CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, setembro 21, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

A instalação do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus, oriundo de Belém do Pará, motivou esplendido júbilo nesta capital. A imprensa, como para registrar este sentimento, produziu páginas de louvores. O Jornal, um dos periódicos em circulação, editou uma página dando as boas-vindas a este grande comando das Forças Terrestres, ainda em nossos dias disciplinado a atuação verde-oliva na Amazônia. José Feitosa subscreveu a matéria pautada na edição de 3 de julho de 1969, aqui parcialmente compartilhada.

 


PARA se contar em minúcias a história do Exército na Amazônia Ocidental será necessário retroceder nos anos, até os tempos mais remotos da nossa era, quando da descoberta e daí partir para o crescente movimento feito na região, procurando desenvolvê-la e fazê-la notada por todo o resto do país e do Mundo, (...) 


NÃO É COMO ATUALMENTE —O Grupamento de Elementos de Fronteiras que conhecemos hoje não nasceu viçosa como hoje é, e sim, foi fruto de um intrincado processo evolutivo que tem suas raízes no estabelecimento dos primeiros fortes portugueses, que no século XVII tomaram posse da terra para a Coroa Lusitana. Dalí, até os nossos dias, mesmo encontrando os mais sérios obstáculos em sua caminhada os valentes soldados sempre se mantiveram firmes no Amazonas, procurando dar tudo de si para o desenvolvimento dessa área.

Os maiores obstáculos encontrados pelos primeiros militares que se fixaram no Amazonas, foram as distâncias, a falta de recursos de entidades oficiais, e principalmente as dificuldades criadas pelo próprio meio ambiente, as quais não permitiam um método normal de vida dos mesmos. (..) 

27º COLABOROU DECIVAMENTE —Vale ressaltar que para a formação dos pelotões de fronteiras, as sementes foram tiradas do 27º Batalhão de Caçadores, entre os anos de 1920 até 1942, quando aquela corporação colaborou decisivamente para manter sempre firmes os pelotões de fronteiras que vigiavam as áreas divisórias em nosso território mantendo sempre presente a Bandeira Brasileira no meio da verdejante floresta amazónica. Sacrifício e Tenacidade nunca faltaram aos gloriosos soldados daqueles tempos, para a manutenção dos contingentes destinados à segurança da área mesmo levando em conta as adversidades do meio ambiente, e só graças a essa tenacidade pudemos chegar aos nossos dias caminhando a passos largos para a efetiva ocupação de toda a Amazônia Ocidental conforme os planos estabelecidos pelo Governo Revolucionário. 

O COMANDO DE FRONTEIRAS —Só no ano de 1948, considerando uma serie de fatos, entre os quais o vulto das experiencias e das distâncias para a manutenção do comando, rasolveu.se finalmente criar o Comando de Elementos de Fronteiras (CEF), ficando o seu comando atribuído a um major. Foi o primeiro comandante do Comando de Elementos de Fronteira o major Mattoso Maia que ao assumir o posto procurou imediatamente pôr em franco funcionamento todo o dispositivo militar necessário a uma franca ocupação da área obtendo pleno e absoluto sucesso em sua missão, começando daí uma nova era de progresso para a região, justamente porque, com a criação do Comando de Elementos de Fronteira, novas oportunidades de civilização foram abertas e novos métodos de trabalho puderam ser empregados em virtude da maior atenção dispensada pelas autoridades competentes a toda a região.

O principal objetivo do Comando de Elementos de Fronteira, segundo está expresso na Portaria Ministerial que o criou, era de "proporcionar aos elementos destacados em guarnições longínquas e desprotegidas de recursos, objetiva e pronta assistência, e de coordenar suas atividades". Essa Portaria só se objetivou em abril de 1949.

Nessa época, voltavam à discussão antigas e sopitadas aspirações estranhas aos nossos interesses que sob forma "Altruísta", desejando torna-la útil a Humanidade "com fome de espaço e de alimentos'', de nações superlotadas e famintas, se propunham à Internacionalização da Hileia Amazônica.

