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quarta-feira, janeiro 03, 2024

MANAUS: NOTAS CENTENÁRIAS

     

 

A consulta em revistas e jornais antigos de Manaus sempre é possível encontrar dados que podem ilustrar a história do Estado. Na revista CÁ & LÁ, circulada em março de 1914, encontra-se a nota abaixo exposta.


Os personagens: Henrique Rubim era coronel da Guarda Nacional, então uma entidade de forte atuação. Alcides Bahia, nascido em Belém do Pará, era engenheiro e jornalista e, adiante, um dos fundadores do Silogeu Amazonense. Para saber mais sobre este personagem consultar o livro
Fundadores da Academia Amazonense de Letras (2019), de Robério Braga.

O texto exposto não especifica o assunto tratado, porém, deveria ser de bastante interesse dos governos amazônicos para que fosse enviada uma comissão.

quarta-feira, setembro 12, 2012

A Imprensa no Amazonas (7/7)

Detalhe da capa

Mais um capítulo do livro A Imprensa no Amazonas, elaborado por Alcides Bahia; J. B. Faria e Souza e Antônio Monteiro, e editado pelo governo do Estado, em 1908, para celebrar o primeiro centenário da imprensa no Brasil.

O fundador da imprensa no Amazonas 

O “Amazonas”

Prometia O Amazonas, em seu primeiro número, aos seus assinantes, a publicação de um boletim comercial, à chegada a Manaus dos vapores procedentes de Belém, a fim de que se pudesse publicamente saber os preços correntes dos gêneros, naquela praça, cambio, e tudo mais que fosse de utilidade ao comércio.

O estabelecimento gráfico do Sr. Cunha Mendes denominava-se Tipografia Monarquista e funcionava à rua 5 de Setembro nº 4, hoje Henrique Martins. Essa tipografia não só se compunha do material antigo da Estrella do Amazonas como também da do Monarquista, periódico que o Sr. Cunha Mendes publicou em Santarém, no Pará, até 16 de dezembro de 1865, terminando a sua circulação com o número 450.

O Amazonas, no seu início, publicava-se uma vez por semana, sendo as assinaturas pagas adiantadamente, vigorando a tabela seguinte: ano 15$000 [quinze mil réis], semestre 7$000 [sete mil réis] e trimestre 4$000 [quatro mil réis]. Os assinantes tinham, quando publicavam anúncios, 20 linhas gratuitamente; o excedente pagava 80 réis por linha e 40 réis nas repetições.

Tinha o papel em que era impresso o semanário 41,5 cm de comprimento e 30 de largura. A composição ocupava 33 cm em comprimento e 26,5 de largura dividida em três colunas. A folha avulsa custava 200 réis. Era impressor E. Marques dos Reis.

Até o número 6 denominava-se O Amazonas, passando daí em diante a ter o título Amazonas.

Os artigos literários, noticiosos, industriais e comerciais, segundo se vê nos dizeres do primeiro número, nada pagavam. Em agosto de 1866, o semanário criava a seção denominada “Literatura”, iniciando-a J. B. Bueno Mamoré que escreveu uma série de artigos intitulados “Viagens no Pará e Amazonas”.

Nesse mesmo mês apareceu o primeiro folhetim, assinado por Baré Manao, pseudônimo usado por Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, que ainda hoje existe e é o decano dos jornalistas amazonenses. O folhetim abordava três assuntos: o concerto musical realizado a 23 de agosto pelo clarinetista Croner, a bordo vapor Manáos, surto no porto; um baile efetuado a 4 de agosto, na residência do Sr. Joaquim José da Silva Pingarilho e, finalmente, a comemoração feita pelos paraenses à passagem da data de 15 de agosto, que marca o aniversario da adesão do Pará à Independência do Brasil.

A audição do clarinetista referido foi o primeiro festival, no gênero, realizado em Manaus. (segue)

Recorte do Jornal do Amazonas
 
Catálogo geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889)

1887

§  JORNAL DO COMMERCIO
O 1º número é de 7 de abril de 1887. Desapareceu em 11 de maio do mesmo ano, com o nº 13.

§  ECHO DO NORTE
O 1º número é de 11 de setembro de 1887. O último, nº 7, é de 23 de outubro do mesmo ano. Foi substituído pelo Manáos.
 
