CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Companhia de Rádio Patrulha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Companhia de Rádio Patrulha. Mostrar todas as postagens

sábado, junho 08, 2013

POLÍCIA MILITAR E A ESCOLA DE SAMBA

Fusca da Rádio Patrulha, que possivelmente atendeu a
ocorrência. Reproduzido de A Crítica, 1980
Catador de registros sobre esta corporação, pensava já ter encontrado todos, porém, acabo de ser surpreendido pelo texto de Simão Pessoa. A peça encontra-se em Causos de Bamba: folclore político do Amazonas. Vou agregar dois causos para melhor entendimento: a contribuição da Rádio Patrulha para a organização do GR Escola de Samba Reino Unido da Liberdade.
 
4.
Outro sujeito que vivia incomodado com a roda de pagode dos moleques (Jairo Beira-mar, Bosco Saraiva, Gilsinho, Nicéas, Chocolate, Luizinho Sá e Ivan Oliveira, entre outros – sacados do causo 3) era o empresário Franciner, pai do Clemilton, atual diretor de bateria da Aparecida. Dono de uma padaria na referida rua, Franciner cismou que a barulheira dos pagodeiros estava afastando os clientes.
Certo dia, mais puto do que de costume, ele ligou para a Rádio Patrulha, denunciando os baderneiros.

Nesse dia, por incrível que pareça, começou a cair uma chuva torrencial e os pagodeiros, para não deixar o samba morrer, compraram uma caixa de caninha 51.
A "mardita" era servida em um único copo, daqueles reaproveitados de embalagem de azeitonas ou extrato de tomate, e o sujeito tirava gosto com careta. Era aquilo ou morrer de frio. O pagode estava ficando mais quente do que nunca.

De repente, chega um "fusquinha" da Rádio Patrulha. O soldado-motorista baixou um pouco o vidro, para não se molhar, e começou a chamar um dos pagodeiros.
Eles não deram nem confiança. Um segundo soldado começou a fazer coro com o primeiro. Os pagodeiros, nem aí. Maior autoridade dentro do carro, o cabo arrumou a arma no coldre, saiu do carro, enfrentou o vendaval e foi lá, conversar com os baderneiros.
Ele nem chegou a abrir a boca:
-- Êi, pessoal, esse aqui é o cabo Macaxeira, o rei da caixinha de guerra. Traz logo uma aqui pra ele e uma dose de pinga, que ele é dos nossos! – avisou Jairo Beira-mar.
Apanhado no contrapé, o cabo sorveu a pinga de uma lapada só, pegou a caixinha de guerra e começou a estraçalhar. Cinco doses de pinga depois, já meio grogue, Macaxeira foi lá no carro da RP e deu a ordem.
-- Avisa pro comando que já resolvemos a situação, desliga o rádio, e vamos cair na farra que todo mundo aqui é sangue bom!

Os dois soldados nem titubearam. Em dois minutos, completamente encharcados, os três militares estavam participando da mais animada roda de pagode daquele sábado chuvoso.

"Sêo" Franciner nunca mais confiou na polícia.
A roda de samba evoluiu e se transformou no GRES Reino Unido da Liberdade.

* * *
 
Num disse! E foi simples: chuva, RP e 51.

sábado, maio 12, 2012

Deu no Jornal do Commercio


Jornal do Commercio,
24 março 1972

Superando as dificuldades naturais [sic], a Secretaria de Segurança, vai dando curso às metas preconizadas pelo seu titular, cel José Jorge Nardi de Souza, recebendo ontem, às últimas horas da tarde, dez veículos de patrulha, parte da encomenda de dezesseis, feita no Sul do País, destinados ao serviço do policiamento de nossa cidade.
Com a aquisição desses dezesseis veículos, entra a Secretaria de Segurança no nosso Estado numa fase mais feliz, propondo intensificar um trabalho rigoroso para garantir a ordem e a lei numa cidade que cresce assustadoramente, adquirindo uma dimensão a ponto de exigir um policiamento equipado e moderno.
Eis porque, em face dessa necessidade, a Secretaria de Segurança cuida-se de equipar-se, recebendo em breve o restante do material destinado ao seu trabalho, em que se inclui um aparelho de radiofonia.

