CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, agosto 08, 2026

CORONEL OSSUOSKY - PAI MILITAR DO ANO - 1976

 Mario Perelló Ossuosky (1927-2021), coronel do EB, foi comandante da Polícia Militar do Amazonas entre abril de 1975 e maio de 1979, pouco mais de quatro anos, durante o governo de Henoch Reis. Foi o comandante, durante o governo militar, que mais tempo permaneceu no comando da PMAM. Quando de seu aniversário em 8 de agosto de 1976, também Dia dos Pais, foi eleito Pai Militar do Ano.

A postagem foi retirada do jornal A Crítica, 8 de agosto de 1976 – há 50 anos! 


Coronel Ossuosky, aniversaria hoje e foi eleito Pai Militar do Ano

O coronel Mário Perelló Ossuoski foi escolhido o PAI DO ANO pela comunidade militar de Manaus. Trata-se de uma homenagem aos predicamentos paternos do coronel Ossuoski, herança dos seus predicados filiais e expressão da sua paradigmária vida familiar.

Educação para a vida militar, Ossuoski é o soldado que jamais poderia não ser soldado. Mais que vocação, seu caso é o modelo típico de sacerdócio. Comandante enérgico, conhece os ditames da ordem ética, isto é, da que se submete à equidade como recusa ao seu antônimo - a iniquidade.

Vivendo em Manaus há tempo bem considerável, seu conceito dentre seus pares fez com que para ele despertasse a atenção do Governo do Estado, que o designou comandante da Polícia Militar do Estado, onde sua conduta tem sido decisiva, evidentemente dentro das suas limitações de ação, para que a cidade recobre a ordem sempre ameaçada pelos agentes da criminalidade e da desagregação social.

Mas é ao Mário Ossuoski, pai, a quem a comunidade militar está homenageando. Do todos os seus galardões, este sem dúvida é o mais precioso de sua vida, pois, bom pai é sinônimo de bom marido e de bom filho, qualidades indispensáveis para todo o bom profissional.

Por outro lado, é o mais belo presente que o coronel Ossuoski recebe hoje, quando no carinho de seus familiares e de seus amigos, comemora 49 anos bem vividos de existência. A ele, os parabéns desta coluna.

sexta-feira, julho 17, 2026

PMAM - HÁ 50 ANOS

 A postagem – sobre a Polícia Militar – é parte da coluna dominical sobre as Forças Federais e a Estadual, assinada pelo jornalista Rubilar Santos, e circulada em A Crítica há 50 anos, no domingo, 18 de julho de 1976.

Quartel da Praça da Polícia
recorte de A Crítica, 18 julho 1976👇

Polícia Militar

REGRESSOU — O coronel Mário Ossuosky, após ter tratado de assuntos de interesse da PMAM em S. Paulo, Rio e Brasília, regressou ontem a Manaus. Nessa viagem, fez-se acompanhar do tenente-coronel Osório e do capitão Orleilson, assistente e ajudante de ordens respectivamente. Durante sua ausência, respondeu pelo comando-geral, o tenente-coronel Hélcio Mota, chefe do Estado-Maior da PM.

BAFÔMETRO — A Polícia Militar recebeu do Detran, cinco BAFÔMETROS. Estes aparelhos são recomendados oficialmente pelo CONTRAN para a medição nos motoristas, do teor alcoólico no sangue. Os bafômetros vão ser utilizados pelas Companhias de Rádio Patrulha, da Polícia Rodoviária e do Trânsito.

ESPECIALIZAÇÃO — Através de um ofício do Núcleo de Modernização da Secretaria de Planejamento do Estado, foi oferecida para a PMAM uma vaga para o Curso de Especialização de Polícia no Japão. O comando-geral já está ultimando os preparativos para a seleção e indicação do oficial.

FÉRIAS — Encontram-se em Manaus em viagem de férias os capitães PM Omar Dau e Antônio de Almeida, pertencentes a PM de Brasília.

JOGOS UNIVERSITÁRIOS — Embarcou sexta-feira, com destino a Belo Horizonte, o aspirante a oficial PM Ary [Renato] Oliveira da Silva. O aspirante Ary integra a equipe de atletismo da FAUD [Federação Amazonense Universitária de Desportos], que disputará naquela cidade os 27°. Jogos Universitários Brasileiros.

