CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, julho 17, 2026

PMAM - HÁ 50 ANOS

 A postagem – sobre a Polícia Militar – é parte da coluna dominical sobre as Forças Federais e a Estadual, assinada pelo jornalista Rubilar Santos, e circulada em A Crítica há 50 anos, no domingo, 18 de julho de 1976.

Quartel da Praça da Polícia
recorte de A Crítica, 18 julho 1976👇

Polícia Militar

REGRESSOU — O coronel Mário Ossuosky, após ter tratado de assuntos de interesse da PMAM em S. Paulo, Rio e Brasília, regressou ontem a Manaus. Nessa viagem, fez-se acompanhar do tenente-coronel Osório e do capitão Orleilson, assistente e ajudante de ordens respectivamente. Durante sua ausência, respondeu pelo comando-geral, o tenente-coronel Hélcio Mota, chefe do Estado-Maior da PM.

BAFÔMETRO — A Polícia Militar recebeu do Detran, cinco BAFÔMETROS. Estes aparelhos são recomendados oficialmente pelo CONTRAN para a medição nos motoristas, do teor alcoólico no sangue. Os bafômetros vão ser utilizados pelas Companhias de Rádio Patrulha, da Polícia Rodoviária e do Trânsito.

ESPECIALIZAÇÃO — Através de um ofício do Núcleo de Modernização da Secretaria de Planejamento do Estado, foi oferecida para a PMAM uma vaga para o Curso de Especialização de Polícia no Japão. O comando-geral já está ultimando os preparativos para a seleção e indicação do oficial.

FÉRIAS — Encontram-se em Manaus em viagem de férias os capitães PM Omar Dau e Antônio de Almeida, pertencentes a PM de Brasília.

JOGOS UNIVERSITÁRIOS — Embarcou sexta-feira, com destino a Belo Horizonte, o aspirante a oficial PM Ary [Renato] Oliveira da Silva. O aspirante Ary integra a equipe de atletismo da FAUD [Federação Amazonense Universitária de Desportos], que disputará naquela cidade os 27°. Jogos Universitários Brasileiros.

MISSA  — Dia 22, o comando da PMAM vai mandar celebrar a missa de 30° dia, por alma daquele que em vida se chamou tenente-coronel PM Júlio [Cordeiro de] Carvalho. A missa será celebrada na Igreja de S. Sebastião, às 8 horas.

Júlio Cordeiro

ACIDENTES DE TRÂNSITO — A Polícia Rodoviária remeteu para este editor, o mapa estatístico dos acidentes de trânsito ocorridos sob sua jurisdição, no período de 1 a 30 de junho de 1976. a) Acidentes com vítimas: 13; b) Acidentes sem vítimas: 15; c) Acidentes com feridos: 26; d) Acidentes com mortes: 28.

Após um estudo minucioso nas fichas de acidentes preenchidas pelos patrulheiros da RP, foi constatado que as principais causas dos acidentes são: excesso de velocidade, falta de atenção e imperícia.

Alfredo Assante

ANIVERSÁRIO — O major Alfredo Assante [Dias] será homenageado amanhã à noite por amigos e companheiros de farda pela passagem de seu aniversário natalício. Assante, chefe da 5ª Seção da PM e Relações Públicas do Círculo Militar, funções em que tem revelado toda a sua capacidade como elemento de comunicação. Homem dado ao diálogo, tem sido um dos maiores colaboradores da gestão do coronel Ossuosky no comando da Polícia Militar, possibilitando o melhor relacionamento que já existiu entre os homens da imprensa e a briosa corporação. Hoje, quando os companheiros da PM e do Círculo Militar estiverem homenageando ao Assante, lá estarão também seus amigos da imprensa.

sábado, julho 26, 2025

IGPM NA POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS

 Notícia recolhida no jornal A Crítica (29 setembro 1978).

Com a finalidade de inspecionar a Polícia Militar do Estado do Amazonas, esteve em Manaus nos dias 23, 24 e 25 o General de Brigada Harry Alberto Schnarndorf, Inspetor-Geral das Polícias Militares do Brasil, órgão subordinado ao Ministério do Exército. A IGPM foi criada pelo dec. lei 667, de 2 de julho de 1969, que trata da reorganização das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros dos Estados, Territórios e Distrito Federal. Durante a inspeção realizada na PMAM, fez-se a acompanhar de oficiais pertencentes ao seu Estado-Maior. Nas fotos, vemos quando, passava revista à tropa e recebia a apresentação individual de oficiais da PM.