Jornal do Commercio, 24 março 1972

Nota: Trata-se das primeiras viaturas xadrez, para o transporte de presos, a equipar a Companhia de Rádio Patrulha, que teve inauguração em julho de 1972, sob o comando do capitão Fausto Ventura. Lembrando que esta organização da PMAM teve início com prosaicos veículos Fusca, dotados de uma fonia. Seu quartel estava localizado na rua Duque de Caxias, ao lado da então maternidade Ana Nery. O prédio, depois ocupado por outras entidades policiais, acabou incorporado ao patrimônio desta casa de saúde. E hoje, para ampliação da maternidade, desapareceu.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

PMAM: RÁDIO PATRULHA E O FUSCA

A solenidade hoje na Polícia Militar despertou atenção pelo inusitado. A inauguração de um Sedan Volkswagen, o prosaico Fusca, como um monumento à Rádio Patrulha. O veículo mais homenageado pelo mundo recebe agora do Comando do Policiamento da Área Oeste (CPA), situado no bairro da Compensa, novo registro.

Monumento ao Fusca da Rádio Patrulha, no CPA, em Manaus

O monumento pode ser visitado no quartel do CPA, antigo 5º Batalhão.

Coronel Fábio Pacheco
A memorável idéia e a realização do projeto pertencem ao tenente-coronel Fábio Pacheco, comandante desta unidade da PM. Oficial entusiasmado com a memória da corporação vem se empenhando em materializar alguns semelhantes planos.
Na ocasião, foram cumprimentados os ex-comandantes (apenas dois prestigiaram, coronel Fernando Oliveira e o autor desse post) e outros integrantes da extinta Rádio Patrulha. Esta unidade da PM operou entre 1972 e 1988. Vejamos alguns detalhes dessa presença.

A Polícia Militar do Amazonas (Pmam), com o advento de o Governo Militar (1964-1985) vinha prosperando. Ainda assim, seu efetivo na Capital cabia no quartel da Praça da Polícia, e seu melhor desempenho estava no policiamento a pé executado pelo Cosme e Damião. A capital amazonense, no entanto, crescia com velocidade espantosa devido a instalação da Zona Franca de Manaus. Em especial, o comércio da Zona Franca.

Em 1972, o comandante da PM, coronel Paulo Figueiredo, decidiu ampliar o serviço de policiamento. Havia necessidade de atendimento mais rápido, portanto, em veículo. A primeira operação foi realizada com picape Ford, onde na carroceria foram instalados bancos de madeira. Diante ao atual código de transito, aquilo era um atentado a segurança, não passaria em qualquer vistoria. Mas, era preciso operacionalizar o serviço.

A solução foi singular para montar o serviço de radio patrulhamento: a aquisição de prosaicos Fuscas, os quais, dotados de um rádio simples para comunicação com o Centro de Operações. Conduziam dois patrulheiros para dois turnos de serviço, com intervalo de seis horas. Ao menos, era essa a escala inicial.

Capitão Fernando Oliveira, na extinta Rádio Patrulha, 1986
Ainda foi aquele comandante quem debuxou a “planta” do quartel. Localizada na avenida Duque de Caxias, em terreno do extinto Piquete de Cavalaria, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho. Concluídos esses preparativos, em junho de 1972, a Rádio Patrulha inaugurou o serviço. E foi um sucesso.
Surpreendeu a todos, porque atendia com uma presteza marcante. Não cabe aqui discutir os motivos, mas que todos temiam os comandados do capitão Fausto Ventura, seu primeiro comandante. Cinco anos depois, ganhou sede nova, agora pela rua Dr. Machado, onde hoje se aquartela o RAIO. Em 1978, tive o privilegio de comandar aquele pessoal.

