CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, abril 17, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (24)

Mais um capítulo sobre a história da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilhado do meu almejado livro Guarda Policial (1837-1889).

Posse do Major Gabriel

Exonerado, o presidente Passos Miranda aproveita a Exposição de praxe na passagem deste encargo em 27 de maio de 1876, ao 2º vice-presidente, major (Guarda Nacional) Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães, e registra a organização da Guarda Policial. Sem qualquer novidade. Unicamente ratifica que a elaborou em decorrência da lei 339, de 26 de abril anterior; deu-lhe regulamento e nomeou os primeiros comandantes. Major Gabriel logo passa o governo provincial ao 1º vice, Nuno Cardoso.

A rua Major Gabriel, cujos quarteirões iniciais margeiam o igarapé de Manaus, ligando o Centro, a partir da avenida Sete de Setembro, ao cemitério São João Batista, ainda mantém a homenagem a este olvidado governante.

Extinção de Incêndios, hoje Corpo de Bombeiros

Em 11 de julho de 1876, ocorreu a regulamentação do serviço de combate a incêndios, baixada pela Portaria 268–1ª Seção com as Instruções para extinção de incêndios. Esta primitiva legislação teve a sanção do 1º vice-presidente provincial, Nuno Cardoso.

Ainda que embrionário, o serviço contava (art. 1º) com um instrumento típico das igrejas católicas – o sino! Recurso que foi substituído pela sirene de fábricas e indústrias, e utilizado na cidade até a metade do século passado. Aos nossos olhos, quanta prosperidade desde então. O instrumental sonoro da igreja dos Remédios e da Matriz acasala-se com a rudimentar técnica e o incipiente equipamento para originar o próspero Corpo de Bombeiros Militar de nosso século. O primeiro dirigente, na condição de diretor das Obras Públicas (art. 3º), foi Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, então major de engenheiros, conforme Bombeiros do Amazonas (2013).

Reproduzo os mencionados artigos:

Art. 1º - Logo que haja incêndio, as igrejas darão sinal do bairro em que ele se manifeste do seguinte modo:

Uma badalada para o bairro de S. Vicente;

Duas ditas para o do Espírito Santo;

Três ditas para o da Campina;

Quatro ditas para o dos Remédios; Cinco ditas para o de Nazaré.

E tocarão logo depois vinte badaladas compassadas e seguidas. (...)

Art. 3º - Todo o serviço de extinção do incêndio ficará exclusivamente a cargo do diretor das Obras Públicas ou de quem suas vezes fizer.

 

É adequado esclarecer que, embora não ocorresse a criação de uma corporação, especialmente militar, ou sequer uma instituição com finalidade própria de combater o fogo, ocorreu, sim, a normatização, o disciplinamento de atividades inerentes. Algumas já observadas, ainda que mal executadas. Como exemplo, a regularização da atividade dos aguadeiros (vendedores de água), então o elemento mais conveniente no combate ao fogo, cuja atividade o Código de Posturas municipal já disciplinava desde 1874.

segunda-feira, março 06, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (20)

 Dando sequência aos fatos sobre a história da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilho novo tópico do meu pretendido livro Guarda Policial (1837-1889).

Desconheço a publicação de onde compartilhei esta
imagem. Todavia, a legenda nela aposta promove uma
tremenda barafunda. Recomendo, se ler, esquecer. 


Passos Miranda

Sucedendo ao barão de São Domingos, em 7 de julho de 1875, toma posse na presidência amazonense o bacharel Antônio dos Passos Miranda (nascido em Pernambuco em 1847, e falecido no Rio (ou Belém) em 1899). Trata-se de mais um graduado na Faculdade de Direito do Recife na turma de 1867, na qual encontrava-se o maranhense Alarico José Furtado, que governaria o Amazonas em 1881-82. Passos Miranda encontra-se homenageado em Manaus, batizando uma artéria que atravessa os bairros de Petrópolis e São Francisco (CEP 69063-180).

