

Outra questão: o decreto não estabeleceu o posto do comandante, pode ter sido corrigido em edição posterior do Diário. De qualquer modo, Assis Peixoto foi tratado por coronel, tendo permanecido no comando por mais de dois anos e foi, para gáudio dos aquartelados na Praça da Polícia, um excelente chefe.

Enfim, a legislação empregada para esta finalidade servia exclusivamente aos funcionários civis. Os funcionários militares estaduais possuíam uma minguada legislação. De maneira que o decreto 494 aludido foi, na corporação de Assis Peixoto, empregado para acertos nem sempre “republicanos”.

Em síntese, o Dr. Assis Peixoto exerceu o comando da PMAM. De certo, o único paisano.

domingo, setembro 22, 2019

AVIAQUÁRIO DE MANAUS


PARQUE INFANTIL INAUGURADO


Jornal do Commércio, 24 dezembro 1963
Nas fotos, em cima, um aspecto do ato inauguratório do Parque Infantil Dom João de Souza Lima, no antigo Aviaquario Municipal. O arcebispo metropolitano quando falava enaltecendo a obra do prefeito Josué Claudio de Souza, que também aparece no clichê [à direita]. Em baixo, a garotada de Manaus banhando-se na piscina do Parque Infantil inaugurado.


Nota: O espaço semicircular existente entre as escadarias da Matriz de Nossa |Senhora da Conceição, hoje desocupado, já serviu para alguns empreendimentos do governo municipal. Recordo-me do aviaquário, de fato havia uns exemplares de nossa fauna nas gaiolas e peixes nos aquários.
Em seguida, veio o parque infantil com piscina, que acredito teve pouca duração, como foi o governo de Josué Claudio na Prefeitura. Em seguida, a igreja assumiu a administração e foi paulatinamente desativando as atrações. Enfim, ao tempo do padre Luiz Souza, servia como setor de depósito e secretária. Como lembrei, em nossos dias aguarda a próxima atração.
Ainda sobre a foto, junto ao arcebispo, à esquerda, o jornalista João Bosco Ramos de Lima que, ingressando na política, faleceu ocupando uma vaga do Senado Federal. E atrás, de perfil, o cônego Walter Nogueira.

domingo, janeiro 03, 2016

ENCONTROS SOCIAIS

Os motivos são diversos: familiares, políticos, religiosos, folclóricos, de lazer

Folclore no Seminário São José

Ideal Clube

Deputado federal Josué Claudio de Souza

Diante do aeroporto de Ponta Pelada
Padre Carlos, em São Raimundo


Prefeito Jorge Teixeira no Parque Amazonense

Natal em residência de pessoa da família

sábado, julho 20, 2013

FUTEBOL AMAZONENSE


Artes do futebol amazonense são aqui apresentadas por um lembrado cronista esportivo. Leal da Cunha conta-nos duas histórias, e, como assegura o próprio autor, a primeira vem travestida com as lendas recolhidas em nossos beiradões. A segunda é verdadeira. Ainda há quem a confirme, por ter participado do acontecimento. Não assisti ao jogo (1962), mas encontrei no quartel da Praça da Polícia (1966) alguns personagens, tanto jogador do quadro nacionalino quanto policiais presos.

 Leal da Cunha (*)

Futebol com doze

Pode até parecer mentira, brincadeira ou gozação, mas o certo é que o Juca Zangão conta essa passagem no futebol como verdadeira e real. Desenrolada no interior do Estado.
Jogavam dois times da mesma Liga. Dois times de grandes torcidas e dirigidos por gente muito importante. Era uma decisão de campeonato promovida pela tal Liga. Tão importante que para dirigi-lo, à sua arbitragem, foi convidado um juiz (árbitro) do município vizinho.

À hora do jogo todos estavam a postos. Jogadores, juízes e bandeirinhas. Foi dado início ao jogo, e, de repente, o capitão de uma das equipes se dirigiu ao árbitro para reclamar do time adversário, por quanto estava jogando com doze elementos em campo, o que não é permitido pela regra de futebol.
O juiz se dirigiu ao jogador que estava protestando contra aquele absurdo e esclareceu:
- Olha aqui, meu filho: três jogadores foram escalados pelo juiz de Direito; três, pelo promotor; mais três jogadores, pelo prefeito, e ainda mais três, pelo padre paroquial. Logo o que é que jogar onze elementos num time.
- Ora, rapaz, não me venha com esse negócio de regra ou de Lei! Há tanta coisa que a Lei proíbe e, no entanto, muita coisa também se prática ou se comete em desrespeito à lei. Deixe isso pra lá, amigo. Nós vivemos num país que "manda quem pode e obedece a Lei quem quer ou é leso!” Por isso, aconselho que você coloque mais um jogador no seu time pra ficar tudo igual, isto é, doze contra doze.
E, assim foi dito e cumprido, sorte que tudo terminou bem, não havendo mortos nem feridos.