Em virtude disso, o EME, juntamente com os demais órgãos responsáveis pela segurança da Nação, recebeu incumbência de estudar um equipamento mais adequado à Amazônia, atenta as suas possibilidades. Postas mãos à obra, pelo Exército, foi criada uma Comissão Militar de Estudos (CME). Em virtude desses estudos e de medidas governamentais vieram para a Amazônia vários órgãos que deram início realmente a uma nova política de valorização da Amazônia, (...) mas que agora, graças à fibra e tenacidade do soldado do glorioso Exercito Brasileiro, já estão praticamente controladas e dando oportunidade a que comecemos a trilhar os verdadeiros caminhos de glória que sempre almejamos (...).

Hoje, quando se celebra a solenidade de instalação do Comando Militar da Amazônia em Manaus, em solenidade que será realizada às 16 horas na Praça General Osório, sob a presidência do ministro do Exército, general Aurelio Lyra Tavares, os brasileiros do Amazonas estão ainda mais certos e convictos de que os esforços feitos pelos nossos antepassados e pelos componentes do Exército dos nossos dias não foram em vãos (...).


terça-feira, setembro 17, 2024

BATEDORES DA POLÍCIA DO EXÉRCITO

Em pesquisa sobre o policiamento motorizado na PMAM (Polícia Militar do Amazonas), deparei com o uso de motocicletas, obviamente importadas, no primeiro governo de Gilberto Mestrinho (1959-63). Detalhe: serviram para uso dos primeiros, digamos, “batedores” da corporação. Com a instalação da Zona Franca de Manaus, o governo do Estado importou, em 1972, quatro motos Harley Davidson e, com essas, adestrou a equipe de “batedores”, cujo treinamento ocorreu junto à então Cia PE (Companhia de Polícia do Exército). O treinamento capacitou a turma a realizar, entre outras exibições, a pirâmide apoteótica no desfile do Dia da Pátria.

Revirando arquivos jornalísticos, encontrei a foto aqui postada em A Gazeta (07 dez. 1963), que exibe “batedores” da PE (Polícia do Exército), em frente ao Hotel Amazonas, empregando a motoneta “Vespa” no serviço. A minha estranheza advém do fato de desconhecer o uso deste veículo no âmbito militar. Enfim, repetindo o velho adágio: quem não tinha cão, caçava com... Vespa.

Para saber mais sobre este serviço, consultar os “Batedores da PMAM”, neste blog.

 

Recorte de A Gazeta, 7 dez. 1963

GARBO, PRESTEZA E EFICIÊNCIA

O policiamento ostensivo do Exército tem uma história, que vem desde as patrulhas ocasionais até à organização moderna e atual. Manaus lembra-se muito bem dos soldados ainda do tempo do culote e da perneira, cinto-de-guarnição e sabre à cintura, percorrendo a cidade à noite, porque “depois de 10 horas, soldado não anda na rua”. À paisana também era “recolhido”. Quando a ordem era perturbada, a patrulha saía reforçada, com soldados de dia à “companhia”, ou da própria guarda-do-quartel. O RDE (Regulamento Disciplinar do Exército) era o manual da patrulha. Depois, apareceram as braçadeiras da PV (patrulha volante), até a PE atual, famosa e respeitada, com sua constituição aprimorada, de carro ou de lambreta e raramente a pé. PE, antigamente, era o Pelotão Extra, que abrigava a turma burocrata do quartel. Agora PE é PE mesmo, Polícia do Exército, com função especificada.

quarta-feira, julho 17, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

Em 4 de julho (data nacional norte americana), marca a posse do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus. Aconteceu há 55 anos, em 1969, quando foi extinto o GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira), em prol desta nova grande unidade das Forças Terrestres. Dias depois ocorreu a solenidade de posse do primeiro comandante: general Rodrigo Otavio Jordão Ramos, singularmente conhecido por RO.