A transferência do governo foi realizada pelo presidente interino, o mar-e- guerra Nuno Cardoso, em cujo relatório de praxe informa da tranquilidade pública, de tal modo que transmitia ao novo dirigente “a província em completa paz”. Em contrapartida, transmite ao titular o imperativo de que este consiga ou “o aumento da força de linha (Exército) ou a criação de um corpo policial”, porque o “policiamento da cidade” é reconhecidamente “insuficiente”.

A Segurança constituía uma necessidade de forte imperativo, e de tal maneira que o novo governante, levando em conta a advertência do antecessor, fez ressurgir a Força Militar estadual. Até então a “paz amazonense” era administrada pela Força Terrestre, deficitária e incompleta. A capital podia usufruir deste efetivo, mas o interior e, com mais precariedade, as fronteiras.

Após ser contemplado com auxílio financeiro imperial, Miranda sanciona a lei 339, em abril de 1876, com a qual constituía a Guarda Policial do Amazonas. A partir deste ato, a força estadual pode se organizar adequadamente, pode registrar seus atos administrativos, de maneira que o arquivo histórico permita conhecer os primeiros movimentos policiais.

Miranda deixa a presidência em maio. Durante décadas, até às vésperas do centenário (1976), era essa a data comemorativa da criação da atual Polícia Militar do Amazonas. Todavia, a festa foi alterada em 1972.

domingo, março 14, 2021

NUNO CARDOSO: FUNDADOR DOS BOMBEIROS EM MANAUS (2)

Com esta folha, concluo o documento expedido pelo Arquivo Central da Marinha sobre Nuno Cardoso (1816-81), autor da Portaria que criou em Manaus o Serviço de Extinção de Incêndios, em 1876. Lembrando a evolução da corporação que, em nossos dias, atende como Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

Para mais subsídios sobre este Corpo, veja meu livro: Bombeiros do Amazonas: retrospectiva - 1876-1998 (Manaus: Travessia, 2013).

 


NUNO ALVES PEREIRA DE MELO CARDOSO (Parte 2)

Por decreto de 2 de dezembro de 1854 foi nomeado Cavaleiro da Ordem de Cristo, em remuneração de serviços militares. Por Aviso de 30 de janeiro de 1855, foi-lhe concedida a licença que pediu para se empregar na Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas.

Foi promovido ao posto de CAPITÃO-TENENTE, por decreto de 2 de dezembro de 1856. Por Aviso de 17 de abril de 1860 se lhe permitiu tomar assento na Assembleia Legislativa da província do Amazonas.

Em dezoito de outubro de 1862 apresentou Certidão legal de batismo de sua filha natural Maria, tida com Clementina Maria de Nazareth; no verso desta certidão, que reza ter tido lugar o batizado na Igreja de Santana da Campina, em Belém, aos 18 de setembro de 1853, acha-se uma declaração deste oficial, de ter nascido esta menina a 28 de abril de 1853, e sido por ele perfilhada com o nome de Maria Clementina de Melo Cardoso: translado da justificação que fez perante a Câmara Eclesiástica da Cidade de Manaus, em 2 de junho de 1862, de ter nascido a 7 de outubro de 1858 seu filho natural Nuno; e o de perfilhação que fez em 12 de abril de 1861 dois seus filhos acima mencionados: Maria Clementina de Melo Cardoso, tida com Clementina Maria de Nazareth, e Nuno Alves Pereira Cardoso, tido com Raimunda Maria Bagata; e finalmente, certidão de casamento com Dona Maria Leopoldina Nery da Fonseca, celebrado em Manaus a 10 de agosto de 1861. Apresentou certidão legal de batismo de sua filha Mariana, nascida a 16 de dezembro de 1862.

Na forma do determinado em Aviso de 11 de outubro de 1866, foi chamado ao serviço da Armada a 13 do mesmo mês.

