CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

domingo, outubro 04, 2026

POEMA DOMINICAL (80)

  

Jornal do Commercio, março 1959

 

Os pinheiros tranquilos da colina

equilibram no céu as verdes palmas.

Elevando no azul de nuvens calmas

os braços trescalantes de resina.

 

O gado lentas orações rumina

perto da ermida dedicada às almas.

Cai rápida geada (prata e sal) mas

mio lhe perturba a devoção bovina.

 

Cessa a neblina. Ao sol brilha o granito

da branca torre-columbária do horto.

Súbito rasga a tarde áspero grito.

 

No ar mergulha o falcão. Com um pombo morto

preso às garras se eleva no infinito.

Como se eleva um pensamento absorto.

 

luiz  bacellar

 

* escrito em 14.3.59

Chácara de São Bento

Bairro de Pinheiros

São Paulo

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