Uma indiscrição observada: o sobrenome do general, nascido em Santa Catarina, era bastante estranho para os oficiais nortistas. Desse modo, passei a semana juntamente com os colegas treinando o nome de guerra do visitante. No salão de honra, local da apresentação, perfilaram: (a partir da esq.) capitães Alrefredo e Roberto (autor desta postagem), majores Humberto e Osório (que olha com assombro) e o tenente-coronel Lustosa. De perfil, o general Schnarndorf! 

terça-feira, julho 15, 2025

DIRETOR DO DETRAN

 O então major Osório Fonseca havia inaugurado a Companhia de Trânsito da Polícia Militar, em 1972, e, ao ser exonerado, foi nomeado diretor do Departamento de Trânsito. Escrevi em outra postagem que o colega havia trocado o uniforme, agora de paletó e gravata, e o local de trabalho. As duas repartições eram contíguas, o Detran ocupava um prédio na esquina da rua José Paranaguá com a Floriano Peixoto, edificação ainda de pé, porém, pertencente à empresa de eletrônicos Ramson’s.  Era um tempo de organização do trânsito em Manaus, daí o motivo do encontro descrito pelo Jornal do Commercio (23 julho 1975).

 

Recorte do diário

O major Osório Fonseca (foto) manterá hoje importante reunião com os proprietários de empresas dos transportes coletivos de Manaus, afim de serem fixados os novos pontos de estacionamentos dos ônibus e os itinerários desses coletivos. O DETRAN, atendendo solicitação da Prefeitura, está enfrentando o sério problema e, segundo se anuncia oficiosamente, até o dia 28 o assunto estará definitivamente resolvido.

Também a nova sinalização das ruas da cidade está em estudos, bem como a maneira de proporcionar aos usuários dos ônibus melhor tratamento por parte das empresas concessionárias desses serviços públicos.

Do encontro de hoje com os donos das empresas de ônibus deverá sair um esboço das definições a serem posteriormente adotadas pelo DETRAN e pela Municipalidade.


segunda-feira, novembro 07, 2022

PALAVRAS DE ORDEM (2)

O colega coronel Osório Fonseca leu a edição anterior de “Palavras...” e me ofertou outra preciosidade, igualmente encontrada no saudoso quartel da Praça da Polícia. Me relembrou ele que quando ingressamos na PMAM, em junho de 1966, ele foi designado para comandar a 2ª Companhia, encarregada do trânsito urbano. A locação desta organização situava-se no andar superior, ao lado do gabinete do comandante-geral. 

Quartel da Polícia Militar, ontem,
Palacete Provincial, hoje

Antes, porém, uma frase estampada no pátio da corporação, gizada sobre o banheiro (único sanitário para os numerosos praças) e o xadrez (porta à esquerda). Bem capaz de promover adequadas motivações. 

Pátio central do quartel: porta central do sanitário 
e, à esquerda, o xadrez 

Numa das paredes do vasto salão da companhia de trânsito encontrava-se a citação abaixo, que perdurou até 1972, quando a restauração encomendada pelo comandante coronel EB Paulo Figueiredo mudou a estrutura do aquartelamento. Lembra-se o Osório que a frase vinha exposta vendo-se uma cortina aberta por um policial. 

Às vezes penso

que é mais rubra a rosa

que nasce em solo

onde um herói tombou!

Rosa-rubra



terça-feira, setembro 22, 2020

ANOTAÇÕES ESPARSAS

Roberto Mendonça

Ao revisar o arquivo da Polícia Militar do Estado, nesses dias, em busca de dados sobre os oficiais da corporação, encontrei o registro abaixo, que me diz respeito. Assinado pelo coronel Guedes Brandão, ao final de sua administração em 1994, e escrito pelo coronel Fonseca Neto, apregoou sem salamaleques o assunto que atento há décadas, desde aquele período. A aprendizagem com afinco e a divulgação coerente da história do Amazonas, com especial dedicação ao setor militar estadual.

Digesto (Manaus: Imprensa Oficial, 1993) trata-se da minha primeira ousadia no âmbito da publicação. Ao intrometer-me até na idealização da capa, o resultado que passa é de muita indigência, daí ter sido alcunhado de “indigesto”. Ainda assim, agrada-me saber que tem sido referenciado em vários trabalhos acadêmicos de colegas policiais.

Meus agradecimentos aos coronéis Brandão e Osório, retribuindo-lhes os votos de fortunas.

Elogio: como assessor do Comandante-geral e Ajudante-geral da corporação deu provas convincentes de sua inteligência e visão administrativa. Tem contribuído de forma destacada para a história e a cultura de nossa corporação. Recentemente, elaborou cautelosamente um trabalho de catalogação de toda legislação histórica, um trabalho que por certo fundamenta a nossa história institucional: o Digesto.

Além disso tem sido um expoente cultural de nossa história. A este companheiro o nosso reconhecimento e votos de felicidades.

* * *

Quando do falecimento de Anísio Mello (abril de 2010), o poeta Max Carpenthier, expressando a perda da cultura, anotou a declaração aqui compartilhada. Todavia, devo consignar que na ocasião encontrei no quarto de despejo de Anísio Mello, não o artigo, mas um livro sobre o avô do Max. Tomei a iniciativa de reorganizar o trabalho, solicitando da Secretaria de Cultura a publicação. Minha solicitação foi bem sucedida, no que resultou o Hemetério Cabrinha: poeta (Manaus: Governo do Estado/Secretaria de Cultura, 2014).

Original de Max Carphentier

Anísio, artista de muitas Musas, da escultura à pintura, da poesia à prosa. Amigo de meu avô Hemetério Cabrinha, escreveu sobre ele um belo artigo, pelo qual sou grato. O Clube da Madrugada teve em Anísio sua inspiração constante, multifacetada. Elevemos nossas preces a Deus neste momento de angústia para a cultura amazonense.