O estádio do Parque Amazonense em demolição,
vendo-se apenas a o prédio coupado pelos cronistas,
1991.

 
Parque Amazonense

Pois bem meus amigos, em Manaus, em 1962, aconteceu no Parque Amazonense, um fato também pitoresco e que pode dissipar a dúvida de quem achou pouco confiável o que antes foi dito.
A regra de futebol é clara quando diz que o jogador expulso de campo NÃO pode ser substituído (grifo nosso). Rionegrinos e nacionalinos decidiam no velho Parque o título de campeão amazonense de 1962. O meu brilhante amigo Josué Claudio de Souza era quem mandava no time rionegrino, enquanto o Dr. Plínio Ramos Coelho, à época governador do Estado, era o presidente do Nacional.

O Parque estava cheio de gente. Na partida preliminar os juvenis nacionalinos abriram uma porrada com os soldados da Polícia Militar. Alguns “garotos” tomaram uma cacetada. O Dr. Plínio Coelho não gostou de a sua polícia bater nos seus meninos e, ato contínuo, ordenou a prisão de um dos soldados que ali estavam para o quartel.

Porém, o negócio mais pai-d’égua foi no jogo principal. Aos 16 minutos do primeiro tempo, o arbitro expulsou o jogador Lacinha, que era do time nacionalino, consequentemente, o time do governador. Então, diante de toda essa embuança, criou- se aquele ambiente de sai e não sai, com o tempo desenrolando e jogo paralisado, e apenas 16 minutos haviam sido jogados. 

A essa altura do campeonato sempre aparece um "profeta", desse tipo como político demagogo que se diz defensor do povo. Foi chegando perto os conflitantes e sempre dizendo: "o povo não pode ser prejudicado; o povo pagou para assistir 90 minutos de jogo e não 16 minutos. E agora ninguém pode devolver o dinheiro, porque as entradas não tinham o canhoto".

O pessoal das emissoras de rádio queria saber o que o árbitro dizia. E, sua Sia. não se fazia de rogado: o jogador Lacinha está Expulso de campo. Algumas pessoas falavam: cuidado, "seu" árbitro, o Sr. está expulsando um jogador do time do governador!...  

E, aquela figura de político de campo de futebol voltava atacar: "o povo não pode ser prejudicado". Ele dava a entender que o povo não podia ser roubado como se fosse aquela a primeira vez que o povo era roubado.  

Conversa vai, conversa vem, e, depois de muito jogo de palavras acordaram as partes litigantes que, para o “bem do povo e a felicidade geral da Nação”, o jogador ali expulso de campo poderia ser substituído. E assim foi cumprido. Saiu o Lacinha e entrou o Luizinho. O jogo também chegou ao seu final com a vitória dos rionegrinos por 2x1, sagrando-se, portanto, o campeão da cidade.

Assim meus amigos, isto é, aqueles que duvidaram que um time de futebol não pode ter doze jogadores em campo, assistiram diante desses fatos que um jogador expulso de campo foi substituído por outro jogador de sua equipe, é claro.
No entanto, se alguém duvidar do que aqui escrevemos podem perguntar ao Baú Velho, do Carlos Zamith, do meu amigo CIóvis Lemos de Aguiar e do velho jornalista Josué Claudio de Souza.

(*) O texto foi publicado em A Crítica, em 17 de novembro de 1991  

quinta-feira, novembro 15, 2012

BOMBEIROS DE MANAUS, EM 1962

Há 50 anos, o serviço de combate ao fogo e outras calamidades era exercido pela Companhia de Bombeiros Municipais, sob a responsabilidade da prefeitura de Manaus.
Estava instalado nos “fundos” do Paço Municipal, com entrada pela av. Sete de Setembro. Para atender à nova geração e àqueles que se orientam pelo ponto de referência: a antiga sede da prefeitura na praça Dom Pedro II; os bombeiros atendiam na garagem, onde muito depois ergueu-se a Manaustur, edifício achinesado pelo diretor Orlando Câmara. 