A evolução da Cidade exigia cada vez mais e com rapidez maior e mais pronto policiamento. A corporação policial militar respondia como era capaz. Mas esse esforço, com novas unidades, com novos conceitos de segurança, com imposições federais, levou a mudanças. Até a Rádio Patrulha sentiu.
Em 24 de março de 1988, o major Wilde Bentes, comandante da Rádio Patrulha, encerrou a atividade daquele quartel, ainda que os Fuscas seguissem rodando.

segunda-feira, julho 12, 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (XVII)

  •  Companhia de Polícia de Rádio Patrulha – Cia P RP
Na metade do século passado, a Polícia Militar do Amazonas inovou com sucesso ao adotar o policiamento em dupla, celebrizado por Cosme e Damião. A iniciativa ocorreu no comando do coronel Cleto Veras, que fora nomeado pelo governador Plinio Coelho (1955-1959).
Para melhor desempenho do policiamento, foi escolhido um pessoal mais destacado, tanto em estatura quanto em apresentação pessoal. A corporação também caprichou no uniforme.

A Crítica, 25.08.1956
Essas providências trouxeram bons resultados. Instalado em 25 de agosto de 1956, logo o Cosme e Damião tomou conta do centro da cidade. Claro, porque as ocorrências de então estavam concentradas nesta área. E restritas a “bater carteiras”, a jogos de azar e pouco mais.
Este comandante foi substituido, mas o policiamento prosperou. No início da década de 1960, passou ao controle do Grupamento de Policiamento Ostensivo, sob o comando do saudoso major Nathan Lamego de Oliveira.


Em 1966, quando cheguei na Polícia Militar, encontrei o Cosme e Damião sob a referida estrutura, mas ainda prestando bons serviços e trazendo bons resultados.
A capital amazonense, nessa ocasião, já sentia a pujança do comércio da Zona Franca, espalhado pelo centro comercial. A polícia necessitava ampliar, fortalecer esse tipo de policiamento. Levou algum tempo, mas a mudança aconteceu em junho de 1972, quando o coronel Paulo Figueiredo inaugurou a Companhia de Rádio Patrulha, sob o comando do capitão Fausto Seffair Ventura (foto).


Era constituída de prosaicos automóveis VW, os simpáticos Fuscas, operados por dois patrulheiros e dotados de um sistema de rádio bem elementar. O quartel primitivo estava localizado na av. Duque de Caxias, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho (na ocasião, mudado para Ana Nery). Ocupava um aquartelamento bem simples, elaborado na prancheta do próprio comandante Figueiredo.

Quartel da Rádio Patrulha, av. Duque de Caxias, em 1975

Desaparecia assim o Cosme e Damião, que o coronel Antonio Guedes Brandão ressuscitou e, em nossos dias, segue prestando serviços. Mas, a Rádio Patrulha era o “bicho”, resolvia com mais presteza os problemas que o Centro de Operações (Cop) coordenava. Era temida, como pudesse ocupar o território de nossa cidade. Com o tempo, perdeu seu entusiasmo e, apesar de novos e mais possantes veículos, foi substituida.

A Crítica, 27 jan. 1980
Em 1977, mudou-se para o quartel existente na rua Dr. Machado, nos fundos da mesma maternidade, com ligação com o quartel anterior. Enfim, a evolução da cidade exigiu mais força no policiamento. A Rádio Patrulha foi extinta em março de 1988, sob o comando do major Wilde de Azevedo Bentes. Neste quartel, em nossos dias, encontra-se aquartelado o RAIO.


Relação de todos os comandantes da Companhia de Rádio Patrulha:

capitão Fausto Seffair Ventura ?/06/1972
capitão Mael Rodrigues de Sá 15/10/1973
major Ruy Freire de Carvalho 07/02/1974
major Amilcar da Silva Ferreira 29/01/1976
major Mael Rodrigues de Sá 18/02/1977

Sede – Rua Dr. Machado
major Manoel Roberto Lima de Mendonça 1º/02/1978
major Alfredo Assante Dias 6/03/1979
major Romeu Pimenta de Medeiros Filho 10/04/1980
major Edval Correa da Fonseca 09/09/1981
major Jétero Silva de Menezes 28/06/1983
major Edmilson da Silva Nascimento 20/02/1986
major Manoel dos Santos Araújo 12/05/1986
capitão Fernando Antônio Andrade Oliveira 4/07/1986
major Manoel dos Santos Araújo 18/02/1987
major Wilde de Azevedo Bentes 25/03/1987