CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, novembro 17, 2019

CASA DA CULTURA: 50 ANOS


Há 50 anos, no governo Danilo Areosa, foi projetada e construída Casa de Cultura em alguns municípios. O recorte de jornal (Jornal do Commercio, 7 novembro 1969) mostra a apresentação da maquete, idealização (acredito) do arquiteto Severiano Porto. já deviam estar em construção, pois a promessa do governo era entregá-las no final daquele ano.
Posso assegurar que a cidade de Itacoatiara recebeu a sua, pois, estive participando de algum evento no local. Não sei se ainda prospera, vou perguntar ao acadêmico Francisco Gomes, o “protetor” do patrimônio de Velha Serpa.

Maquete da Casa da Cultura (JC, 7 novembro 1969)
Em solenidade presidida pelo Secretário da Educação e Cultura, dr. Vinicius Câmara, estando presentes destacadas personalidades e a imprensa, foi exposta ao público ontem à tarde no hall da Biblioteca Pública do Estado a maquete modelo das “Casas de Cultura” que o Governo amazonense, através da Fundação Cultural, vai construir brevemente no interior, começando por Manacapuru e Itacoatiara.Falando na ocasião sobre a importância do empreendimento, disse  o Secretário Vinicius Câmara que as “Casas de Cultura” se constituíram de uma biblioteca, um auditório com cento e vinte lugares que servirá para conferência, recitais de músicas e poesia e montagem de peças de teatro, além de ser dotada também de apartamento para artista em trânsito.
Cada “Casa de Cultura” ocupará, cada uma, cerca de 300 metros quadrados e as duas primeiras serão construídas em ritmo acelerado, devendo ser inauguradas até o fim do corrente ano.


sexta-feira, maio 04, 2018

ITACOATIARA (AM)

Arco erguido à entrada da cidade
As notícias que neste post reproduzo do Jornal do Commercio (26 janeiro 1965), recordam-me algumas visitas que realizei à cidade de Itacoatiara. Lembram-me alguns amigos que tive o prazer de conviver. Uns alcançados no Seminário de Manaus, e que ainda se mantém agregados, outros no trânsito das rodas literárias. 
Para não cometer um desastre, vou especular com um jogador do Penarol FC. Creio que se trata do seminarista Francisco Nazaré, porque bom de bola, que me hospedou em casa de seus pais, quando fomos acolitar a Semana Santa de 1962. Era então pároco da cidade cônego Alcides Peixoto, falecido monsenhor, vigário dos Remédios.
Abraço no ensejo ao coronel aposentado Vital de Menezes e ao historiador Francisco Gomes da Silva, os quais dispensam apresentação.
Recorte do Jornal do Commercio, 26 janeiro 1965

Grande entusiasmo vem despertando nos meios desportivos itacoatiarense a 1ª corrida com bicicletas de passeio “A Ciclista”, casa que vende exclusivamente artigos para bicicletas em Manaus, reunindo cerca de uma centena de corredores, representantes dos diversos clubes, colégio e associações de classe.
A corrida terá lugar no dia 31 do corrente mês às 8:30 horas, iniciando-se com uma preliminar infantil, com menores de 9 a 12 anos de idade.
Os clubes Náutico, Penarol, Rio Negro, Bonsucesso, Nacional, Atlético Brasil Clube e Botafoguinho, farão as inscrições dos seus atletas corredores. A corrida preliminar será realizada ao longo da av. Plinio Coelho, via principal da cidade, enquanto a corrida de fundo cobrirá uma distância de seis quilômetros, partindo do aeroporto para a cidade.Para a grande prova ciclística do dia 31 em Itacoatiara, a Liga Itacoatiarense de Desportos Atléticos e a Prefeitura Municipal, nas pessoas dos Srs. Antonio Gesta Filho e Galdino Alencar, ofereceram todo o apoio necessário à grande festa esportiva. 
 Campeonato Itacoatiarense de Futebol “Galdino Alencar”  
Disputando a segunda partida decisiva de uma melhor de três, defrontaram-se domingo no Estádio Municipal “Gen. Eurico Gaspar Dutra” as aguerridas equipes do Náutico x Penarol, que mais uma vez chegaram ao final da partida sem resultados favoráveis aos dois bandos. O placar não foi inaugurado, daí resultando um terceira partida para o próximo dia 24 - domingo, no mesmo local.
O árbitro da partida foi o Sr. Pedro Sena de Andrade, da Federação Amazonense de Desportos Atléticos, auxiliado pelos bandeirinhas Hélio Moreira e Aldezio Vigues, da Liga Itacoatiarense de Desportos Atléticos. Regular assistência compareceu ao estádio municipal. As bilheterias acusaram a renda de Cr$ 124.440 [cento e vinte e quatro mil e quatrocentos e quarenta cruzeiros].  
Formação dos Quadros 
Náutico – Benedito, Azamor, Siridó, Diamante, Hélio, Major, Sabazinho, Dunga, Zezinho, Farofa e Heli.Penarol – Peteleco, Fernandes, Celestino, Nazaré, Perrone, Keli, Alonso, Pirima, Marinho e Terêncio. 
A partida preliminar foi realizada entre Botafoguinho x XV de Novembro, saindo vencedor o primeiro pela contagem de 2x1.