Max Carphentier

terça-feira, fevereiro 04, 2020

REUNIÃO DA AVC



Capa do cardápio
Na sexta-feira, 31 de janeiro, a AVC (Associação dos Velhos Coronéis) voltou a se reunir no restaurante Toreador (já uma espécie de sede social) para abrir os trabalhos deste ano. 2020 será movimentado, foi o entendimento geral.
Não acreditava que comparecessem tantos, pois os vencimentos do mês serão pagos no início de fevereiro. Todavia, o número de comensais foi ótimo (veja a relação abaixo), estando superado o temor da presença, que obrigaria a se mudar a data do encontro.

Lembramos do aniversário do saudoso coronel Pedro Câmara, que estaria completando 81 anos, nessa data. Se estivesse vivo, também ressaltamos, nos levaria, como dirigente desta associação, para almoçar no Novotel, situado no Distrito Industrial.

A mesa dos "cabeça branca" no Toreador
Prestigiaram a mesa de confraternização, 21 coronéis: Eber Rebello | Romeu Medeiros | José Cavalcanti | Osvalci Frazão | Homero Almeida | Edmilson Nascimento | Franz Alcantara | Ary Renato | Francisco das Chagas | Claumendes Cardoso | Vital de Menezes | Luiz da Rocha | Adson Costa e Silva | Aristoteles Comte | Osorio Fonseca | Amílcar Ferreira | Mael Sá | Roberto Mendonça | Ruy Freire | Gutemberg Soares | e José Alberto (administrador de empresa).

Agendado o próximo encontro: 28 de fevereiro.

sábado, novembro 21, 2015

NPOR – ENCONTRO ANUAL

Na continuidade da comemoração do primeiro centenário do 1º BIS(Amv), o comando desta Unidade promoveu nesta manhã o Encontro anual dos eternos alunos do NPOR/1º BIS.  Devo assinalar que este curso funcionou em Manaus por ocasião da II Guerra. Depois de 20 anos de interrupção, voltou a formar os oficiais da reserva, a partir de 1966.
Pavilhão de comando do 1º BIS, na formatura dos
eternos alunos do NPOR

Ao encontro, compareceram mais de duas centenas de eternos alunos.
A recepção ocorreu no Cirmam, onde as turmas foram se reencontrando, em especial as mais antigas.  Também neste local, houve a recepção pelo comandante do BIS, tenente-coronel Alexandre dos Passos.
Seguiu-se uma vídeo conferência com a transmissão da palavra do comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia), general de Exército Theophilo Gaspar, falando desde o Estado de Roraima onde se encontra em missão.

A seguir, a comunidade passou às dependências daquele quartel, para apreciar a exposição de armas e outros recursos bélicos e visita as instalações do NPOR.

Veio, então, o momento mais exigido dos “cabeças brancas”, ao menos da metade.  Foi o momento da formatura no pátio externo, com tudo que manda o regulamento: entrega de medalhas, salientando-se a que premiou post mortem o aluno nº 1 da turma de 1944, Roderick Castelo Branco (lembrado professor dedicado do Colégio Estadual e eficiente filatelista). A comenda foi recebida pelo filho do homenageado -- Rodemark Castelo Branco.

Ainda tivemos (pertenço a turma de 1966), entrega de medalha do Centenário do BIS; a palavra entusiasmada do representante dos oficiais da reserva; a do general Poty, chefe do Estado-Maior do CMA; o canto da Canção da Infantaria e, ufa, às 11 horas da matina, em plena canícula, o desfile da tropa. Entre mortos e feridos, todos chegaram ao destino.  
No meio do dia, encerrando o Encontro, foi sérvio o almoço na Toca da Onça.

A ocasião serviu para múltiplos acertos, como a comemoração do cinquentenário da turma Ajuricaba, que vai festejar seu cinquentenário em março próximo. Serviu ainda para reafirmar que o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva nos une em prol da Amazônia.

Selva!!!

Tenente-coronel Alexandre Passos recepcionando os convidados

Registro da solenidade.

sexta-feira, novembro 13, 2015

PREFEITO OSORIO FONSECA (2)

Encerrando a transcrição da entrevista prestada pelo então prefeito de Itacoatiara, Sr. Osorio Fonseca, ao extinto matutino O Jornal, edição de 5 de agosto de 1944, da empresa Archer Pinto.

Aspecto de praça em Itacoatiara, em 1960

Itacoatiara e seu atual governo municipal
Fala a O JORNAL, sobre os problemas da coletividade que governa, o prefeito Osorio Fonseca

A reportagem do O JORNAL teve a oportunidade de avistar-se, ontem, com o Sr. Osorio Fonseca, o atual prefeito de Itacoatiara, um homem criterioso e digno, dotado de espírito claro e de inteligência ágil, que o interventor Álvaro Maia foi buscar às suas atividades no comércio e na indústria, para dar à principal comuna do Estado o administrador que seu povo reclamava e que a importância do município exigia.

