CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, agosto 08, 2026

CORONEL OSSUOSKY - PAI MILITAR DO ANO - 1976

 Mario Perelló Ossuosky (1927-2021), coronel do EB, foi comandante da Polícia Militar do Amazonas entre abril de 1975 e maio de 1979, pouco mais de quatro anos, durante o governo de Henoch Reis. Foi o comandante, durante o governo militar, que mais tempo permaneceu no comando da PMAM. Quando de seu aniversário em 8 de agosto de 1976, também Dia dos Pais, foi eleito Pai Militar do Ano.

A postagem foi retirada do jornal A Crítica, 8 de agosto de 1976 – há 50 anos! 


Coronel Ossuosky, aniversaria hoje e foi eleito Pai Militar do Ano

O coronel Mário Perelló Ossuoski foi escolhido o PAI DO ANO pela comunidade militar de Manaus. Trata-se de uma homenagem aos predicamentos paternos do coronel Ossuoski, herança dos seus predicados filiais e expressão da sua paradigmária vida familiar.

Educação para a vida militar, Ossuoski é o soldado que jamais poderia não ser soldado. Mais que vocação, seu caso é o modelo típico de sacerdócio. Comandante enérgico, conhece os ditames da ordem ética, isto é, da que se submete à equidade como recusa ao seu antônimo - a iniquidade.

Vivendo em Manaus há tempo bem considerável, seu conceito dentre seus pares fez com que para ele despertasse a atenção do Governo do Estado, que o designou comandante da Polícia Militar do Estado, onde sua conduta tem sido decisiva, evidentemente dentro das suas limitações de ação, para que a cidade recobre a ordem sempre ameaçada pelos agentes da criminalidade e da desagregação social.

Mas é ao Mário Ossuoski, pai, a quem a comunidade militar está homenageando. Do todos os seus galardões, este sem dúvida é o mais precioso de sua vida, pois, bom pai é sinônimo de bom marido e de bom filho, qualidades indispensáveis para todo o bom profissional.

Por outro lado, é o mais belo presente que o coronel Ossuoski recebe hoje, quando no carinho de seus familiares e de seus amigos, comemora 49 anos bem vividos de existência. A ele, os parabéns desta coluna.

segunda-feira, agosto 03, 2026

MEUS OITENTANOS (12)

 FASCÍCULO 12

* * *


No início de 1973, fui nomeado subcomandante da Companhia de Trânsito, que operava no quartel da Praça com entrada pela rua José Paranaguá, nas proximidades do Detran. Pouco durou minha atividade naquele setor, pois logo fui transferido para a Companhia de Bombeiros, operando em quartel na avenida Sete de Setembro, cujo serviço de combate a incêndios e afins fora encampado pelo governo estadual. Até então era este emprego exercido com bastante deficiência pela Prefeitura. Sem nada entender das atividades dos homens do fogo, cuidei do sucesso administrativo da nova unidade, para isso, busquei aprender com os bombeiros municipais incorporados, ainda assim acredito que o mais estravagante enfrentado foi o único teste em mergulho em igarapé de Manaus.

Quartel do Corpo de Bombeiros, quando
incorporado à Polícia Militar, em 1973

Em outubro, o comandante dos Bombeiros viajou a Paris para frequentar um curso sobre atividades do ofício; em função de seu afastamento, assumi o comando. Já havia de certo modo assimilado as atividades da companhia e nessa condição assisti ao início da construção do novo quartel erigido no bairro de Petrópolis. Permaneci no comando até o Carnaval de 1974, quando, na quarta-feira de Cinzas, fui afastado do comando por mau comportamento, ante as várias transgressões cometidas no “reinado momesco”. Uma, em dose dupla, distribui garrafas de uísque que ganhei de cortesia, no baile de carnaval que o comando promoveu na sede do Atlético Rio Negro Clube, no qual levei convidadas fora da minha família.

À época, o governo de João Walter (1971-75) ansioso por melhorar a atuação dos Bombeiros disponibilizou elevados recursos financeiros, tais que possibilitavam a farta aquisição de materiais específicos às operações. Óbvio que interessados em vendas se aproximaram com seus materiais e bastante agrados ao quartel. A subsidiária local da empresa Bucka Spiero (fabricante de equipamentos de combate a incêndios) era gerenciada pelo Orlando Novaes e possuía notável vendedor, o cearense desembaraçado Gonçalves, que possuía moderno veículo e frequentava as dependências do quartel, da cozinha ao alojamento. Ante tamanha mordomia, seu automóvel estava à disposição; uma tarde, no intervalo do almoço, tomei este carro e sai para um rolê, cujo passeio marcou minha vida, pois nesse giro alcancei a jovem C. que vivenciou comigo incontáveis aventuras. Nesse interim, aconteceu um desarranjo familiar devido meu envolvimento com a jovem Conceição Valois, ardor que durou décadas.

