CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, julho 28, 2026

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO (2)

 Para o melhor entendimento, esclareço que o jornalista Ulisses Azevedo escreveu este texto em 1979, recordando seu tempo de jovem “de 30 anos atrás”. Desse modo, relembrou a situação na virada dos anos 1940. Azevedo tomou a avenida Eduardo Ribeiro como amostra, dissecando as diversas atividades e personalidades que por ali passaram. Lembro-me dela dos anos 1960, quando já dispunha somente parte do registrado pelo autor, cujo artigo foi publicado em A Crítica. Aqui vai a parte final.

 Passemos agora para o lado direito da Avenida. Em [19]49, salvo erro, o Morgado não estava mais com o Ponto Chic, ali na esquina já se situava a loja Credilar, que não era da Moto Importadora e sim do Charles Hamut, o mesmo Charles que fundou a Rádio Rio Mar; vinha o escritório da firma Freitas & Cia., a Casa Martins, a casa de modas de Madame Verdade, a Ourivesaria Biase, com o Zé discutindo futebol e o Zuílo lá nos fundos, na bancada. Minha amiga Thereza Biaze não trabalhava na Ourivesaria e sim na firma Oliveira Negreiros (aproveito a oportunidade para uma homenagem ao saudoso amigo Pedro Manuel de Oliveira Negreiros, o velho Manezinho). Depois do Biase, onde é a “Exposição”, ficava um bar-restaurante cujo nome não lembro. E o Salão da Messody Henriques, o primeiro salão de beleza de nossa cidade. Depois não me lembro o que era, a memória falha, para se deter na “Maranhense”, da Verónica e da Olivia, minha colega de turma do Ginásio Amazonense, turma de [19]42, e que não se chama Olívia, e sim Maria do Perpétuo Socorro. Depois da “Maranhense” os “Reservados São Paulo”, do Didier Monteiro e, na esquina, a padaria do Osvaldo Loyo.

 Agora o outro quarteirão, Saldanha Marinho/24 de Maio. Do lado esquerdo, não sei se em [19]49 ainda estava a Mercearia Central ou a Alfaiataria Avenida, do Antonio Sá Freitas, “Esquina da Elegância” (não estou fazendo pesquisa, apenas forçando a memória). O escritório do Homero Sá; onde é um banco, nos altos eram duas moradias, do Edgard Gama e Silva e do Dr. Álvaro Bandeira de Melo, no térreo a Nestlé, o Depósito Público, seguia-se o IAPI, a funilaria do Celani, a Singer (nos altos a Rádio Baré), o Saci Bazar, Confeitaria Avenida, Padaria Avenida e a marmoraria do Veronesse (costumava ir tomar uns tragos com a turma de lá, mas de nome, só me lembro do Bibi e do Pereira, que também era guarda de trânsito).

O muro ia até a esquina, tinha uma casa dentro e uma garagem. Do lado direito, o Cine Odeon, o velho prédio com o maior salão de espera que um cinema possa ter, cheio de colunas e de espelhos, com cadeiras de palinha; ao lado a “Casa de Chopp”, depois “boate Odeon”, hoje tudo incorporado ao Shopping Center; e o edifício do Foto Artístico. onde no térreo A Crítica foi fundada; ao lado o escritório do dr. Adriano Queiros, o prédio de “O Jornal” e “Diário da Tarde”; o “Jornal do Comércio”; depois um muro do terreno dos Agostinianos, atualmente o edifício “Cidade de Manaus”.

Avenida Eduardo Ribeiro de nosso tempo

Quarteirão da 24 de Maio/José Clemente. Do lado esquerdo a residência do Coqueiro Mendes, presidente da Câmara Municipal, hoje o edifício “Palácio do Comércio”; depois, terreno baldio, murado, até a esquina. Do lado direito, o velho prédio da Associação Amazonense de Imprensa, e lembro o mestre Aristophano Antony, um verdadeiro líder da classe, sempre ao lado de seus companheiros de jornal; vinha o prédio da Associação Amazonense de Professores e na esquina o Tribunal Regional Eleitoral, edifício construído na época da Ditadura para o Departamento das Municipalidades, já demolido.