 3.  A AÇÃO DO SESP EM ITACOATIARA
 A ação do SESP em Itacoatiara – diz-nos o Sr. Osorio Fonseca – tem sido de alta expressão social. Dentro de seu programa de assistência sanitária às populações amazonenses, e em cooperação com o governo municipal, tem o SESP realizado, ali, obra eloquentíssima.Agora mesmo, a aludida Divisão de Saneamento executa um serviço benéfico à população, e que consiste na construção de fossas biológicas, com aparelhos sanitários, em toda a cidade.
Custa cada unidade da série, compreendendo a fossa, laje de cimento armado, privada turca e casinhola, nada mais do que Cr$ 50.000, ao particular, e, aos que não podem pagar nem mesmo essa reduzida importância, a Prefeitura auxilia.
Já foram construídas 430 unidades, cientificamente projetadas, e os trabalhos prosseguem, sendo objetivo da municipalidade dotar toda a cidade desse benefício.O Dr. Orlando Monteiro, técnico do SESP, autorizado médico-sanitarista, colheu material de exame antes da construção das fossas, verificando que mais de 50% da população de Itacoatiara está infectada de verminose. (...) 

 4 . OUTROS SERVIÇOS DO SESP
 Mantém o SESP, ainda, em Itacoatiara, um posto de assistência sanitária, confiado à competência do Dr. Fabio Cerqueira, que, pela sua operosidade, pela sua eficiência, pelo sentido apostolar com que exerce a profissão, já se tornou um ídolo da população.
Realiza o Dr. Cerqueira, com exemplar dedicação, todos os serviços da alçada do SESP, inclusive os de assistência pré-natal e pré-escolar, cujos resultados têm sido os mais frutuosos, e bem assim os antimaláricos e antivermínicos. 

 5. AUXÍLIO À POPULAÇÃO FLAGELADA PELA CHEIA
 Itacoatiara sofreu profundamente com a última enchente. E para assistir à população flagelada, o prefeito Osorio Fonseca enviou ao Conselho Administrativo do Estado, por intermédio do Departamento das Municipalidades, um projeto de decreto-lei, abrindo o crédito especial de Cr$ 30.000,00, o qual mereceu aprovação do alto organismo de governo presidido pelo Dr. Leopoldo Péres.

A população castigada pela cheia – diz-nos o Sr. Osorio Fonseca – será auxiliada no retorno às suas atividades, inclusive visando o reinício das culturas agrícolas, para o que já conta o prefeito, também, com a cooperação do Fomento Agrícola, cuja assistência técnica solicitou e lhe foi prometida.
Aliás, diga-se de passagem, dentro de seus parcos recursos, a Prefeitura de Itacoatiara já começou a executar esse trabalho imprescindível de auxílio às populações martirizadas pela enchente, objetivando sempre restituí-las às atividades produtivas.

Aproveitando a sua permanência em Manaus, o Sr. Osorio Fonseca esteve em visita de cortesia ao Conselho Administrativo, como esteve, também, em visita a outras altas autoridades do Estado, como sejam o Dr. Ruy Araújo, secretário-geral, ao Dr. Marcionilo Lessa, diretor do Departamento de Municipalidades.
A todas fez o Sr. Osorio Fonseca as melhores referencias, agradecido à atenção com que foi recebido em toda parte. Não era de esperar outra coisa, sabendo-se que S. Sia. É um administrador profundamente dedicado à causa do povo que serve e aos interesses de seu município e do Estado.  

6. ITACOATIARA E O DR. COUTO VALE  
Já concluindo a sua ligeira palestra com o repórter, quis o Sr. Osorio Fonseca acentuar que Itacoatiara, onde servia como prefeito o Dr. [Alfredo Augusto Teixeira do] Couto Vale, antes de ser convidado pelo interventor Álvaro Maia para as funções de prefeito de Manaus, não esquece o seu antigo governante, que tão bem se conduziu ali, na sua proveitosa gestão.
A propósito, conta o atual prefeito que o Dr. Couto Vale lhe transmitiu a comuna em boas condições financeiras, como todos os seus compromissos em dia e ainda com cerca de Cr$ 13.000,00 em cofre.

A qualquer momento o Dr. Couto Vale pode voltar a Itacoatiara, que encontrará uma população agradecida aos benefícios que dele recebeu. Quem dera muitos prefeitos em serviço no interior do Estado pudessem dizer a mesma coisa.

quinta-feira, novembro 12, 2015

PREFEITO OSORIO FONSECA

Em homenagem aos amigos Osório Fonseca Neto e Ozorio José Menezes Fonseca, transcrevo (em duas partes) uma entrevista do saudoso prefeito Osorio Fonseca, que dirigiu o município de Itacoatiara no afastado ano de 1944.