Hoje, a sede “não mais existe”.

O ex-paço municipal ainda em reforma (acima) e a
extinta sede da Manaustur, local onde esteve o quartel dos
Bombeiros Municipais


Na abertura do ano, os Bombeiros revelavam uma perda considerável do efetivo. E, justamente do pessoal básico, pois restavam apenas 12 soldados de, no geral, 24 homens. A população de Manaus girava em torno de 200 mil. O País envolvido pelas disputas politicas, que resultaram no Golpe Militar de 1964.

As medidas administrativas tomadas já aprimoravam a organização dos “homens do fogo”. A renovação tem marca inicial: a eleição do prefeito de Manaus, em 7 de janeiro. Apoiado pelo governador Gilberto Mestrinho (1959-63), foi eleito Josué Cláudio de Souza. Este catarinense, que aqui desembarcara contratado pelos Diários Associados, agora era proprietário da Rádio Difusora e, possuidor da palavra fácil e repleta de entonação, marcara o meio-dia da Cidade com a Crônica do Dia. Também por esses atributos, realçara sua imagem de político vitorioso. Josué Cláudio substituiu a Loris Cordovil na PMM, em 23 de fevereiro.            

Os Bombeiros continuavam alojados nos fundos do Paço da Liberdade. O prefeito empossado empenhou-se em melhorar o aquartelamento, mas eram tantos embaraços que, melhor fora aguardar. O “novo” aquartelamento somente foi ocupado no início de 1963, sem data esclarecida.

O ex-comandante Nicanor Silva lembra que permaneceu no Rio de Janeiro até setembro de 1962, efetuando curso profissional. Ao regressar, no final do ano, ainda alcançou os companheiros aquartelados nos fundos da Prefeitura. Outro relato, de abril de 1963, comprova a presença dos Bombeiros no quartel do Canto do Quintela (ver O Jornal, 9 de abril, relatando o acidente com o ônibus Iracema).

Sem grandes novidades, ao final de 1962, a Câmara Municipal promulga a Lei nº 746, de 27 de novembro, que estabelece a obrigatoriedade de inscrição dos componentes da Companhia de Bombeiros Municipais no Montepio dos Servidores do Município de Manaus.

sexta-feira, outubro 05, 2012

5 de outubro




Acervo do Banco Central do Brasil
Em 1942, é instituída, por força do Decreto-Lei nº 4791, sancionado por Getúlio Vargas, a primeira mudança Republicana do padrão de moeda no País, substituindo aos réis, o Cruzeiro, cujo símbolo era Cr$ (lê-se cê, erre, cifrão)

A partir de 1943, as novas cédulas do padrão cruzeiro foram tomando o lugar das anteriores. Os valores eram de 1.000, 500, 200, 100, 50, 20 e 10 cruzeiros. Mais tarde, circularam cédulas de 5, 2 e 1 cruzeiro.

Em papel-moeda, Cr$ 5.000 foi criado vinte anos depois. Nesse ano, também, suspendeu-se a cunhagem dos centavos que seriam extintos em 1964. Lembrando, para não alongar demais a informação, que em 1967 começou as mudanças que perduraram por mais de duas décadas, até que o Real consolidasse a economia brasileira e se impusesse com padrão monetário. Para mais detalhes, consultar www.bcb.gov.br
 
Acervo do Banco Central do Brasil

Em 1989, a vigente Constituição amazonense foi promulgada pela Assembleia Legislativa do Estado, que era presidida pelo deputado Átila Lins de Albuquerque. A elaboração desta Carta, que contou com significativa participação popular, teve como presidente da comissão constitucional o deputado Josué Cláudio de Souza Filho (hoje conselheiro do Tribunal de Contas) e, como relator-geral, o deputado Eduardo Braga (ontem governador e hoje senador e líder do Governo).
 
Palácio Rio Branco, 1948 (acima) e detalhe da sede da
Assembleia Legislativa do Estado, 2003

 

 
 

terça-feira, agosto 03, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (XII)

1964
A 31 de janeiro, o Executivo municipal autorizou o aumento do efetivo do Corpo de Bombeiros “para 90 homens“ e concedeu outras vantagens. Essa iniciativa trazia o beneplácito do prefeito Josué Cláudio de Souza que, desde o ano anterior, injetara ânimo nos Bombeiros designando-lhes novo aquartelamento, algumas viaturas e, agora, efetivo. E mais, uma denominação mais vistosa: Corpo de Bombeiros Municipais.
Prosperava a olhos vistos o serviço de combate às chamas e socorros públicos. Especialmente porque o concorrente - os voluntários - deixara de existir; dessa maneira as autoridades não tinham como transigir, ou aqueciam os bombeiros ou estes morriam sabrecados.