Dos Bombeiros fui transferido para o 1º Batalhão, em quartel recém inaugurado que era um primor de arquitetura, porém cercado por vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone, no distante bairro de Petrópolis. Por essas mazelas era tido como local de castigo para oficiais, assim fui apresentado ao comandante coronel Hélcio Motta que, de tanto verborrágico, era alcunhado de “caixa d’água”. Afinal a instalação deste aquartelamento foi fundamental para a evolução do bairro. Afastado da direção, seguia a rotina e as obrigações deste batalhão. Bom que após a formatura, ocasião em que o comandante falava “pelos cotovelos”, fazíamos a educação física, que se encerrava no futebol de salão, hoje futsal. Sequer a Faculdade de Direito me atraía, depois que me desencontrei da turma e passei ao crédito, em cada disciplina, a novos colegas. Preferia seguir pela noite alimentando as paixões, que me trouxeram tormentosas encrencas. Em minha residência, em 2 de agosto, a esposa deu à luz a filha Gabriela, hoje moradora de Brasília, com os filhos Caio e Gabriel.

Quartel do 1º Batalhão, em Petrópolis, hoje
servindo ao Comando-Geral da PMAM

Ao final de74, viajei a Santos e de lá prossegui para Curitiba, onde festejei o Ano Novo que pouco havia para me alegrar. A motivação da viagem era ver Roberto, filho da Conceição Cortez, a jovem que conheci no rolê, nascido em 20 de dezembro. De Santos, onde festejei o Natal, segui no carro emprestado por meu irmão Antonio e, em Curitiba, alcancei o descendente na residência da cunhada no bairro Mercês, então um simples arrabalde, onde me hospedei. Permaneci parte de janeiro em Curitiba cuidando do recém-nascido acometido de deformidade em ambos os pés. A partir do cuidado ortopédico ali dispensado, e sustentado em Manaus, não restou qualquer deficiência. Hoje, o Roberto Cortez se encontra servindo à Polícia Militar amazonense.

 

domingo, agosto 03, 2025

POEMA DOMINICAL (25)

Compartilhado de O Jornal, 25 janeiro 1970, o poema que ilustra este domingo pertence ao saudoso Alexandre Montoril. Nascido no Ceará, porém demonstrou sua competência em Coari, onde foi prefeito, e em Manaus. Nesta capital, pertenceu à Polícia Militar do Estado, e criou os bairros de São Francisco e Petrópolis. Há uma homenageia ao fundador, nomeando o CAIC de Petrópolis com seu nome.
Recorte do jornal citado


— 1 —

Desde o ponto em que toma o nome Solimões,

Seu caudal deslisa enfrentando furacões,

Ao som ruidoso de uma orquestra de titãs,

Que não se descreve, as palavras são vãs,

O painel mais grandioso será singelo,

Em confronto com o natural soberbo e belo;

Porém, sob o entusiasmo do meu canto pobre,

O AMAZONAS É BRASIL! O rio mais nobre!... 

— 2 — Para tanto Musa, dá-me a poesia,

Sob a inspiração ao ritmo da estesia,

Para eu cantar o rei dos rios no Brasil,

E a grandeza dos seus afluentes mil,

Enriquecendo o solo e esmaltando a paisagem,

Na silhueta colorida da folhagem,

Ao gorjeio das aves nas manhãs de sol,

E ao fantástico e maravilhoso arrebol. 

— 3 — De sua riqueza a Natureza se ufana,

Ao seu fascínio não resistiu Orellana!

Decantado por sábios e aventureiros,

Que perlustraram o vale e também os outeiros,

Sob a visão ciclópica de um grande prado,

Pois em verdade o majestoso Eldorado,

E a generosa Terra de Canaã,

E mais que isso o berço rico do Tupã! 

— 4 A gente sente um alivio das próprias mágoas,

Admirando o encontro das suas águas,

Que em versos sublimes Quintino descreveu,

Desse grande amplexo de amor que aconteceu:

(O encontro das águas rio Negro-Solimões)

Abrindo o caminho para as grandes nações,

Surgiu o Amazonas rumo do Nordeste,

Que com seu enorme caudal, o mar investe!... 

— 5 — Ao encontro do seu estuário dantesco,

Sob o panorama querco e pitoresco,

Dá-se o contato gentil dos dois elementos:

Entra o Rio no Mar, ao sabor dos ventos,

Ao compasso harmonioso das ondas do Atlântico,

Ouve-se a sinfonia de um etéreo cântico,

Ao Amazonas — o rio da humanidade;

Mas dentro dos limites da brasilidade... 

— 6 -- Merece todo conceito os seus habitantes,

Honras aos que deram exemplos relevantes,

No passado, há o símbolo de Ajuricaba;

E das Amazonas a tribo Icamiaba,

Que atestam o valor da raça indígena;

E seu cruzamento com o alienígena,

Representa hoje a sua população,

Resultado de boa combinação. 

