CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, julho 12, 2025

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (1876-2025)

Ontem, o Corpo de Bombeiros do Amazonas festejou a data de sua criação. No próximo ano será o jubileu do Sesquicentenário. Já escrevi páginas e páginas, que agrupadas constituem o livro Bombeiros do Amazonas: retrospectiva 1897-1998 (2013). Dessa sorte, para festejar a véspera do jubileu vou me limitar a expor algumas fotos, que considero relevantes na trajetória do grupamento dos “homens e mulheres do fogo” no Amazonas, agradecendo cordialmente ao Carlos Navarro, mestre da Fotografia em Manaus, autor dos registros.

FFOOGGOO!! 





    

quarta-feira, dezembro 18, 2024

AMAZONAS: CORPO DE BOMBEIROS

Em 1896, na transição do governo estadual entre Eduardo Ribeiro e Fileto Pires ocorreu uma movimentação extraordinária na questão da Segurança Pública. A Força Policial estava consolidada, já ocupando o quartel recém restaurado na Praça da Polícia. Restava cuidar do serviço de Bombeiros, que se arrastava em prédio alugado, quase sempre sem condições, e efetivo reduzido. Para sanar esta questão, o governo enviou a Recife (PE) o tenente Theophilo Gomes de Oliveira.

Eduardo Ribeiro (esquerda) e Fileto Pires

Ao lado da situação policial o Estado, para surfar na explosão da hévea, também buscava mão de obra para os seringais. Desse modo, aquele oficial “contratou” homens de qualquer condição, alguns, segundo artigo do Jornal do Recife (13 dez 1896), recolhidos à penitenciária. No artigo “Emigração para o Amazonas”, lê-se:

Recorte do mencionado jornal

“Agora somos informados que a polícia auxilia o negócio, convertendo o engajamento em recrutamento, tendo sido compelidos diversos homens a embarcar no vapor Olinda que anteontem por aqui passou, só deixando de seguirem todos que foram colhidos na rede por falta de acomodações a bordo, e punidos com prisão os que procuraram fugir à tamanha violência de seus direitos!...”

Adiante, conclama: “Que o Amazonas procure gente para compor a sua companhia de bombeiros ou para explorar as suas riquezas vegetais ou minerais, está no seu direito.” Todavia, adverte: “Que muitos dos nossos coestaduanos, perfeitamente esclarecidos do destino a que se encaminham, aceitem as promessas que lhes fazem e se dirijam para ali em busca de melhorar as suas condições, a que a todos é dado aspirar”.

Por isso a advertência produzida pelo referido matutino em seu editorial. No dia imediato, o mesmo jornal publica a contestação da Questura Policial do Estado, que comprova a inexistência de “indivíduos contratados para a Companhia de Bombeiros do Amazonas” com o atestado do diretor da penitenciária. Ainda desse modo, o mesmo editorialista elencou distintas considerações, tais como: “não podemos deixar de braços cruzados que os nossos patrícios, seduzidos por falazes promessas, pois a vida no Amazonas custa quatro vezes mais que entre nós, vão morrer improficuamente de miséria e impaludismo em inóspitos seringais, ficando Pernambuco despovoado, como pela mesma causa já o foi o Ceará”.

Para concluir: ao consultar o Arquivo Histórico da PMAM para elaborar meu livro Bombeiros do Amazonas (2014), foi fácil tabelar o número de nordestinos no efetivo da corporação à época mencionada: eram 9, entre 10 policiais. E mais. O corpo da Força Policial intitulada de Regimento Militar, constituída de dois batalhões e outros serviços, era da ordem de 900 homens.

sexta-feira, setembro 06, 2024

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

Ainda em comemoração aos 50 anos da instalação do Corpo de Bombeiros em Petrópolis, com a entrega do quartel e de equipamentos na Semana da Pátria de 1974, reproduzo imagens efetivadas pelo mago da fotografia em Manaus – Carlos Navarro Infante, algumas delas inseridas no meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).