CAPITÃO DE FRAGATA. Por antiguidade. Por decreto de 21 de janeiro de 1867, apresentou-se nesta Corte a 20 de julho de 1870, requerendo sua reforma em 25 do mesmo mês e ano, e sido inspecionado a 27 do mesmo mês, foi julgado incapaz de todo serviço por sofrer de hiperemia crônica do fígado e catarro bronquite crônico.

Por comunicação da Secretaria da Marinha de 10 de setembro do mesmo ano constou que, por decreto de 3 de setembro dito fora reformado no posto de Capitão de Mar e Guerra, nos termos do artigo 4º, parágrafo 1º, da Lei de 16 de dezembro de 1790. Por Portaria de 13 de setembro lhe foi permitido residir na província do Amazonas. Apresentou sua patente de reformado, mostrando ter pago os respectivos direitos.

Apresentou a certidão de batismo de seu filho João, nascido a 16 de junho de 1868, na cidade de Manaus e batizado na mesma paróquia aos 30 de novembro do mesmo ano.

Em 5 de agosto de 1871 apresentou certidão de batismo de sua filha legítima Hortência, nascida em 26 de outubro de 1870, batizada em 6 de maio de 1871 na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Manaus. Apresentou certidão legal de batismo de seu filho Antonio, nascido em 13 de maio de 1867 e batizado na Igreja dos Remédios em Manaus, em 26 de setembro do mesmo ano.

Faleceu em 28 de agosto de 1881, (aos 75 anos) na província do Amazonas, segundo participou o comandante da Flotilha da mesma província.



sábado, março 13, 2021

NUNO CARDOSO: FUNDADOR DOS BOMBEIROS EM MANAUS

 O Corpo de Bombeiros do Amazonas foi criado por dispositivo sancionado pelo vice-presidente da província –Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso, que respondia pela presidência, em 1876. Nuno Cardoso era oficial da Marinha, e foi o primeiro capitão dos Portos; tendo atracado seu barco no rio Negro, aqui participou do Legislativo, constituiu família e deixou larga descendência, enfim, restou sepultado.

Ante essa primazia, o comando da corporação deveria instituir uma comenda homenageando seu fundador. Muito pouco se conhece deste benemérito, porém, sua biografia começa a ser revelada em trabalho do coronel BM Bianor Correa, que alcançou junto ao departamento de pessoal da Marinha a cópia das alterações do ilustre marinheiro.

Aproveito a ocasião para compartilhar este documento, esclarecendo que, para maior entendimento, adicionei algumas notas e o dividi em duas partes, para não se tornar enfadonha a quantidade de datas e a relação de navios antiquados da Marinha.

Para mais subsídios sobre Nuno Cardoso, recomendo o verbete escrito por Agnello Bittencourt, em Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado (Rio: Conquista, 1973).  


NUNO ALVES PEREIRA DE MELO CARDOSO (Parte 1)

 Filho legítimo de Antônio Cardoso e de D. Mariana da Encarnação, natural do Rio de Janeiro, nasceu a 22 de julho de 1816, conforme a certidão apresentada.

Aspirante à Guarda Marinha - em virtude do Aviso da Secretaria de Estado dos Negócios de Marinha de 5 de março de 1829, assentou praça em 17 do mesmo mês. Apresentando-se para o serviço da respectiva Companhia em 1º de março de 1832, por ter estado com licença como menor [13 anos de idade].

Matriculou-se no primeiro ano da mesma Academia e, não o tendo aproveitado, matriculou-se de novo, em 1833, no primeiro ano matemático de Academia Militar e de Marinha, então reunidas [17 anos]. Concluiu o competente curso na Academia de Marinha, já separada da Militar, em 21 de novembro de 1835, e foi promovido a Guarda Marinha, por Aviso de 3 de dezembro do 1835, e embarcando por nomeação de 25 do mesmo mês na Escuna “Porto Alegre”, onde seguiu a incorporar-se à Força Naval em operações na província do Pará. Nesta província passou para o Brigue-Escuna “Dois de Março”, em 5 de março de 1836. [A Cabanagem havia dominado Belém, tendo este movimento rebelde se estendido até 1840. Lembro, ainda, que a PMAM surgiu por legislação de 1837, com propósito de combater aos cabanos].

