CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, julho 30, 2026

DIA DO SELO -2026

 

Há 50 ANOS, o filatelista Edilsom Aguiar publicou este artigo comemorando o Dia do Selo no Brasil. Para lembrar a data, os filatelistas da cidade se reúnem neste sábado (01), no Palacete Provincial.

Recorte do Jornal do Commercio, 30 julho 1976

Como é natural, o selo também tem o seu dia, que é comemorado hoje em todo o Brasil pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e pelas associações e clubes filatélicos. O Brasil foi o terceiro país do mundo a emitir selo postal, seguindo o exemplo da Inglaterra e do cantão de Zurich, que respectivamente emitiram o primeiro e a segundo selo do mundo. A lei que instituiu o selo no Brasil foi votada em 1841 e um ano depois foram estabelecidos os valores de 30, 60 e 90 réis para os selos, que viria a ser a primeira série de selos ordinários de nosso país. Para as cartas destinadas a circularem dentro do país, a taxa a ser paga era de 60 réis, enquanto que as destinadas ao exterior deveriam pagar 90 réis.

Houve alguma demora na confecção da série, uma vez que a Casa da Moeda não dispunha de máquinas apropriadas e ainda mais pelo fato de não se ter ainda escolhido os motivos de sua ilustração, muito embora já se soubesse que nos selos não seria registrada a efígie do então Imperador D. Pedro II, para que não fosse desfigurada com a aposição do carimbo obliterador. Nos selos constaria somente um cifrão e não foi exceção nem para o nome de nosso país; a intenção era fazer um selo simples e expressivo, e isso foi conseguido. Assim, ao emitir o terceiro selo do mundo, o Brasil se colocava ao lado da Inglaterra e do Cantão de Zurich, como os pioneiros do lançamento do selo postal, a maior novidade da época.

Dessa maneira, pelo edital do 5 de julho de 1843, os Olhos de Boi, assim chamados por serem parecidos com os olhos daquele animal, foram emitidos finalmente a 1º de agosto de 1843, completando, portanto, hoje, cento e trinta e três anos de seu lançamento. Os Olhos de Boi, orgulho de qualquer colecionador, tiveram uma impressão de cerca de um milhão e meio (60 réis), mais de um milhão (30 réis) e quase trezentos e cinquenta mil (90 réis), que após o seu período de circulação e validade ainda sobraram quatrocentos e sessenta e seis mil, setecentos e onze selos.

Essa expressiva sobra do nosso primeiro selo é explicada pelo fato de, na época, o hábito da correspondência estava em sua fase inicial, e sua necessidade ainda não se fazia sentir, pelo menos de maneira expressiva, para os padrões do Brasil imperial. Já por volta do ano de 1844, estando já em circulação outra série ordinária, a dos chamados Inclinados, os selos que não tinham sido utilizados foram todos queimados, e ninguém previu, como era natural, a futura raridade dos selos Olhos de Boi, que hoje estão cotado entre os selos mais caros do mundo.

Os selos Olhos de Boi foram impressos em folhas diversas, a saber: folhas de 54 selos, em três painéis de 18 selos de 30, 60 e 90 réis, em ordem crescente, cada painel enquadrado e separado por uma linha divisória horizontal ou espaço em branco (2 chapas). Folhas de 54 selos, em 3 painéis de 18 selos de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 60 réis (2 chapas).

Os selos foram impressos em talho doce, com gravação da Casa da Moeda do Brasil, em chapas de cobre, e impressão das Oficinas de Estamparia das Apólices. Os selos não têm denteação. Os vários tipos de papel utilizados na confecção dos selos Olhos de Boi foram: papel médio acinzentado ou amarelado; papel expressão branco ou amarelado com relevo no verso, e papel fino transparente.

Assim, comemorando o Dia do Selo Brasileiro, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançara amanhã o selo comemorativo em homenagem à Juventude Filatélica, num excepcional desenho de autoria de Glan Calvi. 

segunda-feira, março 07, 2022

REGISTRO NACIONAL DO CFA

Escudo do CFA
A dedicação do secretário do CFA, Adriel França, permitiu encontrar a notícia de fundação do Clube Filatélico do Amazonas em âmbito nacional. Esse “registro de nascimento” nacional ocorreu no Boletim do Clube Filatélico do Brasil, em edição de outubro de 1969, portanto, um mês após o advento do CFA em Manaus.

