CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, agosto 17, 2019

QUARTEIS DA PMAM


Em 26 de setembro de 1970, a PMAM (Polícia Militar do Amazonas), sob o comando do tenente-coronel EB José Maury de Araújo Silva, inaugurou no mesmo dia dois aquartelamentos. 

De verdade, o Centro de Instrução Militar (CIM), sua publica designação, já existia desde 1965, essa festa apenas serviu para exibir sua revitalização.  O comando da corporação aproveitou o campo de futebol ali existente, onde tantas “peladas” participei, para efetuar a entrega das condecorações. Neste local, estou convicto, foi a única oportunidade em que semelhante cerimônia ocorreu.
A esq. coronel Maury condecora o prefeito de Manaus, Paulo Nery. A dir. o pavilhão inaugurado


Acerca das Medalhas e dos agraciados: a Tiradentes diz respeito a PMAM, enquanto a Cidade de Manaus, ao Estado. Esta condecorou apenas civis, sendo membros do governo e o presidente da Varig. A da Força Estadual premiou ao prefeito de Manaus (Paulo Nery) e outros três comandantes militares, com destaque para o coronel Jorge Teixeira.
A caserna de Petrópolis, em construção, destinava-se a servir de quartel do comando-geral, que funcionava na praça da Polícia. Desse modo, a inauguração de apenas um pavilhão não permitiu mudar a situação, ou seja, a construção prosseguiu, e somente foi ocupado pela PMAM em novembro de 1971.  
Recorte do Jornal do Commercio, 27 setembro 1970

O dia de ontem [26 setembro] foi duplamente festivo para a Polícia Militar do Amazonas. Foram inauguradas as instalações de seu Centro de Instrução e Treinamento e o seu novo quartel-general em Petrópolis. Na oportunidade, também várias personalidades foram agraciadas com as Medalhas Tiradentes e Cidade de Manaus.
O Governador passou revista às tropas no novo Centro de Instrução, na rua Dr. Machado, ao lado da Maternidade Ana Nery, e deu por inauguradas as novas instalações, havendo em seguida uma demonstração das práticas desportivas daquela agremiação, com ênfase em judô, que agradou a grande maioria dos presentes.
Pouco depois, se fez a entrega das medalhas aos cidadãos que com elas foram distinguidos pelo Governo do Estado.
CONDECORAÇÕES
As medalhas entregues foram de dois tipos. Primeira, a Medalha Cidade de Manaus, que se destina a cidadãos cuja atuação em quaisquer dos setores da vida humana, tenham se destacado na cidade de Manaus. A outra condecoração se destina a personalidades que, com sua atuação, tenham contribuído com relevantes serviços com a Polícia Militar do Amazonas.
Com a Medalha Cidade de Manaus, foram agraciados os senhores: Érico de Carvalho, presidente da Varig; Jorge Augusto de Souza Baird; Francisco Monteiro de Paula; Aderson Dutra; Stepherson Vieira Medeiros e Agesilau Araújo. Todas foram entregues pelo Governador do Estado.
Já os que receberam a Medalha Tiradentes tiveram um paraninfo individual. Os agraciados foram: Paulo Pinto Nery, paraninfo Amaury Silva; Mário Jorge Fonseca Hermes, paraninfo coronel Arídio Brasil; Paulo Figueiredo de Andrade Oliveira, paraninfo José Lopes; coronel Jorge Teixeira, paraninfo deputado Miranda Leão; Alberto Rocha, paraninfo governador Danilo Areosa.
Terminada a aposição das condecorações, todos os presentes se dirigiram às novas instalações da PM, no bairro de Petrópolis.
O governador inaugurou o Pavilhão lá existente e prometeu que entregaria em dezembro os outros quatro pavilhões que formarão o quartel-general da Polícia Militar do Amazonas.
O pavilhão tem linhas discretas, modernas, e foi feito para alojar 150 homens.
Depois dos discursos de praxe foi servido um coquetel aos presentes.

sexta-feira, março 23, 2018

PESSOAL ANTIGO DA PMAM




Fachada do extinto quartel da PMAM
Estas fotos estão expostas no Museu Tiradentes, integrante do Palacete Provincial, reservado a divulgação do material histórico da Polícia Militar do Amazonas. Alguns dos fotografados foram identificados, porém a maioria segue anônima. Ao expor alguns dados, espero contribuir para a identificação de destacadas personagens do Quartel da Praça da Polícia.