As fotos pertencem ao Carlos Navarro Infante, com mais um agradecimento

quinta-feira, setembro 05, 2024

EQUIPAMENTOS DO CORPO DE BOMBEIROS – 50 ANOS

Há 50 anos, na tarde do Sete de Setembro, o Corpo de Bombeiros, então ancorado na Polícia Militar do Amazonas, subiu as escadarias da Matriz da Padroeira para demonstrar os equipamentos recém incorporados ao seu patrimônio. Manaus, então, podia confiar no desempenho dos “homens do fogo”, afinal a cidade havia presenciado cenas de desespero, algumas devido a carência material daquela unidade de socorro.
Auto Escada Metz, a primeira em Manaus (acima)
coronel Pedro Câmara👇

Assistiram ao adestramento o governador do Estado, João Walter, o comandante-geral da PMAM, coronel EB Lucy Coutinho, o comandante do CB/PMAM, coronel PM Pedro Câmara, entre tantos e povo em geral. Ainda do livro Bombeiros do Amazonas saquei esta memória que o coronel (hoje reformado) Osório Fonseca guardou desta Unidade. Lembrou-me, quando entrevistado, que foi comandante do quartel da Codajás entre 1978-79, e, perguntado sobre a incorporação deste serviço à Força Estadual, resumiu:

Em 1973, a PM assumiu o Corpo de Bombeiros. Logo, chegaram os carros, os equipamentos. Tornaram-se motivo de enorme vaidade para os policiais militares. Manuseá-los era demais, pois, nenhum bombeiro em Manaus vira uma Auto Escada que, equivocadamente, chamavam de magirus. Tratava-se, sim, de uma escada alemã, mas o fabricante era Metz. Para ostentação, exibia-se a auto escada em qualquer lugar ou reles oportunidade. Até para, do quartel, observar as margens do rio Negro, onde a balsa que leva para Manacapuru parava. Era o tal de levantar, "arvorar", descer a escada etc. Parecia até um "brinquedo" importado, porque não havia sequer prédio alto na cidade de Manaus.  

Detalhe da capa do livro

Desde 1998, emancipado da PM, o serviço de extinção de incêndios e outras atividades afins passou ao encargo do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que prospera conduzindo os “homens e mulheres do fogo”, “sempre prontos para pousar em meio ao horror das grandes hecatombes, para o labor sublime de salvar, de resgatar, de opor uma barreira aos desastres, aos sinistros, às catástrofes”, consoante glorificou o saudoso poeta Farias de Carvalho.


quarta-feira, setembro 04, 2024

QUARTEL DO CORPO DE BOMBEIROS – 50 ANOS

Neste 5 de setembro - feriado no Amazonas por sua independência política, completa-se o cinquentenário da inauguração do aquartelamento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas na rua Codajás, bairro de Petrópolis. Esta expressiva alteração aconteceu no encadeamento da incorporação do serviço de contra incêndios, prestado pela Prefeitura de Manaus, à Polícia Militar do Amazonas, em 1973.

Quartel do Corpo de Bombeiros/PMAM, quando da
inauguração

Para melhor situar esta evolução, transcrevo alguns tópicos do meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).

Detalhe da capa do livro

Consolidada a transferência do serviço em março de 1973, o Estado intensificou a renovação dos equipamentos de combate a incêndios, usufruindo dos benefícios da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto 2512/73 “autorizando adquirir, com dispensa de licitação, um Auto Escada, marca Metz; cinco Auto Bomba Tanque; dois Auto Salvamento e uma Plataforma de iluminação, marca Total”. Este “pacote” de viaturas foi adquirido na Alemanha, e inaugurado no desfile de 7 de Setembro de 1974.

Recorte do matutino A Crítica

A inauguração do quartel de Petrópolis ocorreu após o desfile do Dia da Pátria, com a presença do govenador em exercício, desembargador Lúcio Fonte de Rezende. A solenidade teve curta duração - 20 minutos, quando falou o governador; o coronel Lucy Coutinho, comandante da PMAM, e o coronel EB Odilon Spinelli, superintendente da Suplam, que explicou tecnicamente as obras concretizadas.