Fac-símile da página jornalística


Itacoatiara e seu atual governo municipal
Fala a O JORNAL, sobre os problemas da coletividade que governa, o prefeito Osorio Fonseca (*)

A reportagem do O JORNAL teve a oportunidade de avistar-se, ontem, com o Sr. Osorio Fonseca, o atual prefeito de Itacoatiara, um homem criterioso e digno, dotado de espírito claro e de inteligência ágil, que o interventor Álvaro Maia foi buscar às suas atividades no comércio e na indústria, para dar à principal comuna do Estado o administrador que seu povo reclamava e que a importância do município exigia. 
O Sr. Osorio Fonseca é um homem simples, cordial, de palestra saudável. Antigo jornalista, mais tarde deixou a imprensa, como abandonou também a política, para fazer carreira no comércio e na indústria da madeira e da borracha. 
O povo de Itacoatiara, geralmente, o estima, e não há naquela terra ninguém com tanto prestígio e tão benquisto. Sua nomeação marcou um legítimo acontecimento coletivo na cidade que tanto lhe deve, foi uma festa de que participou toda a população. 
A nossa palestra com o prefeito de Itacoatiara foi rápida.
Estava ele assoberbado de afazeres, preparando-se para regressar, hoje, à sede de seu governo, depois de ter trazido para apresentar ao interventor Álvaro Maia, e ao Dr. Ruy Araújo, secretário-geral, importantes planos, vitais para a coletividade que governa.  

O ABASTECIMENTO D’ÁGUA À POPULAÇÃO DE ITACOATIARA

 Um desses planos diz respeito ao abastecimento d’água à população de Itacoatiara. O Sr. Osorio Fonseca entrou em contato com o SESP e trouxe à Interventoria um esquema para aquele serviço público, que Itacoatiara urgentemente reclama.Elaborado pelo capitão de engenheiros E. S. Wagner, do exército dos Estados Unidos, chefe da Divisão de Saneamento, setor do Estado do Pará, do SESP, o projeto é de tal relevância e representa uma possibilidade de tal modo excelente de executar aquele serviço, em condições excepcionais, que não temos dúvida em antecipar que a Interventoria dará inteiro apoio ao Sr. Osorio Fonseca. 
O projeto, em linhas gerais, compreende a construção de um poço, de um tanque de 10 a 12 metros de altitude, com capacidade para o abastecimento de todo o perímetro urbano da cidade, e a instalação de um motor-bomba a óleo. A água do poço será bombeada diariamente para o tanque, e daí, pelo próprio peso para o sistema de tubulação da cidade.
Custará a instalação geral cerca de Cr$ 500.000,00, dos quais a Prefeitura entrará com a metade (ou sejam, cerca Cr$ 250.000,00, entrando o SESP com a outra metade, estando compreendido neste total todo o sistema de tubulação pública, exceto as, derivações, que serão as custas dos consumidores. (...)
 
Para realizar obra de tamanha significação para a vida coletiva de Itacoatiara (e nós bem podemos julgar sua utilidade, auscultando os nossos próprios sofrimentos), pretende o prefeito Osorio Fonseca pretensão justíssima, em face da situação daquele município, cujo orçamento não suporta despesa desse volume, num único ano que o Estado conceda à sua comuna um adiantamento de C$ 250.000,00 ou pouco mais, cuja liquidação se fará do modo que a Interventoria achar mais conveniente, oferecendo o prefeito, inclusive, para a amortização e liquidação total, as rendas do próprio serviço de águas, descontadas apenas as cifras de sua manutenção. 
É, como se vê, uma oportunidade única para Itacoatiara, que não a pode deixar passar, e estamos certos de que o Interventor Álvaro Maia, que jamais, na solução dos problemas amazonenses esquece o interior, dará ele apoio e a sua autorização para a plena execução do notável plano.

 2. A ENCAMPAÇÃO DO MATADOURO MUNICIPAL

 Outro problema que trouxe o prefeito Osorio Fonseca a Manaus foi o projeto de encampação do Matadouro Municipal de Itacoatiara, de propriedade particular. Faltam 6 anos para a conclusão do contrato entre a Prefeitura e a empresa proprietária daquele estabelecimento de serviço público, e o prefeito entrou em entendimento com a referida empresa, estando esta pronta a concordar com a encampação, desse que seja indenizada do prazo de exploração que ainda lhe resta, por cifra razoável.Seria um importante serviço que passaria ao patrimônio municipal, destinando-se a se tornar, no futuro, em fonte de renda da comuna. 
Para a execução desse plano, também necessita o Sr. Osorio Fonseca do auxílio do Estado, nas condições propostas para a fundação do serviço de abastecimento d’água. Um e outro projeto estão orçados em cerca de Cr$ 300.000,00, o que não representa grande importância, representando, porém, inestimável serviço, que Itacoatiara ficaria a dever à administração do ilustre amazonense que governa o nosso Estado. 
Além da cifra destinada à sua encampação, o Matadouro reclama obras de importância reduzida em algumas dependências, tudo não excedendo, porém, daquele total de Cr$ 300.000,00.
Tem o Sr. Osorio Fonseca um plano interessante para o aproveitamento das campinas anexas ao Matadouro, mas está visto que somente poderá leva-lo a efeito desde que passe o estabelecimento ao patrimônio municipal.
 