Manaus, 4 de julho de 1969

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

CHAVE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO CMA

Ossuosky (acima) e
Farias de Carvalho
 O fato foi o seguinte: quando comandante-geral da PMAM, o coronel EB Mário Ossuosky (1975-79) enfrentou grave crise na segurança promovida por delinquentes negros. Ou, era o que se propagava na corporação. Certo dia, um soldado PM aborda o desembargador Paulo Feitosa que conduzia sua família em automóvel próprio. O magistrado era negro, apenas por isso o militar tratou aquela autoridade com o rigor da lei.  O presidente do Tribunal de Justiça buscou ao citado comandante, que concordou com seu subordinado, agravando a crise.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Farias de Carvalho amplificou o imbróglio, que segue abaixo, compilado do matutino A Notícia (edição de 22 out. 1975)

 


Fechar as portas do Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia, seria a decisão tomada pelo presidente do Poder Judiciário, face à decisão do comandante da Policia Militar, coronel Mário Ossuoski, ao cobrir de razões um soldado que agredira a autoridade do desembargador Paulo dos Anjos Feitosa. O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo.

O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para em seguida identificar-se. A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir c capô. a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro. "Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando" - afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões. (...)

Recorte do matutino A Notícia, 22 out. 1975

Enquanto isso, o Presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao Governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem. Providência idêntica será adotada pela presidência da Assembleia Legislativa com relação aos deputados, algumas vezes desrespeitados por soldados sem qualquer senso de educação. 

quarta-feira, junho 16, 2021

CORONEL MÁRIO PERELLÓ OSSUOSKY

Faleceu ontem, em Brasília (DF), o ex-comandante da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Mário Ossuosky. que assumiu o comando em 23 de abril de 1975 e o deixou em 13 de maio de 1979, quase todo cumprido na gestão do governador Henoch Reis. 

Coronel Ossuosky (no detalhe), seguido do general Heitor Luiz - IGPM; oficial CMA;
desembargador Jesus Ferreira Lopes; doutor Mário- Auditor Militar e major PM Odorico
Alfaia, em recepção ao IGPM ocorrida no restaurante Chapéu de Palha (1977)

Sua presença na corporação foi marcante, cabendo ressaltar a implantação do corpo de leis, que ainda servem de diretrizes na corporação. Outra respeitável iniciativa foi a criação dos grandes Comandos, então divididos em Capital e Interior. 

A ele cabe a existência das primeiras Diretorias: de Finanças, de Apoio Logístico e de Pessoal. No tocante ao policiamento ostensivo, tratou de dotar a Cidade e o Interior com as Companhias Independentes, e diante da expansão da Zona Franca, a Companhia de Choque. Em Tefé, foi instalada a sede do 3º Batalhão. Sua última inauguração foi o Centro de Suprimento e Manutenção, no bairro de Petrópolis.

Cuidou igualmente da área social, com ênfase nos clubes (hoje associação) de praças e oficiais. Prestigiava com vigor as iniciativas dos camaradas policiais. Outro detalhe desta área foi a abertura do Armazém Reembolsável, instalado no próprio quartel da Praça da Polícia, para atender aos policiais amazonenses.

Deixei por derradeiro a marca de outra iniciativa deste comandante, cuja ação ainda perdura em nossos dias, suspensa obviamente pela pandemia. Trata-se da congregação de oficiais em almoço fora da caserna, quando os espíritos se congregavam e as deliberações mais bem fluíam. Teve início com a alcunha de "almoço dos cardeais", hoje possui uma denominação mais eclética: "almoço dos coronéis".

Descansa em paz, talentoso Comandante, a PMAM tem a obrigação de consagrá-lo em alguma de suas realizações.

quinta-feira, novembro 21, 2019

COMANDO MILITAR DA AMAZÔNIA (4)

Jornal do Commercio, 26 nov. 69

O Comando Militar da Amazônia (CMA) teve relevante zelo, quando comandado pelo general Rodrigo Octavio Jordão Ramos (1968-69), popularmente conhecido por RO. Sua fama de “caxias” cruzava o território do Norte, que ele percorreu com ímpeto. Militares de todas as patentes o respeitavam. Inclusive na Polícia Militar do Amazonas, onde eu servia, posto que lhe cabia a supervisão da milícia. Esses cuidados se acentuavam quando era marcada uma inspeção do general RO.
Ao deixar o CMA, os jornais da capital enfatizaram o fato, dado sua personalidade. Há em Manaus uma avenida com seu nome. E, no portão de cada quartel da Região, sua assinatura  abaixo da consagrada frase que lembra a conquista e a manutenção da Amazônia.
Recolhi de dois matutinos essa recordação cinquentenária.

