CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Universidade do Amazonas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Universidade do Amazonas. Mostrar todas as postagens

sábado, setembro 14, 2024

FACULDADE DE MEDICINA DE MANAUS: 1950

O ensino da Medicina em Manaus, como é do conhecimento público, somente ocorreu a partir do governo de Arthur Reis (1964-67) com a instalação da UA (Universidade do Amazonas). A faculdade competente foi construída na rua Apurinã esquina do Boulevard Amazonas, defronte ao cemitério São João Batista, onde ainda funciona. No entanto, a indigência de clínicos sempre foi uma constante na cidade; para sanar esta carência, em 1950, foi elaborado um plano para a criação de uma escola de medicina.

Detalhe do frontispício do prédio à rua Duque de Caxias

Os entusiasmados projetistas efetuaram uma sessão solene para expor o projeto, aqui compartilhado de periódico da época. E, para abrigar a escola, sugeriram ocupar o prédio (ainda hoje) existente na rua Duque de Caxias, onde funcionou por décadas o IPASEA, dos servidores do Estado, agora ocupado pela Amazonprev, que o destinou ao museu previdenciário estadual.  

Recorte da matéria constante de O Jornal, 14 maio 1950

...)  A concretização da realidade de uma Faculdade de Medicina do Amazonas, se bem que tarefa árdua e audaciosa de médicos idealistas, à frente dos quais se impôs pelo entusiasmo, pela determinação e pelo intenso trabalho, a fibra realizadora e dinâmica do Dr. Miguel Martins,

ilustre medico e sanitarista, só pode ser atingida porque contou com a dedicada colaboração de colegas como Flávio de Castro, Álvaro Madureira de Pinho, Alberto Carreira, Valdir Medeiros, Carlos Simões Neto, Jorge Fernandes, Antonio Luiz Monteiro, Franco de Sá, Donizeti Gondim, Osmar Matos e Heraldo Corrêa e o entusiasmo dos demais médicos que constituirão a douta Congregação da Faculdade de Medicina do Amazonas. 

A solenidade é por demais expressiva na vida e no futuro do Amazonas, deixando, portanto, no dia de hoje fincados os alicerces eternos de um Templo de Ciência Médica, donde hão de sair os futuros médicos para a conquista da recuperação do homem planiciário e destarte os bandeirantes da valorização econômica do Grande Vale.

Todos nós, que trazemos o Amazonas no coração, porque o amamos ou porque o admiramos, porque aqui nascemos ou porque aqui nasceram os nossos filhos, devemos estar presentes a essa memorável solenidade. Temos nós o direito de nos orgulharmos desse acontecimento não só porque é digno da nossa geração como também por ser do Amazonas e por isso bem nosso, e por isso bem do Brasil. Portanto que todos os amazonenses e brasileiros que aqui trabalham e colaboram para o engrandecimento da terra cabocla, não deixem de estar presentes a essa solenidade, na qual teremos a grata satisfação de assistir a vitória de um ideal e da boa vontade dos homens de “boa vontade” e de corações generosos que ainda pulsam pela grandeza do Amazonas. 

O ato da fundação da Faculdade de Medicina será irradiado para todo o Brasil, por intermédio da Radio Baré, fazendo uso da palavra como orador oficial da solenidade, o ilustre medico Dr. Olavo das Neves e como presidente do Instituto Amazonense de Estudos e Pesquisas Médicas e da “Campanha da Boa Vontade”, o Dr. Miguel Martins, um dos valores mais expressivos da nova geração de médicos patrícios.

sábado, janeiro 18, 2020

DR. ZERBINI VISITA A UA



São passados 50 anos em que o Reitor da Universidade do Amazonas – Dr. Jauary Marinho – convidou ao Dr. Euryclides de Jesus Zerbini para abrilhantar o primeiro quinquênio de existência desta Escola de ensino superior. Dr. Zerbini notabilizara-se ao executar o primeiro transplante cardíaco no Brasil. Desse modo, recebido com toda cortesia, esteve presente às várias solenidades que marcaram a data e a expansão da Universidade.

A foto do Jornal do Commercio (18 jan. 1970) mostra o convidado descerrando a fita de inauguração, e pode-se destacar o governador do Estado, Dr. Danilo Areosa e sua esposa, além do prefeito de Manaus, Dr. Paulo Nery, e ao fundo o arcebispo de Manaus, dom João de Souza Lima, e o próprio dirigente da UA.