Quarteira da José Clemente/ 10 de Julho. Do lado esquerdo, o Palácio da Justiça; lembrar fatos históricos é impossível neste registro; o mesmo acontecendo com o lado direito, fundos do Teatro Amazonas. Nada mudou nesse quarteirão, apenas os dois majestosos edifícios foram recuperados.

Quarteirão 10 de Julho: Monsenhor Coutinho. Lado esquerdo, na esquina, a residência do “seu” Cruz, pai do Raimundo, do Zé Arthur, do Miguel, do João Cruz, todos meus contemporâneos do Ginásio. Terreno baldio, murado, e o Ideal Clube, o mesmo prédio atual, na época presidido pelo saudoso Dr. Gama e Silva, que prestigiava a turma da radiofonia local. Do lado direito, onde foi o Siroco e hoje é moderno edifício, um terreno baldio, murado. Seguiam-se residências de gente importante, lembro apenas do Dr. Aristides Rocha e da família Roessing. Na esquina, o palacete da família Miranda Corrêa, uma coisa linda em estilo colonial, lembrando a época faustosa da borracha quando em Manaus se fabricavam cervejas gostosas (XPTO e Amazonense, em junho e no Natal a Yankee, cerveja escura). Demoliram o belíssimo palacete e, em seu lugar, está aquele espigão horroroso.

E ai terminava a Avenida, dando para a Praça Antonio Bittencourt, que o povo passou a chamar de Praça do Congresso, por ter sido ali o I Congresso Eucarístico de Manaus. Olhando para a Avenida, o Instituto de Educação do Amazonas, a despertar saudades e gratas recordações a dezenas de gerações. Dona Eunice Serrano Teles de Souza, dona Lila Borges de Sá, nomes que ficaram, entre outros distintos educadores, a merecer a lembrança imorredoura da juventude que ali estudou e aprendeu. No Instituto de Educação funcionou a Assembleia, que depois passou para o prédio da Biblioteca, retornou ao IEA, até conseguir local próprio no Palácio Rio Branco.

Desculpem o exagero das repetições. Onde, atual, ali, era, era. Foi apenas um roteiro de saudades, que pode ser percorrido por quem conheceu a Avenida de 30 Anos atrás. Num passeio de saudades e muitas recordações.

sábado, fevereiro 22, 2025

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

 Duas amostras desta avenida, artéria que já foi a principal de Manaus, servindo de palco para os principais eventos, como Carnaval e 7 de Setembro. O cartão postal da década de 1990 capta a avenida do alto da Catedral, portanto próxima de seu início. Algumas das principais edificações estão situadas nas laterais, outras já desaparecidas, como a Lobras, em primeiro plano.

Avenida em foto da torre da Catedral

Na viatura segue a Guarda Bandeira,
sob o comando do tenente Tertuliano,
com os bombeiros sem qualquer segurança

A foto adiante é do desfile de 7 de Setembro de 1970, realizado na avenida Eduardo Ribeiro, contemplando um veículo (picape) do Corpo de Bombeiros Municipais, organização então pertencente à Prefeitura de Manaus. Passava por um remodelação, sob o comando do major Nicanor Gomes da Silva, recém diplomado no Corpo de Bombeiros da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. No entanto, os governos estadual e municipal já dialogavam buscando implantar um novo organismo, melhor estruturado no combate ao fogo e serviços afins. Dois anos depois, em dezembro de 1972, foi concretizada a transferência desses encargos para o Estado, sob o controle da Polícia Militar, cuja evolução administrativa permitiu o estabelecimento do atual Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