Na montagem, acima, a formatura do CAS, em 1968, no Centro de Instrução Militar, alguns sargentos (a partir da esq.) Jonathas, Rossely, Pedro, Arnaldo, Marciano, Ferreira, Castro, e Albano Martins.

Abaixo (esq.), na inauguração da Granja (nov. 1967): governador Danilo Areosa, coronel Omar Gomes, tenente-coronel Flavio Rebllo, majores Laurindo Souza e Helcio Motta, tenentes Amilcar Ferreira e Ruy Freire, enfim, capitão Pedro Lustosa.

À direita, formatura no quartel da Praça (1972), major Hilario Ardaya, major Nicanor Gomes (Corpo de Bombeiros), capitães Ruy Freire, Ilmar Faria, Mael Sá, José Cavalcanti, Alrefredo Melo e tenentes Francisco Orleilson e Elias Lustosa.

quarta-feira, setembro 21, 2016

AUTORIDADES NO AMAZONAS - 1970


Governador Areosa no quartel do CIM,
entregando medalhas 
RELAÇÃO DE AUTORIDADES DO ESTADO DO AMAZONAS (*)

Autoridades Estaduais:

Governador do Estado - Danilo Duarte de Matos Areosa
Vice-Governador - Homero de Miranda Leão
Chefe da Casa Civil – Dr. João Martins da Silva
Chefe da Casa Militar – Coronel PM Themistocles Henriques Trigueiro
Subchefe da Casa Civil – Dr. Emerentino Rodrigues Manso
Subchefe da Casa Militar – Tenente-Coronel PM Alcimar Guimarães Pinheiro
Oficial de Gabinete p/Assuntos Particulares – José Araújo Cavalcante
Ajudante de Ordens do Governador – Capitão PM Odacy de Lima Okada
Diretor dos Serviços Gerais do Palácio Rio Negro – Onofre de Queiroz Martins
Diretor da Divisão do Serviço Social – Demóstenes Raymundo de Queiroz Buzzaglo

Secretários de Estado:
Secretário do Interior e Justiça – Dr. José Cantanhede de Mattos Filho
Secretário de Fazenda – Dr. José Lopes da Silva
Secretário de Administração – Dr. José Caitete da Silva Filho

Autoridade Eclesiástica
Arcebispo de Manaus – Dom João de Souza Lima

Autoridades do Judiciário:
Presidente do Tribunal de Justiça – Des. Sady Paiva
Presidente do Tribunal Regional Eleitoral – Des. Joaquim Paulino Gomes

Autoridades Federais:

Ministério da Aeronáutica
Comandante da Base Aérea – Coronel Av Moacir de Carvalho Aires

Ministério da Agricultura
Diretor Estadual do MA – Dr. Mário Alves Malafaia
Delegado do IBRA  – Dr. Caio Cézar de Araújo
Delegado do INDA – Dr. José Ribamar Siqueira

Ministério das Comunicações
Diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – Dr. Mário Frazão Tavernard

Ministério da Educação e Cultura
Reitor da Universidade – Dr. Jauary G. de Souza Marinho
Inspetor Seccional do MEC – Prof. Agenor Ferreira Lima