sexta-feira, agosto 24, 2012

BATALHA NAVAL DE ITACOATIARA – 80 ANOS


Há oitenta anos, em 24 de agosto de 1932, aconteceu a esdrúxula Batalha Naval de Itacoatiara. Nela, foram derrotados os rebeldes da fortaleza de Óbidos (PA), embarcados em dois navios cargueiros, o Jaguaribe e o Andirá.

Depois do assalto à Parintins (AM), investiram contra Itacoatiara (AM), ambas as cidades na calha do rio Amazonas. A defesa da Velha Serpa coube ao capitão Gonzaga Tavares Pinheiro, da Polícia Militar, prefeito da cidade. Gonzaga, cearense de conduta altiva, acercou-se do padre Joaquim Pereira para o diálogo com os invasores. A atuação destes foi produtiva, pois tudo realizaram para retardar as ações rebeldes, esperando como aconteceu a chegada de reforços.

Quem conta o fato abaixo é o acadêmico Francisco Gomes, nascido na Velha Serpa, por isso, dotado de recursos competentes para esclarecer o acontecimento inédito na historia não só do Amazonas. O texto foi digitalizado de seu livro Cronografia de Itacoatiara, 2º vol. (Manaus: Imprensa Oficial, 1998).

Capa do livro de Francisco Gomes
 A história da batalha naval de Itacoatiara (AM) está umbilicalmente ligada à revolução constitucionalista que eclodiu em São Paulo, em 1932. Sob o comando do coronel Alderico Pompo de Oliveira, os rebeldes partiram de Óbidos (PA) subindo o Amazonas, decididos a tomar posse das cidades ribeirinhas até Manaus, intimando a população nortista a fazer frente à política adotada no país pelo governo Vargas.

Em meio à viagem apreenderam os navios “Jaguaribe” e “Andirá”, desde logo armados com canhões, metralhadoras, obuses, fuzis e muita munição, transformando-os em postos avançados de guerra. A lancha “Diana” também foi capturada.

Parintins foi tomado de assalto e, quando se preparavam para ocupar Itacoatiara, foram surpreendidos pela força naval legalista embarcada nos navios “Baependi” e “Ingá”, procedente de Manaus, sob o comando do capitão de fragata Alberto de Lemos Basto.

Em terra liderava o movimento de defesa o capitão Gonzaga Tavares Pinheiro, da Força Policial do Estado, e então no exercício da Prefeitura de Itacoatiara.

O governo do Amazonas era chefiado pelo ministro Waldemar Pedrosa que foi homenageado, após sua morte, em junho de 1967 (na oportunidade, a Câmara Municipal de Itacoatiara decretou: As ruas Saldanha Marinho e Visconde do Rio Branco passam a denominar-se rua Ministro Waldemar Pedrosa (Lei n° 11, de 30.06.1967).
Precisamente, às treze horas e trinta minutos de 24 de agosto de 1932 teve inicio a batalha, resultando na vitória da legalidade. Os vapores inimigos “Jaguaribe” e “Andirá” foram postos a pique.

No gênero, a batalha naval de Itacoatiara foi a única na América Latina, neste século. O movimento sedicioso é narrado por Anísio Jobim, 1948; Francisco Gomes da Silva, 1965, 1970 e 1997; Robério Braga, 1979; e Antônio Loureiro, 1995. Há também pesquisas inéditas promovidas pelo autor deste trabalho a respeito do evento, que serão compiladas em volume a sair breve, sob o título "Motins itacoatiarenses".