CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de agosto de 2012

Batalha Naval de Itacoatiara – 80 anos


 
Há oitenta anos, em 24 de agosto de 1932, aconteceu a esdrúxula Batalha Naval de Itacoatiara. Nela, foram derrotados os rebeldes da fortaleza de Óbidos (PA), embarcados em dois navios cargueiros, o Jaguaribe e o Andirá.

Depois do assalto à Parintins (AM), investiram contra Itacoatiara (AM), ambas as cidades na calha do rio Amazonas. A defesa da Velha Serpa coube ao capitão Gonzaga Tavares Pinheiro, da Polícia Militar, prefeito da cidade. Gonzaga, cearense de conduta altiva, acercou-se do padre Joaquim Pereira para o diálogo com os invasores. A atuação destes foi produtiva, pois tudo realizaram para retardar as ações rebeldes, esperando como aconteceu a chegada de reforços.

Quem conta o fato abaixo é o acadêmico Francisco Gomes, nascido na Velha Serpa, por isso, dotado de recursos competentes para esclarecer o acontecimento inédito na historia não só do Amazonas. O texto foi digitalizado de seu livro Cronografia de Itacoatiara, 2º vol. (Manaus: Imprensa Oficial, 1998).

Capa do livro de Francisco Gomes
 A história da batalha naval de Itacoatiara (AM) está umbilicalmente ligada à revolução constitucionalista que eclodiu em São Paulo, em 1932. Sob o comando do coronel Alderico Pompo de Oliveira, os rebeldes partiram de Óbidos (PA) subindo o Amazonas, decididos a tomar posse das cidades ribeirinhas até Manaus, intimando a população nortista a fazer frente à política adotada no país pelo governo Vargas.

Em meio à viagem apreenderam os navios “Jaguaribe” e “Andirá”, desde logo armados com canhões, metralhadoras, obuses, fuzis e muita munição, transformando-os em postos avançados de guerra. A lancha “Diana” também foi capturada.

Parintins foi tomado de assalto e, quando se preparavam para ocupar Itacoatiara, foram surpreendidos pela força naval legalista embarcada nos navios “Baependi” e “Ingá”, procedente de Manaus, sob o comando do capitão de fragata Alberto de Lemos Basto.

Em terra liderava o movimento de defesa o capitão Gonzaga Tavares Pinheiro, da Força Policial do Estado, e então no exercício da Prefeitura de Itacoatiara.

O governo do Amazonas era chefiado pelo ministro Waldemar Pedrosa que foi homenageado, após sua morte, em junho de 1967 (na oportunidade, a Câmara Municipal de Itacoatiara decretou: As ruas Saldanha Marinho e Visconde do Rio Branco passam a denominar-se rua Ministro Waldemar Pedrosa (Lei n° 11, de 30.06.1967).
Precisamente, às treze horas e trinta minutos de 24 de agosto de 1932 teve inicio a batalha, resultando na vitória da legalidade. Os vapores inimigos “Jaguaribe” e “Andirá” foram postos a pique.

No gênero, a batalha naval de Itacoatiara foi a única na América Latina, neste século. O movimento sedicioso é narrado por Anísio Jobim, 1948; Francisco Gomes da Silva, 1965, 1970 e 1997; Robério Braga, 1979; e Antônio Loureiro, 1995. Há também pesquisas inéditas promovidas pelo autor deste trabalho a respeito do evento, que serão compiladas em volume a sair breve, sob o título "Motins itacoatiarenses".