Ministério do Exército
Quartel do 1º BIS, em São Jorge
Comandante Militar da Amazônia e 12ª RM – General de Divisão José Nogueira Paes
Chefe do Estado-Maior – Coronel Arídio Brasil
Comandante do 1° BIS – Tenente-Coronel Paulo Figueiredo A. Oliveira
Chefe da 29ª CSM – Major Expedito de Souza Pereira
Chefe do SNI (Agência de Manaus) – Tenente-Coronel Roberto Monteiro de Oliveira
Chefe da Comissão Geral de Investigações [CGI] e Comandante do CIGS – Tenente-Coronel Jorge Teixeira de Oliveira

Ministério da Fazenda
Delegada da Receita Federal – Sra. Cecilia Margarida de Oliveira
Delegado de Arrecadação – Dr. Colmar Medeiros Rabelo

Ministério do Interior
Superintendente da Zona Franca de Manaus – Coronel [EB] Floriano Pacheco
Diretor do Escritório da Sudam – Dr. Neper Antony

Ministério da Justiça
Delegado Regional de Policia Federal – Dr. Márcio José de Oliveira
Juiz Federal – Dr. Ariosto de Rezende Rocha
Juiz Federal Substituto – Dr. Aderson Pereira Dutra

(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

domingo, novembro 01, 2015

CORONEL PEDRO CÂMARA (1939-2015)



Nascido no Rio Grande do Norte, em 1939, morreu nesta quarta-feira, aos 76 anos, o coronel PM da reserva Pedro Câmara, vitimado por um colapso cardíaco. O velório foi realizado no quartel central do Corpo de Bombeiros, entidade que este oficial comandou quando o Estado absorveu este serviço em 1973. O sepultamento ou a “semeadura”, como define a igreja que o falecido professava, ocorreu no final da manhã no cemitério São João Batista, com a tropa da PMAM cumprindo o cerimonial militar.

Aspecto do velório ocorrido no quartel central do Corpo de Bombeiros

Câmara, antes de desembarcar em Manaus, cresceu no Acre, onde sua família se instalou atraída pela fortuna da borracha regulada por ocasião da Segunda Guerra. A família Câmara de marcante religiosidade possui, entre seus membros, pastores e dirigentes da igreja Assembleia de Deus.

Em Manaus, ao tempo do serviço militar, Câmara foi engajado no 27º BC (Batalhão de Caçadores), aquartelado na praça General Osório, hoje sede do Colégio Militar de Manaus. Naquela unidade militar prestou concurso para ingresso no CFC (Curso de Formação de Cabo), sendo aprovado com brilho. Dessa maneira, antes da conclusão do serviço militar obrigatório, era o cabo Câmara. Sempre bem alinhado, uniforme impecável, conhecedor dos regulamentos e exigente extremado. Era um militar “caxias”.
Ainda na caserna do 27 BC enfrentou a seleção para o curso de sargento que, não obstante ter sido aprovado, não conseguiu vaga. 

Entre outros entreveros, esse acelerou seu desligamento ao final do período compulsório. Aprovado em concurso, passou a funcionário da Chefia de Polícia, órgão encarregado da Polícia Civil. Nesse emprego foi alcançado por um edital da Polícia Militar.

Aos 21 anos, foi selecionado junto com mais dois Pedro (Lustosa e Falabela, que desistiu da empreitada) e o Helcio Motta, para integrar a turma de cadetes na EFO (Escola de Formação de Oficiais) da então PM da Guanabara. Tratou-se de iniciativa pioneira do doutor-coronel Assis Peixoto, no comando da PMAM: promover a formação de oficiais de escola. Ao término do curso (1960-62), Câmara estava em primeiro lugar entre os amazonenses e, diante desse valor militar, deve ser considerado o primeiro Cadete da história da Força Estadual.