Placa alusiva a festa

Acerca do feito foi afixada uma placa comemorativa, ainda presente à entrada do aquartelamento.

sexta-feira, março 29, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS

Em fevereiro de 1920 assumiu o comando do Corpo de Bombeiros o capitão PM Arthur Martins da Silva, pernambucano que aprendeu o ofício de “homem do fogo” em Belém do Pará. Somente deixou o comando 18 anos depois em decorrência de seu falecimento (julho de 1938). A trajetória deste oficial na corporação foi marcante, tanto que em decorrência da Rebelião de Ribeiro Junior, em julho de 1924, assumiu o comando da Força Pública. Todavia, não deixou um retrato para adornar a Galeria de Comandantes, talvez pela ausência de família, dado sua condição de celibatário.

À época, a condição econômica do Estado era de decadência, após o desastre da borracha. Situação idêntica enfrentavam os organismos estaduais, consequentemente a Força Estadual. Os Bombeiros subordinados à Prefeitura local padeciam da mesma situação. Para ilustrar a postagem recolhi do arquivo corporativo páginas de livros de coleção de Boletim Interno. Ao menos se conhece o nome de um Bombeiro, 1º sargento Antonio Barbosa Abreu, cuja caligrafia impressiona.

 

Coleção mensal de BI 


Coletânea de BI mensal


segunda-feira, abril 17, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (24)

Mais um capítulo sobre a história da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilhado do meu almejado livro Guarda Policial (1837-1889).

Posse do Major Gabriel

Exonerado, o presidente Passos Miranda aproveita a Exposição de praxe na passagem deste encargo em 27 de maio de 1876, ao 2º vice-presidente, major (Guarda Nacional) Gabriel Antônio Ribeiro Guimarães, e registra a organização da Guarda Policial. Sem qualquer novidade. Unicamente ratifica que a elaborou em decorrência da lei 339, de 26 de abril anterior; deu-lhe regulamento e nomeou os primeiros comandantes. Major Gabriel logo passa o governo provincial ao 1º vice, Nuno Cardoso.

A rua Major Gabriel, cujos quarteirões iniciais margeiam o igarapé de Manaus, ligando o Centro, a partir da avenida Sete de Setembro, ao cemitério São João Batista, ainda mantém a homenagem a este olvidado governante.

Extinção de Incêndios, hoje Corpo de Bombeiros

Em 11 de julho de 1876, ocorreu a regulamentação do serviço de combate a incêndios, baixada pela Portaria 268–1ª Seção com as Instruções para extinção de incêndios. Esta primitiva legislação teve a sanção do 1º vice-presidente provincial, Nuno Cardoso.

Ainda que embrionário, o serviço contava (art. 1º) com um instrumento típico das igrejas católicas – o sino! Recurso que foi substituído pela sirene de fábricas e indústrias, e utilizado na cidade até a metade do século passado. Aos nossos olhos, quanta prosperidade desde então. O instrumental sonoro da igreja dos Remédios e da Matriz acasala-se com a rudimentar técnica e o incipiente equipamento para originar o próspero Corpo de Bombeiros Militar de nosso século. O primeiro dirigente, na condição de diretor das Obras Públicas (art. 3º), foi Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, então major de engenheiros, conforme Bombeiros do Amazonas (2013).

Reproduzo os mencionados artigos:

Art. 1º - Logo que haja incêndio, as igrejas darão sinal do bairro em que ele se manifeste do seguinte modo:

Uma badalada para o bairro de S. Vicente;

Duas ditas para o do Espírito Santo;

Três ditas para o da Campina;

Quatro ditas para o dos Remédios; Cinco ditas para o de Nazaré.

E tocarão logo depois vinte badaladas compassadas e seguidas. (...)

Art. 3º - Todo o serviço de extinção do incêndio ficará exclusivamente a cargo do diretor das Obras Públicas ou de quem suas vezes fizer.