§  A PROVINCIA DO AMAZONAS
O 1º número é de 7 de outubro de 1887. Suspendeu a publicação em 27 de janeiro de 1889, com o nº 185.

§  MANÁOS
O 1º número é de 1º de novembro de 1887. Suspendeu a publicação em 18 de abril de 1888, com o nº 73.
Em substituição ao Americano reapareceu em 27 de dezembro de 1889, com o nº 74. Desapareceu definitivamente em março de 1890.

§  VELLOSIA (Revista)
“Contribuições do Museu Botanico do Amazonas”.
O 1º e único volume é de 31 de dezembro de 1887. A edição foi inutilizada por ordem da Presidência do Amazonas, visto os exemplares terem sido mal impressos e em papel de péssima qualidade. O volume, que se acha nesta coleção, tem por esse fato um extraordinário valor, por parecer que é atualmente o único existente.
Mais tarde, em 1891, foi essa revista editada, em 3 volumes, na Imprensa Nacional do Rio de Janeiro. 

1888

§  EQUADOR
O 1º número é de 1º de janeiro de 1888. O último, nº 17, é de 20 de maio do mesmo ano.

§  O CORNETA
O 1º número é de 12 de janeiro de 1888. Terminou a 5 de abril do mesmo ano, com o nº 12. Foi substituído pelo Evolução.

§  O NORTE DO BRAZIL
O 1º número é de 2 de fevereiro de 1888. O último nº é de 20 de novembro do mesmo ano. Foi substituído pelo Cidade de Manáos.

§  PITORRA
O 1º e único número é de fevereiro de 1888.

§  O CIPÓ
O 1º e único número é de fevereiro de 1888.

§  O MANTENEDOR
O 1º número é de 25 de março de 1888. Saíram poucos números.

§  A IMPRENSA UNIDA
Edição única de maio de 1888.
“A Imprensa do Amazonas unida à Imprensa do Brasil sem escravos”. A edição foi tirada nas tipografias do Amazonas; Commercio do Amazonas; Jornal do Amazonas e O Norte do Brasil.

§  O MUCUIM (manuscrito)
O 1º número é de maio de 1888. O último número é de 28 de maio de 1898.

§  O BILONTRA
O 1º número é de 11 de novembro de 1888. Saíram poucos números.

§  BILONTRA JUNIOR
O 1º e único número é de 22 de novembro de 1888.

§  CIDADE DE MANÁOS
O 1º número é de 22 de novembro de 1888. O último número é de abril de 1889.

§  A CONSTITUIÇÃO
O 1º número é de 2 de dezembro de 1888. Saíram poucos números.

§  EVOLUÇÃO
O 1º número é de 2 de dezembro de 1888. Saíram poucos números.

§  PETIZ-JORNAL
O 1º e único número é de 19 de novembro de 1888. 

1889 (até 15 de novembro)

§  LUZ DA VERDADE
O 1º número é de 6 de março de 1889. O último, nº 21, é de 9 de junho do mesmo ano.

§  VOZ DA RAZÃO
O 1º número é de 26 de abril de 1889. Saíram poucos números.

§  LUNETA (manuscrito)
O 1º número é de abril de 1889. Desapareceu em fins de abril com o nº 3. Reapareceu em 16 de maio do mesmo ano com o nº 4. Desapareceu em fins de maio com o nº 6.

§  O AMAZONENSE
O 1º número é de 11 de maio de 1889. O último numero é de 28 de junho do mesmo ano.

§  GAZETA LITTERARIA (manuscrito)
O 1º número é de maio de 1889. O 2º e último número é de 18 do mesmo mês.

§  ESPIÃO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  MALUCO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  CORSARIO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  PAPAGAIO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  SALTIMBANCO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  MOLEQUE (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  LOBO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  LEÃO (manuscrito)
O 1º e único número é de maio de 1889.

§  REVERBERO
 O 1º número é de 25 de setembro de 1889. Saíram
poucos números.

§  A EPOCHA
O 1º número é de 26 de setembro de 1889. Suspendeu a publicação a 25 de janeiro de 1890, com o nº 50.
Reapareceu em 1º de fevereiro do mesmo ano, com o nº 51. Desapareceu definitivamente em abril do mesmo ano.