Sobre o movimento militar de 31 de março, em Manaus, o matutino da empresa Archer Pinto (O Jornal, 3 abril 1964) divulgou as notas abaixo, na coluna Fatos em Revista:

A cassação do mandato do Governador Plínio Coelho, em 14 de junho, ensejou a posse, a 29, de Arthur Reis (1906-1993). Consagrado em eleição pela Assembléia Legislativa, Arthur Reis inaugurou um novo período político no Amazonas, instalado no país pelo governo militar. Impulsionou a recuperação do Estado sem, contudo, se imiscuir no serviço de extinção de incêndios, que continuava sob a incumbência da Prefeitura de Manaus.
Amazonas sempre tranquilo: Nosso Estado felizmente é de boa paz. Todas as crises político-militares que eclodem no país não afetam a vida local. É evidente que a população fica apreensiva, preocupada, mas nunca se registraram badernas, provocações. Apenas uma greve geral paralisou toda a cidade, faz dois anos, mas o “líder” do movimento há muito que daqui partiu porque com o atual Governo o negócio é diferente. Que Deus esteja sempre conosco nessas ocasiões.


Repartições Federais funcionam plenamente: Apesar da crise que dominou o país num período de 72 horas, as repartições federais no nosso Estado não tiveram qualquer interrupção nas suas atividades. O funcionamento foi normal como se nada estivesse ocorrendo.
Facsimile da assinatura do major Nascimento

Como sucedeu na maioria das repartições do Estado, a Comissão Estadual de Investigação (CEI), a máquina revolucionária investigativa adentrou a Prefeitura de Manaus, a fim de apurar irregularidades. Concluído o devido Inquérito Policial Militar (IPM), restaram diversas incriminações que, no tocante ao Corpo de Bombeiros de Manaus, recaíram sobre o comandante.
Ao final, em 29 de setembro, o Governador assinou o ato que demitiu o capitão da PM Edmundo Monteiro Filho. No entanto, enquanto se processavam as investigações, em 7 de agosto, o comandante dos bombeiros foi substituído pelo 1.º tenente Sebastião Vicente do Nascimento. Ainda que interino, cuja interinidade perdurou até 14 de janeiro de 1965, o tenente Nascimento foi comissionado no posto de major, em atendimento à norma vigente.
Pode sugerir pilhéria, mas se encontra a vulgarização da comissão composta de três oficiais, destinada “a investigar se no CBM existe elementos esquerdistas, simpatizantes ou que tenham ligações com tais”. Caso positivo, informar ao escalão superior. Essa paródia bem ilustra a revolução militar em Manaus.
Os fatos a seguir permitem efetuar duas afirmações: a primeira, de que a Revolução transitou por Manaus, sem pressa ou, por morarmos longe, operando como o vento geral de velocidade moderada, incapaz de produzir uma tempestade.
A segunda assertiva, o insulado povo amazonense não foi percebido pela Revolução, ou vice-versa. Sem televisão e com os jornais sulistas chegando com atraso, mais proveitosas eram as transmissões da Voz da América.

Em agosto, a Prefeitura de Manaus proporcionou novos salários aos bombeiros. Essa melhoria marca, de certo, a última manifestação do Prefeito, pois, a 14 de outubro, Josué Cláudio renunciou ao mandato. Estranho, muito estranho que um político abandonasse um largo período ainda a administrar. Não cabe neste trabalho explicação para essa decisão, apenas ressalvo que a administração do município também sofria injunções do governo militar. Um pouco adiante, o governo federal suspendeu a eleição de prefeito para as capitais e outros municípios.
Em cumprimento a legislação então vigente, o renunciante foi substituído temporariamente por Xenofonte Antony (14 out. a 31 dez.1964) e por João Zany dos Reis (1º jan. a 23 mar. 1965), ambos na condição de presidente da Câmara Municipal.

Em novembro, ainda houve tempo para substituir o médico da corporação. Para o lugar do dr. Menandro Tapajós, foi nomeado o dr. José Mendes.