 

É adequado esclarecer que, embora não ocorresse a criação de uma corporação, especialmente militar, ou sequer uma instituição com finalidade própria de combater o fogo, ocorreu, sim, a normatização, o disciplinamento de atividades inerentes. Algumas já observadas, ainda que mal executadas. Como exemplo, a regularização da atividade dos aguadeiros (vendedores de água), então o elemento mais conveniente no combate ao fogo, cuja atividade o Código de Posturas municipal já disciplinava desde 1874.

terça-feira, fevereiro 28, 2023

PMAM: AS PRIMEIRAS OPMs

 O desastre financeiro suportado pelo Amazonas com o declínio da borracha, na primeira década do século 20, levou de roldão as instituições estaduais. No seio delas, a Polícia Militar do Estado. Em meado do século passado, a força estadual instalada no quartel da Praça da Polícia dispunha de cerca de trezentos homens, correspondente ao de um batalhão militar.

Com fundamento nesse efetivo, o governador Arthur Reis (1964-67) baixou, em 3 de maio de 1965, o ato denominando aquele efetivo de “Batalhão Amazonas” (adiante denominado de 1º BPM), para louvar os feitos gloriosos praticados às margens do rio Vaza Barris, quando da campanha de Canudos, “nos ínvios sertões baianos”.

O decreto 188/65 finca de forma indelével um marco da evolução da PMAM. Em sequência vieram outros atos normativos ora criando, ora ampliando, ora extinguindo alguma Organização Policial Militar (OPM). Compete lembrar que um mês antes desta festa, por disposição interna (BI 80/65), foi criado o Centro de Instrução Militar (CIM), extinto em 1972.

O presente capítulo da história da força militar estadual fica balizado com aquela datação, todavia, o decreto 2426/1972 se trata de outro dispositivo renovador do desempenho da corporação. Uma das mudanças alcançadas por este decreto, bem aclamada pela cidade, foi a incorporação dos Bombeiros Municipais ao efetivo da PMAM.

Viatura (prosaico Fusca) da Cia R P, no
pátio do CIM (cujas instalações se vêm ao fundo)


 

Ano de criação

Nomenclatura

1965

·      Centro de Instrução Militar (CIM) - BI 80, 07|04|

·      1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM) - Decreto 188, 03|05|                 

1969– Decreto 1394, 06|06|

·      Chefia do Estado Maior Geral (Ch EMG)     

1970

·      2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) – Decreto 1854, 02|09|

·      Batalhão de Policiamento Especial (BPE) – Lei 1011, 31|12|   

 

Viatura da Cia de Rádio Patrulha

                 

1972 – Decreto 2426, 14|12|

·      Corpo de Bombeiros (CB)                                                                   

·      Companhia de Rádio Patrulha (Cia R P)                                          

·      Companhia de Trânsito (Cia Tran)                                        

·      Companhia de Polícia Rodoviária (Cia P Rdv)                                

·      Companhia do Comando Geral (Cia CG)    

Portão do extinto Piquete de Cavalaria, hoje
exposto no quartel do CPM, na Praça 14 


  

segunda-feira, janeiro 23, 2023

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM - CINQUENTENÁRIO (2)

Em comemoração ao cinquentenário da incorporação do serviço de contra incêndios à Polícia Militar do Amazonas, reproduzo uma página - com algumas atualizações - de meu livro Bombeiros do Amazonas: retrospectiva 1876-1998, publicado em 2013. Acolá, deu-se a partida à renovação deste Corpo, que hoje prossegue sob administração própria.

Quartel do Corpo de Bombeiros, em 1973

Mais detalhes do ato relatei no volume citado, pois na ocasião assumi o subcomando do CB/PMAM. Detalhe novíssimo: o edifício, que pertence a Prefeitura de Manaus, está tomado pelo mato e prestes a desabar.  

 

Situação do prédio, há dois anos, hoje está bem pior

Na terça-feira, 23 de janeiro de 1973, ocorreu a solenidade de incorporação do Corpo de Bombeiros de Manaus à Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Curiosidade: reencontravam-se após mais de duas décadas na avenida Sete de Setembro, onde estiveram juntos no distante ano de 1936 (por ocasião da reativação da PMAM). O evento teve lugar no acanhado quartel adaptado para o Corpo há mais de quatro décadas, todavia emparedado em decorrência do avanço urbanístico da cidade. Três portas dianteiras serviam para a circulação de pessoal e viaturas, com saída diretamente para a avenida com constante fluxo de veículos, pois serve de ligação entre os bairros situados na Zona Centro-Sul e o Centro.