O plano consiste na criação de rebanhos de carneiros, cabras, suínos e aves nos terrenos do Matadouro, objetivando a formação de gado para corte, de modo a solucionar, em parte, o problema alimentar de seu município. (segue)

(*) O Jornal, 5 de agosto de 1944



domingo, outubro 13, 2013

BOMBEIROS DA PMAM: CORONEL OSÓRIO (2)


Os Bombeiros do Amazonas foram comandados, entre fevereiro de 1978-79, pelo então tenente-coronel Osório Fonseca Neto. Leia o final da entrevista que este concedeu para o livro sobre a corporação. As indagações (em azul) são de minha autoria. 

Viatura APQ (Auto Pó Químico) em desfile do Sete de
Setembro, na av. Eduardo Ribeiro (1975)
Como você conheceu o serviço dos Bombeiros? Eu não conhecia os bombeiros. Assim, qual foi a minha atitude? Não palpitar em ações próprias de bombeiros. Comandar como militar, sem me envolver tecnicamente, por entender que eu não possuía competência para tanto. Aprendia com eles. Tanto que após cada atuação reunia o grupo envolvido, o comandante da operação e os demais. A equipe explanava as medidas tomadas e dava aula sobre os resultados.
Lá pelas tantas, em Manaus despontou o problema de abelhas africanas. O primeiro ataque que tive conhecimento ocorreu na Vila Militar da Cachoeirinha, perto do Hospital Militar do Exército.


Em que ano ocorreu? Em 1978. As abelhas “africanas” atacaram dois cachorros na residência de um oficial do Exército. Mataram os cães por asfixia. (...) os bombeiros foram acionados. Ninguém tinha experiência alguma com abelhas, ninguém sabia que fazer. Acreditando que já podia palpitar, opinei: “Vamos vestir um homem-rã ou o bombeiro que efetuar a operação com a roupa de mergulho”. Quero dizer, roupa de neoprene preta, a máscara contra gases, assim podia melhor respirar. A estratégia: o operador sobe a escada, tira parte do telhado onde as abelhas se aninham e, então, a gente acaba com elas!


Aconteceu, entretanto, verdadeiro desastre: as abelhas revestiram o corpo do bombeiro, milhares delas. Assim, ele virou enorme gorila. E pior, elas atacaram aos que apreciavam a operação, e todos foram atingidos. Por sorte, eu sofri duas ou três picadas, mesmo assim, fui acometido de enjoo, com febre e mal-estar. Quem estava lá sofreu com o veneno das “africanas”. Portanto, o meu palpite foi desastroso, porque a abelha africana é peçonhenta, venenosa e, dependendo da intensidade de picadas, pode matar.

Também isso é ser bombeiro. Nos quase dois anos que comandei a instituição, tive emoções fortíssimas. Meu coração bateu forte inúmeras vezes, quando vi, quando presenciei e, usando uma expressão atual, quando saquei o que esse povo fazia. Não era só apagar incêndio, ou como se dizia: “Pra apagar incêndio, basta chamar os bombeiros!”.


Alguma história peculiar? Houve, sim, uma história inesquecível. Ao lado da padaria Santo Antonio (hoje Cintia), próximo ao Hospital Militar, existem umas casas geminadas, em uma delas morava uma senhora obesa, bem gorda mesmo, acompanhada da filha. Quando saiam para compras na padaria, frequentemente esqueciam a chave da entrada, ora pelo lado de dentro, ora o vento batia a porta. Resultado: ficavam “presas” do lado de fora. Chamavam os bombeiros, que repetiam a mesma operação: armavam uma escada, subiam, passavam pela janela, abriam a porta e libertavam as “presas”. Ora, isso exigia levar a escada e repetir toda aquela manobra.

Decisão: fez-se uma cópia da chave da casa e, quando chamado, o bombeiro ia de motocicleta abrir a porta, claro, trazer a chave. Assim se resolveu parcialmente o problema das senhoras trancadas por fora, às vezes, trancadas em "trajes menores".

Lembra algum grande acidente de que, sendo comandante, participou? O maior acontecimento foi, sem dúvida, o incêndio da fábrica Potência, no Distrito Industrial. Para nós, o incêndio foi classificado de grandes proporções, em razão da perda total da indústria, que operava material sintético. Além deste, armazenava no interior do prédio, lubrificantes e combustíveis; inflamáveis que contribuíram fartamente para o resultado.

Nesse combate, assisti um grave acidente com um soldado e um sargento. Um desses heróis anônimos, tentando remover um tambor de óleo lubrificante, e como a tampa se desprendesse, foi atingido pelo material efervescente. Teve baixa hospitalar, com queimaduras graves. Outros apenas se feriram. Sofri queimaduras leves nos pés, apesar do calçado, porque a fibra sintética derretia-se, espalhando-se pelo solo.


A intensidade do fogo obrigou-nos a usar água de piscinas de clubes ao redor. Enfim, eu olhava para aquelas estruturas de ferro retorcidas, ou que se retorciam ao fogo, pingando como lágrimas altamente incandescentes. Como era assustador sentir as temperaturas elevadíssimas. Confesso, foi uma visão terrível!