MISSA  — Dia 22, o comando da PMAM vai mandar celebrar a missa de 30° dia, por alma daquele que em vida se chamou tenente-coronel PM Júlio [Cordeiro de] Carvalho. A missa será celebrada na Igreja de S. Sebastião, às 8 horas.

Júlio Cordeiro

ACIDENTES DE TRÂNSITO — A Polícia Rodoviária remeteu para este editor, o mapa estatístico dos acidentes de trânsito ocorridos sob sua jurisdição, no período de 1 a 30 de junho de 1976. a) Acidentes com vítimas: 13; b) Acidentes sem vítimas: 15; c) Acidentes com feridos: 26; d) Acidentes com mortes: 28.

Após um estudo minucioso nas fichas de acidentes preenchidas pelos patrulheiros da RP, foi constatado que as principais causas dos acidentes são: excesso de velocidade, falta de atenção e imperícia.

Alfredo Assante

ANIVERSÁRIO — O major Alfredo Assante [Dias] será homenageado amanhã à noite por amigos e companheiros de farda pela passagem de seu aniversário natalício. Assante, chefe da 5ª Seção da PM e Relações Públicas do Círculo Militar, funções em que tem revelado toda a sua capacidade como elemento de comunicação. Homem dado ao diálogo, tem sido um dos maiores colaboradores da gestão do coronel Ossuosky no comando da Polícia Militar, possibilitando o melhor relacionamento que já existiu entre os homens da imprensa e a briosa corporação. Hoje, quando os companheiros da PM e do Círculo Militar estiverem homenageando ao Assante, lá estarão também seus amigos da imprensa.

sábado, julho 19, 2025

SECRETARIA DE SEGURANÇA: 1975

 José Jorge Nardi de Souza, quando major EB, foi comandante da PMAM no biênio 1964-65. Posteriormente, já promovido, Nardi conduziu a Secretaria de Segurança Pública (SESEG), no governo de João Walter de Andrade (1971-75). Ao tomar posse nesta função, encontrou no comando da Polícia Militar o coronel EB Mario Perelló Ossuosky (1975-79). Há poucos anos, Nardi retornou à memória da cidade quando seu filho – general-de-exército César Augusto Nardi de Souza – administrou o Comando Militar da Amazônia (CMA).

À frente, Ossuosky e Nardi (de paletó), ao fundo,
tenentes Jobim, Rocha, Abelardo, Célio, Ivens e
 Alcantara. Mais, o coronel Neper, atrás do secretário

A postagem sacada do diário A Crítica (16 maio 1975) mostra seu empenho quando assumiu a secretaria de Segurança, na visita a Polícia Militar.

O Secretário de Segurança, Cel. José Nardi, esteve em visita de cortesia à Polícia Militar e ao mesmo tempo pedindo solidariedade dos componentes da PM, na árdua luta da SESEG em prol do bem-estar da coletividade. O comandante da Polícia Militar, Mário Ossuosky, colocou-se à disposição de atender todas as perspectivas daquele órgão e, na oportunidade, expôs os trabalhos por ora desenvolvidos pela PM, em todos seus setores, Polícia Rodoviária, Corpo de Bombeiros, Rádio Patrulha, Cia Tran e Centro de Operações.

A seguir, o comandante da PM acompanhou José Nardi e o delegado-geral João dos Santos Pereira Braga a uma das dependências do prédio da Polícia Militar, onde foram exibidos “slides” enfocando a maneira como os componentes da PM desenvolvem suas respectivas tarefas e as necessidades sentidas por eles, devido à falta de alguns requisitos do referido órgão.

TRABALHO: A Secretaria conta com uma ação conjunta da Polícia Militar e Polícia Federal, em suas diversas missões em garantia da ordem e segurança da cidade, que se vê tomada pela onda de banditismo, devido à falta de uma estrutura e entrosamento entre alguns órgãos. Tudo isto foi sentido pelo novo secretário de Segurança, que ainda nesta semana, fez questão de sentir de perto todos os problemas que afligem os distritos e subdelegacias dos bairros.

“Partiremos para uma outra etapa e mudaremos tudo aquilo que contrarie o bom andamento da SESEG”, salientou, trazendo à tona o problema da falta de material humano e afirmando que está em seus planos colocar a Secretaria de Segurança, na altura de qualquer um outro órgão do Sul do país.

