CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, maio 18, 2026

MEUS OITENTANOS (4)

 FASCÍCULO 4

 No segundo semestre de 1964, quando deixei o Seminário São José, abandonei também a vocação sacerdotal que até então me acompanhava como promessa duvidosa. Tinha dezoito anos e regressava ao lar dos meus pais, na rua Amazonas, número 29, no Morro da Liberdade, trazendo na bagagem apenas a escolaridade atualizada e uma sensação de vazio.

Título eleitoral emitido em 1966 
O número da casa, talhado por meu pai em madeira bruta e fixado na parede frontal, carregava um simbolismo próprio: 29 de dezembro de 1959, e o dia ele quis perpetuar. Mesmo diante da duplicidade de número na rua, sua decisão foi firme, quase solene. A casa de madeira, antes simples e térrea, transformara-se em sobrado, com quartos e varandas no pavimento superior. Ali, naquele novo espaço, ganhei um aposento que às vezes dividia com meus irmãos Antônio e Renato, enquanto outros cômodos se tornavam alugáveis.

Meu regresso, porém, foi marcado por desorientação. Sentia-me como um “cachorro caído da mudança”, sem rumo, sem ofício aprendido. Uma oportunidade surgiu pelas mãos de meu primo Vicente Pereira, que me levou à loja de móveis onde trabalhava. Não havia vaga para vendedor, mas sim na produção de cadeiras metálicas. Enfrentei o labor da soldagem sem proteção adequada, e à noite meus olhos ardiam tanto que o sono me abandonou. No dia seguinte, faltei. Ainda assim, ao final da semana recebi o ordenado e desapareci. Foi a única vez que trabalhei na iniciativa privada; o destino me reservaria apenas o caminho do serviço público.

Enquanto isso, os afazeres domésticos me consumiam. O quintal imenso exigia cuidados, e os cães eram minha responsabilidade: Joli, o caramelo valente que se tornara figura temida na vizinhança, e Branco, dócil companheiro. Outra tarefa era o abastecimento de água obtida em cacimba do Buraco da Vovó, a quinhentos metros de casa, carregando em latas de vinte litros para encher o “camburão” – tambor metálico de duzentos litros — uma espécie de cisterna improvisada.

Assim se desenhava minha juventude: entre o peso da falta de escolhas, o suor das tarefas domésticas e a lenta construção de um destino que ainda se insinuava sombrio.


Em 1965, aceitei o convite de Raimundo “Pau de Barraca” — sobrinho de minha madrasta — para jogar futebol, e essa decisão alterou o ritmo da minha rotina de desempregado. As peladas aconteciam num campo improvisado, aberto no terreno baldio atrás do nosso sítio. Pela idade e pelo porte físico, destoando dos meninos menores, fui escalado para a posição de goleiro. Não me senti deslocado: no seminário já havia defendido as traves, e ali me saí com firmeza. Ao cair da tarde, quando a turminha se reunia quase diariamente, eu permanecia guardando o gol, como se fosse um posto de honra.

No Morro da Liberdade, os divertimentos eram raros, mas o futebol acontecia com facilidade. Duas equipes se destacavam: o Bangu, organizado por meu xará Roberto, praça do Exército; e o Botafogo, formado por jovens da avenida São Pedro e adjacências. Fui convidado a uma reunião com os botafoguenses, sediados na avenida São Pedro, hoje rua Tobias Barbosa. Compareci com receio, temendo a frustração, mas ao final fui “contratado” para defender o gol da equipe, apesar da minha estatura modesta de 1m64. O prestígio me animava, e não faltava às peladas de domingo, ora no campo do Guanabara, em Santa Luzia, ora no campo do Olaria, no próprio Morro da Liberdade. Esses campos, hoje, já não existem: foram engolidos pelo progresso.

Antes de encerrar a contabilidade da minha jornada esportiva, registro uma partida memorável no campo do Nacional FC, em Adrianópolis. Essa experiência, aparentemente singela, acompanhou-me no futuro, quando frequentei cursos militares no Rio e em Florianópolis. O futebol, mais do que passatempo, foi aprendizado de disciplina, coragem e resiliência — valores que se tornariam parte de minha caminhada.

Para cumprir um dos preceitos de meu padre-protetor, Juarez Maia, apresentei-me ao Serviço Militar. Foi ali que o destino me concedeu mais uma estrela, ao ser selecionado para o NPOR, justamente na fase de reinstalação. O quartel do 27° BC, onde nos instalamos, funcionava de maneira curiosa: instruções apenas nos finais de semana, improvisações que revelavam a precariedade da estrutura.

A inspeção de saúde, por exemplo, ocorreu numa enfermaria acanhada. Éramos cerca de trinta candidatos, perfilados lado a lado, desnudos, enquanto o clínico se valia de embalagens de medicamentos guardadas num armário envidraçado para realizar o exame visual. Chamados em ordem alfabética, eram observados os rótulos expostos. Eu, que não distinguia bem os nomes, memorizei-os e, assim, fui aprovado. Mas a deficiência visual logo se denunciou: no primeiro tiro de fuzil, quase atingi o pé de um graduado. Ainda assim, prossegui no curso, que logo adotou nova metodologia, com instruções diárias.

Morando ainda no distante Morro da Liberdade, precisava madrugar para alcançar o quartel no bairro de São Jorge. O transporte era realizado no caminhão REO do Exército, abarrotado de recrutas. Na condição de aluno do NPOR, eu tinha a primazia de viajar na boleia, sentindo o vento frio da madrugada e a responsabilidade de uma epopeia que começava a moldar meu futuro.