Então, recorde as alegrias que teve. O reconhecimento da população aos serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros. Aquele “muito obrigado”, ou aquele gesto que chegava no dia seguinte, ou aquela visita ao quartel, para dizer: “Olha, muito obrigado pra vocês, porque vocês fizeram isso”. “Nós perdemos o nosso filho... ou “Perdemos o nosso motor, mas se não fossem vocês...”. Esse retorno, nessas condições, muito nos reconforta. Para quem aqui trabalha, é deveras reconfortante.


Esses gestos enterneciam a você? Certamente. Vem-me outra alegria. O Corpo de Bombeiros tem grande orgulho de seus mergulhadores. Mergulhar no Amazonas não é como mergulhar em águas claras, em águas oceânicas. Eu tentei me exercitar nas águas amazônicas e me desesperei, porque não enxergava nada. Não há lanterna, não há meios que ilumine a lama do rio Solimões ou as águas do rio Negro. Nossos homens mergulham em profundidades, vão lá, retiram o que buscam. Possuem uma noção espacial-submarina incrível, própria deles. Por isso, quando olho para eles, primeiro os vejo com enorme inveja, porque poucos são capazes de realizar o que eles realizam. Depois, repleto de orgulho, pois eles são do Corpo de Bombeiros.
Renato, atual sargento da
reserva, recebe medalha
 
Nota: Os feridos mais graves no incêndio da Potência foram o soldado 2101, João Istanilau da Silva Pedrosa, recolhido ao Pronto Socorro e Hospital dos Acidentados (av. Joaquim Nabuco) com “queimaduras nos membros inferiores direito e esquerdo de 1º e 2º graus, sobre 15% da superfície corporal”. Recebeu alta hospitalar em 4 de dezembro, e seguiu sob os cuidados do Serviço de Saúde da corporação. Seis meses depois estava de volta ao serviço e, em 2011, subtenente PM aguardava a transferência para a reserva. O outro foi o 3º sargento 0265, Eunesimo Batista Serra, com ferimentos leves, medicado no pronto atendimento. Todavia, sua sorte tem nome e graduação: soldado Renato José Monteiro Rola que o socorreu, evitando o pior.

sábado, outubro 12, 2013

BOMBEIROS DA PMAM: CORONEL OSÓRIO (1)


Coronel Osório Fonseca, em almoço
da AVC (Associação dos Velhos
Coronéis), 2013
Os Bombeiros do Amazonas foram comandados, entre fevereiro de 1978-79, pelo então tenente-coronel Osório Fonseca Neto. Entrevistado para a retrospectiva que, sobre esta corporação, acabo de escrever, Osório relembrou a visão que, ainda estudante ginasiano, possuía dos Bombeiros, quer os da prefeitura de Manaus quer os do comandante Ventura. E, nesta conversa, contrapôs àquele olhar tortuoso o seu tirocínio no comando do Corpo de Bombeiros /PMAM. As indagações (em azul) são de minha autoria. 


O serviço de contra incêndios era atribuição do Corpo de Bombeiros de Manaus, porém existiam os voluntários do comandante Ventura. Quais lembranças você tem dos Bombeiros? Lembro-me do Corpo de Bombeiros da Prefeitura, ali na Sete de Setembro, no outrora conhecido Canto do Quintela. O Corpo de Bombeiros naquele espaçozinho. Talvez, por terem colocado na mente de minha geração, mesmo no Exército, o orgulho de ser oficial e tudo mais, eu olhava, sem dúvida, com certo preconceito para o Corpo de Bombeiros. A minha visão de Bombeiros era limitadíssima, a visão da maioria das pessoas, a de que o bombeiro era um “extintor de incêndio”! Reconheço, era uma visão muito limitada.
Hoje, digo hoje porque quando vejo a formação correta do Corpo de Bombeiros, como opera o Corpo, fico particularmente envergonhado, por ter tido ontem esse pensamento de exclusão. Recordo, todavia, que o Corpo de Bombeiros era assim, limitadíssimo!