Promovido a Segundo Tenente, por decreto de 1º de setembro de 1837. Em virtude de Ordem do comandante da Força Naval da província do Pará passou para a Escuna "Pelotas", em 13 de janeiro de 1838, e regressou ao Brigue-Escuna “Dois de Março", a 28 de maio. Passou em 11 de agosto de 1838 para a Corveta "Amazonas”, e desta para a Charrua “Amphitrite”, em 26 de setembro seguinte, a fim de se recolher ao Rio de Janeiro, onde apresentou-se a 8 de março de 1839 [23 anos de idade]. Por nomeação de 26 de junho do mesmo ano foi servir na Divisão Naval estacionada no Rio da Prata, e ali embarcou na Escuna "Labre" em 18 de julho seguinte.

Passou para a Corveta “Bertioga” em 21 do mesmo mês, e para o Brigue-Barca "29 de Agosto" em 4 de setembro, desembarcando no Rio de Janeiro a 4 de maio de 1840.

Por nomeação de 26 do dito mês embarcou para o Brigue-Escuna “Pirajá”, e por Aviso de 14 de abril lhe foi conferido o exercício de tenente da 4ª Companhia do Corpo de Imperiais Marinheiros. Desembarcou do Brigue Escuna “Pirajá” com baixa para o Hospital, em 30 de dezembro de 1840, e obtendo alta, apresentou-se em 18 de janeiro de 1841. Por nomeação de 3 de abril embarcou no Brigue “Constância”, e, por outra de 19 de maio seguinte, embarcou para o Patacho “Patagônia”, do qual desembarcou em 23 de março de 1842.

Por nomeação de 3 de abril [1842] embarcou no Brigue "Constância", armado em transporte, e, por outra nomeação de 19 de maio seguinte, embarcou no Patacho “Patagônia”, do qual desembarcou em 23 de março de 1842. Por nomeação de 31 de maio do dito ano, tornou a embarcar no Patacho "Patagônia”.

Promovido a Primeiro Tenente, por decreto de 23 de julho de 1842. Pelo Aviso de 25 de agosto seguinte constou que fora classificado na 1ª Classe do Quadro dos Oficiais da Armada, na conformidade das disposições do decreto de 1º de dezembro de 1841. Desembarcou do Patacho “Patagônia”, por desarmamento, em 22 de outubro de 1842. Embarcou para o Brigue “Imperial Pedro” em 3 de janeiro de 1843 e, seguindo para o Rio da Prata, ali passou para a Corveta “Sete de Abril” em 4 de junho.

Desembarcou no Rio de Janeiro, por doente, em 9 de setembro e apresentando-se pronto a 22 de fevereiro do 1844, foi nomeado no dia 26 para embarcar no Brigue-Escuna “Fidelidade” estacionado na Província da Bahia; o que ficou de nenhum efeito pela ordem de 7 de junho do mesmo ano.

Pelo Aviso de 17 de julho seguinte foi nomeado comandante do Iate “Netuno”, da Divisão Naval do Norte, sendo transportado à Província do Maranhão, onde assumiu o mesmo comando em 8 de agosto. Em virtude do disposto em Aviso de 13 de agosto de 1846 foi louvado pelo bem que desempenhara a comissão de que havia sido encarregado. Passou do Iate “Netuno” a comandar interinamente o Brigue-Escuna “Garapés” da mesma Estação Naval em 1º de junho de 1847, donde passou em consequência do determinado em Aviso de 23 de agosto seguinte para comandante do Brigue-Escuna “Pirajá”, e do qual foi empossado em 19 de novembro do dito ano.

Em Aviso de 6 de maio de 1848 [32 anos de idade] foi louvado pelo bem que se portara na comissão do referido brigue-escuna. Em 21 de julho de 1851, deu parte de doente, tratando-se a bordo. Reassumiu o mesmo comando a 4 de agosto. Tendo passado mostra de desarmamento o dito Brigue-Escuna "Pirajá" na Província do Pará, em 26 de agosto de 1851, passou a comandá-lo como Transporte com obrigação de assistir ao fabrico mandado fazer no mesmo navio.