Ainda em 1965, enquanto aguardava o reinício do NPOR, que lentamente se estruturava, abri-me aos convites que surgiam. A vizinha Luzia — irmã de minha madrasta — havia adquirido uma canoa, com motor de centro instalado, que permitia pequenas viagens pelos arredores de Manaus. Assumi a condução do barco e, numa dessas excursões, seguimos até o lago do Puraquequara. Pernoitei ali com as primas — razão imediata de meu entusiasmo pela aventura — mas a noite nos reservou um tormento: os carapanãs, como chamamos na Amazônia os pernilongos, nos açoitaram sem piedade. O resultado foi a malária, que nos abateu a todos. Nem os remédios caseiros, nem as rezas fortes bastaram. A febre alta e os calafrios me levaram ao Posto de Saúde, onde um exame de sangue revelou a gravidade. A cura veio, enfim, pela medicação alopática.

Recuperado, enfrentei nova provação. Ao visitar a BR-174, ainda em construção — rodovia que ligaria Manaus a Rio Branco — fui atraído pelo desejo de ver a sobrinha de minha madrasta, residente no Km 5, próximo ao igarapé do Leão. Mas antes que a enfermidade se revelasse, guardo um episódio curioso do Dia de Finados daquele ano. Levantei-me cedo na casa da prima e caminhei até a Ponte da Bolívia, que distava quinze quilômetros de Manaus, para tomar o ônibus. O feriado, porém, suspendera o coletivo. Após cinco quilômetros de caminhada até a ponte, retomei a estrada e, dez quilômetros adiante, finalmente alcancei um ônibus. Enquanto a família já se encontrava no cemitério São João Batista, reverenciando nossos mortos, eu chegava tarde, cansado, e recebi a reprimenda de meu saudoso pai.

Deduzi que a nova enfermidade resultara da abertura de clareiras na floresta, durante a construção da rodovia. O ambiente despertava enxames de insetos e mosquitos, e um deles me transmitiu a leishmaniose. As úlceras na pele deixaram marcas que ainda hoje recordam o diagnóstico emitido pelo INPA, em implantação, e o tratamento realizado no Hospital da Guarnição de Manaus, onde fui atendido por ser o aluno 111 do NPOR.

 Aluno 111 Roberto, primeiro à esq. , em pé

À medida que o curso se aproximava do fim, os futuros oficiais R/2 buscavam abrigo seguro para o estágio obrigatório. O colega Amílcar Ferreira, vizinho do comandante da Polícia Militar do Amazonas, levou a ideia de servir naquela corporação. Apesar do regime militar instalado em 1964, o quartel da Praça da Polícia enfrentava dificuldades: efetivo reduzido, carências diversas, um ambiente de luta constante. Com os colegas de curso, visitei o quartel da PM e, mesmo diante da atmosfera desanimadora, deixamos nossos nomes numa lista de eventual aproveitamento. O destino, afinal, nos acolheu.

Concluí o curso em março de 1966, conquistando o 9º lugar na Turma Ajuricaba, entre dezessete formandos. A solenidade ocorreu no pátio do quartel, e para a ocasião consegui uma madrinha de formatura — uma “fada”, como se dizia. Não sei ao certo como alcancei tal graça; talvez pelo marido, o major Hércules, um gigante que servia na mesma unidade. A beleza da senhora encantou os formandos, que não cessavam de me interrogar sobre sua origem.

Na formatura do curso, março
de 1966

O baile de formatura, realizado no Ideal Clube, não contou com minha presença. A indigência financeira me impediu de comparecer. Mas, ainda assim, a formatura marcou um capítulo decisivo: encerrava-se uma etapa de aprendizado e disciplina, e abria-se diante de mim o horizonte da vida militar e da própria existência.

quinta-feira, novembro 06, 2025

DIA NACIONAL DO OFICIAL R/2

 A data foi comemorada ontem 5, porém somente hoje o vereador Major Rosses (Ubirajara Rosses Nascimento Jr.) reuniu seus camaradas para a festa na Câmara Municipal, distribuindo Diploma e abraços e possibilitando recordações dos velhos tempos de caserna. Tive o prazer de ser diplomado e ser apresentado como o mais antigo (e mais idoso) dos R/2 no congraçamento. Há 60 anos (1965) conclui o NPOR.   

Diploma recebido

Agradeço ao eminente Vereador Rosses pela iniciativa e pelo "canudo" que vai me lembrar ainda por décadas a passagem pelo legendário 27 BC, hoje 1º BIS. 

quarta-feira, julho 09, 2025

PLÍNIO RAMOS COELHO (1920-2001)

O governador Plínio Coelho (1920-2001) cumpria o segundo mandato no Palácio Rio Negro, quando o Governo Militar (1964-1985) cassou seu mandato. Era início de março de 64, portanto, a mudança de regime estava em processamento. Plínio era conhecido como atirador de elite. A participação dele nesse certame ocorreu por este detalhe, não por se tratar do mandatário do Estado. A Gazeta (09 março 1964), apesar de mencionar outra foto, falhou.

Recorte de A Gazeta, 9 março 1964

 O governador Plinio Coelho foi a principal atração das provas de tiro ao alvo realizadas na manhã de ontem, no “stand” do 27 Batalhão de Caçadores, sob o patrocínio do Balalaika Clube, que na oportunidade cumpria mais um ano de fundação.

Ao lado do Chefe do Executivo amazonense (visto na gravura à direita em um momento de grande sensação da competição) alinharam-se outros grandes nomes do esporte de tiro ao alvo em Manaus.

No outro clichê, aparecem os vencedores das provas: Adelson Veras, Tenente Cavalcante, Helena Marques Jezzini e Francisco Santana. O governador ficou entusiasmado com a organização do torneio, havendo prometido dar integral apoio à realização dos vindouros, dos quais o mais próximo ocorrerá a 21 de abril, em homenagem a Tiradentes. A presença do titular do Palácio Rio Negro na competição foi recebida com aplausos.

sábado, setembro 21, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

A instalação do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus, oriundo de Belém do Pará, motivou esplendido júbilo nesta capital. A imprensa, como para registrar este sentimento, produziu páginas de louvores. O Jornal, um dos periódicos em circulação, editou uma página dando as boas-vindas a este grande comando das Forças Terrestres, ainda em nossos dias disciplinado a atuação verde-oliva na Amazônia. José Feitosa subscreveu a matéria pautada na edição de 3 de julho de 1969, aqui parcialmente compartilhada.