Dispunha de três viaturas denominadas de ABT (Auto-Bomba Tanque), que o vulgo denominava mesmo de carro-pipa. Serviam para combater incêndios, porém, serviam com mais agrado aos motoristas do Corpo para distribuir água; elemento vital, cuja distribuição na cidade continuava bastante precária. Assim, os motoristas compraziam-se em distribuir o precioso líquido, todavia, mais precioso ainda para eles, pois, enchendo alguns tanques ou camburões particulares, auferiam algum trocado. Em razão desse suprimento diário, apelidaram carinhosamente aos ABT de “mamãe Dolores”.

Na manhã desse dia, o major PM Pedro Câmara recebeu do major CB Nicanor Gomes da Silva o Corpo de Bombeiros de Manaus. Em uma solenidade estritamente policial militar, da qual, apesar da significação histórica, não há qualquer registro jornalístico. Muito embora circulassem vários títulos de jornais, além de rádios AM e da FM Tropical, as TVs Ajuricaba (Canal 20) e Baré (Canal 4). Nada foi noticiado (censura?), por se tratar de solenidade com tropas militares, ou para escamotear a inconcebível situação dos “homens do fogo”?

Recorte da capa do livro

Relembrou a singeleza desta solenidade para este relato o comandante dos municipais: nada de convidados, a mais destacada autoridade presente foi o comandante-geral da PM, coronel EB Paulo Figueiredo. A fim de abrigar a pequena tropa, retiraram-se as viaturas do quartel, e pronto! Não houve sequer a indefectível Ordem do Dia, tampouco coquetel. Todavia, os sofridos Bombeiros de Manaus possuíam uma incontida aspiração: ver a hora de recomeçar nova e prestigiosa etapa profissional. 

Vida longa aos “homens e mulheres do Fogo”!

quarta-feira, janeiro 18, 2023

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM - CINQUENTENÁRIO

Há 50 anos, no decurso do governo estadual de João Walter de Andrade (1971-75) e do municipal de Paulo Pinto Nery (1965-72) foi cumprido o projeto de dotar a capital de um Corpo de Bombeiros mais eficiente. Até então, os serviços de extinção de incêndios e afins era cumprido pelo Corpo de Bombeiros Municipais (CBM), instalado na avenida Sete de Setembro, quase na esquina do Canto do Quintela.

Tropa dos Bombeiros Municipais em desfile de Sete
de Setembro, passando pelo IEA

Em outubro de 1972, a Prefeitura recebeu autorização legislativa para conveniar com o Estado sobre a incorporação do efetivo do CBM à Polícia Militar do Amazonas. O comandante da PM amazonense, coronel EB Paulo Figueiredo,  foi o artífice dessa integração, sem que se olvide do empenho do comandante dos "homens do fogo", major CB Nicanor Gomes da Silva. 

Coronel Paulo e
governador João
Walter

O ato definitivo ocorreu em 18 de janeiro de 1973, quando foi firmado o Convênio entre o governo estadual e o municipal (pelo novo prefeito, Frank Abrahim Lima), passando o serviço de combate a incêndios e afins à gestão da Polícia Militar do Amazonas. Este documento foi publicado no DOE 22.689, de 24 janeiro, e transcrito no Boletim Geral/PMAM 22, de 31de janeiro. 


Após a transferência do Corpo de Bombeiros para
Petrópolis, o prédio foi cedido para a Fundação
Joaquim Nabuco. Retirada esta, o edifício entrou
em abandono.

A transferência efetivamente cumprida ocorreu em 23 de janeiro, no quartel da Sete pertencente à Prefeitura Municipal, hoje dolorosamente (para quantos ali se empenharam) em ruinas. 

domingo, novembro 27, 2022

BOMBEIROS DO AMAZONAS

 A trajetória deste serviço no Estado data de 1876, e a atual estrutura de comando nasceu há 24 anos.






sábado, novembro 26, 2022

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

 Ontem, o quartel central do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) engalanou-se para festejar sua emancipação, conjuntamente com o aniversário de instalação deste serviço na capital amazonense. Na ocasião, fez uso de todo o estoque de medalhas que foram distribuídas às centenas, beneficiando homens e mulheres da administração. Além de pastores de diversas igrejas e membros de outras corporações federais, estaduais e municipais.