O prof. Euryclides de Jesus Zerbini, que veio a Manaus especialmente convidado pelo Reitor Jauary Marinho, inaugurou ontem o Ambulatório “Araújo Lima”, desatando a fita estendida à entrada do prédio. À noite, no Instituto de Anatomia e Histologia “Alfredo da Mata” o famoso cirurgião brasileiro, inaugurando o auditório que recebeu o seu nome, pronunciou a conferência sobre o “Tratamento cirúrgico da interferência coronária”.
Página do Jornal do Commercio, 18 jan. 1970


quinta-feira, janeiro 09, 2020

UNIVERSIDADE DO AMAZONAS: 1970

Página do Jornal do Commercio (1º jan. 1970)

Para colaborar com alguma pesquisa sobre a evolução da Universidade Federal do Amazonas, apesar de conhecer algumas publicações acerca desta, vou reproduzir parte de publicação jornalística, relativo ao primeiro quinquênio de seu funcionamento.
Assisti de perto essa evolução, de um lado, como universitário ingresso em 1969, e de outro, como oficial da Polícia Militar do Estado, em cujo casarão da Praça da Polícia acolheu inúmeros “excedentes”. Um deles, o acadêmico de medicina Negri ingressou nas fileiras da Força.
Ainda não se cogitava dilatar tanto a idade de nossa universidade. Ela havia sido implantada em 1962 e, somente com a presença do professor Arthur Reis na direção do Poder Executivo, em 1964, ela tomou o impulso benfazejo. O Reitor da UA (Universidade do Amazonas) – Jauary de Souza Marinho deu-lhe o impulso que o matutino Jornal do Commercio, abrindo o ano de 1970, assim relatou aos seus leitores:

UNIVERSIDADE SEM EXCEDENTES
Tendo atingido nos últimos anos um nível de crescimento sem precedentes na história universitária brasileira, a Universidade do Amazonas [UA] chegará ao quinto aniversário de sua instalação, amanhã, como uma das instalações mais prestigiosas de todo o país.
A UA cresceu em toda as dimensões. Numericamente, seus alunos, que eram 633 em junho de 1965, quando se iniciou o reitorado do Prof. Dr. Jauary Marinho, subiram para 3.021; suas faculdades, que eram três, passaram para sete; e seus cursos, que eram sete, cresceram para 20.
E enquanto assim se expandia, ganhava, também, quatro Centros de Estudo, um Instituto (de Anatomia e Histologia), um laboratório eletrônico de línguas, um ambulatório clínico, o Biotério, um serviço de Medicina Mental, uma clínica odontológica e um Conservatório de Música, que funcionará este ano com um Curso Livre de Música.

FACULDADES
Eram três, somente, as que funcionavam em 1965:
— Faculdade de Direito,
— Faculdade de Filosofia e a
— Faculdade de Ciências Econômicas.

Assumindo a Reitoria, o Prof. Jauary Marinho pôs em funcionamento a
— Faculdade de Medicina, 
— Faculdade de Engenharia e a
— Faculdade de Farmácia e Odontologia, tendo a Universidade, mais tarde, recebido por doação do Prof. André Araújo, e incorporado a
— Escola de Serviço Social e o
— Conservatório de Música Joaquim Franco.