 


PARA se contar em minúcias a história do Exército na Amazônia Ocidental será necessário retroceder nos anos, até os tempos mais remotos da nossa era, quando da descoberta e daí partir para o crescente movimento feito na região, procurando desenvolvê-la e fazê-la notada por todo o resto do país e do Mundo, (...) 


NÃO É COMO ATUALMENTE —O Grupamento de Elementos de Fronteiras que conhecemos hoje não nasceu viçosa como hoje é, e sim, foi fruto de um intrincado processo evolutivo que tem suas raízes no estabelecimento dos primeiros fortes portugueses, que no século XVII tomaram posse da terra para a Coroa Lusitana. Dalí, até os nossos dias, mesmo encontrando os mais sérios obstáculos em sua caminhada os valentes soldados sempre se mantiveram firmes no Amazonas, procurando dar tudo de si para o desenvolvimento dessa área.

Os maiores obstáculos encontrados pelos primeiros militares que se fixaram no Amazonas, foram as distâncias, a falta de recursos de entidades oficiais, e principalmente as dificuldades criadas pelo próprio meio ambiente, as quais não permitiam um método normal de vida dos mesmos. (..) 

27º COLABOROU DECIVAMENTE —Vale ressaltar que para a formação dos pelotões de fronteiras, as sementes foram tiradas do 27º Batalhão de Caçadores, entre os anos de 1920 até 1942, quando aquela corporação colaborou decisivamente para manter sempre firmes os pelotões de fronteiras que vigiavam as áreas divisórias em nosso território mantendo sempre presente a Bandeira Brasileira no meio da verdejante floresta amazónica. Sacrifício e Tenacidade nunca faltaram aos gloriosos soldados daqueles tempos, para a manutenção dos contingentes destinados à segurança da área mesmo levando em conta as adversidades do meio ambiente, e só graças a essa tenacidade pudemos chegar aos nossos dias caminhando a passos largos para a efetiva ocupação de toda a Amazônia Ocidental conforme os planos estabelecidos pelo Governo Revolucionário. 

O COMANDO DE FRONTEIRAS —Só no ano de 1948, considerando uma serie de fatos, entre os quais o vulto das experiencias e das distâncias para a manutenção do comando, rasolveu.se finalmente criar o Comando de Elementos de Fronteiras (CEF), ficando o seu comando atribuído a um major. Foi o primeiro comandante do Comando de Elementos de Fronteira o major Mattoso Maia que ao assumir o posto procurou imediatamente pôr em franco funcionamento todo o dispositivo militar necessário a uma franca ocupação da área obtendo pleno e absoluto sucesso em sua missão, começando daí uma nova era de progresso para a região, justamente porque, com a criação do Comando de Elementos de Fronteira, novas oportunidades de civilização foram abertas e novos métodos de trabalho puderam ser empregados em virtude da maior atenção dispensada pelas autoridades competentes a toda a região.

O principal objetivo do Comando de Elementos de Fronteira, segundo está expresso na Portaria Ministerial que o criou, era de "proporcionar aos elementos destacados em guarnições longínquas e desprotegidas de recursos, objetiva e pronta assistência, e de coordenar suas atividades". Essa Portaria só se objetivou em abril de 1949.

Nessa época, voltavam à discussão antigas e sopitadas aspirações estranhas aos nossos interesses que sob forma "Altruísta", desejando torna-la útil a Humanidade "com fome de espaço e de alimentos'', de nações superlotadas e famintas, se propunham à Internacionalização da Hileia Amazônica.

Em virtude disso, o EME, juntamente com os demais órgãos responsáveis pela segurança da Nação, recebeu incumbência de estudar um equipamento mais adequado à Amazônia, atenta as suas possibilidades. Postas mãos à obra, pelo Exército, foi criada uma Comissão Militar de Estudos (CME). Em virtude desses estudos e de medidas governamentais vieram para a Amazônia vários órgãos que deram início realmente a uma nova política de valorização da Amazônia, (...) mas que agora, graças à fibra e tenacidade do soldado do glorioso Exercito Brasileiro, já estão praticamente controladas e dando oportunidade a que comecemos a trilhar os verdadeiros caminhos de glória que sempre almejamos (...).

Hoje, quando se celebra a solenidade de instalação do Comando Militar da Amazônia em Manaus, em solenidade que será realizada às 16 horas na Praça General Osório, sob a presidência do ministro do Exército, general Aurelio Lyra Tavares, os brasileiros do Amazonas estão ainda mais certos e convictos de que os esforços feitos pelos nossos antepassados e pelos componentes do Exército dos nossos dias não foram em vãos (...).


domingo, setembro 01, 2024

ARLINDO PORTO (1929-2024)

Aos 95 anos, morreu Arlindo Augusto dos Santos Porto, nome augusto bastante glorificado na cidade de Manaus, onde participou e presidiu com brilhantismo cargos políticos, administrativos e de agremiações culturais. Travei adequada amizade com este mestre ao ingressar no IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), e, com mais intensidade, quando ele passou a presidir o Instituto. A Casa de Bernardo Ramos estava deteriorada, reclamando ampla reforma que, afinal, ocorreu em seu mandato. 

 
Arlindo Porto

Sempre com um sorriso disponível, foi um homem continuamente disposto a descrever suas peripécias, seja onde for. Daí me vem à memória o fato ocorrido no velório do saudoso Mário Ypiranga Monteiro, na Funerária Almir Neves, situada na rua Monsenhor Coutinho. Sentado ao lado de Arlindo, não me contive ao final do causo por ele contado. Fui às gargalhadas e, quando me dei conta da situação de acolhimento, saí às pressas do recinto.