Título da nota sobre o general Rodrigo Octavio - A Crítica, 26 nov. 1969
O general de divisão José Nogueira Paes foi designado ontem pelo presidente Garrastazu Medici para comandar o CMA e 12ª Região Militar, em substituição ao general Rodrigo Octavio Jordão Ramos, promovido ontem ao posto de general de exército e designado para chefiar o Departamento de Produção e Obras do Exército. 
Para o mais alto posto hierárquico do Exército também foram promovidos ontem os generais de divisão Artur Duarte Candal Fonseca, Idálio Sandemberg e Breno Borges Fortes. Ao posto de general de divisão foram promovidos os generais de brigada Moacir Barcelos Potiguara e Augusto José Peresgrave. Ao posto de general de brigada foram promovidos os coronéis Milton Tavares de Souza, Benedito Maia de Almeida, Caio Barbosa Leite, Geraldo Alvarenga Navarro e Enéas Martins Nogueira. 
O general Candal Fonseca foi designado para comandar o IV Exército e o general Breno Borges, o III Exército.

sexta-feira, novembro 01, 2019

7ª CIA FRONTEIRA: TABATINGA (1960)

Magdala, 1960

Vez por outra recebo algum e-mail, em função deste blog, que me incentiva em prosseguir publicando esses papeis amarelados pelo tempo. Foi o que me ocorreu com essas duas “cartas eletrônicas”, oriundas do Rio para me falar do rio Solimões. Ou melhor, de Tabatinga, “bem ali” na fronteira com a Colômbia e o Peru. Não há muito que acrescentar, pois a remetente – dona Magdala Domingues da Silva, conheceu junto com o marido, o então tenente Ivar Leonardo Soares Costa, a dureza imposta pela imensidão e as distâncias amazônicas. Apenas falando de nossos dias, imagine isso há 60 anos passados.
Entre colchetes, acrescentei pequenas explicações em atenção aos mais novos.
Obrigado pelo incentivo. Selva, dona Magdala!

7ª Cia Fronteira - Tabatinga - 1960
  24 julho 2019
 Senhor Coronel RobertoBuscando elementos dos idos de 1960 sobre o GEF [Grupamento de Elementos de Fronteira] e seu comandante o Coronel (na época) Darcy Lázaro deparei com seu blog que me trouxe lágrimas de saudade.Sou viúva de um oficial que acompanhei à 7ª Cia de Fronteira em Tabatinga.
O lema da Cia. era "Marcamos os limites da pátria. Há que ser forte".Infelizmente o Brasil é um país sem memória. Vivi ali naquela clareira aberta na floresta, às margens do espetacular Solimões minha lua de mel colaborando com meu tenente idealista com quem dividi sonhos de uma vida feliz que durou 54 anos.Consegui algumas fotos da época em que era construído o novo aquartelamento, pois o antigo já estava condenado a desaparecer, pela erosão comum na região. Então vivi a Amazônia e esperei meu amado que participava das marchas comandadas pelo coronel DarcyLázaro. Hoje vejo o besteirol que jogam sem dó sobre a nossa Amazônia, sempre rapinada, cobiçada, com aquela biodiversidade fenomenal, a vida pulsando em cada folha caída, araras voando em duplas, macacos, cobras, enfim, um colosso inenarrável.Não se fala mais no GEF e nem na 7ª Cia, e isso me entristeceu. Encontrar seu blog foi um sopro de ar puro em minha dolorosa saudade da honeymoon divina que vivi na Amazônia.Atrevi-me a escrever-lhe. Desculpe a audácia.Saudações cordiaisMagdala Domingues da Silva.
SELVA!! PS - Prosseguindo a leitura de seu blog deparei-me com referências da Manaus de 1960, como o Fazano lanches, situado na rua Eduardo Ribeiro... [Há uma publicação no Blog sobre este lanche]Meu fisioterapeuta é manauara e é a única pessoa com quem posso trocar figurinhas de uma época linda para mim. E o Hotel Amazonas? [desapareceu, virou galeria]. E os “banhos”? 
30 julho 2019
Prezado coronel Mendonça

