CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de outubro de 2011

As pontes de Manaus 1/4

Aproveito o ensejo da inauguração da mais nova ponte, para relembrar as principais pontes construídas em Manaus. Na segunda-feira, 24, aniversário da cidade, a presidenta Dilma Rousselff veio prestigiar a solenidade, montada a beira do rio Negro, que dá nome a ponte.
Também convidado, caro Rogel Samuel, compareceu o antecessor da presidenta da República que, a cada dia, me parece mais ridículo. Tanto que, nesta festa, esteve macaquiado de índio. Talvez quisesse acentuar que todos aqui pertencem a mesma tribo.

Ponte Rio Negro, em Manaus. Foto: Chico Batata
A ponte inaugurada, ligando as duas margens do rio Negro, está entre as maiores do país. Mas, o que a imprensa alardeou foi o valor final da obra: a ponte de um bilhão de reais. Quase o dobro do previsto. Especula-se que mudanças elevaram-lhe o custo, e, para explicar, tomo a liberdade de invocar uma das tantas lendas amazônicas. Tal qual o desempenho do boto (cetáceo fluvial) com as mulheres, na ponte atuou a “cobra grande”, capaz de engolir transatlântico.

Dois parágrafos sobre a topografia da capital baré para esclarecer o número de pontes. Plantada à margem esquerda do rio Negro, Manaus possui o privilégio de assistir ao fenômeno do Encontro das Águas, na confluência dos rios Negro e o Solimões. Em nossos dias, já incluído no seu perímetro urbano.
A cidade segue limitada pelas águas, os grandes rios nos termos regionais, e os igarapés, que dividiam e isolavam bairros. Dos mais antigos, Educandos e São Raimundo levaram décadas para ter ligação terrestre com o Centro. Até então, servia de transporte a catraia, como bem descreve Áureo Nonato, em livro de memórias. As informações a seguir foram alicerçadas em obra de Mário Ypiranga Monteiro (1909-2004).

Ponte de madeira dos Remédios, próxima do Palácio dos
Presidentes (1858-59)
É conhecida por Ponte da Vila a primeira ponte que se tem notícia. Em data aproximada de 1825, foi construída em madeira, claro, e lançada sobre o igarapé da Ribeira, hoje aterrado. Ligava o “bairro” de São Vicente (início da atual av. Sete) com o do Espírito Santo (atual av. Eduardo Ribeiro). A Ribeira começava próximo onde hoje se encontra a centenária Loja 22 Paulista, e rolava em direção à baia do rio Negro.
Sem data conhecida, mas antes que se instalasse em sua margem direita o Seminário São José (1848), hoje marcado pela agência do Banco do Brasil, ocasião em que a Ribeira tomou a alcunha de igarapé do Seminário.

Já na Província, em 1881, foi instalada sobre o igarapé dos Remédios, que desaguava no rio no trecho onde foi construído o antigo Hotel Amazonas (agora, Condomínio Ajuricaba) a ponte de ferro comprada a Inglaterra. Serviu para ligar o centro com aquele bairro. Este curso também foi aterrado e, dessa maneira, a ponte existiu até 1899, quando foi desmontada e... sumiu.
Nesse período, três pontes ultrapassavam o igarapé do Espírito Santo (agora av. Eduardo Ribeiro), a de maior destaque encontrava-se no entroncamento com a hoje av. Sete de Setembro, próxima a Matriz. Era conhecida pelo nome deste curso de água ou do imperador Dom Pedro II. Há um registro desta edificação em “bueiro” localizado pelo acadêmico Antonio Loureiro, e de cuja inspeção participei.

Ponte sobre o igarapé do Espírito Santo, com a Matriz
em construção
Com a República, e com a prosperidade do Amazonas, foram construídas na última década do século XIX, quatro pontes. Listamos na próxima postagem, pela ordem de inauguraçã. (segue)