§  O BEM PUBLICO
O 1º número é de 13 de outubro de 1889. Saíram poucos números. (segue)

quinta-feira, setembro 06, 2012

A Imprensa no Amazonas (6/7)


 
Capa do livro
Em prosseguimento com a publicação do livro A Imprensa no Amazonas, elaborado por Alcides Bahia; J. B. Faria e Souza e Antônio Monteiro, e editado pelo governo do Estado, em 1908, para celebrar o primeiro centenário da imprensa no Brasil. 

O fundador da imprensa no Amazonas 

O “Amazonas”

A Estrella do Amazonas que foi sucedânea do Cinco de Setembro, primeiro periódico que se publicou no Amazonas, terminou a sua publicidade a 30 de junho de1866, com o número 138. Foi então a tipografia, que pertencia ao espólio de seu proprietário, Francisco José da Silva Ramos, arrematada pelo Sr. Antônio da Cunha Mendes.
Este, de posse da tipografia citada, fez circular o 1º número de O Amazonas a 9 de julho de 1866, sendo o seguinte  o artigo programa:

Começando hoje a nossa vida jornalística, hemos de dever dizer (sic) ao que nos propomos, qual é o nosso fim; temos de fazer o nosso programa.

Vamos, pois, formulá-lo, não como programa ministerial, cheio de teorias e promessas, promessas e teorias que o povo aplaude hoje, espera ver realizadas amanhã, e convence-se ao fim que tudo não passa de belas palavras sem realidade de expressão. Não se diga isso de nós, eis o que oferecemos,  julguem-nos os imparciais. (...)

Eis as justas, os torneios de que carecemos. As belas inteligências que temos entre nós, e que por mais de uma vez já tem mostrado o do quanto são capazes, por certo não nós abandonará no trabalho a que nos vamos dedicar, e nós esperamos em breve ver raiar uma nova era para o progresso do Amazonas, e para a sua imprensa, que tomará a posição importante que em todo o mundo civilizado ela ocupa, deixando de ser o pelourinho, onde a caprichos particulares e mesquinhos, honestos e belos caracteres têm sofrido o látego da infâmia, zurzido por mãos impuras, acobertados com a capa do anônimo covarde.

Eis o nosso programa. (segue)
 

Catálogo geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889) 

1882

§  JORNAL OFFICIAL
O 1º número é de 3 de janeiro de 1882. Deixou de ser publicado em 14 de março do mesmo ano.

§  PALESTRA
O 1º número é de 16 de abril de 1882. Saíram poucos números.

§  VINTE E UM DE ABRIL
Edição única. Homenagem a Tiradentes em 21 de abril de 1882.

§  CHICOTE
O 1º número é de julho de 1882. Saíram poucos números.

§  ESTUDANTE (manuscrito)
O 1º número é de 15 de agosto de 1882. Terminou em 3 de setembro do mesmo ano, com o nº 4.

§  QUINZE DE AGOSTO
Número único em comemoração desse dia em 1882, adesão da província do Pará à Independência.   

§  APOLLO (manuscrito)
O 1º número é de 17 de agosto de 1882. Terminou em 4 de setembro do mesmo ano, com o nº 4.

§  A SCIENCIA (manuscrito)
O 1º e único número é de 27 de agosto de 1882.

§  ECHO DOS ANDES
O 1º número é de 30 de setembro de 1882. Terminou em 6 de fevereiro de 1883.

1883

§  QUINZE DE AGOSTO
Número único em comemoração desse dia em 1883, adesão da província do Pará à Independência.    

1884

§  O ARISTARCHO
O 1º número é de 25 de fevereiro de 1884. Suspendeu a publicação em 10 de abril do mesmo ano.

§  AVE LIBERTAS!
Edição única em 25 de março de 1884, “em homenagem à província do Ceará, a terra da luz”.

§  ABOLICIONISTA DO AMAZONAS
O 1º número é de 4 de maio de 1884. Terminou em julho do mesmo ano.

§  SAUDADES E PERPETUAS
Edição única em 19 de junho de 1884, dedicada à memória do poeta maranhense Adelino Fontoura.

§  AMAZONIA
O 1º número é de 27 de julho de 1884. Suspendeu a publicação em meados de agosto do mesmo ano.
Reapareceu em 19 de outubro do mesmo ano. Desapareceu definitivamente em 1º de março de 1885. Foi substituído pelo Correio da Manhã.