Fragmento do registro Boletim do CFB

 

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS

Vimos agradecer o noticari0 enviado pelo nosso confrade Ubirajara Almeida (Avenida Eduardo Ribeiro, 556 - Manaus/AM), sobre a atualidade filatélica de Manaus, que f0i recebido com muito agrado entre nós. Soubemos por seu intermédio da fundação do Clube Filatélico do Amazonas, cuja diretoria já eleita ficou assim constituída:

Presidente - Dr. Nelson Ribeiro Porto;

Vice-presidente – Dr. Manuel Lucas Batatel;

Secretário - Ubirajara Almeida;

 Secretario - Dr. Joaquim Marinho;

Tesoureiro - Wagner Vieira;

2º Tesoureiro - Fernando Martinho;

Diretor de Trocas - Dr. Mário Xavier e

2º Diretor de Trocas – Dr. Emilio Garibaldi.

Nosso novo confrade, que mantem uma Coluna Filatélica no "Diário da Tarde", de Manaus, esta em franca atividade, objetivando implantar a filatelia em seu Estado, para o que conta com a colaboração dos demais colegas de todo o país, com o recebimento de matéria diversificada para publicaça0 em seu jornal.

sexta-feira, outubro 15, 2021

FILATELIA EM MANAUS

 Ao me preparar para escrever este texto sobre o aniversário do Clube Filatélico do Amazonas (CFA), percebi uma afinidade com o aniversário de Manaus: nossa capital vai comemorar proximamente 352 anos, o CFA acaba de lembrar seu surgimento há 52 anos. Que aconteceu? Meramente sua fundação ocorreu na ocasião em que a cidade de Manaus solenizava seu tricentenário, sendo prefeito da cidade Dr. Paulo Nery.

Presentes a festa comemorativa do 52º ano

O colecionismo de selos, a Filatelia, já prosperava em Manaus, o registro pertence ao primeiro presidente da agremiação, Dr. Nelson Porto. Na primeira crônica escrita por ele e inserta no Jornal do Commercio, assegura que o CFA estava “fundado em setembro de 1969, graças a uma inteligente promoção do confrade Ubirajara de Almeida de “O Jornal” e o “Diário da Tarde” – que àquela ocasião promoveram a 1ª Mostra Filatélica do Amazonas – o Clube Filatélico do Amazonas nasceu com o entusiasmo natural das primeiras iniciativas”.

Todavia, o ato solene de inauguração ocorreu quando “Ubirajara de Almeida conseguiu inicialmente um local para reuniões e, em 11 de outubro de 1969, estavam aprovados os Estatutos da novel associação.” Porto segue informando e relaciona os “nomes dos Fundadores: Manuel Batatel, Carlos Lima, Carlos Alberto Garcia, Mario Xavier, Wagner Vieira, Emilio Garibaldi, Fernando Martinho, Ruy Martinho, Almerindo, Sergio Costa, Luiz Flavio Simões, Nelson Porto, Albino Fernandes, Ubirajara de Almeida e Joaquim Marinho.”

É dele ainda a informação que “as reuniões semanais se realizam na sede do IBEU, à avenida Joaquim Nabuco, gentilmente cedida pelo professor Rui Alencar.” Em nossos dias, modificado para Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), segue operando no mesmo endereço.

Nesta tarde o CFA efetuou a reunião de confraternização na agência dos Correios Mons. Coutinho, reunindo poucos, é verdade, porém cada vez mais dispostos a suplantar as dificuldades que são densas. Vamos suplantar, já pensando no próximo verão.

Dai meu abraço afetuoso aos presentes à festa de hoje, também àqueles que não puderam comparecer e, em particular, aos que nos precederam, legando o amor aos Selos. Até o 53° aniversário.


sexta-feira, setembro 17, 2021

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (CFA)

Há um mês o CFA vem conquistando adequados resultados: entre 18 e 28 de agosto promoveu a Amostra Filatélica, abrigada no Palacete Provincial. Após este evento, o CFA manteve contato com a superintendência estadual do Amazonas, na pessoa de Elias de Araújo Vieira, para tratar da reabertura da Sala de Filatelia na agência Monsenhor Coutinho, afinal efetivada dia 15. E, nesta sexta-feira, o Clube esteve presente na Reitoria da Universidade Federal para o lançamento do selo personalizado, que marca o 30º aniversário do Museu Amazônico.
Selo do CFA

A reabertura da sala filatélica que, nos bons tempos do colecionismo de selos, funcionava diariamente, com atendimento exclusivo, voltou atendendo apenas a cada sexta-feira. O fato é compreensível, pois, o desinteresse pelo colecionismo diante do avanço tecnológico, acrescido da pandemia, liquidaram os negócios. O Clube com seus poucos membros tenta revitalizar o local, não será fácil, porém, estamos confiantes em novos passos bem-sucedidos.

