CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, outubro 02, 2024

18 ANOS SEM ROBERTO, FILHO

 o dia de hoje me relembra o sepultamento do filho que faleceu no dia anterior, em 2016. Passam-se dezoito anos, porém, a despeito de atenuadas, as dores ainda ferem. trata-se do Roberto Souza Mendonça, carinhosamente tratado por Betão, nascido em 1971, um dos meus herdeiros. aconteceu em um domingo de eleições gerais e no dia imediato à queda de um avião GOL, que voava de Manaus a Brasília. na ocasião, Lula se reelegeu presidente; haverá neste domingo próximo a festa democrática  para eleição da administração municipal.

terça-feira, novembro 02, 2021

DIA DE FINADOS

Aqui jaz a memória da

família Lima Mendonça


encontra-se no jazigo aberto para a avoenga Adelaide Vieira Lima, no cemitério São João Batista, há 80 anos. Para este finados intentei ultimar os reparos imperiosos à recepção de novos. Não me foi possível finalizar a obra, ainda assim pretendo recolher ao local dois personagens desta família sepultados no cemitério São Francisco, no Morro da Liberdade.

Hoje é dia para a reflexão, seguramente. Momento de rever de alguma maneira os antepassados, de relembrar-lhes as passagens, de reavivar a memória dos novinhos sobre os antepassados. Enfim, como de hábito religioso, oportunidade de rezar por suas almas. De acender velas, de deixar-lhes flores. E, quem sabe, aproveitar a ocasião para refletir sobre seu destino. Para tanto reproduzi o texto de meu irmão Renato, escrito para este evento.

Detalhe de curiosa lápide existente no 
cemitério de São João Batista - Manaus

Os campos-santos citados passaram por reformulação, receberam aquela recapagem, a fim de melhor acolher aos visitadores neste dia. Daí as fotos aqui postadas com as quais relembro os túmulos da minha família em cada necrópole.

 

Em São João Batista repousam:

 


             
Adelaide Vieira Lima (1883-1941)

Francisca Lima Mendonça (1917-1951

Victoria Malafaya (1890-1961)

Maria Nogueira de Lima (1920-1966)

Roberto Souza Mendonça (1971-2016)

 


          

 Em São Francisco repousam:


             Doroteia Santos Mendoza (1936-1992)

             José Manuel Mendoza (1916-2014)

segunda-feira, julho 09, 2018

AINDA SOBRE CEMITÉRIO



Sepultura de Aria Ramos

1.       Em 17 de fevereiro de 1915, em uma festa de carnaval no Ideal Clube, então localizado no cruzamento da avenida Eduardo Ribeiro com a rua Henrique Martins, foi morta a violinista Aria Ramos, participante do conjunto musical. O desastre causou uma comoção na cidade. Sobre seu túmulo (SP 3869 – Quadra 05) no cemitério São João existe este poema de autoria de Th. Vaz:


Diante de sua graça,

que a doce alegria de viver tornava ainda mais radiosa,

em face do gênio que no esplendor

de sua mocidade alvorecia,

a própria morte estacou maravilhada,

e, em vez de a prostrar com a arma sinistra e brutal,

que traz ao ombro, a tocou de leve,

sutilmente, com um beijo fulminador...



2.    Dois dias antes, em 15 de fevereiro, havia falecido o Dr. Simplício Coelho de Rezende, ilustre piauiense, que, entre outros merecimentos, possui o de ter sido o primeiro diretor da centenária Faculdade de Direito do Amazonas. A lápide de seu túmulo (SP 614 – Quadra 05) guarda esta inscrição em latim:


Hic jacet doctor Simplicio Coelho de Rezende jurisconsultus brasiliensis. 

1841-1915


3.    Em março de 1983, o Jornal Cultura, órgão da Superintendência Cultural do Amazonas, publicou do acadêmico padre Raimundo Nonato Pinheiro (1922-1994), que refletia sobre sua (dele) morte, este poema:

Estranho Pensamento

Padre Nonato Pinheiro

Estranho pensamento me assedia:
de saber em que sítio, em que floresta,
vive a árvore que, na extrema sesta,
ao meu corpo o caixão dará um dia!