O site da Academia Amazonense de Letras publicou uma postagem subscrita pelo acadêmico Robério Braga, que ilustra com mais atributos, ainda que resumidamente, a trajetória de Arlindo Porto.

Desejo enfatizar que Arlindo foi o derradeiro remanescente dos presos políticos ao tempo do Governo ou da Ditadura Militar (como queira), recolhidos ao quartel do 27º BC, hoje 1º BIS, localizado no bairro de São Jorge. O penúltimo foi Amazonino Armando Mendes (governador do Estado). Outro augusto preso foi Luiz Augusto de Lima Ruas, sacerdote comunista.   

Para encerrar minha homenagem ao Arlindo, vem-me ao pensamento outro fato, que ele me narrou umas vezes. Certo dia, o bispo do Amazonas – dom João de Souza Lima, foi visitar o padre Luiz Ruas no presídio militar. Obviamente, ao redor dos encarcerados. Conversa vai e vem, Arlindo teve a ideia de escrever uma carta à família, a fim de serenar sua casa, para tanto solicitou ao prelado que servisse de correio. Dom João prontamente aquiesceu, fazendo uma visita à residência do remetente. Arlindo não deixou de ser espiritualista, todavia morreu penhorado ao pastor amazonense.

Enfim, Arlindo Porto, ad immortalitatem!

terça-feira, fevereiro 14, 2023

AMAZONINO MENDES (1939-2023)

Morto o cacique eirunepeense neste domingo (12), os amigos e admiradores despejaram nas redes sociais todos os tipos de encômios. Ele bem merece! Também vou entrar nesta linha, apenas lembrando alguns fatos pessoais, dos quais estive próximo ao falecido administrador. 

Governador AM, à direita (claro)

Antes, um detalhe histórico: Hoje em dia somente um preso político dos tempos do governo militar de 1964 encontra-se vivo para contar a história: o nonagenário Arlindo Porto. AM (Amazonino Mendes) era outro que passou pelo cárcere do 27 BC, hoje 1º BIS, na estrada de São Jorge. Ainda em novembro passado, pesquisando nos arquivos daquela OM (organização militar), vi a relação dos “comunistas” detidos no livro do oficial de dia. Outro seu parceiro não olvidei, o padre Luiz Ruas (autor do poema Aparição do Clown).

Travei o primeiro contato com o AM, quando este foi nomeado prefeito de Manaus, por vontade do governador Mestrinho, de cuja Casa Militar eu era major subchefe, em 1983. Na oportunidade, uma invasão se apossava das terras junto ao igarapé do Crespo. O prefeito AM montou uma força-tarefa para equacionar o desastre fundiário. Fui indicado pelo governador para integrar esta comissão. Assim, estive em algumas reuniões, mas logo percebi que o prefeito não estava interessado em obstar seus futuros eleitores. Tanto que a invasão se concretizou. 

Em 1997, no centenário da Campanha de Canudos, da qual a força policial do Amazonas participou, editei o livro Candido Mariano & Canudos, cuja impressão foi encargo da EDUA (Editora da Universidade do Amazonas). Para maior brilhantismo da festa que –em recordação de Canudos– anualmente a PMAM realiza, sugeri ao comandante-geral uma gradação da Medalha comemorativa e os nomes, um elenco enorme de nomes para ser agraciados. O coronel comandante foi ao governador AM, que simplesmente mandou a relação dos indicados para o lixo e, de próprio punho, escolheu uma dúzia de “amigos do rei” para a premiação.

Indignado, escrevi uma malcriação a respeito da solução governamental e a remeti à seção Cartas, de A Crítica, que a publicou. E fiz mais, de teimosice, não compareci à solenidade alusiva na Praça da Polícia.

Enfim, quando fui agraciado com a Medalha Tiradentes da PM estadual, tive a ventura de recebê-la das mãos do governador Amazonino Mendes, em seu segundo mandato (1995-98). Desde então, eu virei seu fã.

Como aprendi no seminário: Requiescat in pace, AM.

sábado, dezembro 17, 2022

DESASTRE DO PP-PDE: 60 ANOS (final))

Duas expedições cumpriram o objetivo de alcançar os destroços e os mortos do Constellation da PP-PDE. Uma, da Petrobras, que buscava auxiliar aos quatro colegas embarcados em Belém; a outra, composta de recrutas do 27 BC, liderados pelo tenente Braga Vieira, e funcionários do Deram. 

Fragmento da 1ª página de A Gazeta, 21 dez. 1962 

Ambas chegaram ao destino dia 21 de dezembro, lembrando que o avião desapareceu dia 14. Empreitadas de urgência: limpar a área para o pouso dos helicópteros e auxiliar na recuperação dos despojos. Tarefas realizadas com material primitivo: terçado (na linguagem baré) e machado... a motosserra ainda era objeto de pesquisa. Os restos humanos foram recolhidos com as mãos, sem uso de qualquer EPI.

Fragmento do jornal O Poti (RN), Natal, 16 dez. 1962 

A proximidade da festa de Natal certamente contribuiu para que as diligências necessárias fossem apressadas. Os resgatistas nem imaginavam em festa natalina dentro da selva, isolados de tudo, bastaram os dias de marcha. Dessa maneira, os investigadores do acidente, oficiais da Força Aérea, limitaram-se a fotografar os destroços, tanto que o laudo produzido é de maneira vergonhosa inconclusivo.

Dos restos mortais de 50 vítimas, somente 19 corpos (ou porções humanas) foram trazidas para Manaus, os demais obviamente foram abandonados à própria degradação e ao pasto dos predadores. O recolhimento dos corpos era (e é) obrigação da Força Aérea. A ausência de tantos corpos proporcionou diversas desventuras junto às famílias desejosas de sepultar seu “ente querido”. A própria companhia aérea viu-se emparedada para atender a este anseio familiar. Então, o que fazer? Algumas urnas funerárias foram entregues com saco de areia, para simular o peso. 

