CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de dezembro de 2010

Polícia Feminina no Amazonas

A Crítica. Manaus, 28 jan. 1980
Em Manaus, há trinta anos foi criada na Polícia Militar do Estado a Polícia Feminina (P Fem), rompendo a predominância masculina de mais de 140 anos.

Em fevereiro de 1980, a P Fem tomou existência legal com o engajamento das primeiras mulheres no serviço policial militar. Foram incluídas trinta jovens, as quais, ao final do curso específico de sargento, seriam promovidas.
Com essa decisão, a Polícia Militar do Amazonas incorporou o privilégio de ser a terceira instituição no Brasil a congregar as mulheres em seu efetivo.

Dois pequenos detalhes para a reminiscência desta instituição. Um, que as policiais foram antecedidas por funcionárias civis. Em 1976, a Polícia Militar fez a experiência de contratar as primeiras civis. Em número bem reduzido, mas é certo que esse batom impôs algumas modificações no quartel. Ainda hoje existem civis na administração da PM amazonense.
Outro detalhe: a criação da Polícia Feminina se deve em grande parte a dona Amine Lindoso, esposa do governador José Lindoso (1979-1982). Ao final do primeiro ano, em viagem a São Paulo, o casal foi recebido conforme o protocolo. Mas, dona Amine foi contemplada com policiais femininas para a devida segurança e conforto.

De retorno a Manaus, a primeira dama insistiu com o marido na criação de idêntica corporação no Amazonas. Era comandante da PM amazonense o coronel Ribeiro Raizer, evangélico convicto.
O curso específico funcionou no quartel da então Polícia Rodoviária, instalado no entroncamento da rua Recife com a avenida Constantino Nery, onde hoje funciona uma dependência do Corpo de Bombeiros. O comandante geral, por sua convicção religiosa e pelo cuidado na admissão das primeiras mulheres, cuidou pessoalmente da formação das policiais. Para isso, escolheu a dedo os comandantes.