Para um melhor entrosamento entre a Polícia Militar e Civil, ambos órgãos expuseram os seus recursos e suas dificuldades em desenvolver um trabalho com maior amplitude. Uma análise mais profunda ainda vem sendo feita, enquanto a SESEG passa por outras reformulações.

REUNIÃO : Ainda sem data marcada, o Cel. José Nardi, juntamente com o Delegado-Geral, João dos Santos Pereira Braga, irá fazer uma reunião coletiva com a imprensa, pois a secretaria de Segurança espera contar com o apoio de todos, “porque somente assim, conseguiremos galgar nosso objetivo”, frisou.

 

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

CHAVE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO CMA

Ossuosky (acima) e
Farias de Carvalho
 O fato foi o seguinte: quando comandante-geral da PMAM, o coronel EB Mário Ossuosky (1975-79) enfrentou grave crise na segurança promovida por delinquentes negros. Ou, era o que se propagava na corporação. Certo dia, um soldado PM aborda o desembargador Paulo Feitosa que conduzia sua família em automóvel próprio. O magistrado era negro, apenas por isso o militar tratou aquela autoridade com o rigor da lei.  O presidente do Tribunal de Justiça buscou ao citado comandante, que concordou com seu subordinado, agravando a crise.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Farias de Carvalho amplificou o imbróglio, que segue abaixo, compilado do matutino A Notícia (edição de 22 out. 1975)

 


Fechar as portas do Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia, seria a decisão tomada pelo presidente do Poder Judiciário, face à decisão do comandante da Policia Militar, coronel Mário Ossuoski, ao cobrir de razões um soldado que agredira a autoridade do desembargador Paulo dos Anjos Feitosa. O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo.

O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para em seguida identificar-se. A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir c capô. a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro. "Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando" - afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões. (...)

Recorte do matutino A Notícia, 22 out. 1975

Enquanto isso, o Presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao Governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem. Providência idêntica será adotada pela presidência da Assembleia Legislativa com relação aos deputados, algumas vezes desrespeitados por soldados sem qualquer senso de educação. 

quarta-feira, junho 16, 2021

CORONEL MÁRIO PERELLÓ OSSUOSKY

Faleceu ontem, em Brasília (DF), o ex-comandante da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Mário Ossuosky. que assumiu o comando em 23 de abril de 1975 e o deixou em 13 de maio de 1979, quase todo cumprido na gestão do governador Henoch Reis. 

Coronel Ossuosky (no detalhe), seguido do general Heitor Luiz - IGPM; oficial CMA;
desembargador Jesus Ferreira Lopes; doutor Mário- Auditor Militar e major PM Odorico
Alfaia, em recepção ao IGPM ocorrida no restaurante Chapéu de Palha (1977)

Sua presença na corporação foi marcante, cabendo ressaltar a implantação do corpo de leis, que ainda servem de diretrizes na corporação. Outra respeitável iniciativa foi a criação dos grandes Comandos, então divididos em Capital e Interior. 

A ele cabe a existência das primeiras Diretorias: de Finanças, de Apoio Logístico e de Pessoal. No tocante ao policiamento ostensivo, tratou de dotar a Cidade e o Interior com as Companhias Independentes, e diante da expansão da Zona Franca, a Companhia de Choque. Em Tefé, foi instalada a sede do 3º Batalhão. Sua última inauguração foi o Centro de Suprimento e Manutenção, no bairro de Petrópolis.

Cuidou igualmente da área social, com ênfase nos clubes (hoje associação) de praças e oficiais. Prestigiava com vigor as iniciativas dos camaradas policiais. Outro detalhe desta área foi a abertura do Armazém Reembolsável, instalado no próprio quartel da Praça da Polícia, para atender aos policiais amazonenses.

Deixei por derradeiro a marca de outra iniciativa deste comandante, cuja ação ainda perdura em nossos dias, suspensa obviamente pela pandemia. Trata-se da congregação de oficiais em almoço fora da caserna, quando os espíritos se congregavam e as deliberações mais bem fluíam. Teve início com a alcunha de "almoço dos cardeais", hoje possui uma denominação mais eclética: "almoço dos coronéis".