Recorte de O Jornal, Manaus, 9 jan. 1963

Passado o réveillon, a cidade de Manaus seguiu por meio da imprensa as várias iniciativas buscando - ainda - resgatar os mortos. Ao menos uma expedição foi ao local, supervisionada por um delegado de Polícia Civil. Além disso, soube a população que o local do acidente, desprezado pelas forças de segurança, passara a ser visitado por saqueadores, que levaram tudo quanto foi possível. O enorme avião transformou-se desse modo em sucata, em suvenires catados ao longo dos anos.

Parte da asa do Constellation exposta no CIGS

A derradeira lembrança do avião - parte da asa do Constellation - foi recolhida pelo CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva), em junho deste ano, ao memorial que a organização militar mantém em seu quartel.

 

Autor desta postagem em pesquisa na
Biblioteca Pública, em Manaus 

Empenhei-me no curso deste ano em produzir uma retrospectiva do desastre do Constellation PP-PDE da Panair do Brasil, que a selva desmanchou nas cercanias de Manaus. Lamento que a BAMN pouco caso confira ao maior acidente aéreo da Região Norte. Enfim, ao lado do amigo Otávio, estou ultimando a publicação.

quinta-feira, julho 28, 2022

CONSTELLATION PP-PDE: RESGATEIRO

 Envolvido no esclarecimento do maior desastre de aviação ocorrido na Região Norte, que envolveu um avião da extinta Panair do Brasil e exigiu a bravura de militares e civis no resgate, conversei com um dos soldados do 27 BC, que esteve na "clareira do avião". Em nossos dias, oficial reformado da Polícia Militar do Amazonas, ao completar 79 anos revelou-me alguns detalhes que envolveram aquela saga. Abaixo o texto que escrevi para a retrospectiva.

Tenente Giovani,
ontem e hoje

Manoel Giovani de Souza Oliveira, soldado da 2ª Companhia de Fuzileiros do 27 BC, acompanhou ao tenente Braga Vieira no resgate e, desse modo, esteve na clareira do Constellation da Panair do Brasil, desaparecido há 60 anos.

Giovani, seu nome de guerra, nasceu em Manicoré (AM) em 25 de julho de 1943. Nascido e criado naquele município, o filho de seu Albertino Gomes de Oliveira e dona Walquiria de Souza era um jovem convivido com a selva, pois participava da exploração do castanhal da família. Aos dezoito anos, desembarcou em Manaus para cumprir o serviço militar.
Não obstante sua experiência com a floresta, contou-me (em 22 de julho) às vésperas de comemorar 79 anos, que a missão de alcançar os destroços do avião e possíveis sobreviventes foi um desafio sobre-humano para um jovem, uma experiência singularíssima em sua vida. Assistiu excepcionais reações: os fortes, porém estropiados, que retornaram à base; os colegas jovens que se desesperavam, chorando; outros, intentando o retorno que desistiam, temendo uma prisão no quartel.
Outras inusitadas práticas: a tentativa de evitar o nauseante mal cheiro exalado pela decomposição dos corpos, mascarando o rosto com uma camisa; alimentar-se inicialmente de “ração fria” e, ao final desta, de qualquer modo, inclusive abatendo animais silvestres; recolher restos mortais sem utilizar quaisquer equipamentos de proteção em sacos de lona, utilizados no Exército; transportar esses sacos com restos putrefatos, por uma trilha de cerca de 300 metros, até o heliporto; viajar com essa carga no pequeno helicóptero Bell; e outras ferocidades que pelo passar do tempo deslembrou.
Giovani, ao dar baixa da caserna federal, ingressou na Polícia Militar do Amazonas, na condição de soldado nº 1034, para servir no GPO (Grupamento de Policiamento Ostensivo), mais conhecido por “Cosme e Damião”, em abril de 1964.

Na corporação da Praça da Polícia, o soldado Giovani enfrentou os cursos básicos: de Cabo, concluído em dezembro de 1965 e Sargento (3º) em julho de 1966. Sua habilidade e disciplina o levaram a outros setores, um de mais destaque foi servir na Casa Militar do governo. Enfim, reformado como 2º tenente, segue ainda pronto para novo desafio. 

quinta-feira, dezembro 03, 2020

A REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR EM 1924 [PARTE II]

Prossigo com  a segunda parte de meu texto analisando a atuação bisonha da PMAM, exposto quando do lançamento do livro de Eneida Ribeiro Ramos no Centro Cultural Palácio Rio Negro: Ribeiro Júnior: Redentor do Amazonas.


Recorte do folheto 

No início da noite de 23 de julho, o comandante do 27° BC, aquartelado na Praça General Osório (hoje Colégio Militar de Manaus), capitão José Carlos Dubois, apetrechou o trem de guerra e marchou sobre o Palácio Rio Negro. Desceu a avenida Eduardo Ribeiro, tomou à esquerda na rua Henrique Martins e assim alcançou a avenida Treze de Maio (hoje Getúlio Vargas), estacionando atrás do Colégio Estadual. Havia uma pedra no caminho a suplantar, a Força Policial instalada logo adiante no quartel da conhecida Praça da Polícia.

Sobre o ataque e os desdobramentos subsequentes, translado a Parte Especial do oficial de dia, extraída do boletim regimental 173, de 25|07|1924.