É minha intenção responder-lhe com calma sobre o assunto Tabatinga e Amazônia que tanto me motiva.Entretanto, estou assoberbada com um problema de saúde que tem requerido idas a médicos e exames e outras coisinhas muito enjoadas. Este período vai passar e então vou poder me concentrar no que mais gosto atualmente, que é escrever e trocar ideias com pessoas "normais", inteligentes e não lavadas cerebralmente... Pode rir à vontade, pois está difícil.Encontrá-lo foi uma lufada de ar puro, acredite. Tenho umas fotos que são interessantes e consegui salvá-las no computador, mas não sei ainda como enviá-las, mas temos tempo, vou descobrir.Isto que me manda hoje vou ler com calma e já me emociono, acredite. Vou degustar. Só preciso de tempo e da abstração que no momento me falta para "curtir" sossegadamente.Meu marido saudoso era, na época, o tenente Ivar Leonardo Soares Costa. Já estava servindo em Tabatinga desde junho de 1959 e casamos em 1º de janeiro de 1960, quando então o acompanhei para o Alto Solimões e vivemos nossa honeymoon inesquecível em Tabatinga.Continuarei a narrativa e os comentários depois, OK?Obrigada de coração e me aguarde.Este papo amenizará a dor e a saudade de minha inestimável perda e o enfrentamento de longos dias vazios onde falo até sozinha, com minha sombra buscando sua orientação e amor cuidadoso.  
Cordialmente Magdala

sábado, abril 13, 2019

CIGS: NOTA JORNALÍSTICA

O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), instalado em Manaus, possui uma história edificante. Seu primeiro comandante - então major Jorge Teixeira, o Teixeirão, gravou seu nome na área amazônica, não apenas no campo militar, também no político.

Próximo de completar meio século, o jornal A Crítica (30 abril 1969) publicou a reportagem seguinte, resultado da entrevista com o Teixeirão, que retornava de viagem de estudos aos Estados Unidos. A conclusão daquele momento pode ainda hoje ser repetida: o CIGS é o melhor centro de treinamento na selva do Mundo.

Coronel Jorge Teixeira em foto do citado periódico

CIGS: MELHOR CENTRO DE GUERRA NA SELVA

A instrução ministrada pelo Centro de Instruções de Guerra na Selva, em Manaus, é de alto padrão e pode ser considerado o melhor centro de guerra na selva de todo o mundo. Esta foi a conclusão chegada pelo tenente-coronel Jorge Teixeira de Oliveira, comandante do CIGS, e 1° tenente Adalberto Bueno da Cruz, auxiliar de instrutor, após realizarem uma visita a estados norte-americanos e ao Centro de Treinamento de Guerra na Selva no Panamá, a convite dos Governos daqueles países.Na viagem de vinte dias, os dois militares visitaram várias instalações especializadas em guerra na selva, operações especiais, comandos e paraquedismo, destacando-se a visita ao Centro do Panamá onde são preparados os soldados que vão para o Vietnã em curso de apenas duas semanas.
VISITAS
Os dois oficiais estiveram em “Fort Bening”, na Geórgia, visitaram a Escola de Infantaria, destinada a capitães, encontrando lá três oficiais brasileiros que ocupam o 1º, o 3° e 4º lugares, em índice fora do comum, numa turma composta por cem alunos.
Ainda em "Fort Bening", visitaram o “Departamento dos Rangers” onde são preparados os combatentes para as operações tipo comando, havendo um curso semelhante no Brasil na Brigada Aeroterrestre.Os militares brasileiros finalizaram sua visita ao “Fort” na Escola de Paraquedismo, onde foi realizada uma demonstração para os visitantes.

DEMONSTRAÇÕES
De “Fort Bening”, os dois militares seguiram para a Flórida (Base Aérea de Eglin) observando a instrução dos “ranges”, interessando-se bastante pelas aulas por haver no CIGS uma parte correspondente a este tipo de instrução, ministrada durante uma semana no Lago do Puraquequara.
O tenente-coronel Teixeira e o 1° tenente Bueno seguiram depois para Carolina do Norte visitando “Fort Bragg”, casa das “Forças Especiais” onde são treinados os famosos “Boinas Verdes”. Na oportunidade, o comandante do CIGS fez uma demonstração de saltos de paraquedas de um avião a jato C 141 (sic), de quatro turbinas, sendo o primeiro paraquedista sul-americano a realizar tal proeza.
Em "Fort Bragg" os oficiais do CIGS conheceram o capitão Mota, brasileiro da “Brigada Aeroterrestre”, realizando o curso de Forças Especiais, sendo o primeiro colocado até o momento. Outro brasileiro que encontraram, também colocado em primeiro lugar foi o tenente-coronel Castro Araújo, cursando “Operações Psicológicas”.