Assembleia presente à reabertura
Gratos estamos à superintendência regional e, em particular, à Sra. Eudija Cunha que, competente e afável administra a referida agência.  

Hoje, compareci junto com o secretário do CFA, Adriel França, ao lançamento do selo personalizado do Museu Amazônico, ocorrido na Reitoria. Presente o Reitor da Universidade, Sylvio Puga, o diretor do Museu e outros membros daquele Centro de Ensino Superior. Ao falar, relembrei a fundação do CFA, em 1969, e seu primeiro presidente, que foi professor e diretor da Faculdade de Engenharia, Nelson Porto.

Convite do lançamento

Adriel falou de sua gratidão em ter incentivado a produção daquele selo, do entusiasmo com o movimento que se tenta estabelecer. Ao encerrar, o Reitor Sylvio Puga não somente agradeceu a nossa participação, como dispôs as dependências da Casa e seus recursos técnicos em prol da divulgação da Filatelia.

Reitor Sylvio Puga (ao centro) e os dirigentes
do CFA (à direita)


quarta-feira, setembro 15, 2021

SALA FILATÉLICA DOS CORREIOS

 Aconteceu hoje pela tarde a reabertura da Sala Filatélica situada na agência dos correios Monsenhor Coutinho. Como indica a denominação, destina-se a atender aos cultores da Filatelia, aos encantados pelos selos postais e outros derivados. 

Antonio Loureiro, Jorge Bargas, Rosseti e Adriel França,
a partir da esquerda

Esteve presente bom número de afiliados do Clube Filatélico do Amazonas (CFA): Antonio e José Augusto Loureiro, Jorge Bargas (vice-presidente), Moysés Garcia, Ismael Alexandre (acompanhado de um cinegrafista); Daniel Sousa; Adriel França e Rosseti; Iona. Além do representante da direção-geral dos Correios, da dirigente da mencionada agência, Eudija Cunha, da Natividade (ex-atendente desta sala) e a Ritacley, que passa a acolher os filatelistas. ´

A sala estava fechada desde a explosão da Covid19, portanto, há mais de um ano. Desse modo, os filatelistas tiveram que se encontrar em diversos destinos, obviamente, sem os recursos do local adequado. Com o funcionamento, o CFA espera organizar novos encontros, a fim de divulgar do melhor modo a paixão pelos Selos Postais.

Enfim, restou estabelecido que a reunião semanal do CFA acontece na Sala cada sexta-feira, entre as 13 e 16 horas.

Roberto Mendonça, presidente CFA

Material exposto pela Sala


domingo, agosto 29, 2021

AMOSTRA FILATÉLICA EM MANAUS

 O Clube Filatélico do Amazonas (CFA), fundado em 1969, portanto com mais de 50 anos de existência, vem tentando se reabilitar. Os óbices são enormes: o selo postal há tempo perdeu sua maior utilização, são poucos aqueles que ainda escrevem uma carta (aliás, que é isso, companheiro?); a instabilidade dos Correios diante da prometida desestatização desta empresa; e mais, o desaparecimento dos filatelistas mais antigos. 

A nova geração, que me fez presidente do CFA, vem se esforçando para reabilitar a Filatelia no Amazonas, ou mais precisamente, em Manaus. Uma iniciativa que vai se estabilizando foi a abertura do Ponto do Colecionador na Feira da Eduardo Ribeiro, aos domingos.

Agora, neste mês de agosto, quando se comemora o Dia do Selo Postal, o CFA organizou uma Amostra Filatélica, realizada no Palacete Provincial. Fomos de 18 a 28 do corrente com o trabalho. Nossa inexperiência contribuiu com a pouca divulgação. Assim, o alcance foi reduzido. Todavia, serviu como ensaio, como aprendizado para o próximo voo, que deve acontecer no final do ano.

Encontro dos filatelistas no encerramento,
vendo-se parte do material exposto 

O tema Escotismo teve dois blocos, daí a
presença de escoteiros na exposição

O Clube agradece à Secretaria de Cultura do Estado e aos Correios pelo apoio disponibilizado. Na minha condição de presidente, agradeço aos filatelistas que se emprenharam na mostra:

Jordan Queiroz - Escotismo / Moysés Garcia - Disney / Jorge Bargas - Postais de futebol / Roberto Mendonça - Cartas circuladas / Adriel França - A Marinha na Filatelia / Cristiane Andrade - Moedas / Robervan Melo - Postais de Manaus antiga / Daniel Souza - Escotismo.