quarta-feira, fevereiro 14, 2024

MANAUS: CARNAVAL 1973

  Encerrando as publicações sobre o Carnaval, nesta quarta-feira de Cinzas, a postagem presente, indicando os preparativos para a jornada de Momo em 1973, tem bastante a contar. Muito pouco do carnaval popular, que ocorria na avenida Eduardo Ribeiro, porém, com excesso da Manaus de passados +60 anos. A foto foi colhida no cruzamento desta via de mão dupla com a rua Saldanha Marinho, diante do demolido Cine Odeon. Estacionado diante do cine uma camionete importada (mignon) – Subaru. O semáforo no local ainda era amparado por fiação metálica. Ao fundo, o edifício Lobrás, inda de pé. A direita, o prédio ocupado pelo Banco Mineiro do Oeste, ora Bradesco. Enfim, sem esgotar as reminiscências, o Fusca de praça e o Jeep, usado para transporte.



A ilustração foi compilada do Jornal do Commercio (27 fevereiro 1973)

segunda-feira, abril 03, 2023

MANAUS: SUA FEIRA DOMINICAL

 A Feira da Eduardo Ribeiro realizada aos domingos inspirou-me a postagem.

Nos quadros, a representação do artesanato
comercializado




quarta-feira, fevereiro 05, 2020

MARRETEIROS OU CAMELÔS EM MANAUS


No início da década de 1970, o comércio de Manaus evoluía com desenvoltura em função da implantação da Zona Franca. As ruas centrais ocupavam salas e portas comerciais, vendendo e distribuindo as quinquilharias do mundo. De água mineral a papel higiênico, passando por eletrodomésticos e alimentos, tudo isso e muito mais atraiam os turistas nacionais, visto que exclusivamente Manaus podia importar esses artigos.
Ao lado dessa expansão, cresceram os vendedores ambulantes, então alcunhados de “marreteiros”. Os camelôs de nossos dias. E foram tomando conta das calçadas, em especial, as do cruzamento central das avenidas Sete com Eduardo Ribeiro.

As reclamações contra os ambulantes alcançaram os jornais, tendo o matutino O Jornal (10 de janeiro de 1970), que publicou a foto com a legenda aqui compartilhadas.
Esquina da av. Sete com Eduardo Ribeiro, vendo-se a loja Lobras
(O Jornal, 10 janeiro 1970)

Problema difícil de resolver
NINGUÉM pode passar, com as calçadas tomadas pelos chamados "marreteiros", que vendem de tudo, da guloseima ao artigo estrangeiro. Onde eles conseguem a mercadoria, não se sabe. Se pagam impostos à Prefeitura, deve ser na categoria de ambulantes. Mas o próprio Prefeito diz nada poder fazer. E quem dará um jeito? O Governo do Estado? Talvez! Enquanto se espera uma solução, que já aparecerá bem tarde, os comerciantes legalmente estabelecidos sofrem prejuízos com a concorrência, e já estão dispostos até a colocarem, também, suas mercadorias na calçada, para igualar na competição. E vai ser engraçado, na Zona Franca de Manaus, firmas anunciando que na calçada estão expostos os mais recentes artigos estrangeiros. 


Um mês depois, o mesmo periódico (8 fevereiro) retorna ao assunto, registrando a nova situação das calçadas.

Mesmo local, mostrando a ausência de "marreteiros" (O Jornal, 8 fev. 1970) 

ESTÁ LIMPO O CENTRO DA CIDADE
Agora está limpo o centro da cidade. Acabou, afinal, o império dos “marreteiros”. Manaus tem outro aspecto. Realmente de capital. De metrópole da Amazônia Ocidental. Este local, há três dias (lateral do edifício “Lobrás”, na Eduardo Ribeiro) era intransitável. Completamente ocupado pelos “camelôs”, era difícil transitar por ele. Hoje, a situação é a que nos mostra a foto. Agradável. Local desimpedido. Que seja mesmo para sempre!