Pelo Aviso de 15 de outubro de 1851, foi admoestado na qualidade de Membro do Conselho de Investigação a que se procedera acerca do comportamento do Piloto Manoel Joaquim Ribeiro, por haver fundamentado o seu parecer sobre princípio errôneo.

Em observância ao determinado em Aviso de 8 de maio de 1852, sendo entregue aquele Brigue-Escuna ao Arsenal de Marinha da supracitada província, passou a ser considerado por ordem do respectivo Presidente como oficial depositado no mesmo Arsenal. 

Por Decreto de 7 de junho do (1852) predito ano, foi nomeado Cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis, e, por Aviso de 22, comandante da Escuna "Guayba", do que entrou em exercício em 16 de agosto do mesmo ano.

Deu parte de doente, ficando a bordo, curando-se, em 20 de agosto, e de pronto em 23 de setembro seguinte. Por Aviso de 7 de dezembro de 1852 foi encarregado de administrar o corte de madeiras na mencionada província do Pará, pelo que desembarcou da Escuna “Guayba" em 1º de fevereiro de 1854, que se recolheu a Corte, ou fosse empregado em algum dos Navios das Estações do Norte em que houvesse a falta de oficiais. 

Pelo Aviso de 4 de abril do mesmo ano lhe concedeu quatro meses de licença, com soldo e respectiva quinta parte, para vir ao Rio de Janeiro, onde se apresentou a 5 de maio do mesmo ano, tendo vindo de passagem no Paquete a vapor “Imperador”. A cinco de agosto seguinte foi intimado a comparecer a 8, no Quartel General de Marinha, para ser inspecionado. Por Aviso de 9 do mesmo mês, foi prorrogado por mais seis meses de licença acima. (segue)

quinta-feira, julho 11, 2019

CBMAM - CORPO DE BOMBEIROS AM


Hoje 11, o Corpo de Bombeiros do Amazonas festeja mais um aniversário.

Quartel do Corpo de Bombeiros - Petrópolis
São agora 143 anos de serviços, desde que o vice-presidente da província, capitão-de-mar-e-guerra Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso sancionou a Portaria nº 268/1876, “mandando observar as instruções para o serviço de extinção de incêndios”. Apesar de não se tratar de uma corporação militar, esta data tornou-se respeitada pelas demais congêneres, de sorte que o Amazonas possui a segunda corporação do gênero criada no Brasil. A primeira, como é sabido, foi estabelecida na capital da Corte pelo Imperador D. Pedro II, em 1856.
Na capital amazonense, esse serviço assemelhava-se aos bombeiros voluntários. Com uma diferença: a administração havia determinado as obrigações de tantos, da igreja e os sinos a anunciar o local da tragédia; dos policiais civis e militares e demais militares; da tripulação de navios ancorados no porto; dos aguadeiros (vendedores de água) com suas carroças; enfim, a ajuda intimorata da população; todo esse esforço estava sob a responsabilidade do diretor de Obras Públicas, coronel de engenheiros Leovigildo Coelho.
Bomba de incêndio
Convém salientar que para apoiar ao trabalho dos “bombeiros”, o governo provincial havia importado uma bomba de incêndio, estando ela armazenada na igreja matriz, próxima de sua abertura ao culto. Exemplar dessa máquina (veja foto) encontra-se no Museu do CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro).

Oito anos depois desse arremedo de instituição, o presidente José Paranaguá ousou implantar “um corpo especial de bombeiros”. Porém, os cofres públicos não suportavam a medida. Assim se manteve, até que a República veio modificar essa atuação.
Coube ao governador Eduardo Ribeiro (1892-96) implantar o serviço de extinção de incêndios como corporação militar, desse modo, pode-se indicar o primeiro comandante do Corpo – major João de Lemos, nomeado em 23 de fevereiro de 1893.
Em 1900, com a posse do governador Silvério Nery, esse serviço foi “terceirizado” com a implantação de bombeiros voluntários. No entanto, durou enquanto aquele Nery foi governador. seu sucessor e irmão, Constantino Nery, restabeleceu a organização. Então, com definhamento financeiro do Estado, o Corpo de Bombeiros correu de ceca e meca, ou seja, ora sob a égide do governo estadual, ora do municipal.