1965
A 1.º de janeiro, ocorreu a posse do vereador João Zany dos Reis, na presidência da Câmara Municipal de Manaus e, por imposição legal, na direção da Prefeitura Municipal. Assim se procedia, em razão da inexistência de vice-prefeito; o presidente da Câmara era o substituto eventual do prefeito. No comando da CBM mantinha-se o major Sebastião Vicente do Nascimento, que dispunha de regular efetivo: cinco oficiais, um subtenente, oito sargentos, nove cabos e 53 soldados. Total – 86 homens.

domingo, julho 18, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (XI)



Por ocasião de sua transferência para o Quartel da Sete de Setembro, em abril de 1963, a corporação dos homens do fogo já mostrava revigoramento, devido à inclusão expressiva de soldados. O efetivo fora assim elevado para 63 praças e quatro oficiais. Mas, em 11 de julho, o efetivo já mostrava redução pela metade: cinco sargentos, quatro cabos e 22 soldados. O número de oficiais seguia o mesmo.



A descrição seguinte entristece. Entristece, porque parecia não se ter a quem apelar. As forças de combate ao fogo que ainda compareciam, tornaram-se impotentes, desclassificadas, consoante os noticiários. Foi o que ocorreu com o incêndio da Livraria A Normalista, que queimou “até o último caibro“. Havia motivos, sim, para inquietação na Cidade.
O incêndio na loja de impressos, de controle regular, tudo consumiu. O Prefeito Josué Cláudio empenhava-se para o avanço dos bombeiros, já instalados em novo aquartelamento, e já dispunham de bem mais equipamentos, mas faltavam viaturas. A explicação encontra-se no bojo da reportagem de O Jornal, de 19 mar., citando o então deputado Arlindo Porto.


Em decorrência de tanta grita, vinda de toda a cidade, O Jornal alertou para o terror vivido, diante da ausência de um corpo de combate ao fogo. Os bombeiros voluntários, pelo desaparecimento de seu comandante, agonizavam. Os municipais, apesar do esforço do Prefeito, não possuíam "pernas", e o município de Manaus, recursos. A quem apelar? Esclareceu o editorial O grande alerta, de O Jornal.
Destruída pelo fogo a Livraria “A Normalista”

Ainda perdura, no seio da opinião pública, outro motivo de comentários entre todas as rodas, do pavoroso incêndio de ontem, no prédio da Livraria “A Normalista”, localizada na avenida 7 de setembro, do qual só restaram cinzas, ruínas, escombros, ameaça de desabamento das paredes e prejuízos totais para a firma proprietária, representada pelo industrial Carminé Arone, dono, também da Sapataria “Arone”, que por um triz não desapareceu nas chamas, pois é um prédio ligado à casa sinistrada.


Queimou até o último caibro e até a última resma de papel. Nada foi possível salvar. E, não fosse a intervenção dos elementos do Departamento de Estradas de Rodagem e o equipamento do Destacamento da Base Aérea de Manaus (Aeronáutica), talvez a tragédia fosse maior, de proporções mais alarmantes, porque os Bombeiros Municipais e Voluntários, ali chegando, nada puderam fazer senão olhar e isolar o local, pois não têm mangueiras, não têm carros de incêndio, escadas, nada, afinal, a não ser a boa vontade de serem úteis nessas ocasiões. Os dirigentes do estabelecimento calculam os prejuízos em mais de 30 milhões de cruzeiros (embora o prédio esteja no seguro, cujo valor desconhecem), pois entre materiais e mercadorias existiam – segundo o Sr. Arone cerca de 20 milhões e o prédio poderia ser vendido por mais de 10 milhões.

O Jornal. Manaus, 19 março 1962                            
A repercussão do incêndio foi tal, que ontem mesmo o deputado Arlindo Porto (foto), na Assembléia, dirigiu um apelo ao Presidente do Banco da Amazônia (Basa), no sentido de atender ao Prefeito Josué Cláudio de Souza, que luta para adquirir dois carros equipados para combater as chamas, em nossa capital. Esses carros se encontram armazenados no cais de São Paulo, esperando que a Prefeitura pague o seu valor de compra.

    Quase na mesma data, o Prefeito Josué Cláudio de Souza promoveu um remaque na instituição. Aproveitou a Lei nº 802, de 6 jul. 1963, para extinguir a Companhia e, sob os mesmos escombros, gerar o Corpo de Bombeiros de Manaus. Aproveitou o pessoal e as instalações da extinta companhia. Apenas uma maquilagem facial, pois o serviço prosseguia roto. Muito roto.
Manteve o mesmo comandante, auxiliado por cinco oficiais e 56 praças. Ao menos em efetivo, nem sempre de gabarito, os bombeiros cresciam.

