CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de novembro de 2011

CLUBE DA MADRUGADA: 57 ANOS


Mulateiro - sede do Clube
da Madrugada
Novembro, 22 

1950 – É concedida uma área para a construção do Pavilhão São Jorge, mais conhecido por Café do Pina (sobrenome do favorecido), o português José de Brito Pina. Instalado na então praça João Pessoa, em frente ao Cine Guarany e fronteiriço ao quartel da Polícia Militar do Estado. A concessão foi realizada pelo prefeito de Manaus, Raimundo Chaves Ribeiro. Tornou-se o café que, entre tantos frequentadores, congregou os "madrugadistas".

1954 – Aconteceu a fundação do Clube da Madrugada, na madrugada desse dia, sob o mulateiro da praça da Polícia ou de Heliodoro Balbi. Apesar de se manter em ambiente de liberdade, em 1961, foram aprovados seus Estatutos. Tudo indica, porém, que esse diploma legal “não pegou”.
Art. - O Clube da Madrugada, fundado e sediado nesta cidade de Manaus, órgão que permite a livre manifestação do pensamento e tem por propósito o estudo, o desenvolvimento e a divulgação dos diversos ramos das ciências, das letras e das artes.

Parágrafo único - Essa finalidade não se restringe ao âmbito da agremiação, mas visa também levar ao povo, através do trabalho escrito, oral ou divulgado, o conhecimento do que se fez no campo da cultura em geral.
Art. 2º - Para cumprimento do que se propõe, o Clube promoverá:

- a organização de uma biblioteca;

- a instituição de concursos anuais, com prêmios aos autores de obras de poesia, ficção, ensaio, teatro, artes plásticas e rítmicas, com regulamento previamente discutido em sessão convocada pela Presidência da Sociedade;

- a realização de conferências, seminários, palestras e debates sobre assuntos de caráter científico, literário, artístico ou outros que, por sua oportunidade ou magnitude, atendam ao interesse geral;

- o lançamento e a exposição de livros ou trabalhos de arte em geral, especialmente de autores pertencentes ao Clube.


Assinaram o documento referente aos Estatutos do Clube da Madrugada, os seguintes membros: Raimundo Theodoro Botinelly de Assumpção, Carlos Farias de Carvalho, Jorge Tufic, Arthur Engrácio da Silva, Jefferson res, Evandro das Neves Carreira, Aluísio Sampaio Barbosa, Pe. Luiz Ruas, Pedro de Amorim,
Saul Benchimol, Álvaro Reis Páscoa, Elson Farias, Edison Bentes Farias, Luiz Bacellar, Moacir Couto de Andrade, Sebastião Norões, Francisco Ferreira Batista, Nivaldo Santiago, Afrânio de Castro, Djal
ma Passos, João Bosco
Araújo, L
uiz Bezerra, Antônio Gurgel do Amaral, Miguel Barrela, Benjamin Sanches e Francisco Vasconcelos. Diário Oficial do Amazonas, Manaus, 20 dez. 1961.  (
Extraído de As artes plásticas no Amazonas: o Clube da Madrugada, de Luciane Páscoa, 2011).

Na Livraria Valer, Elson Farias, Zemaria Pinto e Max
Carphentier (a partir da esq.)
Para recordar os 57 anos de criação do Madrugada, o espaço Livraria Valer recebeu dois integrantes daquele clube, os quais esclareceram alguns dos passos daquele movimento. Prestaram depoimentos os poetas Elson Farias e Max Carphentier, mediados pelo escritor (e poeta) Zemaria Pinto.