Jorge Bargas (acima) e Robervan (abaixo)


Adriel França (acima) e Roberto Mendonça (abaixo)


Nota: Efetuei uma adição nesta manhã de 30 de agosto.

sábado, maio 08, 2021

PRÊMIO GENESINO BRAGA

Há 15 anos conquistei o prêmio Genesino Braga da Academia Amazonense de Letras. Uma das cláusulas do laurel era a publicação do trabalho literário. Como ainda não foi oportunizada a impressão, tomei a iniciativa de efetuar seu lançamento em ebook. Para tanto, contando com a adesão do designer Adriel França, o texto premiado está prestes a surgir em sua telinha.

 

Detalhe da publicação do matutino, em 1º dez. 2006

A Academia Amazonense de Letras divulgou ontem o vencedor do Prêmio Literário Genesino Braga. Os autores do ensaio premiado são Manoel Roberto Lima de Mendonça, Roberto Souza de Mendonça (in memoriam) e Ed Lincon Barros da Silva.

O prêmio foi criado exclusivamente pela passagem do centenário de nascimento de Genesino Braga, autor de "Nascença e vivência da biblioteca pública do Amazonas", e comemorado no dia 6 de dezembro. Os autores do ensaio vencedor irão receber R$ 5 mil, além da inclusão nos programas editoriais da Academia, para futura publicação.

A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá no dia 7 (quinta-feira), às 20h, no salão azul da Academia Amazonense de Letras. Para a comissão de acadêmicos que avaliou os concorrentes, o trabalho considerado vencedor, sob o pseudônimo Trio Esperança, foi o que, de todos, mostrou um conhecimento da história da região, nos últimos cem anos, contextualizou a obra e a vida de Genesino Braga, além de demonstrar um trabalho de pesquisa em jornais e revistas, que favoreceu rica leitura sobre o homenageado, sua obra e sua época.

O prêmio contou com o apoio da Prefeitura de Manaus.

Registro da solenidade, ao receber o prêmio das
mãos da filha do homenageado, Ursulita Alfaia


sábado, abril 03, 2021

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (CFA)

 A postagem de hoje pertence ao jovem Adriel França, tão jovem que acaba de receber a convocação para o serviço militar. Encontrei-o nos Correios, abelhudando os colecionadores de selos, porém, com quê entusiasmo. Um ano depois, quando o presidente Jorge Bargas decidiu renunciar, Adriel me estimulou a presidir o Clube Filatélico do Amazonas (CFA). Estou presidente.

Agora, a nossa situação: semelhante a do país, cheia de incertezas e de desequilíbrios. A incerteza pela situação dos Correios, haverá a privatização? Havendo, como fica a estrutura de produção de selos e outros artigos afins? Outra questão superior, a improbabilidade de ainda se enviar correspondências, restando esse privilégio aos filatelistas, obrigados pelas permutas de selos. Ou seja, “ninguém escreve mais ao coronel”, como assegura o cronista.

Estamos tentando nos manter na superfície. Sabido que a comunicação virtual nos domina e nos comanda, basta informar que os leilões de variados objetos, incluídos os selos e as moedas, são diários. Tudo na tela de nosso book ou celular. No entanto, o entusiasmo do articulista Adriel França nos impulsiona. 

Publicado no Jornal do Commercio,
1º abril 2021

 

Possuímos rotinas e afazeres, e sempre a realizar alguma atividade, trabalhando, cumprindo as obrigações do dia, mas, em nossa maioria, sempre temos uma atividade que nos prende e que transformamos em hobby. Ler, caminhar, tocar instrumentos são hobbies. O maior exemplo de lazer pessoal é o ato de colecionar, sejam moedas, selos, carrinhos e até mesmo caixas de fósforos, por sua vez estes colecionadores criam clubes, um lugar ideal para criar amizades e trocar conhecimento.

Poucos foram os clubes sociais criados em Manaus no século 20, que resistiram ao tempo e à modernidade e chegaram ao século 21. Um destes guerreiros do tempo é o Clube Filatélico do Amazonas, um clube de colecionadores de selos e outros objetos, criado em outubro de 1969, há meio século, portanto. Com muitas facilidades para se enviar uma mensagem, as cartas, onde iam os selos, quase não existem mais, apesar de existir ainda milhares de escritores de cartas, como eu. Os selos na carta eram sempre a parte mais legal de ver, depois claro, a mensagem recebida, e essa peça tão pequena, leva em sua arte uma mensagem do seu local de origem, seja uma paisagem, uma personalidade, um fato histórico, e muitas outras variações o que os tomam um itera colecionável de todas as formas.