§  CARAPANÃ
O 1º número é de novembro de 1884. Saíram poucos números. 

1885

§  CORREIO DA MANHÃ
O 1º número é de 2 de março de 1885. Terminou em junho do mesmo ano.

§  DIABO
O 1º número é de 20 de agosto de 1885. Saíram poucos números.

§  DIABINHO
O 1º número é de 30 de setembro de 1885. Terminou em 8 de novembro do mesmo ano, com o nº 9.

§  GAZETINHA
O 1º número é de 20 de setembro de 1885. Terminou em 22 de novembro do mesmo ano, com o nº 14.

§  GAZETA DE MANÁOS
O 1º número é de 7 de dezembro de 1885. Terminou em 30 de março de 1887. 

1886

§  O PAIZ
O 1º número é de 25 de março de 1886. Suspendeu a publicação em 6 de outubro do mesmo ano.

§  O CONDOR
O 1º número é de março de 1886. Saíram poucos números.

§  A PROVINCIA DO AMAZONAS
Edição única de 5 de setembro de 1886.

§  O ARTISTA
O 1º número é de 19 de setembro de 1886. Suspendeu em 5 de abril de 1887, com o nº 65.
Reapareceu em 6 de maio de 1888, para desaparecer definitivamente em junho do mesmo ano.

§  RIO BRANCO
O 1º número é de 21 de novembro de 1886. Suspendeu a publicação em 1º de janeiro de 1888, com o nº 149.
Reapareceu em 16 de setembro do mesmo ano, para desaparecer no mês seguinte.

§  PENSAMENTO (manuscrito)
O 1º e único número apareceu em 15 de dezembro de 1886. (segue)

segunda-feira, setembro 03, 2012

A Imprensa no Amazonas (5/7)


 
Em prosseguimento com a publicação do livro A Imprensa no Amazonas, elaborado pela comissao composta de Alcides Bahia; J. B. Faria e Souza e Antônio Monteiro, e editado pelo governo do Estado, em 1908, para celebrar o primeiro centenário da imprensa no Brasil. 

Resumo histórico 

O ano de 1889 tornou-se notável pelo grande número de jornais que foram publicados. Ainda nos primeiros anos que se seguiram a esse, surgiram algumas folhas, escritas com vigor e correção, quase todas com acentuadas tendências políticas, consequentes, certamente, da mudança de forma de governo.

É fato que depois disso o nosso jornalismo teve um quase período estacionário que se transmudou num entusiasmo significativo, especialmente em 1897, 1898, 1899, 1900 e 1901 quando apareceram muitos órgãos de publicidade, quer diários, quer periódicos.

Já se estabelecera em 1897 o telégrafo, propulsor de grande monta para o êxito seguro das empresas jornalísticas, auxílio valiosíssimo que desdobra as vantagens informativas do que ocorre pelo mundo inteiro.

De posse desse inestimável elemento, as folhas diárias adquiriram feição e importância diferentes dos tempos anteriores, avolumando os seus informes; os proprietários e as empresas jornalísticas estabeleceram nas oficinas tipográficas as reformas aconselhadas pelos aperfeiçoamentos modernos; apareceu a xilografia; circularam os órgãos sem interrupção de um só dia, enfim, um sopro novo de vida perpassou no jornalismo e a sua influência está hoje manifesta e patente.

Os jornais manauenses de hoje são atraentes, bem feitos, preenchendo as exigências do tempo. São escritos com proficiência e maestria e neles trabalham e têm trabalhado jornalistas de valor. Do Norte do país, sendo a mais nova, a imprensa de Manaus não desmerece ao lado das demais, das outras capitais, quer pelos recursos gráficos de que é dotada, quer pelos elementos inteligentes de que dispõe. 

*  *  *

No interior, a imprensa apareceu em 1874, com a publicação do periódico Itacoatiara, na cidade desse nome. Surgiram depois periódicos em Parintins, Manacapuru, Coari, Tefé, Barcelos, São Joaquim, Rio Branco [hoje Roraima], Humaitá, Manicoré e Lábrea.

Nestes dois últimos citados municípios conta-se o maior número de periódicos publicados no interior, pois cada um deles apresenta oito, seguindo-se Itacoatiara onde já foram impressos cinco.