Descansa em paz, talentoso Comandante, a PMAM tem a obrigação de consagrá-lo em alguma de suas realizações.

terça-feira, novembro 07, 2017

PMAM: QUASE VIRA HILTON HOTEL

Zuavos e o Quartel da PMAM
Ainda quando circulava em A Notícia, a Coluna de Gil (saudoso colunista social) deu publicidade a uma investida hoteleira sobre o Quartel da Praça da Polícia. O lobby empresarial prosperou, tanto que, consoante a lei 1206/76, o Governo do Estado foi autorizado pelo Poder Legislativo a alienar o mencionado imóvel.

Na época, parte do reboco frontal do prédio – próximo do Pina – desabou. Esse pequeno acidente ensejou ao comandante-geral, coronel Mário Ossuosky, a providenciar aparatosa interdição do espaço e de argumentar junto ao governador Henoch Reis (1975-79) pela alienação do quartel.

Em dezembro de 1976, o governo recebeu autorização para vender o prédio, comigo presente e servindo neste quartel. No entanto, a sociedade encetou larga oposição, pilotada pelo presidente do IGHA, Roberio Braga. Resultado: a Polícia Militar seguiu ocupando o quartel por mais 25 anos; ocasião em que entregou o imóvel à Secretaria de Cultura, coincidência, então sob a regência de Roberio Braga.  
  
 
Recorte de A Notícia, 16 outubro 1975,
mostra erroneamente o Ginásio Pedro II,
na mesma praça
 * O grupo que comanda a cadeia de hotéis Hilton em todo o mundo, anda interessadíssimo em edificar similar nestas paragens. As transas tiveram início no governo João Walter [1971-75] e depois paralisadas por motivos vários. Está esse grupo erigindo em Belém do Pará um hotel dessa cadeia e por aqui é pretensão adquirir o antigo prédio que se situa a Polícia Militar – Quartel General – localizado à praça Heliodoro Balbi.

Como o prédio em questão, antiquíssimo e não tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado, anda meio ocioso e não oferecer as comodidades exigidas para o pleno funcionamento dessa corporação, proporciona a chance de dotar esta Manô contrastante de um hotel de categoria internacional com todo o know-how alcançado no ramo da hotelaria, seria algo devidamente sólido, sem dúvida.

Tem a palavra o Governo do Amazonas, já que o citado imóvel pertence ao Estado.

** Depois é uma oportunidade para não se deixar fugir, lembrando que o grupo caixa-alta português que esteve mantendo approachs por aqui, desejando fazer surgir um complexo turístico sensacional, devido ao impasse gerado provocado por outro grupo empresarial privado, trocou estas paragens pelo litoral cearense, fazendo brotar no Nordeste um ponto de lazer pra ninguém botar defeito.
 Quem perdeu muito mais foi esta city, sem contar esses business-men que poderiam nestas alturas estar deitando e rolando: por exemplo o grupo Hotel Amazonas. Pois é. 

segunda-feira, novembro 06, 2017

PMAM vs PODER JUDICIÁRIO

Este post me fez relembrar um fato escabroso. Dele participei indiretamente, assegurando que os dois principais personagens estão vivos, já ingressados nos “oitentanos”: coronel EB Mario Perelló Ossuosky e desembargador Paulo dos Anjos Feitosa.
Então major da PMAM, dirigia o CPC (Comando de Policiamento da Capital), quando este órgão enfrentou forte onda de assaltos e outros crimes conexos, atribuídos a uma quadrilha alcunhada de “mulatos”.



Para combater a delinquência, a PMAM, sob o comando do coronel EB Mario Ossuosky (1975-80), estabeleceu diversos procedimentos. Um deles constituía em vistoriar todos os veículos suspeitos.
Certa noite, uma patrulha abordou o desembargador Paulo Feitosa que, devido sua cor amorenada, foi considerado suspeito. Um soldado, entretanto, não atendeu a explicação do magistrado, apesar deste ter se identificado.

O desdobramento do incidente ocupou os deputados estaduais; e a manifestação segue abaixo, conforme publicado no extinto periódico A Notícia (22 outubro 1975).

COMANDANTE DA PM QUER FECHAR O TRIBUNAL
E ENTREGAR AS CHAVES AO CMA

A revelação “estourou” em plenário através do presidente da Casa, deputado José Dutra: um soldado da PM ofendeu e humilhou o desembargador Paulo Feitosa, no trânsito. O presidente do Tribunal, desembargador Luiz Cabral, foi ao comandante da Polícia Militar, coronel Mario Ossuosky, e ouviu dele esta declaração: “O soldado tem razão. Vou fechar o Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia”.