"Ontem, cerca de 19 horas, foi este quartel inopinadamente atacado por forças do vinte e sete Batalhão de Caçadores, havendo forte tiroteio que durou mais ou menos trinta minutos; quando depois de se encontrarem feridos o coronel comandante Pedro José de Souza e o primeiro tenente Manoel Correa da Silva, combinamos parlamentar com os adversários, o fazendo por considerar imprudência uma resistência com força bastante superior, pois, apenas contávamos com dezesseis homens contra duas companhias; resultando esta Corporação entregar-se em virtude dos motivos acima, pelo que aderimos, coagidos, ao movimento revolucionário, como nos ditou as circunstâncias do momento. Quartel em Manaus, vinte e quatro de julho de mil novecentos e vinte e quatro. (a). Augusto Vaz Sodré da Costa, capitão Oficial de Dia".

Algumas digressões em torno deste prefalado documento: a Força Policial tinha um efetivo previsto de 344 policiais. Como havia um claro de 115 praças, segundo registra a Mensagem governamental, "por não comportarem as finanças estaduais a integração do efetivo", e subtraindo-se os destacados no interior do Estado, muito provavelmente, 160 policiais guarneciam a capital. Desse resultado, menos de duas dezenas se encontrava no quartel na hora do ataque. Quanto era ridículo esse quantitativo, diante do efetivo do Regimento estadual ao final do século 19. Justamente para conhecer a história, a força do Regimento assegurou ao governador Eduardo Ribeiro (1892-96) se contrapor à guarnição federal, negando-se a entregar o seu cargo injustamente exigido.

Em 1924, com o Amazonas já demonstrando sinais de decadência, o pessoal da Força Policial se apresentava, além de depauperado, desestimulado por uma razão simples: o soldo aviltado sem receber desde fevereiro! A lealdade ao comandante em momento tão crucial estava comprometida, muito mais ao governador, que cuidava da saúde própria na Europa. Outro pormenor, duas companhias do 27° BC correspondiam a cerca de 180 homens. Como estivessem apoiadas por fração com material bélico de porte, a prudência recomendava não se opor, como assentiu o oficial de dia.

Enfim, a presença no quartel do comandante da Força no horário do assalto, reforça-me a convicção de que os policiais conheciam da sublevação, pois, "desde o início de julho, corriam em Manaus boatos sobre um levante militar". Apenas a impunidade dos membros do governo não permitia crer no que o povo (e os próprios militares) a boca pequena propalava. Não conseguiu o coronel Pedro de Souza, isto sim, arregimentar um número maior de praças, porquanto também essas ansiavam por uma mudança no Poder Executivo. [segue]

segunda-feira, agosto 10, 2020

FORMAÇÃO DE OFICIAIS NA PMAM

 Ensaio sobre a formação de oficiais na Polícia Militar do Amazonas, em sua primeira parte.


Quartel da Praça da Polícia, ocupado pela PMAM entre 1890 a 2002. Hoje, Palacete Provincial

A formação de oficiais concretizada na Polícia Militar do Amazonas suportou alentado atraso (e quanto!), ultrapassando várias fases até o estabelecimento de sua própria Academia, em 2002. Não obstante sua longa existência, posto que a corporação foi criada em 1837, antes mesmo da instalação da província amazonense. A indigência da província logo impôs a dissipação da Força Estadual, até que em 1876 esta foi recomposta e, desde então, segue assinalando sua respeitosa presença nos espaços amazonenses.

Cabe inquirir: como a corporação provia seu corpo diretivo, ou seja, como se organizava com os oficiais? No primeiro instante de sua organização, o Lugar da Barra, a denominação primitiva, crescia ainda na beira do barranco, cercada de igarapés e acolhendo aos muitos indígenas na sua ilharga. Distante de tudo e de todos, Manaus somente podia contar com o material e pessoal existentes, porém, escassos. A segurança pública era efetivada pela Força Terrestre, com uma marcante deficiência de pessoal. Reservado aos homens, poucos eram os voluntários para o serviço de policiamento, desse modo, restavam engajados os analfabetos e os arrivistas (alguns estrangeiros).

A extração do látex trouxe um descomedido alento ao território na virada do século 20, no qual a fortuna obtida impulsionou a administração pública em todos os rumos, atraindo imigrantes daqui e de além mar. Evidente que a Força Militar Estadual foi contemplada. Com a instalação da República (1889) e o usufruto da “fase áurea da borracha”, o estado do Amazonas tomou forte impulso. Vejamos apenas a evolução da Polícia Militar, então denominada Regimento Militar do Estado, título este conservado entre 1896 e 1906.

O corpo de oficiais era integrado por oficiais do Exército, em particular no comando, e de cidadãos escolhidos ou indicados ao governante, segundo lhe permitia a legislação, e, enfim, os provenientes da classe subalterna dos sargentos. No fundo mesmo, as promoções ocorriam devido a afeição e o compadrio (no linguajar castrense: a peixada). Portanto, inexistia a formação de oficiais.

Encerrado o boom da goma elástica (cerca de 1920), tendo a borracha mudado de continente, a derrocada tomou conta do Estado. Órgão estadual, a Força Pública foi no banzeiro, com a redução de efetivo e de soldo, e enfrentando um período desativada (1930-36), até alcançar o fundo do leito do igarapé na metade do século passado. Quanto aos oficiais: persistiam incorporados seguindo o preceito consuetudinário, com ligeira distinção, o acolhimento de oficiais R/2, sendo o primeiro deles formado no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), sediado em Belém (PA), turma de 1940; outros vieram do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva) pertencente ao 27 BC, turma de 1942/43.

Além disso, é conveniente registrar que o primeiro oficial a concluir o CAO (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) foi o então capitão Omar Gomes da Silveira, na PMEG (Guanabara, depois RJ), em 1954. Este oficial, quando tenente-coronel, assumiu o comando-geral da corporação em 1967.

A promoção, que amiúde serve de pretexto para suspeita ou disputa acirrada entre camaradas, já continha regras fundamentais, algumas bastante vagas, todavia, cumpridas com rigidez. Inexistia nem a figura do oficial excedente nem do agregado, tão comum em nossos dias. Em 1952, a lei 21, ao estabelecer as “normas para o ingresso no oficialato da PM e para as promoções”, tornou-se um marco incisivo desse processo.