Detalhe da tropa na formatura

Ainda serviu para a inauguração de um painel com rápidas passagens dos Bombeiros Militares e a abertura de uma restaurada galeria dos comandantes. Nela incluídos os veteranos dos Bombeiros Municipais, e, numa deferência especial, a foto do comandante Ventura, que conduziu os Voluntários na década de 1950.

Como parte da formatura, ouviu-se dois discursos: do comandante-geral do Corpo, coronel Orleilso Muniz, e do Secretário de Segurança. Ao me referi a discursos, fiz em razão de que a Ordem do Dia deixou de existir. A Ordem era uma página militar narrando o fato comemorativo, com absoluta disciplina, sem expor elogios a terceiros. E mais, era lido pelo Ajudante-Geral, uma espécie de secretário da caserna. No entanto, foram discursos de improviso repletos de elogios às autoridades governamentais. Esquecendo-se de felicitar o denodo dos “homens e mulheres do fogo”.

Sei que o CBMAM não possui um corpo de músicos, daí a necessidade de recorrer à Força Estadual. No entanto, o grupo de músicos da PM presente demonstra a pouca relação entre estes órgãos da Segurança Pública. Também não se viu uma representação daquela corporação.

Apesar dos senões anotados, o trabalho do coronel BM Muniz deve ser ressaltado, pois o quartel passa uma reforma estrutural de qualidade, lembrando enfim que o quartel da rua Codajás foi construído em 1974.

Os Bombeiros Militares amazonenses tiveram sua emancipação há 24 anos.

segunda-feira, julho 11, 2022

CBMAM: ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO

A festa de hoje pertence ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, condignamente cumprimentado pelo Estado por intermédio da Assembleia Legislativa, que realizou nesta manhã a sessão especial pela data. São 146 anos de atuação, tendo passado por momentos desastrados, ora integrante do Estado ora da Prefeitura. Hoje, sob  comando do coronel Orleilso Muniz, e com nova estrutura cuida com eficiência da capital e alguns munícipios.

Sua existência me proporcionou dois prazeres: de ter integrado em duas ocasiões a corporação dos "homens e mulheres do fogo"; e de ter produzido uma retrospectiva de sua existência, que o CBMAM mandou imprimir.

  

Capa do mencionado livro

O nonagenário Arlindo Porto emprestou-me sua memória para contar como os Bombeiros - no anteontem da atividade - eram informados da existência do Fogo!



 

sábado, abril 30, 2022

ALMOÇO DA AVC

Ontem (29) ocorreu mais um encontro dos coronéis veteranos da Polícia Militar, e o número de comensais foi expressivo. A coordenação do evento conseguiu retirar de casa alguns impertinentes “domésticos”. A farra ocorreu no “Lenhador” e foi de bom tamanho e de boas risadas, em particular as gargalhadas do amado Torres. Assinaram a lista de presença: Osorio Fonseca| Ruy Freire| Romeu Medeiros| Mael Sá| Cavalcanti Campos| Odorico Alfaia| Eber Bessa| Deusamar Nogueira| Ewerton Amaral| Marinho Alcantara| Vital Menezes| Pereira da Encarnação| Chagas Pereira| Frandemberg Maués| Silvestre Torres| Ary Renato| Adson Costa e Silva| Luís da Rocha| Ronaldo Toledano| Cauper Monteiro| Edmilson Nascimento| Roberto Mendonça e Zé Alberto.

Arnaud, Macedo e Cabral no quartel do
então Corpo de Bombeiros/PM

O evento serviu para relembrar o falecimento de um camarada: coronel Arnaud Barbosa, fato acontecido em Fortaleza, onde residia, mas que foi sepultado em Manaus, com as honras de praxe. Em complemento, compartilho a oração divulgada por outro veterano, coronel PM/BM Levy Marques Sobreira, que a torno minha:

Amigos veteranos da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), hoje é um dia triste para nós devido a separação da matéria de um grande amigo: coronel PM e CBM, sim, posto que em ambas as corporações Nestor ARNAUD Barbosa serviu com amor e dedicação. A ocorrência é motivo também de alegria, visto ele ter sido presenteado com a vida eterna que Deus promete aos seus seguidores.