Soldado da PMAM molesta e desrespeita desembargador


O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo. O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para, em seguida, identificar-se.


A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir o capô, a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro.

“Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando” – afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões.

Desembargadores
Luiz Cabral (acima) e
Paulo Feitosa
Ao abordar o fato na Assembleia Legislativa, o deputado emedebista foi aparteado pela maioria dos parlamentares da ARENA e MDB que hipotecaram solidariedade ao desembargador agredido, enquanto repudiavam o comportamento do soldado e do próprio comandante da PM.

Dizendo não estar dando qualquer demonstração de machismo, Farias de Carvalho salientou que, se um fato daquele lhe acontecesse, só duas coisas poderiam acontecer: ou o soldado o respeitava como deputado, ou no dia seguinte a Assembleia abriria suas portas para velar o seu cadáver. (...)

Enquanto isso, o presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela Corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem.

segunda-feira, abril 30, 2012

Memória da PMAM

Abril, 30

1981 – Foi inaugurado o quartel do 2º BPM (Batalhão Candido Mariano), em Itacoatiara (AM). A instalação desta unidade em prédio próprio vinha consolidar a iniciativa do comando anterior, do coronel Ex Mário Ossuosky, que arregimentou medidas junto as prefeituras interioranas. Ao encargo destas ficava o encargo de ceder terreno adequado a construção de quarteis. A prefeitura da Velha Serpa fez a doação do terreno, conforme a Lei n.º 1, de 23 fev. 1978, situado na rua Benjamin Constant.

Quartel do 2º BPM, na inauguração, 1981
Poucos foram os municípios que atenderam o empreendimento, não alcançaram meia dúzia: Parintins, Humaitá, Manacapuru, São Gabriel da Cachoeira e o mencionado.

Exercia o comando geral da corporação policial militar o coronel Ex Wilson Ribeiro Raizer. Em Itacoatiara, comandava o 2º BPM, que para esse município fora destacado há tempo, o então tenente-coronel Ilmar dos Santos Faria (falecido em 1999)

Antes de se instalar neste endereço, o batalhão passou uma temporada em um edifício pertencente a Prelazia de Itacoatiara, autêntico arranjo para o jeito brasileiro.
Em Itacoatiara, edifício onde se inatalou o 2º BPM

quarta-feira, junho 29, 2011

Clube dos oficiais da PM e do CBM (2)

Duas forças animaram o Clube dos oficiais da PM. A partir de 1966, o maior incremento de oficiais na corporação. E, a mais significativa, a tomada do poder Executivo pelos militares, em 1964.
A partir desta, o comando das polícias militares passa a ser exercido por oficiais do Exército. Um deles se destaca em Manaus, o coronel Mário Perelló Ossuosky, que exerce a direção da PM do Amazonas entre 1975-79, quando doutor Henoch Reis governa o Estado.

Clube dos oficiais da PM e CBM, em construção (acima)
na inauguração (abaixo)

Coube ao coronel Ossuosky a iniciativa de construir a sede do Clube dos oficiais. Conquistado o terreno, em área tão nobre, policiais-especializados (carpinteiros, pedreiros, marceneiros, mestre de obra) edificaram a sede. Construída em madeira, com amplas varandas para facilitar o arejamento, possuía destacada apresentação. Os acréscimos que lhe foram impostos não trouxeram mais destaque, ao contrário.

Cerimônia da inauguração, governador Henoch Reis
chega ao Clube (acima) e capitão Paulo Maciel, orador
do Clube, sauda o governador.
 
Dirigia o clube o então major Romeu Pimenta, auxiliado pelo capitão Orleilson Guimarães. Foram estes oficiais que aproveitaram os meios postos à disposição, para a efetivação da obra.
Assim, coube-lhes organizar a inauguração da sede, fato que ocorreu em 28 de dezembro de 1978. Eram decorridos 25 anos desde que a turma de oficiais da corporação reuniu-se em algum lugar de Manaus, para criar a instituição.
A partir da esq. capitao Orleilson, coronel Helcio Motta, coronel
Ossuosky, major Medeiros (presidente) e Ossuosky Filho
A partir da esq. tenente Nonato, coronel Ossuosky, coronel Helcio,
major Medeiros e major Fausto

segunda-feira, junho 27, 2011

Clube dos oficiais da PM e CBM (1)

Fundado em 1953, três anos depois, o Clube dos oficiais da PM tinha por presidente o doutor Antônio Hossanah, médico da corporação. Uma movimentação coletiva em prol dos associados está registrada em jornal da cidade.