Em 1959, ao assumir o governo do Estado, o professor Gilberto Mestrinho nomeia coronel comandante da Polícia Militar ao doutor Assis Peixoto. Ao final desse ano, a corporação promove a seleção de candidatos ao CFO (Curso de Formação de Oficiais) da PM da Guanabara. São selecionados três moços: Pedro Câmara, Pedro Lustosa e Hélcio Motta. Tornam-se, pois, os primeiros alunos, adiante, os cadetes e, enfim, os oficiais da PMAM com formação apropriada.

Essa experiência exibiu à corporação o elevado proveito em enviar seus candidatos a oficiais para outras coirmãs, possuidoras de Academia. Era conveniente para ambos os lados, e a força amazonense aproveitou a ocasião. Adiante, com a instalação do Regime Militar (1964-85), que criou a IGPM (Inspetoria Geral das Polícias Militares) para gerenciar as polícias estaduais, em 1969, esse intercâmbio expandiu-se, tanto que onde houvesse escola, havia amazonenses. Espalharam-se pelo país inteiro e, tem mais, pelo continente, pois uma turma concluiu o CFO nos Carabineiros do Chile (1985).

domingo, outubro 13, 2019

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ (5)



Dom João da Matta
Dom João da Matta, 6º bispo do Amazonas (1941-48), encontrou fechado este estabelecimento de formação sacerdotal. Isolado há décadas. Tomou-se de brio e, em 1943, reabriu o seminário. Para tanto, cedeu a residencial episcopal, junto ao Colégio Dom Bosco, e entregou a direção aos padres Salesianos. Do outro lado da praça, estava o quartel do 27 BC (atual Colégio Militar).
Do seu pronunciamento efetuado na solenidade, o trecho seguinte:

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

domingo, setembro 15, 2019

QUARTEL DO 27 BC



O 27, como era mais conhecido, apagou-se de nossos registros há quase 50 anos, quando foi transferido para o bairro de São Jorge, e onde sofreu uma metamorfose que de tempos em tempos acomete as Forças Armadas. Tornou-se o 1º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), que já acrescentou nova modalidade a sua estrutura operacional.
Hoje, Colégio Militar de Manaus. Foto da FGV

O quartel da foto (sem que eu saiba a data) é, de certo, o mais antigo da cidade. Da época provincial, acolheu o 27 BC no início do século passado. Observando-se a foto, pode-se inferir de que sofreu ampliação em todas os quadrantes. Ocupa o quarteirão formado pela rua 10 de Julho, aos fundos, e, nas laterais, pela rua Luís Antony e avenida Epaminondas, tendo à frente o “estádio” General Osório.

Foi ocupando este aquartelamento que o 27 BC se tornou legendário. Em Manaus, concentrava o maior efetivo da Força Terrestre e, por sua localização privilegiada, atendia com prontidão alguma apertura de segurança pública. Deste aquartelamento saiu, em julho de 1924, o contingente que avançou sobre o quartel da Praça da Polícia e, depois de o dominar, escorraçou o governador do Estado. A partir desse feito, durou cerca de um mês a Rebelião de Ribeiro Junior (tenente do 27 BC).

Em nossos dias, ali funciona o Colégio Militar de Manaus.

domingo, junho 02, 2019

OITENTANOS DE JURANDIR MACEDO


Abraço o Macedo nesta data por suas oito décadas de existência. 


Macedo, na festa de hoje
Hoje reformado do Exército, ele desfruta sua aposentadoria com entusiasmo, apesar de ter perdido a esposa – Jandira Macedo – paixão da vida e baluarte de seu progresso. Cuidam dele os filhos. E que herança ele dispõe: as filhas Suely, Juraci e Marisete, aqui em Manaus, a Soraia, na capital francesa, e Macedo filho, na capital carioca. Com a presença de netos e bisnetos, impôs-se o título de ‘imperador da Macedônia”.

Sua formação militar ainda impregna sua atividade. E ele possui motivos abrangentes para não olvidar do trânsito pela Força, pois, ingressando como soldado, ora desfruta a reserva como oficial superior.
Especializado na arte do desenho, da pintura e da escultura, deixou por onde passou sua marca indelével. Há no quartel do antigo 27 BC – hoje 1º BIS, um quadro da Santa Ceia observando o refeitório do quartel.
Também concebeu quadros de figuras lendárias do Exército, que podem ser encontrados em quarteis do país; seja onde Macedo serviu, como nos Colégio Militar de Manaus e Fortaleza, seja por encomenda de superiores e admiradores, como na AMAN. Há mais que comentar de sua arte, ou poderia eu fazer, se ele não tivesse aposentado os pinceis e a paleta.

Sua profissão permitiu que conhecesse o país, pois esteve servindo em várias capitais, e recolhido conhecimentos transmitidos pelos cursos e o contato com os camaradas. Todavia, uma passagem extraordinária precisa ser relembrada para entender ainda mais sua brasilidade. Aconteceu quando este foi transferido da guarnição do Rio de Janeiro para a de Manaus, no ano de 1978. Tomou a iniciativa de efetuar esta mudança guiando o próprio automóvel. E que auto, uma Variant, já com muitos e muitos quilômetros rodados.
Ilustração produzida pelo autor do livro Da selva de pedra...
A partir de Cuiabá (MT) dispensou os filhos, e com a “Verinha” (forma carinhosa como tratava a esposa) enfrentou a selva por uma rodovia aos pandarecos. Da aventura, Macedo produziu um livro: Da selva de pedras à selva amazônica (2008), no qual participei escrevendo o prefácio. Acolá encontra-se o registro de sua devoção às instituições pátrias.
Enfim, mantem-se vivaz, a despeito de advertências e broncas filiais, sorvendo quando possível uma cerveja. Sem distinção de categoria. Daí eu ter lembrado de poema de Farias de Carvalho, escrito em 1955, saudando a cerveja. “Loira, como as auroras e os trigais, / pura, como o romance que há nos ninhos; / és a chave de todos os caminhos, / princesa dos pecados noturnais.”