 

O Clube, que aqui em Manaus se formou, começou a reunir pessoas fascinadas pelo valor cultural que o selo possui. Lembro de meu primeiro selo, ganhei de um funcionário dos Correios. Neste selo vinham algumas obras de William Shakespeare, e até hoje ainda o guardo. Depois de um tempo, conheci o Clube Filatélico do Amazonas, funcionando na época, na parte de trás de uma tradicional agência dos Correios, no Centro de Manaus. Lá fiz novos amigos, mais experientes que eu, em sua maioria jovens senhores de idade, com muito conhecimento para transmitir. Funcionando modestamente, o Clube tem um grande valor cultural para Manaus. Por lá passaram e ainda passam empresários, cônsules de vários países, poetas, artistas, médicos, e outros de grande intelecto desconhecidos em nossa cidade. Em cada reunião do Clube, sempre saem boas conversas, risadas, em algumas vezes, deliciosos lanches os quais os sócios repartem entre si.

Lembro ainda da minha primeira reunião, cercado de conhecimento, uma verdadeira terapia para a alma estressada com as responsabilidades da vida, ambiente agradável, cercado de amigos, trocando selos, contando uma história pessoal, ou mesmo, aprendendo mais sobre a nossa história local, partilhando as novidades, claro, às vezes um deslize, alguém se exalta, mas nada que machuque. Há tantos e tantos clubes e associações em todo o país onde, com certeza, o ambiente é quase o mesmo. A filatelia é amizade, cultura e conhecimento. Quem coleciona selos, tem um pedaço do mundo em sua casa, mesmo nunca tendo viajado para os lugares vistos naquele pequeno objeto de papel.

 

sexta-feira, março 05, 2021

DIA DO FILATELISTA BRASILEIRO

Nesta data, em 5 de março de 1829, D. Pedro I baixou um decreto que organizava os serviços de Correios do Brasil. A medida foi fundamental para que, em 1843, seguindo a trilha da reforma britânica, o Brasil se tornasse o primeiro das Américas e segundo país do mundo a adotar o selo como comprovante de franqueamento.

O 5 de março foi escolhido como “Dia do Filatelista” em 1969, durante um congresso organizado pela Comissão Estadual de Filatelia, em São Paulo. Entidades filatélicas do Brasil logo aderiram à data.


Banner comemorativo 
 

Esta lembrança vem da gerente da Agência dos Correios na praça do Congresso, Eudija Cunha, que toma cuidado (apesar da pandemia) dos Filatelistas. Não é dia para lamentos, mas de crer que os tempos de bonança hão de retornar, alcançando os cultuadores de Selos e seus derivados.

 

Outra recordação vem da Maria Natividade, encarregada da Agência Filatélica, que nos envia as fotos abaixo, para relembrar momentos salutares que os filatelistas passaram naquele espaço. De minha parte, dirigente do Clube Filatélico do Amazonas (CFA), abraço os abnegados colecionistas, lembrando as saudosas figuras que tanto abrilhantaram a agremiação, e esperando que muito breve possamos retirar as máscaras e nos confraternizar com Selos e boas conversas. Saúde, ora, acima de tudo!


Filatelistas reunidos em várias ocasiões





domingo, novembro 29, 2020

MUSEU DE NUMISMÁTICA: 120 ANOS

O museu foi montado por Bernardo Ramos, adquirido pelo governo do Estado, hoje, depois de passar por alguns endereços, é encontrado no Palacete Provincial. Merece ser visitado, há muito a nos ensinar.

Ao completar 120 anos de existência, nosso colega Adriel França, animado membro do Clube Filatélico do Amazonas (CFA), empenhou-se para carimbar esta data, produzindo o selo aqui compartilhado. O texto foi publicado no Jornal do Commercio.

 

Amostra do selo comemorativo

 Um selo para o Museu

Adriel França,

autor do projeto Guerreiros do Amazonas

 

No dia em que o Museu de Numismática completa 120 anos de existência, segunda-feira, 30|11, o CFA (Clube Filatélico do Amazonas), lança um selo em alusão à data. Vale ressaltar que o CFA, entre seus associados, possui vários filatelistas que também são grandes numismatas.

O Museu de Numismática começou a se formar ainda em 1899, quando o Governo do Estado autorizou a compra da coleção numismática de Bernardo d’Azevedo da Silva Ramos, com a intenção de criar um museu na capital amazonense. Naquela época, a coleção figurava na posição de 4ª maior do Mundo e a maior da América Latina.