RESULTADOSApós suas observações, os dois oficiais do CIGS chegaram a conclusão de que o centro localizado em Manaus pode ser considerado o melhor do mundo, oferecendo melhores resultados do que o Centro do Panamá, face a duração do curso que no CIGS é de seis semanas, o que possibilita melhor aprendizagem, e face à natureza da selva panamenha, menos robusta.Na entrevista que mantiveram com A CRÍTICA, os dois militares não esconderam seu entusiasmo pelo trabalho que vêm desenvolvendo no Centro de Instrução de Guerra na Selva, podendo o CMA orgulhar-se de possuir o melhor centro de guerra na selva.


quinta-feira, maio 10, 2018

CORONEL NARDI DE SOUZA


Coronel Jorge Nardi, em Jornal do
Commercio
, 20 nov. 1971
Quando ingressei na Polícia Militar do Amazonas em 1966, deparei com uma robusta admiração pelo comandante anterior: major EB José Jorge Nardi de Souza (1964-65). Posteriormente, já tenente-coronel, Nardi assumiu a Secretaria de Segurança Pública, no governo de João Walter de Andrade (1971-75).
Em nossos dias, ele retorna à memória da cidade, em vista de seu filho – general-de-exército César Augusto Nardi de Souza – ter assumido o Comando Militar da Amazônia (CMA).
Convém registrar que o ex-comandante da PMAM foi contemplado com o título de Cidadão de Manaus, por iniciativa do então vereador Damião Ribeiro (membro inativo da Força Terrestre). A entrega da comenda aconteceu no segundo semestre de 1975, e o discurso do agraciado, transcrito abaixo, foi compartilhado do Jornal Cultura, órgão da Fundação Cultura do Amazonas.
  