Arnaud sempre foi um sujeito alegre, brincalhão, gozador, bom de bola, bom companheiro. Saudades ficam, tristeza não, a vida da carne acabou, porém o espírito vivo permanece e nos serve como protetor.

Arnaud, bons momentos vivemos aqui e são eles que guardarei como lembrança. Obrigado pela sua amizade. Kelly e Eduarda, meus sentimentos por tão grande perda, todavia, vocês são muito fortes pela maravilhosa estrutura cristã em aceitar as decisões divinas. A todos os familiares do Arnaud os meus sentimentos.

Acima, Arnaud (com a mão na bola) no juvenil do Nacional FC
abaixo (à esq.) em congresso ao lado do tenente Levy


terça-feira, abril 12, 2022

BANDA DE MÚSICA: BOMBEIROS DO PARÁ

 Compartilhado do livro O Corpo de Bombeiros do Pará. 2ª ed., de José Menezes, editado em 2007, e o fiz não para desmerecer ao maestro, mas para lembrar a passagem de um Itacoatiarense pela batuta militar em Belém. Não obstante minhas súplicas ao historiador da Velha Serpa Francisco Gomes, nada sei do Bruce. Fica o registro. 

A musa existente na
praça diante do antigo Paço Municipal

Começa nessa época um período de lutas políticas e revoluções, restando desse tempo pouquíssima informação sobre a Banda de Música.

Em 1917, era diretor da Banda de Música o 2° tenente Themistocles dos Santos Bruce, um amazonense de Itacoatiara. "Era um analfabeto, carrancista como um capataz de engenho do Brasil colonial..." descreveu-o o tenente Drago, acrescentando: "Desenhava o nome... Não lia os conteúdos alfabéticos, mas lia bem música e tinha o dom de decorar a instrumentação das peças que regia, a ponto de sentir, de ouvido, quando um músico deixava de tocar ou tocava mal alguns compassos ou trechos da partitura"

domingo, março 14, 2021

NUNO CARDOSO: FUNDADOR DOS BOMBEIROS EM MANAUS (2)

Com esta folha, concluo o documento expedido pelo Arquivo Central da Marinha sobre Nuno Cardoso (1816-81), autor da Portaria que criou em Manaus o Serviço de Extinção de Incêndios, em 1876. Lembrando a evolução da corporação que, em nossos dias, atende como Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

Para mais subsídios sobre este Corpo, veja meu livro: Bombeiros do Amazonas: retrospectiva - 1876-1998 (Manaus: Travessia, 2013).

 


NUNO ALVES PEREIRA DE MELO CARDOSO (Parte 2)

Por decreto de 2 de dezembro de 1854 foi nomeado Cavaleiro da Ordem de Cristo, em remuneração de serviços militares. Por Aviso de 30 de janeiro de 1855, foi-lhe concedida a licença que pediu para se empregar na Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas.

Foi promovido ao posto de CAPITÃO-TENENTE, por decreto de 2 de dezembro de 1856. Por Aviso de 17 de abril de 1860 se lhe permitiu tomar assento na Assembleia Legislativa da província do Amazonas.

Em dezoito de outubro de 1862 apresentou Certidão legal de batismo de sua filha natural Maria, tida com Clementina Maria de Nazareth; no verso desta certidão, que reza ter tido lugar o batizado na Igreja de Santana da Campina, em Belém, aos 18 de setembro de 1853, acha-se uma declaração deste oficial, de ter nascido esta menina a 28 de abril de 1853, e sido por ele perfilhada com o nome de Maria Clementina de Melo Cardoso: translado da justificação que fez perante a Câmara Eclesiástica da Cidade de Manaus, em 2 de junho de 1862, de ter nascido a 7 de outubro de 1858 seu filho natural Nuno; e o de perfilhação que fez em 12 de abril de 1861 dois seus filhos acima mencionados: Maria Clementina de Melo Cardoso, tida com Clementina Maria de Nazareth, e Nuno Alves Pereira Cardoso, tido com Raimunda Maria Bagata; e finalmente, certidão de casamento com Dona Maria Leopoldina Nery da Fonseca, celebrado em Manaus a 10 de agosto de 1861. Apresentou certidão legal de batismo de sua filha Mariana, nascida a 16 de dezembro de 1862.

