Capa da edição, 1908 |
Prossigo
com a publicação do livro A Imprensa no
Amazonas, editado pelo governo do Estado, em 1908, para comemorar o
primeiro centenário da imprensa no Brasil.
Resumo
histórico
A
ideia abolicionista abraçada por todos os jornais do tempo e por eles
sustentada com ardor ganhava terreno, e foi essa uma das causas a que maiores
serviços prestou a imprensa amazonense. O Amazonas
e o Commercio do Amazonas tomaram
francamente e com desassombro a testa do movimento libertador. Falava assim o Commercio do Amazonas de 15 de agosto de 1883:
Ao
lado do escravo a nossa posição sempre foi definida e pugnaremos para que em
breve seja a Província toda livre dessa mancha que enodoa o pavilhão bicolor.
Os
anúncios sobre escravos de qualquer gênero que sejam são banidos das colunas do
Commercio do Amazonas.
Dizia
o Amazonas de 21 de março de 1884:
Esposando
a generosa ideia, desde hoje pomo-nos ao serviço da grande causa da abolição da
escravatura da província, empenhando todos os esforços no sentido da sua
completa extinção por todo o corrente ano, se for possível.
A
abolição, ganhando prosélitos, continuava sua propaganda com um vigor
extraordinário, até que, a 10 de julho de 1884, se fez a libertação geral dos
escravos da Província, sendo curioso transcrever o tópico seguinte do Commercio do Amazonas de 15 de maio de
1884, para que se veja o entusiasmo que a grande causa despertava na imprensa:
Temos
a subida honra de anunciarmos aos habitantes de Manaus, à Província, ao Brasil,
ao Mundo inteiro que na rua Henrique Martins onde se acha o nosso
estabelecimento não tem UM SÓ ESCRAVO.
Com
esse valiosíssimo concurso da imprensa o Amazonas foi a segunda das províncias do
Brasil que espontaneamente fizeram a abolição do elemento o servil, antes da
lei geral de 13 de maio de 1888.
*
* *
Libertada
a Província, nem por isso a sua imprensa já então bastante poderosa e
brilhante, deixou de seguir, com interesse, o grande movimento que se fazia no
resto país, e especialmente no que se passava em seu parlamento. E quando
chegou a notícia em Manaus da promulgação da Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888,
extinguindo a escravidão no Brasil todas as folhas de então: Amazonas, Commercio do Amazonas, A
Provincia do Amazonas, Jornal do
Amazonas, O Norte do Brasil, Evolução, Equador e o Artista
esqueceram as lutas, dissenções oriundas das ideias políticas que defendiam e,
reunidas, deram um número especial com o título A Imprensa Unida no dia 31 de maio.
Comemoraram
o notável acontecimento com outro também notável: jornais que eram acérrimos
liberais, conservadores e republicanos, bem como os neutros, e que se
digladiavam valentemente na véspera, perante a vitória final da abolição
terçaram as armas para juntos entoarem hosanas e enviarem uma mensagem à
Princesa Imperial Regente, a signatária da Lei Áurea.
Esta
mensagem que estava assinada pelos redatores, proprietários, colaboradores,
tipógrafos, impressores etc. de todas as citadas folhas era do teor seguinte:
MENSAGEM DA IMPRENSA
A S.A. A Princesa Imperial Regente
A
IMPRENSA do Amazonas, representada pelos jornais de todos os matizes políticos,
literários e comerciais, agremia-se cheia de júbilo e entusiasmo para render à
V. A. IMPERIAL, em nome desta vastíssima Região Amazônica, cujos interesses de
progresso advoga com denodo e convicção, as suas homenagens, o seu preito de
agradecimento, as suas puríssimas congratulações, conquistadas por V. A.
IMPERIAL sancionando o projeto de lei que aboliu do solo da Pátria a
escravatura, esse grande feito de patriotismo que importa ao arrasamento das
senzalas e no levantamento moral de uma raça até então oprimida e aviltada.
Hoje
toda a Pátria está livre de tão execranda instituição, nós, que promovemos a
extinção dela na paz a mais completa, no meio de festas as mais solenes e
ruidosas, sem a mínima alteração da ordem pública, sem prejuízo do senhor, sentimo-nos orgulhosos em levar
à presença de V. A. IMPERIAL as hosanas que a futurosa província do Amazonas,
por intermédio da sua IMPRENSA UNIDA, levanta para abençoar o nome querido da Augusta e Excelsa Regente.
Pode-se
afirmar que a Imprensa do Amazonas tornou-se a promotora dos grandes festejos
que se fizeram por essa ocasião em Manaus, tal foi o entusiasmo de que se
possuíra com a vitória de tão nobre causa pela qual tanto combatera.
Primeira página do Jornal do Amazonas, 1875 |
Catálogo
geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889)
1870
MONARCHISTA
O
1º número é de 1º de janeiro de 1870. Desapareceu em 2 de junho do mesmo ano,
com o nº 18.
ECCO
O
1º número é de 21 de março de 1870. Desapareceu em 28 de junho do mesmo ano.
ARGOS
O
1º número é de 9 de abril de 1870. Suspendeu a publicação em 19 de fevereiro de
1871, com o nº 24, para reaparecer dias depois. Desapareceu definitivamente em
30 de junho de 1872, com o nº 87.
1871
CHRYSALIDA
O
1º número é de 10 de junho de 1871. Deixou de ser publicado um mês depois.
JORNAL
DO NORTE
O
1º número é de 2 de julho de 1871. Deixou de ser publicado em julho de 1872.
1872
BOLETIM
OFFICIAL
O
1º número é de 18 de dezembro de 1872. Deixou de ser publicado em novembro de
1873.
1873
COLIBRI
O
1º número é de janeiro de 1873. Deu poucos números.
FUTURO
O
1º número é de 14 de abril de 1873. Terminou com o nº 20 do mesmo ano.
RIO-NEGRO
O
1º número é de 11 de maio de 1873. Deixou de ser publicado em julho de 1874.
LIBERAL
DO AMAZONAS
O
1º número é de 20 de novembro de 1873. Terminou a publicação em fins de 1874.
1874
ACTUALIDADE
O
1º número é de 15 de maio de 1874. Deixou de ser publicado em fins de setembro
do mesmo ano.
O
BADERNA
O
1º e único número é de 8 de junho de 1874.
1875
JORNAL
DO AMAZONAS
O
1º número é de 8 de abril de 1875. Desde o seu início foi órgão do partido
conservador.
Em
23 de novembro de 1889 substituiu aquela divisa pela de órgão federalista. Foi o primeiro jornal que definiu logo a sua
posição em face da República.
Suspendeu
a publicação em 23 de março de 1878, com o nº 231. Reapareceu em 4 de abril do
mesmo ano, com o nº 232.
Suspendeu
a publicação em 29 de outubro do mesmo ano, com o nº 288. Reapareceu em 6 de
novembro do mesmo ano, com o nº 289.
Suspendeu
em agosto de 1889. Reapareceu em 10 de setembro do mesmo ano. No artigo político
(artigo programa desse dia) ele combate a centralização e prega, a despeito dos
princípios do conservadorismo da sua escola, a federação monárquica.
Suspendeu
em fins de dezembro de 1889. Reapareceu em 5 de janeiro de 1890, com o nº 1.
Desapareceu
definitivamente em fevereiro de 1891. (segue)
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