NA POSSE DO TÍTULO DE CIDADÃO DE MANAUS

Jorge Nardi de Souza

A Providência Divina que um dia me colocou em terras amazônicas é a mesma que, neste instante, me traz diante dos Senhores. Ao Deus Todo Poderoso então, meus agradecimentos por esta dádiva do céu, aqui no mundo terreno aplicada pelo julgamento magnânimo desta Colenda Câmara de representantes do povo, neste longínquo setentrião Brasileiro, onde tudo é imenso, por certo, imensa também é a generosidade de V. Exas. ao me conferirem o Título de Cidadão de Manaus, proposto pelo Exmo. Sr. Deputado Estadual Damião Alves Ribeiro, quando vereador desta Casa, e que teve ainda a extrema gentileza de saudar-me com palavras que buscaram dar realce a minha pessoa.
Há instantes na vida em que nos consideramos pequenos, menores do que realmente somos. A modéstia e a humildade de uma existência imprimem em nós um estado de tensão quando o inusitado, o realce e a honraria nos destacam. Não sabemos se isso é devido às reações biológicas de nossa organização física ou a nossa reduzida escala de méritos. A emoção nos domina.
Contudo, somente permanece lúcido e firme o ideal de bem servir à causa pública, sem alarde, dentro dos ideais da Revolução Redentora e Democrática de 31 de março de 64, mesmo com prejuízos de valiosos interesses pessoais. Tenho sempre por tradição atávica uma atração pelo Amazonas. Minha terra natal foi fundada por um bandeirante e bandeirantes continuaram os moradores de Sorocaba que alargaram as fronteiras pátrias muito além do que, previa o Tratado das Tordesilhas.
Em singular analogia Manaus traz em sua história e sua tradição essa marca de lutas. Foi um dos baluartes do Norte, em torno do qual se definiram nossas fronteiras setentrionais.
Hodiernamente essa similitude continua: No campo Industrial as duas metrópoles se identificam em seu progresso e em sua pujança. Sorocaba, ainda bem pouco tempo, desenvolvia quase que exclusivamente uma atividade têxtil, sendo mesmo chamada de Manchester Paulista.
De uns cinco ou seis anos para cá o seu parque industrial tem-se diversificado e hoje cerca de mais de meia centena de indústrias das mais representativas para o desenvolvimento e a economia nacionais e para o mercado do trabalho estão lá se instalando para iniciarem a curto prazo as suas produções específicas. Isto tem acarretado problemas para o ajuste da sua infraestrutura em face de um aumento populacional acelerado que permitirá, segundo as previsões, dobrar o número de habitantes em pouco tempo, e modificações em toda a conjuntura social tradicional em face de problemas próprios de uma cidade em franco e acelerado progresso. Manaus, por sua vez, registra nos últimos anos, após a implantação da Zona Franca, um extraordinário e progressivo desenvolvimento nas suas áreas comercial, industrial e agropecuário, bem como um aumento sensível e contínuo da sua população face as novas e diversificadas oportunidades para o seu mercado de trabalho.
Aqui, também a tranquilidade tradicional da população tem sido atingida, face as injunções próprias das crescentes integrações social decorrentes do seu desenvolvimento.Manaus, minha terra de adoção;Manaus, prodígio de uma sobrevivência isolada no meio da maior selva tropical do mundo;
Manaus, dileta herdeira da Comarca de São José do Rio Negro; Manaus, do abraço das águas;
Manaus, dos Remédios, da rua Frei José dos Inocentes;
Manaus, dos regatões e da Zona Franca.
 Diz o poeta:
“MOSTRA-ME TUA CIDADE E DIREI O CARÁTER DE TEU POVO”. Volto a te reverenciar, Manaus do vendedor de Jaraqui.
Manaus, regurgitante de progresso, de trabalho, de patriotismo e de ideais.Berço de gente patriótica e estoica;Terra adorada e de alma generosa, tão generosa a ponto de outorgar um título tão elevado a um cidadão tão simples e de singelos méritos.
 Profundamente agradecido declaro de público que acolho emocionado esta honraria. De pé, na posição de “Sentido”, cheio de orgulho patriótico, recebo o título de Cidadão de Manaus. Muito obrigado aos que confiaram em mim, que me creditaram essa dignidade, que jamais deslustrarei. Ela me acompanhará sempre neste caminhar humano pela estrada do finito e do infinito.
Como a alma é imortal, o ato de hoje passa para a imortalidade de meu reconhecimento.
Tantas e tão brilhantes figuras receberam esse título; acredito, porém, que mais emocionado e mais reconhecido do que eu. Permitam-me, contudo, meus Senhores e minhas Senhoras, redobrar minha felicidade, dividindo as honrarias. Desejo compartilhar com todos aqueles que comigo labutaram, heróis anônimos dos verdadeiros méritos.
Desejo reverenciar neste momento a memória de minha mãe extremosa e referir-me ao meu já velho e doente pai, homem dos mais dignos, que de longe, lá de Sorocaba (SP), está vos agradecendo o destaque que destes ao seu filho.
 Ao Exército que desde 1957, quando Comandante da 6ª Companhia de Fronteira, em Guajará-Mirim (RO), me proporcionou a honra de conhecer grande parte desta imensa área, imprimindo em minha alma uma formação moral e intelectual adequando-me a receber esse imenso galardão, num amplexo que transcende a mais profunda expressão de amor.
Na figura de minha esposa, a minha homenagem às mães manauaras, na excelsa missão de iluminar com amor a estrada da vida da família.
A todas as esposas, mães e filhas sem distinção minha homenagem respeitosa e o meu mais profundo agradecimento. A meus filhos adorados, transfiro em honroso testamento público, a herança incomparável desta riqueza que acabo de receber.Aos meus conterrâneos de Sorocaba, que me inspiraram em todas as jornadas de lutas, estendo as glórias deste instante, abraçando-os comovido.
Aos meus amigos, patrícios e concidadãos manauaras, o meu abraço fraterno e a certeza de minha estima perene.
Finalmente, agradeço a Deus ter-me fortalecido nesta hora solene, rogando-Lhe que receba a prece que Lhe dirijo:
 Obrigado, Senhor!
Muito obrigado!