CURSOS
Nas três escolas que funcionavam em 1965, havia os seguintes cursos: Faculdade de Direito (Curso de Graduação em Direito); Faculdade de Filosofia (Cursos de Filosofia, Pedagogia, Matemática, Química e Letras); e Faculdade de Ciências Econômicas (Curso de Ciências Econômicas).
Presentemente, funcionam os seguintes:
— Faculdade de Direito: Cursos de Graduação em Direito e de Estágio Profissional.
— Faculdade de Filosofia: Cursos de Filosofia, Pedagogia, Matemática, Química, Letras, Biblioteconomia, Ciências, Jornalismo e Educação Física;
— Faculdade de Ciências Econômicas: Curso de Ciências Econômicas, Ciências Contábeis e Administração;
— Faculdade de Medicina: Curso de Medicina
— Faculdade de Engenharia: Curso de Engenharia Civil (opções: Estruturação e Transportes);
— Faculdade de Farmácia e Odontologia: Cursos de Odontologia e Biofarmácia;
— Escola de Serviço Social: Cursos de Assistente Social e Estágio Profissional.
CENTROS
Os Centros de Estudos da Universidade do Amazonas, criados a partir de 1965, são os seguintes: Centro de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (CEPESE), Centro de Estudos Portugueses (CEP), Centro de Estudos Americanos (CEA) e Centro de Estudos Franceses (CEF). Por outro lado, já prestando excelentes serviços, para a melhor formação dos futuros médicos amazonenses, a UA criou também o Instituto de Anatomia e Histologia "Alfredo da Mata", para o qual construiu dois prédios dotados de todos os requisitos. Igualmente, foi criado o Ambulatório "Araújo Lima", que também ganhou prédio próprio, especialmente construído pela Universidade.
Outras realizações da UA, nos últimos cinco anos, são o Serviço de Medicina Mental, que funciona em espaçoso prédio no Boulevard Amazonas e o Biotério, com casa para o administrador.
Finalmente, foi instalada uma Clínica Odontológica (na qual os estudantes de Odontologia fazem estágio), bem como adquirido um laboratório eletrônico de línguas, com 36 cabines (instalado na Faculdade de Filosofia, serve ao Curso de Letras e a cursos intensivos para universitários e outros estudantes).

Os prédios das Faculdades de então. (Foto Jornal do Commercio, 1º jan. 1970)

EXCEDENTES
Nos dias correntes, nada menos de 433 estudantes, oriundos de outros Estados brasileiros (onde não conseguiram vagas para fazer o seu curso superior), frequentam as diversas escolas da Universidade do Amazonas.
A propósito, foi na UA por iniciativa do Magnifico Reitor Jauary Marinho, que começou a solução do problema dos chamados "excedentes". Não satisfeito em assegurar vagas a quantos vestibulandos amazonenses fossem aprovados. ("Na Universidade do Amazonas ninguém fica sem estudar por falta de vaga") o Prof. Jauary Marinho celebrou diversos convênios com o MEC no sentido abrir cursos especiais para os excedentes que passaram a vir de vários Estados para o Amazonas.

ADMINISTRAÇÃO
A UA é administrada pela Fundação Universidade do Amazonas, criada pela Lei n° 4.069-A, de 12 de julho de 1962. Dirige a FUA um Conselho presidido pelo Magnífico Reitor Jauary Marinho e do qual são membros: o médico Walter Dantas Góes, o desembargador João Pereira Machado, o Dr. Mateus da Silva, o Prof. Garcitylzo do Lago Silva, o industrial Júlio César Garcia de Sousa e o comerciante Jacques Alves.

terça-feira, janeiro 07, 2020

PMAM HOMENAGEIA A IMPRENSA - 1970



Num encontro dos mais cordiais, o comando da Polícia Militar do Amazonas ofereceu, ontem, um coquetel à imprensa, ocasião em que o coronel José Maury fez um balanço das atividades da corporação no ano de 1969, ressaltando a colaboração dos jornais e de rádio e TV, mesmo nos momentos de crítica.
Disse o Comandante da PM que existe identidade entre o soldado e o repórter, ambos lutando por dar o melhor de si em prol de toda a comunidade, sem a observação de horários e, mesmo, às vezes com o sacrifício do próprio bem-estar.
No balanço das atividades, o coronel Maury fez questão de ressaltar o número de oficiais da Polícia Militar do Amazonas que conseguiram realizar cursos de aperfeiçoamento nas melhores escolas do país e nos Estados Unidos.
Apontou, também, no campo do aperfeiçoamento a determinação do comando de só admitir a incorporação como soldados de elementos qualificados e de excluir aqueles que não possuíam as condições necessárias para a garantia da ordem.
Para o coronel Maury as perspectivas que se abrem em 1970 são as mais promissoras e, para que continuem a se concretizar todas as aspirações de segurança em nosso Estado, pediu que a imprensa também continuasse em seu trabalho de auxílio aos militares.
Mostrou como no campo das comunicações, a Polícia Militar está se equipando, devendo por todo o decorrer de 1970 estar ligando com as unidades do Interior, permitindo assim um melhor controle.
Ao coquetel estiveram presentes representantes de todos os jornais e emissoras de rádio e TV, bem como a oficialidade da Polícia Militar.