segunda-feira, julho 02, 2018

EMPRESA ARCHER PINTO

O Jornal, 29 julho 1956

O texto compartilhado de O Jornal (29 julho 1956) demonstra o interesse que se apossou da Empresa Archer Pinto em prosperar. Proprietária dos bem sucedidos O Jornal e do Diário da Tarde, investiu na radiofonia, inaugurando a Rádio Rio Mar, hoje pertencente à Igreja Católica. Apesar do anunciado, a nova sede não foi construída. A oficina e a administração seguiram seu curso até o encerramento dos periódicos, no mesmo endereço.
No desenho, um detalhe curioso : a assinatura, fácil de se examinar, pertence ao saudoso artista Moacir Andrade, que então trabalhava como desenhista.

Recorte da capa do periódico


No interesse de oferecer instalações condignas para os Diários da empresa, que superiormente dirige — O JORNAL e o DIÁRIO DA TARDE —, e para os estúdios da ZYB-20, e da estação de ondas curtas da “Rio Mar”, da qual é um dos sócios, o jornalista Aguinaldo Archer Pinto, numa iniciativa arrojada, está fazendo construir na avenida Eduardo Ribeiro, “a sala de visitas de Manaus”, em frente ao prédio onde temos localizadas nossa redação e oficinas, — um edifício moderno, que contara com três andares.

ROTATIVA
Nesse edifício, será montada (andar térreo) a nova impressora rotativa, da afamada marca alemã — MAN — para atender às exigências da tiragem, dia a dia maior, de nossos Diários. Essa máquina, no gênero e na sua classe, a última palavra em matéria da eficiência e facilidade de comando, tem capacidade para imprimir 12 mil jornais numa hora, o que demonstra que a nossa empresa, dentro de pouco tempo (a montagem da rotativa será iniciada no próximo mês), estará perfeitamente em condições de atender aos reclamos de seus leitores do interior do Estado e Territórios Federais vizinhos, oferecendo-lhes edições ampliadas e, graficamente, melhor confeccionadas,

ESTAÇÃO DE ONDAS CURTAS
No segundo pavimento, serão instalados os estúdios e a administração da “Rio Mar”, cujo novo o transmissor de sete e meio quilowatts na antena (ondas de 31 metros, 9.695 quilociclos), já foi adquirido da conceituada e reputada marca Philips, por intermédio de seus agentes, nesta praça, Braga & Cia. Os novos transmissores da “mais ouvida” serão inaugurados no dia 15 de novembro deste ano, quando a “Rio Mar” completará dois anos de existência.   Obtendo a liderança do metiê, logo após os primeiros meses de seu funcionamento, pela boa qualidade de sua programação e pelas suas gigantescas e incomparáveis realizações, — a “Rio Mar” se viu forçada a alargar o seu raio de operações.
Já dispondo de aparelhagem de “Frequência Modulada”, para reportagens volantes; moderno estúdio de gravações de discos, inclusive "long-play", pela eficiente aparelhagem profissional REK•O•KUT; tudo isso, aliado aos seus bons programas musicais, humorísticos, completas resenhas esportivas, magníficos informativos sobre os acontecimentos do estrangeiro, do país e do Estado, — elevou a “Rio Mar” à posição de grandeza e prestígio em que hoje se encontra.
Esse fato maravilhoso, não pertence à direção da “Rio Mar”, à cuja frente se encontra Charles Hamú, ladeado por Aguinaldo e Aloysio Archer Pinto. Pertence, isto sim, ao povo do Amazonas, pois foi para servi-lo, que se buscou a nova estação de ondas curtas, pela qual todos poderão ouvir a programação selecionada, variada, surpreendente e altamente moderna da “Rio Mar”.Na sua nova sede, no edifício da avenida Eduardo Ribeiro, contará a “Rio Mar” com magníficos requisitos, mais exigentes da técnica moderna que foram projetados por organização especializada do Sul do país.Outra coisa, porém, é mais importante: operando em duas ondas — média e curta — a “Rio Mar” apresentará programações distintas, variadas, atendendo, assim, a todos os gostos e preferências. Serão, portanto, duas estações em funcionamento, oferecendo defesa permanente aos interesses do povo e, igualmente, linhas de programas diferentes e bem diversas.Cumprindo todo essa esforço, realizando todo esse corajoso empreendimento, os dirigentes da “Rio Mar” só desejam uma coisa: oferecer o melhor para um povo que, desde o aparecimento da emissora, lhe tem dado integral apoio, estimulando-os para novos embates, a favor da grandeza da radiofonia cabocla.

