CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de agosto de 2012

A Imprensa no Amazonas (3/7)


 
Capa da edição, 1908
Prossigo com a publicação do livro A Imprensa no Amazonas, editado pelo governo do Estado, em 1908, para comemorar o primeiro centenário da imprensa no Brasil. 

Resumo histórico 

A ideia abolicionista abraçada por todos os jornais do tempo e por eles sustentada com ardor ganhava terreno, e foi essa uma das causas a que maiores serviços prestou a imprensa amazonense. O Amazonas e o Commercio do Amazonas tomaram francamente e com desassombro a testa do movimento libertador. Falava assim o Commercio do Amazonas de 15 de agosto de 1883:
Ao lado do escravo a nossa posição sempre foi definida e pugnaremos para que em breve seja a Província toda livre dessa mancha que enodoa o pavilhão bicolor.
Os anúncios sobre escravos de qualquer gênero que sejam são banidos das colunas do Commercio do Amazonas. 

Dizia o Amazonas de 21 de março de 1884:
Esposando a generosa ideia, desde hoje pomo-nos ao serviço da grande causa da abolição da escravatura da província, empenhando todos os esforços no sentido da sua completa extinção por todo o corrente ano, se for possível. 

A abolição, ganhando prosélitos, continuava sua propaganda com um vigor extraordinário, até que, a 10 de julho de 1884, se fez a libertação geral dos escravos da Província, sendo curioso transcrever o tópico seguinte do Commercio do Amazonas de 15 de maio de 1884, para que se veja o entusiasmo que a grande causa despertava na imprensa:
Temos a subida honra de anunciarmos aos habitantes de Manaus, à Província, ao Brasil, ao Mundo inteiro que na rua Henrique Martins onde se acha o nosso estabelecimento não tem UM SÓ ESCRAVO. 

Com esse valiosíssimo concurso da imprensa o Amazonas foi a segunda das províncias do Brasil que espontaneamente fizeram a abolição do elemento o servil, antes da lei geral de 13 de maio de 1888.

* * * 

Libertada a Província, nem por isso a sua imprensa já então bastante poderosa e brilhante, deixou de seguir, com interesse, o grande movimento que se fazia no resto país, e especialmente no que se passava em seu parlamento. E quando chegou a notícia em Manaus da promulgação da Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, extinguindo a escravidão no Brasil todas as folhas de então: Amazonas, Commercio do Amazonas, A Provincia do Amazonas, Jornal do Amazonas, O Norte do Brasil, Evolução, Equador e o Artista esqueceram as lutas, dissenções oriundas das ideias políticas que defendiam e, reunidas, deram um número especial com o título A Imprensa Unida no dia 31 de maio.

Comemoraram o notável acontecimento com outro também notável: jornais que eram acérrimos liberais, conservadores e republicanos, bem como os neutros, e que se digladiavam valentemente na véspera, perante a vitória final da abolição terçaram as armas para juntos entoarem hosanas e enviarem uma mensagem à Princesa Imperial Regente, a signatária da Lei Áurea.    

Esta mensagem que estava assinada pelos redatores, proprietários, colaboradores, tipógrafos, impressores etc. de todas as citadas folhas era do teor seguinte:
MENSAGEM DA IMPRENSA
A S.A. A Princesa Imperial Regente 

A IMPRENSA do Amazonas, representada pelos jornais de todos os matizes políticos, literários e comerciais, agremia-se cheia de júbilo e entusiasmo para render à V. A. IMPERIAL, em nome desta vastíssima Região Amazônica, cujos interesses de progresso advoga com denodo e convicção, as suas homenagens, o seu preito de agradecimento, as suas puríssimas congratulações, conquistadas por V. A. IMPERIAL sancionando o projeto de lei que aboliu do solo da Pátria a escravatura, esse grande feito de patriotismo que importa ao arrasamento das senzalas e no levantamento moral de uma raça até então oprimida e aviltada.

Hoje toda a Pátria está livre de tão execranda instituição, nós, que promovemos a extinção dela na paz a mais completa, no meio de festas as mais solenes e ruidosas, sem a mínima alteração da ordem pública, sem prejuízo do senhor, sentimo-nos orgulhosos em levar à presença de V. A. IMPERIAL as hosanas que a futurosa província do Amazonas, por intermédio da sua IMPRENSA UNIDA, levanta para abençoar o nome querido da Augusta e Excelsa Regente. 

Pode-se afirmar que a Imprensa do Amazonas tornou-se a promotora dos grandes festejos que se fizeram por essa ocasião em Manaus, tal foi o entusiasmo de que se possuíra com a vitória de tão nobre causa pela qual tanto combatera.
 
Primeira página do Jornal do Amazonas, 1875
  
Catálogo geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889) 

1870

MONARCHISTA
O 1º número é de 1º de janeiro de 1870. Desapareceu em 2 de junho do mesmo ano, com o nº 18.
ECCO
O 1º número é de 21 de março de 1870. Desapareceu em 28 de junho do mesmo ano.
ARGOS
O 1º número é de 9 de abril de 1870. Suspendeu a publicação em 19 de fevereiro de 1871, com o nº 24, para reaparecer dias depois. Desapareceu definitivamente em 30 de junho de 1872, com o nº 87. 

1871

CHRYSALIDA
O 1º número é de 10 de junho de 1871. Deixou de ser publicado um mês depois.
JORNAL DO NORTE
O 1º número é de 2 de julho de 1871. Deixou de ser publicado em julho de 1872. 

1872

BOLETIM OFFICIAL
O 1º número é de 18 de dezembro de 1872. Deixou de ser publicado em novembro de 1873. 

1873

COLIBRI
O 1º número é de janeiro de 1873. Deu poucos números.
FUTURO
O 1º número é de 14 de abril de 1873. Terminou com o nº 20 do mesmo ano.
RIO-NEGRO
O 1º número é de 11 de maio de 1873. Deixou de ser publicado em julho de 1874.
LIBERAL DO AMAZONAS
O 1º número é de 20 de novembro de 1873. Terminou a publicação em fins de 1874.  

1874

ACTUALIDADE
O 1º número é de 15 de maio de 1874. Deixou de ser publicado em fins de setembro do mesmo ano.
O BADERNA
O 1º e único número é de 8 de junho de 1874.  

1875

JORNAL DO AMAZONAS
O 1º número é de 8 de abril de 1875. Desde o seu início foi órgão do partido conservador.
Em 23 de novembro de 1889 substituiu aquela divisa pela de órgão federalista. Foi o primeiro jornal que definiu logo a sua posição em face da República.
Suspendeu a publicação em 23 de março de 1878, com o nº 231. Reapareceu em 4 de abril do mesmo ano, com o nº 232.
Suspendeu a publicação em 29 de outubro do mesmo ano, com o nº 288. Reapareceu em 6 de novembro do mesmo ano, com o nº 289.
Suspendeu em agosto de 1889. Reapareceu em 10 de setembro do mesmo ano. No artigo político (artigo programa desse dia) ele combate a centralização e prega, a despeito dos princípios do conservadorismo da sua escola, a federação monárquica.
Suspendeu em fins de dezembro de 1889. Reapareceu em 5 de janeiro de 1890, com o nº 1.
Desapareceu definitivamente em fevereiro de 1891. (segue)