CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

17 de novembro de 2011

Patrimônio da Prefeitura de Manaus (3)



Dr. Franco de Sá
Dr. Basílio Torreão Franco de Sá, prefeito de Manaus, em julho de 1922, nomeia uma comissão para organizar o Tombo municipal. Um amplo levantamento foi realizado e este, exposto em relatório, foi editado pelo governo.
Abaixo, a parte relativa aos cemitérios do encargo do município, lembrando que alguns hoje pertencem aos municípios criados na região administrativa de Manaus.

CEMITÉRIO DE S. JOSÉ
Situado no lado ocidental da estrada [av] Epaminondas, em
frente à pr
aça 5 de Setembro, antiga da Saudade, ocupando uma área de 8.301,60m2, fechada com muro de alvenaria de pedra com gradil e portão de ferro na face oriental, limitada ao norte pelo beco dos Inocentes, ao sul pela rua Ramos Ferreira, a leste pela referida estrada Epaminondas e ao oeste pela rua Luiz Antony.
Em sessão da Câmara Municipal realizada a 18 de março de 1856, seu presidente, Manoel Thomaz Pinto, faz a seguinte comunicação:
Atendendo ao estado epidêmico da Capital, cujos habitantes acometidos de febre amarela e que dela sucumbiam, eram enterrados em lugares impróprios, deliberou por si, como órgão desta corporação, a abertura de um novo cemitério no fim da estrada que vai para a Cachoeira Grande, do lado esquerdo; que se acha bento, e havia uma barraca para receber os cadáveres.  
A 24 de abril de 1866, o presidente da Câmara, Sr. João José de Freitas Guimarães, contrata com o Sr. Raymundo José de Souza a construção de muros de alvenaria de pedra e cal nas quatro faces desta necrópole, sendo o da frente com gradil e portão de ferro.
A 31 de maio de 1873, o presidente interino da Câmara, Sr. Sebastião de Mello Bacury, contrata com o Sr. Joaquim Pereira da Silva Castro, a reconstrução da capela, construção de um sumidouro e de muros divisórios para sepulturas reservadas e para enterramentos de acatólicos.
O decreto 95, de 2 de abril de 1891, baixado pelo governador, Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro, proíbe os enterramentos neste cemitério.

Cemitério São José, desaparecido, neste local existe a sede do
Atlético Rio Negro Clube
A 14 de março de 1901, o superintendente, Dr. Arthur Cezar Moreira de Araújo, à vista do pedido que lhe fez o reverendo cônego José Henrique Felix da Cruz Dácia, concede-lhe, exclusiva e pessoalmente, licença para a celebração de missa na capela deste cemitério, que continuou sob a absoluta administração da municipalidade, podendo a licença ser cassada quando assim o julgar conveniente o Poder Municipal.
No triênio de 1911 a 1913, o superintendente, Dr. Jorge de Moraes, manda proceder reparos na capela, caiação nos muros e pintura do gradil e portão deste próprio.
No triênio de 1917 a 1919, o superintendente Dr. Antonio Ayres de Almeida Freitas, atendendo ao mau estado em que se encontrava a capela deste próprio, manda proceder obras de sua reconstrução.
CEMITÉRIO S. RAIMUNDO
Situado no ponto mais alto do bairro de S. Raimundo, cercado com achas de pau a pique, ocupando uma área de 11.103,45m2.
A Câmara Municipal, em sessão' realizada a 12 de dezembro de 1878, resolve:
Que para os enterramentos das pessoas falecidas de varíola fosse o cemitério construído no alto da ponta de S. Vicente (hoje denominado S. Raimundo) visto achar-se ali o lazareto para as enfermidades epidêmicas, ficando para esse fim autorizado o presidente da Câmara a pedir a necessária permissão ao reitor do Seminário; calculada a despesa provável e aprovada esta fazer a obra administrativamente atente a serviço de urgência.
Este cemitério foi fechado por determinação contida no decreto n.O 95, de 2 de abril de 1891, baixado pelo governador do Estado, Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro.

Em 1906, o superintendente, coronel Adolpho Guilherme Miranda Lisboa, manda proceder ao serviço de reconstrução de todo cercado deste próprio municipal.


CEMITÉRIO DE SÃO
JOÃO

Situado no alto do bairro do Mocó, em terrenos comprados pelo município aos herdeiros do capitão-de-mar-e-guerra Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso, em 1890 e 1903, que se limita ao norte com o Pico das Águas, a leste com a avenida Major Gabriel, ao sul com o boulevard Amazonas e a com terras particulares; ocupando uma área de 92.160m2, cercada por muro de alvenaria de pedra e tijolo com gradil e portões de ferro.