Dr. Antônio Hossanah

A Crítica, 25 out. 1956
Tratava-se da reivindicação junto ao governo do Estado de melhorias salariais. O texto vem assinado pelo presidente, utilizando uma fórmula própria da época: a coluna Solicitadas, que os jornais abriam ao público.
Sem exageros, apelando obviamente mais para os sentimentos que o cofre estadual. Sem ameaças.

O passo marcante dado pelo clube ocorreu com a organização da festa carnavalesca, realizada no Rio Negro Clube, em 1974. Mas foi no comando do coronel Mário Ossuosky (1975-79), que o projeto se tornou realidade.

Em 1978, sendo presidente o então major Romeu Medeiros, obtido o terreno em área nobre, na então avenida do Aleixo, hoje André Araújo, foi possível consolidar a construção da sede. Não se trata de revelação fora do comum, mas toda mão de obra e, creio que o material, saiu da corporação.
Construído em madeira, como ainda se encontra, apesar de mais de trinta anos e alguns presidentes. Poucas modificações ocorreram.
Sede do Clube dos oficiais da PM/AM, em construção, 1978
A seguir, a inauguração.

quinta-feira, maio 05, 2011

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (XXI)

Sempre se cogita da ampliação de “postos avançados”, nos bombeiros; pois é imprescindível reduzir ao máximo o espaço de tempo no atendimento da chamada do 193. Este é o fundamento básico. Por isso, mesmo com a implantação do quartel em Petrópolis, em 1974, o Corpo de Bombeiros ainda manteve o “velho” quartel da Sete de Setembro como o primeiro posto avançado. Durou pouco, porém.

Antes do final dos anos 1970, a Prefeitura de Manaus cedeu em comodato aquela edificação à Fundação Joaquim Nabuco do Recife (PE) para a implantação do Museu do Homem do Norte que, afinal, foi inaugurado em 1985.
Bombeiro aproveita a segunda plataforma dos Bombeiros
Em 10 de novembro de 1975, ante a iminente inauguração do novo aeroporto internacional, foi instalado o Posto Avançado do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. Era o segundo posto. Sua atuação, contudo, ficava restrita às aeronaves e aos passageiros, dispondo de quatro viaturas (Pioneiro I e Pioneiro II, além de limpadores de pista). Inicialmente, o efetivo era de 63 bombeiros, dirigidos pelo tenente Nestor Arnaud Barbosa.

No entanto, em abril de 1982, as controvérsias sobre a execução do convênio levaram à primeira extinção deste posto. Mas, as partes acordaram no restabelecimento; em dezembro de 1984, sucedeu a reimplantação, agora com um efetivo mais reduzido: 45 homens divididos em três equipes, e um aumento de viaturas.
Para encurtar a conversa, o contrato segue ativado e a SCI do Aeroporto funcionando.

Formatura dos bombeiros, 1982
O terceiro posto foi implantado no Distrito Industrial (DI). A inauguração ocorreu em 23 de fevereiro de 1979, ao tempo do governador João Walter de Andrade e do coronel Mario Perelló Ossuosky, comandante da PMAM. O propósito era elementar: proteger as edificações e os operários das empresas que se implantavam no DI, espaço visto com muita estima e maior expectativa pelos amazonenses.

Além do DI, o posto atenderia ao conjunto habitacional dos servidores da Suframa e à Usina Termoelétrica do Mauazinho, utilizando duas viaturas APQ (Auto Pó Químico) e 22 bombeiros do efetivo do 2º Sub GI. Este quartel permanece em operação. (segue)

terça-feira, março 08, 2011

CLUBE DOS OFICIAIS DA POLÍCIA E BOMBEIROS (2)

Na sexta-feira, 12, o Clube dos Oficiais da Policia e Bombeiros Militar escolhe seu novo presidente. São dois candidatos: o da situação, há doze anos na direção, promete manter a “forró da ladeira”; o da oposição, obviamente, deseja subir a “ladeira”, mas parece que falta força. Vou comparecer para rever os colegas, mas aqui vou lembrar algumas “paradas” deste Clube.