Apesar das dificuldades que existem para que nesses pontos viva e prospere um periódico, muitos deles têm tido, no entanto, existência proveitosa, trabalhando devotadamente para o adiantamento desses lugares.

No território do Acre tem sido impressos seis periódicos assim divididos: quatro no Departamento do Alto Acre, um no do Alto Purus e um no do Alto Juruá. (segue)

 Catálogo geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889) 

1879

CENSOR
O 1º número é de 7 de setembro de 1880. Deixou de ser publicado em fevereiro de 1881. 

1880

O CENSOR DO CENSOR
O 1º número é de 3 de outubro de 1880. Terminou em 21 de novembro do mesmo ano, com o nº 8. Foi substituído pela Palmatoria. 

PALMATORIA
O 1º número é de 28 de novembro de 1880. Terminou em 30 de janeiro de 1881, com o nº 18. 

1881

VOZ DO POVO
O 1º número é de 1º de maio de 1881. Terminou em fins de agosto de 1882, com o nº 64. Foi substituído pelo Echo dos Andes.

QUINZE DE AGOSTO
Número único em comemoração desse dia em 1881, adesão da província do Pará à Independência.   (segue)

segunda-feira, agosto 27, 2012

A Imprensa no Amazonas (3/7)


 
Capa da edição, 1908
Prossigo com a publicação do livro A Imprensa no Amazonas, editado pelo governo do Estado, em 1908, para comemorar o primeiro centenário da imprensa no Brasil. 

Resumo histórico 

A ideia abolicionista abraçada por todos os jornais do tempo e por eles sustentada com ardor ganhava terreno, e foi essa uma das causas a que maiores serviços prestou a imprensa amazonense. O Amazonas e o Commercio do Amazonas tomaram francamente e com desassombro a testa do movimento libertador. Falava assim o Commercio do Amazonas de 15 de agosto de 1883:
Ao lado do escravo a nossa posição sempre foi definida e pugnaremos para que em breve seja a Província toda livre dessa mancha que enodoa o pavilhão bicolor.
Os anúncios sobre escravos de qualquer gênero que sejam são banidos das colunas do Commercio do Amazonas. 

Dizia o Amazonas de 21 de março de 1884:
Esposando a generosa ideia, desde hoje pomo-nos ao serviço da grande causa da abolição da escravatura da província, empenhando todos os esforços no sentido da sua completa extinção por todo o corrente ano, se for possível. 

A abolição, ganhando prosélitos, continuava sua propaganda com um vigor extraordinário, até que, a 10 de julho de 1884, se fez a libertação geral dos escravos da Província, sendo curioso transcrever o tópico seguinte do Commercio do Amazonas de 15 de maio de 1884, para que se veja o entusiasmo que a grande causa despertava na imprensa:
Temos a subida honra de anunciarmos aos habitantes de Manaus, à Província, ao Brasil, ao Mundo inteiro que na rua Henrique Martins onde se acha o nosso estabelecimento não tem UM SÓ ESCRAVO. 

Com esse valiosíssimo concurso da imprensa o Amazonas foi a segunda das províncias do Brasil que espontaneamente fizeram a abolição do elemento o servil, antes da lei geral de 13 de maio de 1888.

* * * 

Libertada a Província, nem por isso a sua imprensa já então bastante poderosa e brilhante, deixou de seguir, com interesse, o grande movimento que se fazia no resto país, e especialmente no que se passava em seu parlamento. E quando chegou a notícia em Manaus da promulgação da Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888, extinguindo a escravidão no Brasil todas as folhas de então: Amazonas, Commercio do Amazonas, A Provincia do Amazonas, Jornal do Amazonas, O Norte do Brasil, Evolução, Equador e o Artista esqueceram as lutas, dissenções oriundas das ideias políticas que defendiam e, reunidas, deram um número especial com o título A Imprensa Unida no dia 31 de maio.

Comemoraram o notável acontecimento com outro também notável: jornais que eram acérrimos liberais, conservadores e republicanos, bem como os neutros, e que se digladiavam valentemente na véspera, perante a vitória final da abolição terçaram as armas para juntos entoarem hosanas e enviarem uma mensagem à Princesa Imperial Regente, a signatária da Lei Áurea.    