A 19 de Setembro de 1890, a Intendência Municipal autoriza ao intendente Dr. João Carlos Antony, a orçar as despesas para as obras deste cemitério, constantes de destocamento, arruamento e cerca de arame farpado e, logo que o orçamento for aprovado pela Intendência, dar começo aos referidos trabalhos.

Às 4 horas da tarde de 5 de abril de 1891 teve lugar o ato solene da inauguração desta necrópole.

Em sessão de 5 de Junho de 1891, a Intendência concedeu a Santa Casa de Misericórdia, a requerimento de seu provedor-geral, trinta e cinco metros dentro deste cemitério, obrigando-se a referida Santa Casa a fazer a divisão de acordo com o plano da Intendência.

A 3 de setembro de 1891, o município contrata com o Sr. Manoel C. de Castro a construção de um necrotério e de uma casa para a Administração deste cemitério.

Em 1900, o superintendente, Dr. Arthur Cezar Moreira de Araújo, manda substituir a cerca de arame por cerca de pau a pique, construir uma rampa na face que dá para o Boulevard Amazonas e um portão na face que dá para a avenida Major Gabriel.
Planta bem simples, existente no Relatório
A 30 de agosto de 1901, a Intendência Municipal propôs a lei n.O 233, aprovando o ato do superintendente, Dr. Arthur Cezar M. de Araujo, concedendo nesta necrópole 

uma área para construção de um jazigo a Etelvina de Alencar,
assassinada na Colônia Campos Salles.

À Irmandade do Santíssimo Sacramento concede a Lei nº 337, de 27 de fevereiro de 1904, uma área neste cemitério.

Em 1906, o superintendente coronel Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, autorizado pela lei n.O 430/1905, manda proceder nesta necrópole a construção de muro com portões e gradil de ferro nas faces que limitam com o boulevard Amazonas e avenida Major Gabriel e, no local do antigo necrotério,uma capela de estilo.

Planta do cemitério São João, constante
do Relatório

Em 1911,o superintendente, Dr. Jorge de Moraes, manda proceder a pintura no gradil e portões de ferro e caiação dos muros.

A 2 de outubro de 1913, a Intendência Municipal promulga a lei nO 772, concedendo uma área para jazigo das Irmãs de Sant' Ana, que falecerem neste Estado.

Em 1916, o superintendente, Dr. Dorval Pires Porto, manda proceder a reconstrução da capela e construir uma nova casa para secretaria desta necrópole.

Em 1921, o superintendente, Dr. Basilio Torreão Franco de Sá, manda proceder a limpeza geral, limitar os quarteirões com cercas de pitangueiras, relacionar todas as sepulturas perpétuas e distingui-las com marcos de alvenaria, tendo gravadas as iniciais S.P., os respectivos números e a data da inumação.

Em 1922, manda o mesmo superintendente construir os muros dos lados norte e oeste, numa extensão de 588,70m; três sentinas, um grande mictório, um quarto para guardar ferramentas e materiais e um banheiro, terminando também a edificação do sumidouro, então apenas iniciada. Todas estas obras foram feitas com alvenaria de pedra e tijolo.



CEMITÉRIO CONCEIÇÃO DAS LAJES

Situado em uma ilha, à margem esquerda do Rio Negro, abaixo da ilha do Marapatá, ocupando uma área de 11O,25m2; completamente fechado com achas de madeira de lei.

A 19 de outubro de 1900, o superintendente, Dr. Arthur Cezar Moreira de Araújo, autorizado pela Resolução de 2 de junho de 1898, desapropria ao Sr. Antonio Baptista Rodrigues, a ilha de sua propriedade situada à margem esquerda do Rio Negro, para servir de cemitério aos distritos das Lajes, Colônia Oliveira Machado, Aleixo, Terra Nova, Curari, Careiro, Paraná do Cambixe e Lago dos Mouras.


CEMITÉRIO DE AYRÃO

Acha-se situado na freguesia de Ayrão, sendo, em virtude da lei nO 249, de 21 de fevereiro de 1902, a sua inauguração levada a efeito pelo superintendente coronel Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa.  

CEMITÉRIO DA COLÔNIA OLIVEIRA MACHADO

Situado na colônia do mesmo nome, com uma área de (ilegível), foi aberto e inaugurado pelo governo do Estado na administração do Dr. Antonio Constantino Nery. [Em nossos dias, está situado no bairro do Morro da Liberdade]

CEMITÉRIO DE PURAQUEQUARA

Criado pela lei 459, de 4 de março de 1907, é situado no Lago do Maynã, com uma área de 2.500m2.

CEMITÉRIO DE JATUARANA

Criado pela lei 459, de 4 de março de 1907, com uma área de 2.500m2, é situado na foz do igarapé do mesmo nome.

CEMITÉRIO DO TABOCAL

Criado pela lei no 459, de 4 de março de 1907, é situado no igarapé do Carmo, ocupando uma área 5.600m2.