Jornal do Commercio, março 1959
Os pinheiros tranquilos da colina
equilibram no céu as verdes palmas.
Elevando no azul de nuvens calmas
os braços trescalantes de resina.
O gado lentas orações rumina
perto da ermida dedicada às almas.
Cai rápida geada (prata e sal) mas
mio lhe perturba a devoção bovina.
Cessa a neblina. Ao sol brilha o granito
da branca torre-columbária do horto.
Súbito rasga a tarde áspero grito.
No ar mergulha o falcão. Com um pombo morto
preso às garras se eleva no infinito.
Como se eleva um pensamento absorto.
luiz bacellar
* escrito em 14.3.59
Chácara de São Bento
Bairro de Pinheiros
São Paulo

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