Bernardo Ramos foi um dos fundadores do Clube Republicano, criado logo depois da chegada do conde D’Eu a Manaus, em agosto de 1889. Também foi um dos sócios fundadores do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), em 1917, e seu primeiro presidente, além de importante comerciante em nossa cidade.

Em 20 de fevereiro de 1900, pelo Decreto 402, a compra foi efetivada pelo valor de 300 contos de réis, e finalmente em 30 de novembro do mesmo ano, pelo Decreto 460, criou-se a Seção Numismática na Imprensa Oficial e seu regulamento, dando origem legal ao museu, tornando-se então o primeiro museu de numismática no Brasil e possivelmente o primeiro da América Latina.

Antes da criação legal do museu, por ocasião das festividades do 4º centenário do descobrimento do Brasil, realizadas no Rio de Janeiro, então Capital Federal, a coleção foi exposta, de 5 a 31 de maio de 1900, no salão nobre do externato do Ginásio Nacional, hoje Museu Nacional. Após retornar para Manaus a coleção foi dividida em 24 vitrines feitas de mogno, com cristal bisotado, e logo aberta à visitação na sede da Imprensa Oficial, que funcionava na av. Sete de Setembro.

Parte da coleção de Bernardo foi enriquecida com a compra de peças do professor pernambucano Manoel Cícero Peregrino da Silva, criador do curso de Biblioteconomia no Brasil. Dentre as peças adquiridas estavam alguns milhares de selos nacionais e estrangeiros.

Pouco é mencionada a coleção filatélica de Bernardo Ramos, possivelmente quase nada deste ramo do colecionismo ainda exista, ou está guardada nos porões do Palacete Provincial. Bernardo Ramos, enquanto presidente do IGHA, organizou as comissões que seriam abordadas pelo Instituto, dentre elas, a de Filatelia, que ainda hoje figura nos seus estatutos.

E, para lembrar desta parte de sua coleção que se perdeu no tempo, o CFA realizará o lançamento do selo personalizado para marcar não só o aniversário do Museu, mas para mostrar que Bernardo também foi filatelista. A arte do selo foi dividida em dois planos. No primeiro podemos ver o retrato do próprio Bernardo Ramos, e as inscrições sobre os 120 anos do Museu, na parte inferior. Na parte superior, o emblema do CFA. Em segundo plano, a fotografia de uma das vitrines de mogno, com várias das peças expostas no Museu.

terça-feira, setembro 29, 2020

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS: 50 ANOS

 Recém havia organizado seus associados, o Clube dos Filatelistas do Amazonas (CFA), presidido por Nelson Porto, instigou o saudoso padre Nonato Pinheiro a explicar como melhor definir os amantes do colecionismo de selos postais. Em sua coluna, em O Jornal, de 4 de outubro de 1970, portanto, há cinquenta anos!, o respeitado filólogo publicou esta preleção.

Em tempo: esta Associação segue funcionado, ainda que aos altos e baixos e tendo que enfrentar o avanço tecnológico


Meu amigo Dr. Nelson Porto, espirito cintilante e inteligência aprimorada na leitura e na dedicação afervorada às ciências, às letras e às artes, entre as quais a divina harmonia dos sons, chamou-me a atenção para um tópico da última Coluna Filatélica, da responsabilidade do Clube Filatélico do Amazonas (Jornal do Comércio, edição de 27 de setembro, p. 3): “Com o advento do selo postal em 1840 e sua adoção por todas as nações do mundo, surgiu a filatelia. Aliás este termo FILATELIA foi objeto de grandes controvérsias no Brasil durante um bom período. O filatelista de São m Paulo, Sr. Guatemozim -- autor de um dos mais espec1alizados catálogos de solos brasileiros — pugnava pela adoção do termo FILOTELIA e defendida ardentemente o uso do prefixo FILO em lugar de FILA. E se o nosso ilustre filólogo padre Nonato Pinheiro nos honrar com sua leitura, bem que poderia esclarecer o correto: FILATELIA ou FILOTELIA?”

Não me limitarei ao simples assunto da consulta do Clube Filatélico do Amazonas, mas desejo dedicar todo este meu trabalho dominical à filatelia e ao filatelismo, que é o gosto pela filatelia, ou a paixão pelo estudo e coleção de selos postais.

