CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de dezembro de 2010

Dia de Natal

Pe. Nonato Pinheiro,
A Crítica, 1958
Os textos dessa homenagem ao Dia de Natal pertencem ao saudoso padre Nonato Pinheiro, e foram extraídos a crônica de uma revista muito regional e o poema do matutino O Jornal.

A revista era a Manaus Magazine, que guarda algumas peculiaridades, extinguiu-se com a morte de sua produtora, jornalista Denise Cabral. A MM era, aos olhos da produção modernizada, um trabalho artesanal. Denise escrevia a mão os trabalhos jornalísticos. Sua ajudante transcrevia para a máquina e daí a impressão.
De publicação mensal, a revista recolhia contribuição de artistas e intelectuais. Comentava as festas e os acontecimentos da cidade, mais a sociedade com disposição financeira, produzindo um periódico muito conhecido de publicações com a mesma linha. Essas, hoje, em distribuição nacional, são tantas e inumeráveis. A coleção da revista Manaus Magazine foi adquirida pela Secretaria Estadual de Cultura.

Padre Nonato Pinheiro (1922 -1994), intelectual de destacado saber e escritor em tempo integral, membro da Academia de Letras do Amazonas, foi um dos colaboradores. Ao menos nos primeiros números, convidado a escrever a crônica sobre o Natal. A que transcrevo, foi publicada na edição de dezembro de 1958. Quanto ao poema, este circulou em dezembro de 1963.

A mensagem do Natal

O Natal traz à humanidade, todos os anos, uma mensagem venturosa de luz, de amor e de paz. Estrela dos Magos, que há quase dois mil anos refulgiu sobre o humilde presépio do Salvador, em borbotões de intensa claridade, parece que uma vez por ano, na quadra natalina retornar à terra com o mesmo faiscante esplendor, para repetir aos homens, na eloquência do seu clarão, que só Jesus é o Salvador, que só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, que só Ele é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo, na frase cintilante do evangelista São João.
Sem o fulgor daquele célebre astro, os Magos não teriam encontrado o caminho de Belém. Também a humanidade, mormente nesta encruzilhada tremenda de caminhos do século XX, em que já se sondam novos caminhos para as viagens interplanetárias, e em que a energia nuclear é uma ameaça constante, geradora de pesadelos sinistros, necessita de brilho de um astro, para não perder o roteiro dos seus excelsos destinos.

O Natal, com a sua sublime poesia e a sua divina claridade, como se fosse a radiação de uma Estrela Magnífica, desperta os homens do letargo da sua indiferença, e do crime das suas negações e apostasias, recapitulando-lhes as verdades eternas que transbordam do Evangelho, o mais alto código de santidade que já se escreveu sobre a terra, cujas palavras brotaram da fonte inestancável daqueles lábios divinos, que um dia se descerraram para a proclamação desta verdade inatingível: “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não anda nas trevas”.
Manaus Magazine, dez. 1958


NATAL de 1958! Neste Natal já iremos sentir uma grande ausência: a ausência de Pio XII, que todos os anos nos trazia uma mensagem radiosa, que arrebatava os corações para o alto. Em dezenove anos já nos acostumáramos aos acordes e aos acentos daquela palavra augusta, toda feita de beleza e claridade, que nos fazia sentir a quase apalpar o mistério profundo do Natal de Jesus.
Neste ano, outra figura, vestida de branco, habita a colina do Vaticano: o Papa João XXIII, o qual também nos transmitirá sua palavra de salvação e de vida, de luz e de sabedoria, insistindo na mesma necessidade da justiça como condição para usufruirmos os benéficos supremos da Paz, que os anjos anunciam na noite fulgurante e santa do nascimento de Jesus: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens de boa vontade”! (...)

“Lux fulgebit hodie super nos! Uma luz brilhará hoje sobre nós – reza a Igreja no intróito da segunda missa de Natal, celebrada ao romper da aurora. Todo o Natal se impregna do clarão dessa luz divina, que nos ilumina e nos arranca das trevas das iniquidades terrenas, elevando os nossos corações para as alturas da vida crista e sobrenatural, lembrando-nos que há uma vida celeste onde a felicidade não se acaba, e onde ouviremos as vozes harmoniosas daqueles mesmos anjos que na venturosa noite do nascimento de Jesus cantaram o mais belo cântico que já se ouviu sobre a terra: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!”.

O Jornal. Manaus, 22 dez. 1963