O NOVO EDIFÍCIO
O novo edifício de que falamos, e que receberá a nova impressora rotativa de nossos Diários e os novos estúdios da “Rio Mar”, está sendo construído, com toda a técnica, esmero e cuidado, pela conceituada empresa SOCIEDADE DE OBRAS LIMITADA, dirigida com proficiência e zelo pelo nosso amigo, Sr. Joaquim Cunha. O clichê que ilustra este registro, mostra-nos a fachada do referido prédio, pelo qual nossos leitores poderão aquilatar do quanto será enriquecido o patrimônio da cidade, com a sua próxima inauguração.

quarta-feira, setembro 07, 2016

SETE DE SETEMBRO

Quartel da Polícia Militar, em primeiro plano
A data da Independência do Brasil hoje festejada, exige desfile militar, que acontece em todos os quadrantes do país. Aqui em Manaus, na condição de capital estadual, reúnem-se as forças militares e estaduais para esta comemoração. A parada cívica-militar ocorreu hoje no Sambódromo, ou seja, retomou o local de desfile.
É sobre o local de desfile que escrevo hoje. Na condição de policial militar tive a oportunidade de desfilar ou de assistir ao desfile em três locais: avenida Eduardo Ribeiro, avenida Djalma Batista e Sambódromo.
Dois detalhes acerca desse desfile, conheci através de leitura e fotografias que o desfile ocorreu na praça da Saudade, no início do século passado; a outra, no entorno do Teatro Amazonas, marchando pela rua 10 de Julho, na década de 1960.
Em seguida, até 1980, o desfile ocorreu na avenida Eduardo Ribeiro, com a tropa concentrada na rua Ferreira Pena; o palanque das autoridades se deslocou pelas esquinas da avenida, ora junto ao Tribunal de Justiça, ora na rua 24 de Maio, e até na Saldanha Marinho.
O aumento da tropa a cada ano e a dimensão da avenida levaram as autoridades a mudar o desfile para a avenida Djalma Batista. Ao tempo em que o conjunto Eldorado estava inconcluso, um autêntico “esqueleto” de moradias. Nesse local de referência postavam-se as Unidades a desfilar. O palanque oficial era armado em frente a atual praça Domingos Russo.
A outra mudança levou o desfile para o Sambódromo, em 1991. O local de tantos desfiles e festejos, parecia ser o melhor e mais atraente e, quem sabe, aconchegante para os apreciadores do desfile. Parece que não. Ano passado, foi transferido para o complexo de lazer da Ponta Negra. Até quando? 

Banda de Música, em frente ao Comando Geral na Praça da Polícia

Polícia Feminina desfila na avenida Djalma Batista

Desfile na rua Dez de Julho, com a bandeira histórica da PMAM



PMAM desfila na avenida Eduardo Ribeiro

Tropa da Polícia Feminina desfila na avenida Djalma Batista

domingo, maio 17, 2015

MANAUS: ANOS 1960-70

Esta construção existiu nos jardins da Matriz. (Foto de O Jornal, 13 julho 1960)

Cruzamento das avenidas Eduardo Ribeiro com Sete de Setembro (foto de
Jornal do Commercio, 1º agosto 1970)

domingo, setembro 28, 2014

SETE COM EDUARDO RIBEIRO




A famosa esquina de Manaus -- avenidas Sete de Setembro com a Eduardo Ribeiro, pela ordem: 1) no início do século passado, 2) meio século depois, e 3) vinte anos mais, quando o comércio da Zona Franca começava a despertar a capital amazonense.