Salvo engano, foi o francês M. Herpin quem criou o vocábulo PHILATELIE, aportuguesado em FILATELIA, grafia moderna, porque na velha escrita portuguesa era PHILATELIA. O autor da palavra, recorreu ao prefixo grego FILOS (amor, amigo), e à palavra ATELÉIA: que quer dizer "franquia", o contrário de “imposto”. Em grego, o verbo TELEIN significa "taxar". Entrou na palavra, ATELEIA o elemento negativo “a” (alfa), portanto, o contrário de TELEIN ou de TELOS (taxa, imposto).

Os selos foram introduzidos precisamente para a franquia da correspondência. Examinando-se, pois, o vocábulo como uma composição de PHILOS (amigo)+A (negativa)+TELEIN (taxar), vemos que o mesmo deve ser grafado FILATELIA, porque, para evitar a malsonância FILOATELIA, o elemento philos se resolve em fil, o que se dá com outros vocábulos, como Filantropia (philos + anthropos), amor da humanidade, humanitarismo. Sei que há dicionaristas que dão o étimo: PHILOS+TELOS. Nesse caso, Guatermozim estaria com a razão, advogando a grafia FILOTELIA. Sucede, porém, que nesse caso a palavra seria exatamente o contrário daquilo que significa. Em vez de AMOR DA FRANQUIA, seria AMOR DO IMPOSTO ou DA TAXA.

Com a explicação acima enunciada, defendo a grafia FILATELIA, pois no segundo elemento há a partícula "a" (alfa), que é um elemento de ligação.

A filatelia é a ciência ou o estudo dos selos ou estampilhas, e ainda a mania de os colecionar, paixão ou hábito da coleção de selos, constituindo para muitos o que os ingleses denominam hobby.

Os primeiros selos postais surgiram na Inglaterra, em 1840, com a estampa da rainha Vitória. Com a emissão dos selos nasceu a filatelia. Já li que foi o inglês dr. Gray, do Museu Britânico, o primeiro filatelista. Começou a colecionar em 1841. Também por essa época o francês Vetzel iniciou sua coleção. O filatelista belga Moens surgiu com sua coleção em 1848. A primeira revista circular em 1863, na Inglaterra, sendo também inglêsa a mais antiga sociedade filatélica, fundada em Londres, em 1869: Philatelic Society of London. Houve soberanos e presidentes que, em suas horas feriadas, se dedicavam ao filatelismo: o rei Jorge V, da Inglaterra; o rei Faud, do Egito; o presidente Franklin Delano Roosevelt, dos Estados Unidos, e o presidente Porfirio Díaz, do México, que se dava ao luxo de pedir autógrafos nos selos emitidos pelos chefes das nações.

Em Manaus, um dos mais fervorosos filatelistas foi o finado cônsul de Portugal, meu amigo Moisés Figueiredo da Cruz, que possuía uma coleção primorosa e preciosa. Quando fui chanceler da Cúria, no episcopado de Dom João da Mata Andrade e Amaral e de Dom Alberto Gaudêncio Ramos, dei-lhe inúmeros selos do Vaticano e de muitos países colhidos na farta e opulenta correspondência do arcebispado. Seus álbuns eram suntuosos, com vinhetas e iluminuras, sentia-se a paixão do filatelista lusitano até no modo de folheá-los e exibi-los, e até no júbilo das pupilas, que cintilavam numa fisionomia iluminada por um sorriso de quem tem consciência de possuir preciosidades. Dava a impressão de exibir gemas, pérolas, margaridas...

Novo brasão da
entidade

Sei que o Brasil foi o pioneiro da América no uso oficial dos selos, em 1843. Os “olhos-de-boi” começaram a circular a 1º de agosto de 1843; e não a 1º de julho, como se pensou durante muito tempo. Essa data já foi suficientemente dilucidada por A. G. Santos, em dois suculentos trabalhos filatélicos, inscritos na revista Brasil Filatélico; confirmando assim o que já havia afirmado José Kloke, em 1932. (Remeto o leitor ao nº 159 do referido órgão, Jan-Jun de 1969). 

Temos em nosso país o Clube Filatélico do Brasil, cujo órgão acima citei, e numerosos outros clubes e sociedades filatélicas, sem esquecermos o Clube Filatélico do Amazonas, que mantém a Coluna Filatélica, na qual figurou a consulta que me disse respeito. O Clube Filatélico do Brasil, que funciona no Rio de Janeiro (avenida Graça Aranha, 228, 4º andar, Edifício Dom Pedro II), ministra todos os anos um curso para os iniciantes em filatelia, com ensinamentos completos acerca do assunto.(...)