E me assaltou atroz melancolia:
sentindo a imolação da árvore honesta,
abandonando os pássaros em festa
para levar meu corpo à cova fria...

Se Deus, que é poderoso e onisciente,
me indicasse o local, com exatidão,
onde se encontra a árvore silente

que a madeira dará pra meu caixão,
partiria pra selva incontinenti,
para beijar-lhe o tronco com emoção!...


quinta-feira, novembro 02, 2017

DIA DOS FINADOS



Aspectos do cemitério São João 
Discorro hoje, obviamente, sobre meus mortos, e outras visões, que a cada ano aumentam. Acabo de vasculhar o cemitério São João Batista, pra cima e pra baixo. Aqui e ali revi famílias, amigos reunidos, orando uns, conversando outros certamente sobre os falecidos. O calor forte parecia apressar os “viandantes que passais”.

Estas aspas retirei da lápide que saúda heróis da Polícia Militar do Amazonas. Trata-se do mausoléu de dois praças mortos em 1910, por ocasião de uma rebelião militar. No entanto, a mesma PMAM poderia recuperar o túmulo de alguns de seus ex-comandantes ou mesmo de oficiais e praças que se encontram no abandono.

Nessa direção, já propus a Comandos-Gerais que se efetuasse o translado dos restos mortais de um “herói”, quase patrono desta Força Estadual. Cândido Mariano que, comissionado tenente-coronel desta Força Militar, participou do campanha de Canudos. A propósito, dia 8 deste, a PM rememora esse conflito nacional.

Caminhando com dificuldade por entre sepulturas, devido a balburdia dos assentamentos, revi a de amigos, de parentes, mas confesso amargurado que ainda não contemplei a de minha família com a adequada estrutura. Entra ano e sai ano, lá estão aqueles a quem relembro de maneira diversificada sob encardido revestimento.

Este túmulo foi adquirido no final da década de 1930, e ainda não identifiquei quem o inaugurou. Sei dos demais, começando por minha avó materna Adelaide Lima, em 1940. Pouco mais, em julho de 1952, foi a vez de sua filha caçula – minha mãe – Francisca Lima.

Nos anos 60 foi aberto duas vezes, a primeira em 1961 para abrigar minha avó paterna Victoria Malafaya. A segunda, sem data conhecida, Maria, esposa de meu tio José Lima.

Longa temporada se passou até que, em 2006, tive a desventura de enterrar no espaço o corpo do filho Roberto Souza. E, quando meu pai faleceu, dois anos passados, tive que decidir entre sepultá-lo neste jazigo ou naquele em que encontra dona Doroteia Mendoza (a segunda esposa dele) no cemitério São Francisco, situado no Morro da Liberdade. Optei por este, reencontrou-se com a Dona.

Adornos encontrados no cemitério São João Batista
De volta ao périplo no cemitério central, lembrei-me de quando jovem, quando no Dia dos Finados a família marcava encontro junto à sepultura dos seus. Recordo que somente possuía de mortos, minha mãe e as avós. Todas reunidas na mesma SP. Hoje, são tantos mortos, que se tem de antecipar as visitas.

Desse modo, deixo para o entardecer minha visita ao cemitério São Francisco, para ali reverenciar a meu pai e a minha distinta madrasta. Com o crepúsculo, o tremular das luzes das velas e as da cidade me impulsiona o reencontro com gostosas lembranças familiares.

Recolhi vários aspectos do São João Batista, nessa passagem do Dia dos Finados. Tristeza ver os antigos vendedores de serviços relacionados as sepulturas; suas biroscas, na parede dos fundos; um arremedo de sepulturas verticais; e o amontoado de covas que, como como assinalei, requer um GPS para boa movimentação. Enfim, um comércio degradante.

De outro lado, há sepulturas belíssimas, enfeitadas com estatuária de qualidade. Limpas, restauradas, daria ao campo santo central um outro visual. Tomara que veja tanto algum dia!


quarta-feira, novembro 02, 2016

DIA DOS FINADOS

Lembrando aqueles que me  precederam com o Sinal da Fé. 
Detalhes dos cemitérios de São João e São Francisco









segunda-feira, novembro 02, 2015

DIA DOS FINADOS



Flores para meus finados mais próximos.