Ocasião do discurso do comandante, ao lado do coronel Neper Alencar (à dir.),
e com o microfone, o jornalista Paulo José, da então TV Educativa, e
que por longa jornada foi o locutor oficial da PMAM. Jornal do Commercio

Dando início ao que pretende se transforme em tradição, a Polícia Militar do Estado ofereceu, ontem, um coquetel à imprensa, rádio e televisão amazonenses, tendo o comandante Maury Silva saudado a todos os presentes com um discurso em que fez diversos anúncios importantes. Entre outras notícias informou o titular da PME sobre a criação de mais um batalhão na corporação e asseverou que ainda este ano será inaugurado o novo quartel, em Petrópolis.
Revelou, também, que é a PM amazonense a que possuí, em todo o Brasil, o maior número de oficiais com especialização, havendo, ainda, dezessete deles que são universitários, frequentando as diversas escolas da UA.
Demorando-se na informação acerca do novo batalhão, informou que este se destina ao interior do Estado. E com sua criação, passa a PM a ter um comando -geral e mais os comandantes do antigo e do novo batalhões, bem como o Estado-Maior.
Foi criado o Serviço de Informações, que já funciona regularmente - disse, por fim, o comandante Maury Silva, que fez para os seus homenageados um verdadeiro relatório.

Anotações do meu memorial:
São duas notas jornalísticas – A Crítica e Jornal do Commercio (6 janeiro 1970) – sobre o mesmo assunto: a festa que a então PME (Polícia Militar do Estado) realizou no dia anterior para a Imprensa em geral. A iniciativa partiu do coronel José Maury de Araújo e Silva (1968-71), nascido nas Minas Gerais, oficial do Exército, comandante da corporação.
Era eu, na ocasião, capitão da Força Estadual, e devo ter participado da confraternização. Se “gazeteei” ao convite, passados 50 anos de sua realização e, depois de reler os recortes, alguns flashbacks me afluem. Como a intenção do chefe militar de torná-la uma tradição, que não prosperou.
O serviço foi servido no Salão de Honra, ou seja, no amplo salão onde a corporação policial militar guardava seus troféus, bandeira de guerra e veneras. Cujo material serviu para que, em 1985, fosse inaugurado o Museu Tiradentes, que ainda conserva em nossos dias.
Coronel Maury anunciou a inauguração do quartel de Petrópolis para o ano entrante. E acolá se encontra o edifício que o arquiteto Severiano Porto criou para a abrigar a PM amazonense. Aquartelamento destinado a acolher todo o pessoal da Força, então composta de cerca de 800 homens (a força feminina seria incorporada 10 anos depois).
No entanto, o comandante substituto coronel Paulo Figueiredo (1971-73), violando a determinação superior, “deportou” para aquele arrabalde o 1º BPM (Batalhão de Polícia Militar), o Batalhão Amazonas. Deste modo, pode-se afiançar que a PMAM colaborou grandemente para a evolução do bairro de Petrópolis.
Outro assunto elencado pelo comandante Maury foi a reformulação administrativa do corpo policial. Em atenção às resoluções da IGPM (Inspetoria-Geral das Polícias Militares), foi instalado o Estado-Maior, com as diversas seções subordinadas ao chefe do EM, na ocasião o coronel PM Neper Alencar (convém notar que foi o primeiro coronel da ativa, promovido em setembro de 1969). O serviço de inteligência, conhecido por PM2, mencionado na fala era ocupado pelo major Hélcio Motta,
Afinal, o capítulo sobre a formação profissional dos oficiais. A evolução principiou com os cursos militares que a IGPM reservava aos policiais. Falo por mim: incorporado à PM em junho de 1966, seis meses depois estava no Rio de Janeiro para um curso. E voltei ao Rio, em 1979, para novo curso. Esse movimento atingiu tanto os colegas locais quanto de outros Estados, para cursos no país e no exterior. E foram em profusão.
E sobre a formação intelectual; de fato, foi um momento salutar da corporação, pois, próximo à unanimidade dos oficiais (e alguns sargentos) frequentavam diversos cursos da UA (Universidade do Amazonas), em número mais destacado, o da Faculdade de Direito (a “Jaqueira” da Praça dos Remédios), onde eu havia ingressado em 1969. Disso, o comandante Maury se jactava, por entender que os policiais na Universidade do Amazonas serviriam de porta-voz do Governo Militar.