CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

18 de agosto de 2012

Politeama: quase mercado

Recorte de A Crítica. Manaus, 27 março 1977
 

Não se assuste, mas foi verdade. Quem, por sinal, se lembra da tentativa? Apenas meu amigo Ed Lincon, que me cedeu os recortes de jornais aqui mostrados.

Em 1975, era prefeito de Manaus, coronel Jorge Teixeira, o Teixeirão, que remodelou a cidade. Também investiu na recuperação do Mercado Público ou Mercadão, o mesmo que espera “escaveirado” pela decisão do novo prefeito, porque o atual já abandonou o bendito. A propósito, o Mercado já deve ter seis anos em ritmo de espera... agoniza. Disputa com a Biblioteca Pública o troféu do mais longo período de restauração. Você aposta em qual?

Teixeirão, na época, decidiu homenagear o alcaide que embelezou o nosso Mercado, Adolpho Lisboa. Até então, o mercado da Beira-da-praia não possuía identidade pessoal. Era o Mercadão. Foi o coronel-prefeito que lhe serviu de padrinho, cuja denominação pegou.

Pois bem, dois anos depois, para abrigar os permissionários do Mercadão (hoje espremidos em abrigos ao redor do mesmo), buscou solução. Uma delas foi ocupar o cine Politeama, desocupado, sem função já há algum tempo. Seria um mercado provisório.

Fachado Politeama onde se destacam as sereias.
A Crítica, 26 março 1977

Em março de 1977, o prefeito reuniu-se com os locatários do Mercadão para uma exposição das providências. Dos planos de reforma do local de vendas. Teixeira foi recebido com protestos, mas ao final de sua explanação, foi compreendido pelos ouvintes e aplaudido. Tudo levava a crer que o cinema Politeama, de vasta tradição na cidade, iria se transformar em mercado. O prazo para o início das reformas foi adiado para depois do “inverno”, ou melhor, das chuvas.

No entanto, desagradou à população a mudança que sofreria a casa artística. Notadamente entre os universitários, que pugnavam para a manutenção da casa de espetáculos. Outra dificuldade que certamente atingiria aos comerciantes e frequentadores do mercado Politeama, seria do trânsito. Da inexistência de estacionamento para carga e descarga, por exemplo. Juntaram-se a esses desencantos a opinião dos técnicos da Secretaria de Saúde municipal, que levou o prefeito Teixeirão a desistir da ideia.

Do Politeama restam hoje apenas as sereias, aquelas mesmas que encantaram por décadas os moradores de Manaus.

Prefeito Teixeirão (à dir.) em reunião. A Notícia, 25 março 1977