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MANAUS
Comandante Ventura
Na metade do século passado, o Corpo de Bombeiros estava sob o controle da Prefeitura. Cada vez mais quebrado o orçamento do Município, o depauperado Corpo de Bombeiros municipais sofreu a ingerência dos voluntários do “comandante” José Antonio Dias Loureiro VENTURA, desaparecido em 1961 com a morte de seu fundador. Ventura era cidadão português, morador do bairro de Aparecida, e essa instituição funcionou em sua residência-indústria à rua comendador Alexandre Amorim, onde agora está erguido o Fórum.

Major Nicanor Gomes
A instalação do Governo Militar em 1964 trouxe novos recursos para o Estado, permitindo que as forças de segurança crescessem. A Prefeitura seguia administrando o serviço contra incêndios. No entanto, em 1970, em afortunada decisão do prefeito Paulo Nery, este entregou o comando do CBM ao então
tenente Nicanor Gomes da Silva, que acabara de se formar na Academia do então Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Trata-se do primeiro oficial bombeiro formado em academia do gênero. A entidade estava aquartelada na avenida Sete de Setembro, no Canto do Quintela, em prédio hoje em ruínas.

CORPO DE BOMBEIROS DA PMAM
Em 1972, o governo do Estado resolveu encampar este serviço. Havia duas alternativas: ou adotar nova organização ou transferir para o Estado o corpo existente, com pessoal e material. Foi esta a decisão. No início do ano seguinte, estava criado o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Amazonas.
Na semana da Pátria de 1974, já com viaturas importadas com benefícios da Zona Franca, foi inaugurado o novo quartel, no alto da rua Codajás, bairro de Petrópolis. Onde ainda se encontra. Sob a direção da PMAM, este serviço e afins durou até 1999, quando ocorreu o instalação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que segue altaneiro cumprindo seu dístico: Alienam vitam et bona salvare, ou Vida alheia e riquezas salvar!


Parabéns, homens e mulheres do Fogo.

quinta-feira, setembro 21, 2017

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

1º comandante dos
Bombeiros amazonenses
O Corpo de Bombeiros do Amazonas foi criado em julho de 1876. O documento que chancela esse feito foi assinado pelo vice-presidente da Província, no exercício do cargo superior, Nuno Cardoso. Trata-se de um oficial da Marinha, que durante décadas permaneceu na região, tendo ocupado cargos de relevo e adquirido vastas propriedades.
O saudoso cronista Mário Ypiranga Monteiro é o autor das notas aqui postadas, e que foram sacadas da edição do jornal A Crítica (14.setembro.1982)    



Algumas notas sobre o capitão-tenente
Nuno Alves Cardoso

Sabe-se há muito que o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso foi Capitão dos Portos do Amazonas, em consequência da criação de companhias de navegação a vapor e, consequentemente, a motivação maior do comércio fluvial entre Manaus e Belém, Manaus-Loreto, Nauta, Laguna e Iquitos, no Peru, e Manaus-Europa-América do Norte. Ignora-se, pelo visto, o trabalho social e humanitário desenvolvido por aquele cavalheiro, numa época em que os surtos epidêmicos locais e introduzidos matavam a população ainda desassistida de hospitais, de médicos e de enfermeiros, além da carência de boticas em número compensador.

Estas notas pretendem dizer algo mais que deixou de ser abonado pelos escassos biógrafos do ilustre marinheiro; inclusive a sua primeira participação na Assembleia   Legislativa Provincial como deputado eleito e reconhecido por ato do presidente da Província do Amazonas, a 23 de junho de 1860, em vista de haver requerido licença ao ministro do Império para tomar assento.

