CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

26 de outubro de 2011

Dez anos de Tenório Telles na Academia


Tenório Telles na Saraiva
E assim se passaram dez anos...  desde quando o festejado professor Tenório Telles tomou posse na Cadeira 16, cujo patrono é João Leda, da Academia Amazonense de Letras. A solenidade de investidura acadêmica ocorreu a 26 de outubro de 2001, presidida pelo poeta Max Carphentier e com a saudação de praxe foi laborada pelo saudoso economista Ruy Lins.

Começava assim uma renovação naquele sodalício. A idade do novel acadêmico sinalizava para tal objetivo, Tenório Telles, nascido nos barrancos do paraná de São Tomé, no município de Anori (AM), possuía então 38 anos. Estava licenciado em Letras, com habilitação em língua portuguesa e literatura brasileira e portuguesa, e graduado em Direito, ambos na Universidade Federal do Amazonas.
Empenhado na produção da Editora Valer, tornou-se um editor de competência, tendo revolucionado o mercado livreiro do Amazonas. Na busca de novos leitores, teve a envergadura de promover o Flifloresta (festival de livros em Manaus contando com a presença de escritores nacionais e estrangeiros), em 2009. Reprodução deste empreendimento alcançou alguns municípios amazonenses, como o Careiro da Várzea, Maués e Parintins.

Tenório Telles na Valer
Tenório Telles tornou-se então demais conhecido, que se torna enfadonho repetir aqui suas conquistas. Hoje pela manhã o visitei, para lembrar-lhe da efeméride. Ficou surpreso, de fato, pela “longa” data. Mesmo chegado de São Paulo pela madrugada e com inúmeros afazeres sobre a mesa, respondeu-me com o texto abaixo ao prazer em ser “imortal”. Vida longa!

Encarei a Academia, desde os primeiros momentos, como uma responsabilidade. Ao longo desses 10 anos procurei respeitar o espírito acadêmico, o conhecimento como fundamento da existência das academias e, especialmente, a fidelidade à liberdade de pensamento e a independência intelectual.
Entendo que os intelectuais têm uma função transformadora na sociedade. Até porque o conhecimento é como um farol: ilumina e permite às pessoas olhar a realidade de forma diferente. Como diz o texto bíblico, a verdade liberta. E é claro, quem pensa, reflete... não tem só um outro olhar, tende a ter uma postura pautada em princípios morais efetivos. Não estou falando de moralidade.

Assim foi a minha estada na Academia: procurei contribuir com a continuidade de sua tradição, com os debates, com os eventos, sobretudo com sua atividade editorial. Ajudei na publicação de dezenas de livros, na produção da Revista e demais veículos de informação da entidade. Além da contribuição intelectual, sempre me empenhei em preservar a instituição, resguardando suas normas e sua significação cultural e social. É claro que isso tem um preço, principalmente porque tem gente que encara a Academia de outra forma.
Acredito na Academia e acho que deve estar acima das demandas individuais e de grupos. Penso que deve ser um espaço de debate e de trocas de experiências, ajudando no aprimoramento espiritual da sociedade. Como toda instituição humana, comete equívocos e tem os seus pecados. É inegável, entretanto, a sua importância histórica para o Amazonas, tendo firmado sua história a partir da contribuição de intelectuais importantes de nossa terra, como Péricles Moraes, Benjamin Lima, Djalma Batista, Arthur Reis, Mário Ypiranga Monteiro, Alencar e Silva, entre outros.

O tempo passa tão depressa... Já se passaram 10 anos. Bem, nessa década de presença na Academia, penso que ajudei a manter viva a tradição do pensamento e do debate livre, sobretudo no processo de diálogo com a sociedade por meio dos debates e palestras que proferi no seu salão azul.