Mas, antes de prosseguir, quero consertar a informação ontem postada. Apareceu o mais velho oficial da corporação: falo do major José Areosa de Assunção, nascido em 29 de agosto de 1914. Isso mesmo, vai completar 97 anos. Apesar de quase centenário não consserva informações sobre a criação do Clube. No entanto, aqui não interessa os primeiros dias do COP, interessa para os eleitores os últimos dias.

Confraternização natalina da PM no Rio Negro Clube, em 1976
A partir do crescimento dos oficiais, foi possível ampliar os recursos do clube e pensar numa sede social. Mas, em toda década de 1960, a turma se encontrava na “casa” dos outros, em especial para fazer festa. De outra maneira, o Governo Militar a partir de 1964, impondo o comandante da Força Terrestre acentuou a mudança na Força Policial.
Lembro da primeira festa de carnaval promovida pelo clube. Aconteceu no Rio Negro Clube, na sexta-feira gorda. A ideia era de que os oficiais poderiam comparecer sem atropelos, pois o carnaval propriamente “pulado” começava no sábado. Pouco depois, tornou-se inviável, pois, o Rei Momo expandiu seu reinado e... a festa dos oficiais foi para o brejo. Era o ano de 1974, e o comandante geral da PM era o saudoso coronel Lucy Coutinho.

Depois veio o coronel Ossuosky, ainda vivo, que pode melhor ampliar esse trecho. Foi comandante entre 1975-79, durante o governo de Henoch Reis. Ainda hoje se diz que ele possui o mérito de balizar a evolução da PMAM. Antes e depois dele...
Falando de festas, coube a ele institucionalizar a comemoração de Natal dos oficiais, com as primeiras festas no Rio Negro Clube. A ilustração mostra o então capitão Fausto Ventura que, possuidor de voz de baixo (tinha de ser) forçada, fazia a apresentação da festa.

Festa natalina, com o então capitão Fausto Ventura fazendo
a apresentação, em 1976
Na mesa, o governador Reis e esposa, além do comandante Ossuosky, o general comandante do CMA e o coronel Jorge Teixeira, então prefeito de Manaus.

Confraternização de Natal da PAM, em 1976, no Rio Negro Clube,
todos a rigor.
Outra feliz iniciativa do coronel Ossuosky foi a instalação do almoço dos “cardeais”, ou seja, dos oficiais próximos, que o jargão militar identifica por “peixes”. Não era bem assim, ele costumava convidar diferentes companheiros, pois seu interesse era unir os futuros dirigentes da PM. Tão feliz foi a iniciativa que, ainda na última sexta-feira de fevereiro, os antigos coronéis se reuniram. Com um detalhe, ouvindo os candidatos ao clube.

Enfim, foi em seu comando que o COP conseguiu sua sede, com ladeira e tudo. Cresceu, quando a sociedade buscava se reunir, levar a família, divertir-se e tomar aquelas “geladas”. Os antigos sabem, a ajuda era constante e fundamental da corporação, tudo saía do quartel para equipar o clube. Lá estiveram dirigindo o clube o coronel Okada, que comprou a primeira piscina, dessas coloridas. Foi um desastre. Presidiu o clube o coronel Medeiros, o Brandão e o Arnaud. Tem muito coronéis mais, breve irá ao espaço a relação dessa turma.

Mas, como enfatizei, um dia dos anos 1990 os clubes começaram a se desintegrar. Os clubes foram encerrando as portas. A falência varreu a cidade, que possuía uma eternidade de locais associativos. Do Rio Negro, passando pelo Ideal Clube, Nacional, Barés... Ckeik e Bancrevea, na Getúlio Vargas. Todos da Cachoeirinha, do Educandos. Qual ainda resiste? Nem os clubes militares.

Então tá. O mesmo aconteceu com os clubes do pessoal da PMAM. Viraram “sindicatos”, prometendo apenas aumento salarial, como a PEC 300, de infeliz memória. E distribuindo “cesta básica”. Daí para o “forró da ladeira” foi um passo, criando um arranca-rabo que se discute a cada dois anos. Ao tempo das eleições.


O comandante-geral da PM tem competência para resolver o problema, amanhã opino. (segue)