CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

2 de dezembro de 2010

Cinemas de Educandos, em Manaus

Situado às margens do rio Negro, o bairro de Educandos liga-se ao centro de Manaus pela ponte Antonio Plácido de Souza e, ao bairro da Cachoeirinha, pela ponte Juscelino Kubitschek. Um dos mais antigos de Manaus, o bairro teve origem e denominação a partir da ativação do Estabelecimento dos Educandos Artífices, criado em 1856, pelo presidente da província, João Pedro Dias Vieira.
O estabelecimento objetivava ensinar a música, as primeiras letras e os ofícios de marcenaria, carpintaria e tornearia às crianças pobres da capital. Com o passar dos anos, em seu redor, diversas famílias fixaram residência; surgia assim o primeiro núcleo populacional denominado de Alto da Bela Vista.

Desativado em 1914, o prédio esteve abandonado por anos, até que na década de 1940 acolheu o Grupo Escolar Machado de Assis, que segue funcionando como Escola Estadual.
O bairro, todavia, ganhou o nome de Constantinópolis pela Lei nº 67/1907, com área de 130.693m2. No correr de 1928, surge na Vila Neuza (construída em 1891) a primeira sala de exibição cinematográfica do bairro. Trata-se do “cinema” do seu Austriclínio Duarte Ribeiro, funcionando no subsolo de sua residência, situada na rua Delcídio Amaral, nº 80.

Possuía 25 assentos do tipo “escolar”, para duas pessoas, e cobrava vinte réis por entrada. O pequeno “cinema” funcionava apenas à noite, exibindo filmes mudos, de cômicos como Max Linder (1883-1925); Buster Keaton (1895-1966), Harold Lloyd (1893-1971); Charles Chaplin (1889-1977), entre outros. Também exibiu filmes produzidos por Silvino Santos (1886-1970), entre os quais, o celebrado No País das Amazonas, mostrado anteriormente no cine Polytheama.
As informações aqui expostas pertencem ao Ed Lincon. É ele que segue rememorando o assunto.
No início dos anos 1930, outro “cinema” surgiu em Constantinópolis: na residência de Antonio do Carmo (prestamista, conhecido por Cartolinha), situada na rua São Pedro, nº 129, esquina com o Boulevard Sá Peixoto. Utilizando um projetor Pathé, Cartolinha exibia filmes tanto em sua residência, quanto pelas ruas do bairro, ainda de terra batida.

As duas salas tiveram duração efêmera, de alguns anos apenas. Em especial, porque seu Austriclínio, telegrafista dos Correios durante o dia, mudou-se para a rua Manoel Urbano, onde no começo dos anos 1920 abrigava aquela repartição. Compelido a se dedicar por completo ao seu ofício, Austriclínio deixou de lado a paixão pela Sétima Arte.
Quanto ao “cinema” de Cartolinha: a diversão desapareceu quando o proprietário vendeu sua casa e, pior, mudou-se do bairro, levando consigo o equipamento de projeção.

Cine Vitória, nos últimos dias, em 1973. A casa ao lado, na
entrada do beco São José, continua no mesmo lugar.
Dessa maneira, o subúrbio que já havia sido rebatizado de Educandos viu-se privado desse divertimento. Cerca de vinte anos depois o cinema voltaria, em salas como: Rio Negro, Constantinópolis (depois Rex) e Vitória. Esta, a maior de todas, abrigando quase um milhar de freqüentadores. Teve a mais longa duração, perdurou por duas décadas.