— 7 — Na estrutura deste modesto poema,

Feito em função do mais alto esquema,

Termino com a rima escorreita e egrégia,

Ao misticismo sem par da Vitória Régia,

E do Uirapuru o feiticeiro cântico;

Porém o mais justo e que ninguém cause espanto,

Pois revela o sentido de um sabor profundo:

— E que o Amazonas será o Celeiro do Mundo!...

sábado, fevereiro 22, 2025

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

 Duas amostras desta avenida, artéria que já foi a principal de Manaus, servindo de palco para os principais eventos, como Carnaval e 7 de Setembro. O cartão postal da década de 1990 capta a avenida do alto da Catedral, portanto próxima de seu início. Algumas das principais edificações estão situadas nas laterais, outras já desaparecidas, como a Lobras, em primeiro plano.

Avenida em foto da torre da Catedral

Na viatura segue a Guarda Bandeira,
sob o comando do tenente Tertuliano,
com os bombeiros sem qualquer segurança

A foto adiante é do desfile de 7 de Setembro de 1970, realizado na avenida Eduardo Ribeiro, contemplando um veículo (picape) do Corpo de Bombeiros Municipais, organização então pertencente à Prefeitura de Manaus. Passava por um remodelação, sob o comando do major Nicanor Gomes da Silva, recém diplomado no Corpo de Bombeiros da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. No entanto, os governos estadual e municipal já dialogavam buscando implantar um novo organismo, melhor estruturado no combate ao fogo e serviços afins. Dois anos depois, em dezembro de 1972, foi concretizada a transferência desses encargos para o Estado, sob o controle da Polícia Militar, cuja evolução administrativa permitiu o estabelecimento do atual Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

sexta-feira, junho 24, 2022

POLÍCIA? ONDE ANDAM AS POLÍCIAS?

 Esta postagem compartilha o Editorial do matutino Jornal do Commercio, circulado nesta data. Usei a imagem do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philipps, mortos há duas semanas em nosso Estado, cuja cena rodou o mundo, para melhor caracterizar o terror que vivemos. Não há mais Polícia!, tenho repetido, seja qual for a gradação administrativa. 

Bruno Pereira + Dom Phillips

Editorial

Nunca convivemos com tanto sentimento de insegurança 

O crime organizado continua mantendo suas atrocidades em Manaus, matando sumariamente seus rivais nas barbas da polícia, que se mostra impotente para frear a violência. Ontem, foi morto o filho de um traficante famoso, que expandiu o seu reinado a partir do bairro da Compensa, zona Oeste da cidade. Ele foi torturado e ainda decapitado, algo que choca e espalha o terror.

Incrível como as facções criminosas se expandem, mantendo suas próprias regras e eliminando quem não se adapta às suas exigências. O tribunal do crime age livremente. Mata em plena rua, invadindo até casas para eliminar seus eventuais desafetos. E a população assiste a tudo com muito medo. O sentimento de insegurança já é muito grande.

Claro, o desenvolvimento econômico vem seguido de mazelas sociais. Nem todos têm a mesma chance de ascender social e economicamente. O capitalismo é selvagem. A desigualdade abre precedentes para milhões de jovens serem cooptados como soldados do crime. Nessa briga marcada por tantas barbáries, eles acabam morrendo precocemente, em tenra idade.

É assim nos grandes centros urbanos. Eles (os criminosos) mantêm um poder paralelo que desafia os órgãos instituídos. Chegam a realizar atentados, numa demonstração de que também são poderosos, deixando um rastro de sangue e famílias enlutadas.

Até quando vamos conviver com situações de tanto terror, sem que os direitos humanos sejam respeitados? Hoje, os aparatos de segurança reúnem equipamentos de última geração. Porém, nem com todas essas novas ferramentas tecnológicas somos capazes de frear a violência.

O problema está na base familiar. Jovens são marginalizados por um sistema injusto. A educação, capaz de transformar vidas, não cumpre o seu papel por falta de mais condições, uma contrapartida que deveria ser prioridade nos programas governamentais. É uma demanda que permanece invisível.

Os desajustes estão em todas as esferas do poder municipal, estadual e federal. A corrupção também é uma agravante. Milhões de recursos são desviados, acabando nas contas de gestores corruptos, prejudicando a população. Eles estarão de volta nas próximas eleições com a promessa de proporcionar mais benefícios, que são apenas retóricas eivadas de muita demagogia.

O eleitor precisa estar vigilante. O voto é a maior arma para mudar um país sangrado pela corrupção que atinge todos os setores. Bolsonaro prometeu extirpar um mal que coloca o Brasil no topo do ranking de países mais corruptos do mundo. Porém, seus discursos caem por terra. Há episódios sobre esquemas que incriminam o seu governo com a participação até de ministros.

O suposto balcão de negócios montado no Ministério da Educação pode ser um golpe de misericórdia contra a sua pretensão de continuar comandando o país por mais quatro anos. O governo Lula também foi marcado por muita corrupção. No entanto, o petista se beneficia de um Bolsonaro claudicante, desnorteado. E tem muitas chances de ser turbinado de novo para a presidência da República.