Ainda tenente, em 1965, foi nomeado comandante do CIM (Centro de Instrução Militar), a pioneira iniciativa da corporação para capacitar os praças. Funcionava no Piquete, a edificação centenária que abrigou como a denominação indica uma tropa de Cavalaria. E ainda, servia de referência para os moradores do bairro da Praça 14. Nesse local, no momento, funciona o CPM (Comando de Policiamento Metropolitano), guardião do portão do Piquete. Tenente Câmara permaneceu pouco tempo na direção, porém, o bastante para que os colegas jocosamente identificassem o CIM por “Câmara Instrui Meganhas”.

Ainda que sem qualquer cacoete para qualquer esporte, Câmara organizou delegações esportivas. De oficiais, conduziu equipes de futsal (ao tempo, futebol de salão) ao interior do Estado. Tefé, Manacapuru, Maués, Parintins e Itacoatiara foram palcos desses encontros. Bons resultados esportivos e ótimos causos essas excursões ofereceram, talvez o melhor tenha ocorrido em Coari. Na quadra, faltava um dos bons jogadores, o então capitão Ruy fora nomeado “carcereiro” do delegado. Explico: Câmara havia determinado a detenção deste – tenente da reserva, alcunhado de Rabo Fino.  

Outro bom causo: Câmara adquiriu um Fusca, branco, se não sou traído pela memória. Nada de excepcional, senão que esse objeto de desejo era da fábrica alemã. E, como o condutor aqui e ali bateu com vontade o alemão, tomou a alcunha de um lutador de “telequete”, modismo da TV da época.

Economista, Câmara foi graduado pela Faculdade de Ciências Econômicas, antes que essa fosse incorporada à Ufam. Matemático competente, essa competência o capacitava a elaborar tabelas de vencimentos, sempre que a comunidade policial (ainda não operava o clube-sindicato) buscava melhorar o soldo.

Quartel do CBMAM em preparativos para o cortejo fúnebre

Em 1973, major Câmara assumiu o comando do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar, ocasião em que este serviço passou à órbita do Estado. Nada entendia desse serviço básico, mas era excelente administrador, preocupando-se até com o “pimentão” consumido no rancho. No ensejo, aproveitou a chance e viajou a Paris (FRA) para um aprendizado sobre bombeiros. Fez o estágio e o fez bem, aclimatando-se de tal maneira ao espírito parisiense que, ao regressar, os colegas o tratavam de forma espirituosa por Pierre Camarrá.

Em seu comando desembarcou a primeira escada de socorro que, por hábito, foi alcunhada de “magirus”. Comandante Câmara usou e abusou dela. Fazia-a arvorar (elevar seu dispositivo) e, do alto, de binóculo em punho, apreciava a movimentação na praia de Cacau Pirera.

Um dia, em pleno expediente, inspecionando o terreno do quartel, encaminhou-se para os fundos onde havia (ainda há) uma caixa d’água. De repente, ouviu-se um tiro naquela direção. Acorrem vários bombeiros, imaginando um desastre com o chefe. Mas eis que, guapo, Câmara os recebe com aquela pachorra: “pensaram que eu havia me suicidado!?”.

Enfim, “dirigia” a AVC (Associação dos velhos coronéis), que se reúne na última sexta-feira de cada mês para discutir assuntos burgueses: saúde, soldo e bom apetite. Dirigia sem contestação, afinal, apenas cabia-lhe indicar o restaurante do mês. Outra determinação: apenas seu aniversário era comemorado, porque acontecia a 31 de janeiro. Ou seja, estava sempre próximo do encontro ou no mesmo dia. A vaga está aberta.

Chegou, porém, o dia da indesejada. Ele já havia suplantado alguns procedimentos cirúrgicos, e seguia mostrando a força e a determinação do nordestino vitorioso. Sua fleuma, marcada pela entonação de voz, era própria. Tudo planejava e calculava meticulosamente. Por isso, creio que até a forma de “atravessar o rio Negro” foi encomendada.


Foi-se na madrugada, quando nós, amigos e parentes, esperávamos pelo novo dia. Filho! Até outro dia, na eternidade.