Manuel e Francisca
Mendonça (pais)
Victoria Malafaya (avó)
Dona Dora (segunda mãe)
Vicente e Adelaide (avós maternos)
Graça e Betão Mendonça
(esposa e filho)
Ronaldo Cesar (irmão)











domingo, julho 19, 2015

IGREJAS CATÓLICAS EM MANAUS

NOVA SÉRIE DE IGREJAS E CAPELAS DA CIDADE

Capela do Dom Bosco, hoje desaparecida. No mesmo lugar foi construída nova
com entrada pelo colégio.

Capela de São João Batista, existente no cemitério do
mesmo nome

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da
Praça 14 de Janeiro

Cartão Postal da igreja, existente nas proximidades do
Teatro Amazonas 

Matriz de Nossa Senhora da Conceição, quando de sua última reforma,
ano 2002

domingo, novembro 02, 2014

DIA DOS FINADOS | 2


 
Para lembrar esta data, reproduzo algumas fotos de nosso principal “Campo Santo”. O cemitério São João foi concluído no governo municipal do coronel Adolfo Lisboa que, da mesma forma, inaugurou a capela do protetor.

Placa da administração Adolfo Lisboa e outros detalhes

A capela de São João, de frente e perfil, e  o altar desta

sábado, novembro 01, 2014

DIA DE FINADOS


Inscrição no túmulo dos Mendoza



A obrigação de visitar o cemitério para reverenciar os mortos, os nossos mortos, aprendi com meu pai. Este mesmo pai que será hoje visitado para a nossa primeira conversa silenciosa,quando, em sussurros, contar-lhe-ei (fica mais poético) meus desastres e meus acertos, desde que ele “atravessou o rio Negro”. 
 
Meu pai – seu Manoel – viveu 97 anos. E o cuidado que ele dispensava as sepulturas da família era exemplar. Disse sepulturas porque a família dispõe de uma em São João e outra, em São Francisco. Aqui o sepultei em maio passado, ao lado de sua segunda esposa, nossa querida Dona (Dora). Depois de alguns anos, eles se reencontraram para a eternidade. 

No São João, o elenco dos sepultados na quadra 17 é bem maior. Começou em 1940 com o sepultamento de Adelaide Pereira, avó de muitos netos; depois foi minha mãe, em 1953; seguida de uma tia e da avó paterna Victoria Malafaya. Enfim, mas não o fim, há oito anos, foi a vez do meu filho Roberto.
Lousa do túmulo, em construção
O dia nos fornece motivos para essas considerações, que vem acompanhadas de inevitáveis recordações, que nos permitem recolocar os entes queridos um pouco ao nosso recato. Alivia de certa maneira a distância que nos mortifica.

Escolhi um texto do saudoso Arthur Reis para ilustrar esta postagem. Também ele se ocupou em relembrar três homens que construíram o Amazonas e, lamentavelmente, encontram-se no limbo da recordação de tantos.

OS QUE NÃO MORREM NA GRATIDÃO DOS AMAZÔNIDAS (*)

São três nomes grandes da história do Amazonas que se recordam nesta página de Saudade. Eduardo Gonçalves Ribeiro, Sant'ana Nery e Comendador Clementino.
Aquele é o Pensador. Manaus é criação dele. Antes da ação dinâmica, ciclópica por que se assinalou no mando, o que havia aqui era tosco. Manaus dava ares de burgo. Os homens do Império nada tinham realizado. Nada ou pouco. Se duvidam consultem os aspectos velhos, leiam as palavras dos viajantes, alarmados todos com o quadro que enxergavam.

Pensador fez tudo. Imaginou e executou.

E' verdade que errou. Talvez grandes, enormes, imperdoáveis erros. Um deles, o maior, o mais grave, foi o pouco caso pelo futuro econômico. As rendas cresciam, avolumando-se espantosamente, sem que se visse a medida governativa que as impulsionavam, que lhes davam vida. Era tudo naturalmente. O ouro negro operava o milagre. Não é mentira o que se afirma aqui. Há provas.