Na forma do determinado em Aviso de 11 de outubro de 1866, foi chamado ao serviço da Armada a 13 do mesmo mês.

CAPITÃO DE FRAGATA. Por antiguidade. Por decreto de 21 de janeiro de 1867, apresentou-se nesta Corte a 20 de julho de 1870, requerendo sua reforma em 25 do mesmo mês e ano, e sido inspecionado a 27 do mesmo mês, foi julgado incapaz de todo serviço por sofrer de hiperemia crônica do fígado e catarro bronquite crônico.

Por comunicação da Secretaria da Marinha de 10 de setembro do mesmo ano constou que, por decreto de 3 de setembro dito fora reformado no posto de Capitão de Mar e Guerra, nos termos do artigo 4º, parágrafo 1º, da Lei de 16 de dezembro de 1790. Por Portaria de 13 de setembro lhe foi permitido residir na província do Amazonas. Apresentou sua patente de reformado, mostrando ter pago os respectivos direitos.

Apresentou a certidão de batismo de seu filho João, nascido a 16 de junho de 1868, na cidade de Manaus e batizado na mesma paróquia aos 30 de novembro do mesmo ano.

Em 5 de agosto de 1871 apresentou certidão de batismo de sua filha legítima Hortência, nascida em 26 de outubro de 1870, batizada em 6 de maio de 1871 na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Manaus. Apresentou certidão legal de batismo de seu filho Antonio, nascido em 13 de maio de 1867 e batizado na Igreja dos Remédios em Manaus, em 26 de setembro do mesmo ano.

Faleceu em 28 de agosto de 1881, (aos 75 anos) na província do Amazonas, segundo participou o comandante da Flotilha da mesma província.



terça-feira, novembro 24, 2020

CARTA AO NOVO PREFEITO

 A eleição do próximo domingo, com a vitória de David Almeida, me leva a reproduzir a seguinte carta. Espero a atenção do Almeida, ou melhor, que atenda ao patrimônio da cidade, visto que a situação mostrada, como diz minha madrinha, parte o coração. 

Após a utilização pelos Bombeiros, serviu a
Fundação Joaquim Nabuco (foto)


Senhor Prefeito 

David Almeida

As imagens que ilustram esta missiva, demonstram a incúria da Prefeitura diante da ruína de um monumento da cidade. Tem mais, escancara o desleixo com a segurança de transeuntes, pois a qualquer momento a “coisa” que parece um tapume pode desabar sobre alguém. Asseguro-lhe que já desabou em três ocasiões, e, em cada uma delas, os funcionários da Comuna fizeram o malefício de reduzir e de tornar inseguro o tapume.

Conheço este edifício de duas maneiras: a primeira, quando em 1973 a Polícia Militar do Amazonas tomou o encargo de combater os incêndios e outros desastres correlatos. Eu estava presente. Foi ali que se reiniciou o Corpo de Bombeiros que, em nossos dias, do alto de Petrópolis, sob nova direção, zela muito bem pela Cidade.

A segunda experiência com a edificação ocorreu quando pesquisei sua presença na avenida Sete de Setembro para o livro Bombeiros do Amazonas, de minha autoria. Portanto, este local serve como manto sagrado para tantos Bombeiros Militares, em especial àqueles que estiveram sob o controle da Prefeitura de Manaus. Posto que empenharam a saúde, diria até a vida, para salvaguardar a população.

Por isso, senhor Prefeito, tome este empenho: repare o Quartel dos Bombeiros, a marca que ele alcançar, será a marca de sua administração. Ou então, demolindo-o, o Senhor evita a dor impetuosa que atinge àqueles que o fizeram funcionar, como o subscritor que apela para seus propósitos de candidato.

    Cordialmente

            Roberto Mendonça


Perigosa situação atual.