No jornal amazonense Estrela do Amazonas, de 1860, aparecem várias notícias a respeito do lazareto de Paricari, no Pará. Naquele ano, o capitão-tenente Nuno Cardoso havia contraído uma obrigação moral-social para com os hansenianos do Pará, qual fosse a de arranjar por meio de subscrição pública, algum numerário.


Fê-lo desinteressadamente, da mesma maneira como fez a doação de suas imensas terras em [bairro] São Raimundo Nonato, para a construção do cemitério e lazareto denominado Umirizal, mandado arrasar pelo governador Álvaro Maia.

Fê-lo, como fez a doação das suas terras para a construção da Vila Operária Municipal no antigo bairro da Vila Municipal, hoje Adrianópolis. A arrecadação importou em 456$734 réis antigos, que o capitão-tenente Nuno Cardoso encaminhou ao Governo provincial, em vista da dissolução, mais logo, do referido lazareto, pelo governo paraense. A importância reverteu, pois, em benefício do Colégio Nossa Senhora dos Remédios.

O que mais nos surpreendeu nessa coleta de dados, foi saber que o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso exerceu o comando de navios da Companhia de Navegação, conforme este "Aviso", estampado no mesmo órgão amazonense, edição de 24 de outubro de 1861: "Agência da Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas. O paquete a vapor Ince comandante o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso, sairá para Laguna e portos intermediários às 5 horas da tarde de 1º de novembro vindouro. Recebe cargas para os portos do Peru nos dias 26 e 28 e para os do Brasil 29 e 30 do corrente. As encomendas e passagens serão recebidas até às 2 horas da tarde de 31 do corrente em que se fecha o expediente. Manaus, 24 de outubro de 1861."

Também foi ele excelente observador, como oficial de Marinha, dos fenômenos hídricos. No mesmo jornal, edição de 23 de novembro de 1861, vem ele fazendo as seguintes declarações: "a vazante do Solimões foi extraordinária", por isso que o vapor (Ince) não pôde entrar em Tefé e Coari, o "que não havia acontecido antes com navios a vapor".

Diz que a corrente do rio Amazonas era de quatro milhas horárias e que achou dez braças de fundo na foz do rio Negro e "como a vazante fora de cinco braças", seguia-se que nas enchentes o fundo era de cento e cinquenta palmos.

Não termino estas nótulas sem precisar que encontrei naquele jornal, de sete de junho de 1862, referências a um Nuno Alves Pereira, segundo tenente do Terceiro Batalhão de Artilharia-a-Pé, fazendo permuta de corpos com outro segundo tenente do Corpo de Artilharia da Província. Parece que foi mesmo em dezembro ou novembro de 1882 que faleceu o irmão do capitão-tenente, Caetano José Cardoso, pois encontrei um agradecimento do Nuno Cardoso às pessoas que compareceram à missa do sétimo dia.

O Comandante Nuno tem nome de rua no Plano Inclinado [bairro de Aparecida].

quinta-feira, novembro 24, 2011

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (XXVII)

Amanhã à noite, a festa no quartel de Petrópolis celebra a criação deste serviço no Amazonas. São passados 135 anos, desde que o governo provincial o instituiu em 11 de julho de 1876, consoante a Portaria n.° 268-1.ª Seção, que ordenava “observar as instruções para o serviço de extinção de incêndios”.

Convite expedido pelo Corpo de Bombeiros

A sanção coube a Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso, presidente interino da
Província. E restou à responsabilidade do diretor de Obras Públicas, capitão EB
Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, o encargo deste serviço.

Os Bombeiros também recordam a desvinculação deste Corpo da Polícia Militar,
fato que ocorreu em 1998. Condecorações serão distribuidas, e a Medalha Dom
Pedro II, criador primeiro corpo de bombeiros no Brasil, foi-me concedida pela
fidalguia do coronel Antonio Dias. Registro aqui meu fraternalmente
agradecimento.