Uma semana depois, em consonância com esta lei, o prefeito de Manaus realizou algumas medidas no comando do Corpo. De partida, comissionou Edmundo Monteiro Filho no posto de major, na sequência, promoveu ao posto superior o 1.º tenente Sebastião Vicente do Nascimento, 2.º tenente Antonio de Souza Barros e o subtenente Tertuliano da Silva Xavier.
Ainda nos enumerados da lei, o art. 4.º determinava que  fosse organizado um regulamento próprio. Enquanto não ordenasse seu regimento, ressalvava o art. 5º, a corporação seria conduzida pelas normas da Lei n.º 63/51, e pelos regulamentos adotados no Exército. Que barafunda!
A cidade está inteiramente desguarnecida, desprotegida, sem qualquer recurso para enfrentar um incêndio, por menor que ele seja. Antes, contávamos com a heróica Sociedade dos Bombeiros Voluntários. No entanto, desassistida pelo Poder Público, ela está impossibilitada de funcionar com a eficiência de antigamente. O seu material está reclamando reparos radicais, que, infelizmente não podem ser feitos, à falta de recursos. Há homens de boa vontade, os Bombeiros Voluntários, sem perceber coisa alguma, estão dispostos a continuar a trabalhar em beneficio da coletividade, defendendo-a do fogo, porém, sem ajuda para renovação do seu equipamento nada, poderá ser feito. Eles não sabem fazer milagre.
De sua parte, o Prefeito da cidade luta pela reorganização do Corpo de Bombeiros Municipais. Já adquiriu duas modernas unidades, e muito equipamento para os seus “soldados do fogo”. Deu, por conta certa quantia em dinheiro. E, para completar o pagamento da encomenda, apelou para o Banco da Amazônia. Todo o material pedido aguarda embarque, no porto de Santos para Manaus. Porém, se o pagamento não se completar, a encomenda não será embarcada. A Prefeitura não tem dinheiro para atender ao resto do compromisso assumido e o BASA, até o momento, não deu resposta positiva ou negativa ao empréstimo, solicitado pela comuna.Apesar do descalabro exposto pela imprensa, o comando decidiu elogiar o pessoal que, de alguma forma, esteve combatendo o incêndio na livraria. É fácil concluir: o louvor demonstra ter sido divulgado unicamente para privilegiar os oficiais, tanto que seus nomes estão expostos, enquanto os praças foram identificados pela numeração. Será sempre assim na corporação.

sábado, julho 17, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (X)

O efetivo da Companhia de Bombeiros Municipais, no início de 1962, demonstrava uma perda considerável em relação ao ano anterior. Precisamente no pessoal básico, pois havia somente 12 soldados. Como relatei anteriormente, o tempo e as medidas administrativas começavam a mudar para melhor a organização.

A Gazeta. Manaus, 28 out. 1951

O marco dessa renovação pode ser estabelecido com a eleição do Prefeito de Manaus, em 7 de janeiro. Apoiado pelo Governador Gilberto Mestrinho, foi eleito Josué Cláudio de Souza, do PTB. O catarinense Josué Claudio, que desembarcara na cidade para cuidar dos Diários Associados, agora era o proprietário da Rádio Difusora do Amazonas, e desfrutava a imagem de político vitorioso realçada pelo poder da palavra fácil e repleta de entonação, especialmente quando apresentava, às doze horas, a Crônica do Dia. Em 23 de fevereiro, Josué Cláudio substituiu ao Loris Cordovil na Prefeitura de Manaus.

Quartel do Corpo de Bombeiros, no Canto do Quintela,
na av Sete de Setembro com a av Joaquim Nabuco, em 1965


Os bombeiros permaneciam alojados em um galpão situado nos fundos do Paço da Liberdade. O Prefeito empossado empenhou-se em melhorar o aquartelamento, apesar de tantas dificuldades encontradas. No entanto, somente em março do ano seguinte os bombeiros foram transferidos para o Quartel do Canto do Quintela, ou seja, na avenida Sete de Setembro quase esquina da avenida Joaquim Nabuco. Ali permaneceram até 1974.

Situação atual, em 2010

No local, funcionou por anos o Museu do Homem do Norte, sucursal da Fundação Joaquim Nabuco, sediada em Recife (PE). Hoje o prédio se encontra abandonado.