Num encontro dos mais cordiais, o
comando da Polícia Militar do Amazonas ofereceu, ontem, um coquetel à imprensa,
ocasião em que o coronel José Maury fez um balanço das atividades da corporação
no ano de 1969, ressaltando a colaboração dos jornais e de rádio e TV, mesmo
nos momentos de crítica.
Disse o Comandante da PM que existe
identidade entre o soldado e o repórter, ambos lutando por dar o melhor de si
em prol de toda a comunidade, sem a observação de horários e, mesmo, às vezes
com o sacrifício do próprio bem-estar.
No balanço das atividades, o coronel
Maury fez questão de ressaltar o número de oficiais da Polícia Militar do
Amazonas que conseguiram realizar cursos de aperfeiçoamento nas melhores
escolas do país e nos Estados Unidos.
Apontou, também, no campo do
aperfeiçoamento a determinação do comando de só admitir a incorporação como
soldados de elementos qualificados e de excluir aqueles que não possuíam as
condições necessárias para a garantia da ordem.
Para o coronel Maury as perspectivas
que se abrem em 1970 são as mais promissoras e, para que continuem a se
concretizar todas as aspirações de segurança em nosso Estado, pediu que a
imprensa também continuasse em seu trabalho de auxílio aos militares.
Mostrou como no campo das
comunicações, a Polícia Militar está se equipando, devendo por todo o decorrer de
1970 estar ligando com as unidades do Interior, permitindo assim um melhor
controle.
Ao coquetel estiveram presentes
representantes de todos os jornais e emissoras de rádio e TV, bem como a
oficialidade da Polícia Militar.
Dando início ao que pretende se
transforme em tradição, a Polícia Militar do Estado ofereceu, ontem, um
coquetel à imprensa, rádio e televisão amazonenses, tendo o comandante Maury
Silva saudado a todos os presentes com um discurso em que fez diversos anúncios
importantes. Entre outras notícias informou o titular da PME sobre a criação de
mais um batalhão na corporação e asseverou que ainda este ano será inaugurado o
novo quartel, em Petrópolis.
Revelou, também, que é a PM
amazonense a que possuí, em todo o Brasil, o maior número de oficiais com especialização,
havendo, ainda, dezessete deles que são universitários, frequentando as diversas
escolas da UA.
Demorando-se na informação acerca do novo
batalhão, informou que este se destina ao interior do Estado. E com sua criação,
passa a PM a ter um comando -geral e mais os comandantes do antigo e do novo
batalhões, bem como o Estado-Maior.
Foi criado o Serviço de Informações,
que já funciona regularmente - disse, por fim, o comandante Maury Silva, que fez
para os seus homenageados um verdadeiro relatório.
Anotações do meu memorial:
São duas notas jornalísticas – A Crítica e Jornal do Commercio
(6 janeiro 1970) – sobre o mesmo assunto: a festa que a então PME (Polícia
Militar do Estado) realizou no dia anterior para a Imprensa em geral. A iniciativa
partiu do coronel José Maury de Araújo e Silva (1968-71), nascido nas Minas
Gerais, oficial do Exército, comandante da corporação.
Era eu, na ocasião, capitão da Força Estadual, e devo ter participado da
confraternização. Se “gazeteei” ao convite, passados 50 anos de sua realização
e, depois de reler os recortes, alguns flashbacks me afluem. Como a intenção do
chefe militar de torná-la uma tradição, que não prosperou.
O serviço foi servido no Salão de Honra, ou seja, no amplo salão onde a corporação
policial militar guardava seus troféus, bandeira de guerra e veneras. Cujo material
serviu para que, em 1985, fosse inaugurado o Museu Tiradentes, que ainda conserva
em nossos dias.
Coronel Maury anunciou a inauguração do quartel de Petrópolis para o ano
entrante. E acolá se encontra o edifício que o arquiteto Severiano Porto criou
para a abrigar a PM amazonense. Aquartelamento destinado a acolher todo o
pessoal da Força, então composta de cerca de 800 homens (a força feminina seria
incorporada 10 anos depois).
No entanto, o comandante substituto coronel Paulo Figueiredo (1971-73), violando
a determinação superior, “deportou” para aquele arrabalde o 1º BPM (Batalhão de
Polícia Militar), o Batalhão Amazonas. Deste modo, pode-se afiançar que a PMAM
colaborou grandemente para a evolução do bairro de Petrópolis.
Outro assunto elencado pelo comandante Maury foi a reformulação
administrativa do corpo policial. Em atenção às resoluções da IGPM (Inspetoria-Geral
das Polícias Militares), foi instalado o Estado-Maior, com as diversas seções
subordinadas ao chefe do EM, na ocasião o coronel PM Neper Alencar (convém notar
que foi o primeiro coronel da ativa, promovido em setembro de 1969). O serviço
de inteligência, conhecido por PM2, mencionado na fala era ocupado pelo major Hélcio
Motta,
Afinal, o capítulo sobre a formação profissional dos oficiais. A evolução principiou
com os cursos militares que a IGPM reservava aos policiais. Falo por mim: incorporado
à PM em junho de 1966, seis meses depois estava no Rio de Janeiro para um
curso. E voltei ao Rio, em 1979, para novo curso. Esse movimento atingiu tanto os
colegas locais quanto de outros Estados, para cursos no país e no exterior. E foram
em profusão.
E sobre a formação intelectual; de fato, foi um momento salutar da corporação,
pois, próximo à unanimidade dos oficiais (e alguns sargentos) frequentavam diversos
cursos da UA (Universidade do Amazonas), em número mais destacado, o da Faculdade
de Direito (a “Jaqueira” da Praça dos Remédios), onde eu havia ingressado em
1969. Disso, o comandante Maury se jactava, por entender que os policiais na Universidade
do Amazonas serviriam de porta-voz do Governo Militar.
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