CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de julho de 2010

Conselho Permanente de Justiça

Em 28 de julho de 1971, o Conselho Permanente de Justiça da Polícia Militar absolveu, por unanimidade, o soldado Jonas Santos da Costa. Presidiu a sessão o Dr. Waldir Garcia, juiz militar. Atuou como Promotor Público, Dr. Gebes Medeiros, e como advogado dativo, o Dr. Simonetti, todos falecidos. O Conselho esteve composto dos oficiais: major Manoel Freire, capitães Nathan Lamego, Mael Sá e Odorico Alfaia.

Conselho de Justiça (à esq.) e o defensor, Dr. Simoneti,
e o Promotor, Dr. Gebes Medeiros

A acusação contra o soldado era de homicídio. O delito ocorreu em outubro de 1969, no garimpo Igarapé Preto, situado no município de Novo Aripuanã (AM), mas que ali se chegava unicamente por avião.

Acompanhei em parte esse fato, pois fui encarregado do inquérito, na condição de major da Polícia Militar. Lembro-me que o garimpo estava sendo disputado por dois (ou três) "proprietários". Um deles, conhecido por Valadares, amigo do saudoso coronel Neper Alencar, convidou-nos para um jantar de negócios no Hotel Amazonas, que aconteceu em dezembro de 1969.
Sabedor de minha presença no garimpo, Valadares propos-me o afastamento do pessoal concorrente e, para isso, fez-me um adiantamento para as despesas de viagem.
Viajei para Porto Velho (RO), cidade que fornecia o apoio logístico ao garimpo. Lá, tomei o avião do Sr. Valadares e desembarquei em Igarapé Preto. Seguiu comigo um sargento para servir de escrivão.  
Conheci o garimpo, com as dificuldades de locomoção e de hospedagem, com as misérias humanas de toda ordem. E a violência. Fiz o que pude. Mas, como não encontrei no local o acusado, voltei a Manaus por outro motivo prioritário, o nascimento da Valeria, minha primeira filha.
Ainda em nossos dias, leio em jornais da existência de garimpos, revelando as mesmas dificuldades que enfrentei há quatro décadas.

Jornal do Comércio, 29 julho 1971