E os bombeiros voluntários? Quando eu era estudante, possuía mais a visão dos bombeiros voluntários de Aparecida que a dos bombeiros municipais. Explico: o bombeiro de Aparecida que a gente conhecia era do comandante Ventura, nascido em Portugal; um homem dedicado àquilo, mantendo os voluntários com vários amigos, inclusive por pessoas que trabalhavam no comércio. Quando acontecia um incêndio, o comandante Ventura telefonava, batia um sino, avisava o pessoal e, então, vestia o cinturão de bombeiro, capacete na cabeça e, com a roupa que usava, seguia para o local do incêndio. Assim, tentando resolver os problemas de Manaus, que ainda era pequena, com condições precaríssimas de salvamento.
A precária situação do serviço de bombeiros da Prefeitura motivou o convênio com o Governo do Estado, em 1972. Como ocorreu a incorporação destes à Policia Militar? Houve uma prévia disso, quando um oficial PM foi mandado à França para receber treinamento especializado no Corpo de Bombeiros de Paris. O major Pedro Câmara passou naquela cidade cerca de um ano. Mais interessante ocorreu depois: o oficial conviveu com a experiência francesa e o Estado comprou equipamento alemão. Câmara voltou com a visão mais ampla de Polícia e de Bombeiros, capaz de passar à sociedade, ainda que auxiliado pelos remanescentes dos municipais, os bombeiros transferidos do município.
Aconteceu um fato, que até hoje se questiona na corporação. Sinto vergonha de lembrar as condições impostas aos homens oriundos do Corpo de Bombeiros, no acordo Governo do Estado/Prefeitura. Uma das exigências do Estado era que não aceitássemos o pessoal dos bombeiros da Prefeitura. Como? Se nós precisávamos deles, pois na Polícia ninguém possuía qualquer experiência de bombeiro. Poderiam ser aceitos, desde que fossem adaptados à Policia Militar, e essa adaptação correspondia à rebaixá-los. Quem era cabo tinha que ser soldado; sargento, no máximo cabo; tenente, na graduação de segundo sargento. E, nós, jovens oficiais, assistindo ao massacre. Nos dias que correm, lembrar é doloroso!
Algum oficial tinha sido comandante? Sim, um ex-comandante do Corpo de Bombeiros de Manaus foi rebaixado a 2.º sargento. Deve ter sido muito aflitivo para essa pessoa! Àquela altura, ninguém analisava isso com os olhos de hoje, com a maturidade, com a experiência da vida. Enfim, vieram aqueles que aceitaram, vieram... Parece que só um oficial bombeiro não veio, não aceitou a carga.
Edifício do IAPETC, durante anos sinônimo
regional de "arranha-céu".
Quanto ao ex-comandante Nicanor Gomes da Silva?  Me lembro do comandante da época, o Nicanor. Antigo bombeiro da Prefeitura, formado no CBERJ (Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro) retornou a Manaus como tenente. Ao retornar, o Prefeito o nomeou comandante dos Bombeiros, comissionado no posto de major. Por essa razão, o pessoal da Polícia Militar, pessoal de Escola de Formação, sentiu-se magoado.
Alegava que “isso não é certo, tem que ter curso de aperfeiçoamento e não sei lá o quê”. Entendia que o Nicanor não podia ingressar na PM como major. E o Nicanor, na sua humildade, aceitou ingressar na Polícia Militar como tenente. Fez carreira na Polícia Militar até onde foi possível, integrando o Corpo de Bombeiros.
 
E a incorporação? Em 1973, a PM assumiu o Corpo de Bombeiros. Logo, chegaram os carros, os equipamentos. Tornaram-se motivo de enorme vaidade para os policiais militares. Manuseá-los era demais, pois, nenhum bombeiro em Manaus vira uma autoescada que, equivocadamente, chamavam de Magirus. Tratava-se, sim, de uma escada alemã, mas o fabricante era Metz. Por vaidade, exibia-se a autoescada em qualquer lugar, e em reles oportunidade. Até para, do quartel, observar as margens do rio Negro, onde a balsa que leva para Manacapuru parava. Era o tal de levantar, “arvorar”, descer a escada etc. Parecia até um brinquedo importado, porque não havia sequer prédio alto na cidade de Manaus.

E quais os prédios mais altos existentes em Manaus? O edifício Maximino Corrêa, o IAPETC e o Hotel Amazonas, na época, creio, eram os mais altos.

Então, como os Bombeiros se empenhavam? Mas os bombeiros se empenhavam. Houve incêndios, mas não foi preciso usar a escada. A escada existia e possuía múltiplos recursos. Também os carros de salvamento eram de excelente qualidade, os equipamentos, as bombas de espuma e tudo mais. Utilizava-se, pois, o melhor em equipamentos de bombeiros, apenas se deveria adestrar o pessoal para seu manuseio, para a utilização adequada do equipamento de socorro.

Em que condições você assumiu o Corpo de Bombeiros? Em 1978, eu dirigia a Diretoria de Apoio Logístico (DAL), após exercer comandos básicos da Polícia Militar. E de retornar, em 1977, de um curso nos Estados Unidos, na área de organização e administração de segurança pública. Foi-me uma experiência muito valiosa! Não apenas para mim, também para os coronéis Pedro Lustosa, Brandão e Humberto Soares, já falecido, e o saudoso delegado Ribamar Afonso, alcunhado de Delegado do Diabo. Não só os amazonenses participaram do curso, éramos do Brasil inteiro; centenas de oficiais e policiais civis naquela escola americana, cuja sede ainda se encontra em Washington (DC).

Quando surgiu a necessidade de se construir, contíguo ao quartel do Corpo de Bombeiros, as instalações da DAL e do CSM (Centro de Suprimento e Manutenção), fui encarregado de administrar a obra. Simples: o comandante me chamou, e determinou: “Você vai comandar o Corpo de Bombeiros e tomar conta da obra”. Vim, pois, comandar o Corpo de Bombeiros e servir de mestre de obras do CSM. Recebi o comando do major Jarbas Rocha, estando eu completamente cru em matéria de bombeiros. Nada entendia do serviço, salvo aquela impressão de infância: Olha, Bombeiro é pra apagar incêndio e pronto! Acabou! 

Leia a segunda parte, a seguir.