CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

16 de agosto de 2012

Memória e Saudade




Manoel Bastos Lira (1913-98)
 Extraído do Informativo do IGHA, agosto 2002, cuja redação pertence ao saudoso sócio desta agremiação, Ruy Alberto Costa Lins (RACL). Apesar de expor ligeiramente a trajetória de Bastos Lira, seu contemporâneo Ruy Lins sabe bem o que dizer.  

A última e definitiva viagem que o cientista Manoel Bastos Lira realizou a de setembro de 1998, deixou um vazio sem precedentes na história do Amazonas, sob qualquer aspecto que se queira examinar. Bastos Lira foi um homem brilhante, de talento incomum, de extraordinárias virtudes. Personalidade marcante, simples e informal, era portador de um cabedal portentoso, capaz de abordar, com segurança e desenvoltura os mais diferenciados assuntos relacionados com os estudos e os intrincados caminhos das ciências físicas e naturais. Ao mesmo tempo, nas conversas do dia-a-dia, abordava os assuntos triviais com irreverência e transmitindo contagiante simpatia.

Nascido em Manaus a 6 de junho de 1913, realizou os seus estudos regulares no Colégio Dom Bosco, obtendo o primeiro lugar na sua turma de bacharéis em Ciências e Letras. Recebeu, então, convite do padre Pedro Ghislandi para lecionar História Natural no Colégio Salesiano. Concluiu, também, o curso de química industrial na Escola Agronômica da Universidade Livre de Manaus.

Tornou-se professor catedrático do Ginásio Amazonense Pedro II defendendo a tese Algumas notas sobre valência química, e da Escola Normal com a tese O Oxidulo de prata e a fotografia.  Continua sua brilhante trajetória de Farmacêutico e Professor, sempre se destacando com as ocupações, encargos e responsabilidades que lhe atribuíam.

Instalou o primeiro laboratório de análises clínicas da Secretaria de Saúde, naquele tempo ainda Departamento de Saúde Pública. Foi chefe da farmácia do hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Fez parte da equipe que fundou o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA e a Universidade do Amazonas. Fez funcionar, na área de saúde, os cursos de farmácia e odontologia, tendo sido diretor da respectiva faculdade durante 25 anos.

Na sua especialidade era referência nacional e internacional. Realizou inúmeras viagens de estudos pelo Brasil e diversos países. Dominava, com fluência, o inglês, francês, italiano e espanhol.
Foi autor de mais de quatro centenas de artigos publicados em jornais de Manaus, além de numerosos artigos abordando quesitos relacionados com as suas áreas de atuação profissional, publicados em revistas científicas do Brasil e exterior. Ainda encontrou tempo para escrever a história do clube amazonense do seu coração, o Atlético Rio Negro Clube, no qual foi seu presidente.

Como é natural pertenceu a diversas instituições científicas e culturais, como a American Association for the Advancement of Sciences; American Chernical Society; The New York Academy of Sciences; Sociedade Brasileira de Bioquímica; Sociedade Brasileira de Análises Químicas; Academia Nacional de Farmácia; Sociedade Brasileira da História da Farmácia, entre outras.

Recebeu a "Ordem do Mérito Farmacêutico" (Medalha de Ouro) concedida pela Associação Brasileira de Farmacêuticos e a "Medalha
de Honra ao Mérito" conferida pelo Conselho Federal de Farmácia. Foi professor emérito da Universidade Federal do Amazonas. Em Manaus foi o fundador da cadeira 34 - Patrono: Ermano Stradelli, da Academia Amazonense de Letras, e no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas ocupou a Poltrona nº 14, cujo Patrono é Karl von Martius (1794/1868).

O professor e cientista Manoel Bastos Lira deixou muitas saudades, pelo trabalho que realizou em favor da sua terra natal, pela sua postura social de homem correto e probo, pelo talento da sua formação profissional, razões suficientes para que o seu nome não seja esquecido. O IGHA o homenageia e o reverencia nesta página de memória e saudade. (RACL)