Esta mensagem que estava assinada pelos redatores, proprietários, colaboradores, tipógrafos, impressores etc. de todas as citadas folhas era do teor seguinte:
MENSAGEM DA IMPRENSA
A S.A. A Princesa Imperial Regente 

A IMPRENSA do Amazonas, representada pelos jornais de todos os matizes políticos, literários e comerciais, agremia-se cheia de júbilo e entusiasmo para render à V. A. IMPERIAL, em nome desta vastíssima Região Amazônica, cujos interesses de progresso advoga com denodo e convicção, as suas homenagens, o seu preito de agradecimento, as suas puríssimas congratulações, conquistadas por V. A. IMPERIAL sancionando o projeto de lei que aboliu do solo da Pátria a escravatura, esse grande feito de patriotismo que importa ao arrasamento das senzalas e no levantamento moral de uma raça até então oprimida e aviltada.

Hoje toda a Pátria está livre de tão execranda instituição, nós, que promovemos a extinção dela na paz a mais completa, no meio de festas as mais solenes e ruidosas, sem a mínima alteração da ordem pública, sem prejuízo do senhor, sentimo-nos orgulhosos em levar à presença de V. A. IMPERIAL as hosanas que a futurosa província do Amazonas, por intermédio da sua IMPRENSA UNIDA, levanta para abençoar o nome querido da Augusta e Excelsa Regente. 

Pode-se afirmar que a Imprensa do Amazonas tornou-se a promotora dos grandes festejos que se fizeram por essa ocasião em Manaus, tal foi o entusiasmo de que se possuíra com a vitória de tão nobre causa pela qual tanto combatera.
 
Primeira página do Jornal do Amazonas, 1875
  
Catálogo geral de jornais circulados no Amazonas (1851-1889) 

1870

MONARCHISTA
O 1º número é de 1º de janeiro de 1870. Desapareceu em 2 de junho do mesmo ano, com o nº 18.
ECCO
O 1º número é de 21 de março de 1870. Desapareceu em 28 de junho do mesmo ano.
ARGOS
O 1º número é de 9 de abril de 1870. Suspendeu a publicação em 19 de fevereiro de 1871, com o nº 24, para reaparecer dias depois. Desapareceu definitivamente em 30 de junho de 1872, com o nº 87. 

1871

CHRYSALIDA
O 1º número é de 10 de junho de 1871. Deixou de ser publicado um mês depois.
JORNAL DO NORTE
O 1º número é de 2 de julho de 1871. Deixou de ser publicado em julho de 1872. 

1872

BOLETIM OFFICIAL
O 1º número é de 18 de dezembro de 1872. Deixou de ser publicado em novembro de 1873. 

1873

COLIBRI
O 1º número é de janeiro de 1873. Deu poucos números.
FUTURO
O 1º número é de 14 de abril de 1873. Terminou com o nº 20 do mesmo ano.
RIO-NEGRO
O 1º número é de 11 de maio de 1873. Deixou de ser publicado em julho de 1874.
LIBERAL DO AMAZONAS
O 1º número é de 20 de novembro de 1873. Terminou a publicação em fins de 1874.  

1874

ACTUALIDADE
O 1º número é de 15 de maio de 1874. Deixou de ser publicado em fins de setembro do mesmo ano.
O BADERNA
O 1º e único número é de 8 de junho de 1874.  

1875

JORNAL DO AMAZONAS
O 1º número é de 8 de abril de 1875. Desde o seu início foi órgão do partido conservador.
Em 23 de novembro de 1889 substituiu aquela divisa pela de órgão federalista. Foi o primeiro jornal que definiu logo a sua posição em face da República.
Suspendeu a publicação em 23 de março de 1878, com o nº 231. Reapareceu em 4 de abril do mesmo ano, com o nº 232.
Suspendeu a publicação em 29 de outubro do mesmo ano, com o nº 288. Reapareceu em 6 de novembro do mesmo ano, com o nº 289.
Suspendeu em agosto de 1889. Reapareceu em 10 de setembro do mesmo ano. No artigo político (artigo programa desse dia) ele combate a centralização e prega, a despeito dos princípios do conservadorismo da sua escola, a federação monárquica.
Suspendeu em fins de dezembro de 1889. Reapareceu em 5 de janeiro de 1890, com o nº 1.
Desapareceu definitivamente em fevereiro de 1891. (segue)