Em São Paulo, merece também respeito a Associação Filatélica de França, cujo presidente é o dr. José Infante Vieira, devendo ainda esclarecer que, além da Sociedade Filatélica Paulista, funciona o Clube Filatélico de São Paulo, cujo presidente é o dr. Ricardo Alberto Sanchez, cuja família já é famosa no colecionismo de selos. A instituição brasileira mais importante, em matéria de filatelia, é a Sociedade Filatélica Paulista, cuja biblioteca possui o maior número de obras, no país, sobre a ciência dos selos e a arte de os colecionar. (...)

A filatelia é uma ciência utilíssima, e os filatelistas nesse hobby honesto e fascinante aprendem história, geografia, folclore, heráldica, flora, fauna, simbologia, fatos e figuras eminentes dos países. A ciência filatélica tem suas atrações e seus empolgamentos. Há selos que foram emitidos com erros ou falhas. Longe de serem desprezados, constituem raridades preciosas para os colecionadores. No Japão, afamados artistas desenham os selos postais, tornando-se algumas verdadeiras preciosidades artísticas, miniaturas de aprimorado acabamento.

Um sintoma quase infalível do principiante em filatelia é pretender colecionar tudo, em assunto de selos postais. Isso hoje em dia, com a copiosíssima emissão de selos em todo o mundo, levaria qualquer homem à loucura. Não daria conta, nem se especializaria em nada. O filatelista esclarecido adota a especialização: selos de uma nação, de homens ilustres, ou que comemorem algum ramo dos conhecimentos e das atividades humanas, ou das manifestações do espírito humano nas ciências, nas artes, nas letras, nas crenças etc. Então surgem os ramos filatélicos, por exemplo: a filatelia religiosa, que abrange as figuras eminentes das religiões e suas atividades e empreendimentos em favor da humanidade. (...)

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas mantém 20 comissões, para o estudo de suas ciências principais (Geografia, História, Arqueologia, Sociologia, Antropologia Cultural e Linguística) e das demais ciências afins e correlatas. A 20ª comissão é de Heráldica, Filatelia, Ex-libris e Vinhetas (art. 35 do Estatuto). Dessarte pode um filatelista candidatar-se a uma das cadeiras da Casa de Bernardo Ramos. Terá apenas a paciência de esperar o falecimento de algum sócio, uma vez que as cadeiras já foram todas preenchidas (60), dando-se agora as vagas por falecimento dos sócios, como ocorre na Academia Amazonense de Letras.

A filatelia tem muita afinidade com a heráldica, as vinhetas e os ex-libris. A heráldica é a ciência dos brasões, que compõem o armorial dos príncipes, dos fidalgos, dos papas, cardeais e bispos, que detém a nobiliarquia espiritual. No clero, os beneditinos tornaram-se famosos na arte e ciência dos brasões. Quando um sacerdote é distinguido pela Santa Sé com as honras do episcopado, tem direito a escolher um brasão. Sobre a heráldica eclesiástica brasileira Luís D. Gardel publicou uma suculenta obra: Les Armoiries Ecclesiatiques Au Bresil (1551-1962), trabalho sacado à luz pública em 1963. Dom Francisco de Paula e Silva, ilustrado bispo do Maranhão, deu à estampa o Armorial da Igreja Maranhense, trabalho de muita pesquisa, sabendo-se que o Maranhão constitui uma das dioceses mais antigas do Brasil, hoje sede metropolitana (São Luís).

Bispos houve que faziam seus brasões ao capricho de suas fantasias, verdadeiras aberrações em heráldica. Quando Dom João da Mata veio para Manaus, conservou seu brasão episcopal da diocese de Cajazeiras, no qual figuravam duas cajazeiras, simbolizando seu primeiro bispado. Transferindo-se para Niterói quis acrescentar ao brasão uma seringueira e uma castanheira, relembrando sua segunda diocese do Amazonas. Desaconselhei-o, declarando-lhe que o brasão ficaria excessivamente opulento, ferindo a sobriedade que deve revestir os escudos. Seguiu meu conselho, e procurou no Rio de Janeiro um beneditino de grandes tintas e altas letras, que lhe arrancou as duas cajazeiras do brasão, e deu-lhe um brasão novo, rigorosamente heráldico, no qual figuram emblemas de suas famílias.

Agradeço ao Clube Filatélico do Amazonas a honra da consulta. Deve ser mesmo FILATELIA, porque o segundo elemento não é "teleia" nem "telos", mas "ateleia". Então o prefixo passa a ser FIL, como em filantropia, filarmonia etc.
 

sábado, agosto 22, 2020