Início do século XX


Anos 1950
Agosto de 1970

domingo, janeiro 05, 2014

RELÓGIO MUNICIPAL



Relógio Municipal, na década 1940
Referência da Praça da Matriz, o Relógio Municipal foi instalado no local em 1927. Portanto, há mais de oito décadas marca os passos e disciplina a rotina dos manauenses. Já deve ter perdido sua função primordial, a de marcar as horas, diante de tantos recursos a nossa disposição. Mas, uma frase, como um dístico, ornamenta o relógio. Poucos se dão conta de sua mensagem, até porque escrita em latim.
Doutor Antônio Loureiro, um austero estudioso de nossa história, de nossos costumes, trouxe em seu último livro a exata tradução da frase e, mais que isso, o seu significado. Significação que certamente continua a nos importunar, a cada minuto... 

Vulnerant omnes ultima necat (*)
Antônio Loureiro
No velho relógio, que há mais de setenta anos marca as horas de Manaus, está gravada essa frase insólita, escrita no mais puro latim, a língua falada, em Roma, e que espalhou por toda a Europa, originando pela sua natural evolução, as chamadas línguas neolatinas, entre as quais está a nossa.
Relógio Municipal, 1975
É uma torre branca e rósea, a cor do arenito de Manaus, o mesmo das pedras que um dia calçaram algumas das principais ruas da nossa cidade. Entre elas, a prodigalidade da natureza equatorial, ajudada pela falta de trânsito de veículos, fazia criar mato e capim, literalmente raspados pelas equipes de reco-recos do meu avô, que também foi calceteiro, ambas as profissões desaparecidas.
 
O reco-reco era um instrumento simples formado por um cabo de madeira, onde se fixava um arco de metal, usado para raspar as frestas do calçamento, por onde o capim brotara e crescera, produzindo este atrito um som característico, origem do nome da ferramenta e da profissão.
A torre quadrada do relógio tem ao todo quatro portas, no andar térreo, geralmente ocupado por um relojoeiro, o responsável pelo funcionamento do relógio de duas faces, que a encima e sobre o qual estão os sinos e as campainhas das horas.
Este relógio seria como tantos outros se não tivesse a magistral frase em latim, que a maior parte das pessoas comuns de Manaus já não conhece o seu significado.
Ela lembra a todos a curta duração das nossas vidas, medidas pelo tique-taque dos antigos relógios mecânicos e hoje pelo pulsar silencioso de um cristal de quartzo. Lembra-nos que, mais dias, menos dias, enfrentaremos um momento crucial, para o qual nunca estaremos preparados, a nos perturbar pela sua inevitabilidade, compensada pelo fato de não conhecermos a sua data exata. Daí a humanidade lutar sempre pela Esperança de melhores dias, aqui ou depois da morte. Essa é a sina de seres angustiados à procura da imortalidade.
A frase gravada em volta do mostrador do relógio do começo da avenida Eduardo Ribeiro, na bela língua dos césares, é – Vulnerant omnes ultima necat, traduzida em bom português como: “Todas (horas) ferem, a última mata”, em uma alusão ao fato da vida escoar inexoravelmente com o tempo, com as horas e de nos aproximarmos da morte a cada minuto, a cada segundo.
(*) Extraído de O Toque do Shofar: a Parúsia, volume 3. Manaus: Imprensa Oficial, 2013.
Antônio José Souto Loureiro é amazonense, médico, membro da Academia Amazonense de Letras e presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, autor de vários livros sobre a história do Amazonas. E mais, eminente membro da Maçonaria amazonense.