A palavra do Pensador não será bastante? Ele escreveu uma confissão franca, que as arcas se enchiam, sem as atenções diretas do oficialismo.
Pensador, como Lobo d'Almada, foi uma vítima do seu grandioso querer pelo Amazonas. Ambos, em prodígios, construindo, zelando, civilizando. Ambos cobertos da maledicência dos incapazes, dos inimigos de todo homem que tem ideias, defende-as e as realiza alheio à ação peçonhenta desses malvados. Ontem como hoje, como agora, frisemos.

Sant'ana Nery, não é o Barão que o império, formando ao lado do servilíssimo corpo de fidalgos improvisados, sem tradições. O Amazonas não o conhece nessas vestes canhestras e insignificantes.

A homenagem é ao revelador de uma grandeza. E' ao escritor, ao estilista, sabedor imenso do País das Amazonas, de Folklore Bresilien, de Le Bresil em 1889, aquede primeiro livro fundamental, em que reuniu todo o conhecimento das nossas coisas, água e terra, flora, fauna, o homem de cá ou de fora amansando a jungia amansando a jângal formidável. Livro em que se conta o passado, mostra ao globo, em quatro idiomas, e maravilhoso do vale, sem a fantasia dos poetas, dos romancistas, sem a ciência improvisada de certos amazonôlogos de livros europeus.

Três séculos antes, fora um jesuíta, frei Gaspar de Carvajal, numa crônica fantástica, farta em trechos sensacionais que dissera, além-mar, do gigantesco deste mando em formação. E por tal modo, que desassossegara espíritos, manietara governos, provocando a cobiça do gaulês.

O frade dizia do quadro verde, da selva virgem. Com os excessos que a sua imaginação ardente lhe ditou, encantado. Vendo mulheres em guerra, novas Amazonas, valentes, heroicas, dominadoras, formando o império que, no lendário ameríndio, seria o El Dorado faiscante.

Sant'ana Nery, embora dominado pelos encantamentos da gleba, mas um forte sobre as emoções perturbadoras, com o senso da realidade, segredo que poucos sabem guardar, não mentiu. O País das Amazonas, surpreendendo muita vez pela exatidão dos conceitos, da notícia que se lê, lançou-nos. Apontou-nos. Entregou-nos ao estudo detalhado de povos servidos pela experiência de punhados de séculos.

Antes de Barão, que nada significa para nós, Sant'ana Nery foi, insistamos, o revelador do Amazonas, que o outro, Pensador, levantara cheio de amor. Sábio e artista. Das maiores cabeças nacionais, ao seu tempo, e ainda hoje.

O outro, o terceiro amazônida, teve posições políticas. Barão de Manaus, titulou-o a Princesa Izabel, a 27 de julho de 1888. E' o único amazonense do grupo. Por isso mesmo, o mais ignorado na sua terra. Triste destino de um povo! 

Filiado à corrente conservadora, governou a Província, em 1885 e em 1887. Governou com decência, com patriotismo. Administrou, é bem o termo. Não foi nunca um trânsfuga. Não foi nunca, porém, um escravizado ao partido para aceitar exigências imprudentes, comprometedoras. Quantos lhe rascunharam a biografia acentuaram o prestígio popular que o animava para caminhadas pelo berço. 

Morreu em 1906, a 26 de outubro, em Manaus. Sempre sob a admiração dos coestaduanos. Seu nome – Clementino José Pereira Guimarães. Nascido no velho Lugar da Barra, em 1828. Comendador da Ordem da Rosa, deram-lhe o nome à uma rua. Frágil homenagem, numa terra onde se louvam, nessas demonstrações, até quantos lhe sugaram as energias, lhe deram as horas amargas de agora! 

Pensador, Sant'Ana Nery, Comendador Clementino, não proclama o leitor, três homens do Amazonas? Homens, no sentido honesto!!!

Dormem, os três, em S. João. 

Porque os moços, que desejam lições no passado, não lhes estudam as vidas. E no dia de hoje, não lhes vão à necrópole, numa visitação comovedora e a denotar que já se forma um espírito nosso, voltado para o que é do patrimônio amazonense?

(*) Arthur Cezar Ferreira Reis
Suplemento da revista Redempção, 2 de novembro de 1932