Vida longa ao imperador da macedônia!




domingo, novembro 11, 2018

DIA DO OFICIAL R/2

LEMBRANÇA DO DIA DO "ETERNO" ALUNO DO NPOR, OU SEJA, DO OFICIAL R/2. 
A FESTA  ACONTECEU NO SÁBADO ÚLTIMO. PERDÃO, 
ESTIVE MAIS UMA VEZ AUSENTE.


Registro efetuado diante do prédio do comando do 1º BIS Aero, sucedâneo do  27 BC. 
   

segunda-feira, abril 09, 2018

DO 27 BC PARA 1º BIS

Foto do Jornal do Commercio
Esta publicação foi recolhida do Jornal do Commercio (9 novembro 1969), comentando a transformação destas Unidades do Exercito, por isso permanecendo no mesmo aquartelamento, situado no bairro de São Jorge. 
Foi mantido o mesmo comandante: tenente-coronel Paulo Figueiredo que, ao deixar o comando daquela organização, assumiu a direção da Polícia Militar do Amazonas. 


Em solenidade realizada na manhã de ontem (8 novembro) no quartel do bairro de São Jorge, foi instalado oficialmente com a presença do governador Danilo Areosa, general Rodrigo Otávio, comandante Militar da Amazônia, prefeito Paulo Nery e outras autoridades civis e militares, o 1º Batalhão de Infantaria da Selva, extinguindo-se assim o 27º Batalhão de Caçadores, que durante longos anos foi a força do Exército sediada em nossa capital.
O BIS tem como comandante o coronel Paulo Figueiredo, que vinha exercendo o comando do 27º BC. Os flagrantes são da solenidade, aparecendo a cerimônia da troca das Bandeiras (do 27º pela do 1º BIS), e a entrega das Boinas Verdes.Militares integrantes daquele Batalhão, receberam de seus filhos as Boinas Verdes, que passaram a usar em substituição aos capacetes comuns de nosso Exército. 



sábado, março 12, 2016

CINQUENTENÁRIO DA TURMA AJURICABA

TURMA  Ajuricaba 50 - NPOR

                                    ANOS

 

A festa comemorativa Aconteceu Ontem, com OS Participantes abancados em Uma mesa do Restaurante La Parilla . Tardou Uma "eternidade", mas surgiu o dia de festejar OS 50 Anos de formatura dos Alunos do Núcleo de PREPARACAO de Oficiais da Reserva (NPOR), Celebrada Que foi há Pátio do legendario 27 BC (Batalhão de Caçadores). 

   

POUCO Mais de Duas Décadas DEPOIS, retornava Às Atividades o NPOR, na Guarnição de Manaus. A Experiência Primeira na Formação de Oficiais R2 sobreveio com a Guerra II, Quando em Duas turmas quandowere diplomados cerca de 75 Alunos.


Por ESSA Ocorrência, a Turma Ajuricaba conserva uma marca da Renovação, e, nos Novos Tempos da História militar amazonense, constitui-se a Primeira Turma. O Curso Teve Início há ano e anterior, POR SUA Prioridade na Região Militar, SERVIU de Ensaio, tanto that were correções praticadas Durante o ano de Desempenho. Encerrado em 1966 Tomou uma forma ea Duração Que se AINDA Observa em NOSSOS dias.

 

O NPOR foi Aberto com 20 Jovens, todos em Idade do Serviço militar e com o Hoje 2º Grau Concluído, e encerrou-se com uma baixa de Três Alunos: Raimundo Valois, atualmente médico, e Holanda, that brilhou no Vivaldão , defensor Como fazer fast Clube, e fazer saudoso Alrefredo Melo, transferido Pará uma turma Seguinte.

 

Dos 17 formandos, atenderam à Chamada para festa de Ontem: Renato Tribuzy , Primeiro da turma e, em NOSSOS dias, Doutor em Matemática dos Quadros da Ufam; Osório Fonseca , Amilcar Ferreira , Rui Freire de Carvalho e Roberto Mendonça , todos coronéis da Reserva da PMAM; Antonio Gadelha , professor de Economia na Uninorte; Antonio Marinho , aposentado da Sefaz; Salomão Cohen , comercial representante; e Waldir Ferreira , bioquímico, residente e Trabalhando em Brasília-DF.


AINDA pertencem a turma: Carlos Coelho , Engenheiro Pela civis Ufam e comerciante; Francisco Antonino , médico graduado Pela Ufam; Hélio Graça , Funcionário aposentado do Banco da Amazônia, residente em Belém-PA; Péricles Brandt , comerciante; Mário Jurandir, Funcionário aposentado fazer Banco do Brasil ; João Carlos Lopes , INFORMAÇÕES SEM.

 

Por FIM, Odacy Okada , coronel da reserva da PMAM, that, enfermo, deixou de comparecer Ao Almoço; e Ilmar Faria , also coronel da PMAM, that faleceu em 1999.

Registro de Presença fazer grandes da reserva Jurandir Macedo, that A Época, Como graduado, Serviu na Administração do Núcleo.

 
Turma Ajuricaba , em Disputa esportiva

 

Os "garotos de Ontem" fazer NPOR designaram Uma nova dados para seguir Você festejando a efeméride. Os setentões de Hoje desejam relembrar ESSA Trajetória. Vai Acontecer nsa Primeiros dias de junho, Por Ocasião de Outro Cinquentenário: o do ingresso de parte Dessa turma de Oficiais R2 na Polícia Militar do Amazonas.


Até breve!