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28 de janeiro de 2011

Polícia Militar do Amazonas: cinquentenário IV

Mais um capítulo do histórico da Polícia Militar do Amazonas, de autoria de João Batista Faria e Souza, publicado por ocasião do cinquentenário desta Força Pública, em 1926.

Em fins de julho de 1897, conhecido, nesta capital, o fracasso da expedição Moreira César a Canudos, o governador Fileto Pires Ferreira comunica ao comandante da guarnição federal de então, que tendo o Governo da União aceito o oferecimento do Governo do Estado, podia participar ao comandante do Distrito que um batalhão forte de 300 baionetas municiadas estava pronto, aguardando ordens de partida.

Relembrar o dia da partida das nossas forças, o entusiasmo e a dedicação dos nossos soldados, a alegria com que afrontaram os perigos e as peregrinações a par da tristeza e das saudades que deixavam às suas famílias e aos seus concidadãos, é recordar uma página dolorosa de nossa história, apesar das belezas de abnegação, desinteresse e patriotismo de que está cheia.

O que foi a marcha de nossos soldados, seu papel, quais os serviços que prestaram à Republica, vo-lo diz a palavra sincera do valoroso soldado a quem foi confiado o comando das forças amazonenses, no minucioso Relatório que apresentou ao governo sobre a expedição de Canudos. Coube ao tenente-coronel Candido José Mariano, aos heróicos oficiais e soldados, do seu comando a suprema ventura de elevar o nome amazonense tão alto como jamais havia chegado.
A expedição de Canudos é, na frase de Fileto Pires, “a página mais fulgurante dos anais amazonenses, e a posteridade deve ser imensamente agradecida a esta falange de bravos, que elevando o Estado deixou-lhe um feito valoroso que o sagrou entre os primeiros dos seus irmãos”.
Candido Mariano,
Jornal do Commercio, 1905

É bastante conhecido o desenlace das batalhas finais. Entre as primeiras bandeiras que tremularam em os mais arriscados redutos, via-se na vanguarda, hasteada nos pontos mais encarniçados da peleja, aquela que o Governo do Estado, por intermédio do que assina estas despretensiosas notas, havia confiado ao intrépido republicano e aos seus destemidos soldados.
Glória a eles! Glória ao povo amazonense que pode levar o seu concurso forte e pujante em defesa das instituições.

Fazendo partir as forças, o Governador Fileto Pires deu instruções especiais ao comandante relativas não só a boa marcha e disciplina, como também sobre a sua conduta diante das autoridades federais. Recomendou que o Governo do Amazonas fiel ao seu programa desejava que as forças estaduais fossem ali prestar o seu concurso sem auferir a menor vantagem.

Não era justo que o Amazonas, Estado próspero, que nada devia, que sentia na sua grandeza e sua força e sua proeminência, fosse aceitar o auxílio que desvirtuando o seu concurso tornasse-o pesado à Federação — o que de nenhum modo ele queria ser.
Na campanha, perdemos alguns valorosos soldados, muitos foram feridos e não poucos os que se inutilizaram pelos horrores e privações da guerra. A lei nº 187, de 22 de janeiro de 1898, autorizou o governador do Estado a conceder uma pensão às famílias dos oficiais e praças da Força Policial falecidos em Canudos.

O patriota amazonense, então capitão Rafael Álvares Machado, pai do amazonense ilustre major Floriano Machado, atual fiscal da Força Policial do Estado, espontaneamente partiu com as forças do Amazonas e soube honrar o nome deste glorioso Estado.

Faz hoje parte da oficialidade da Força outro amazonense ilustre. O nosso distinto companheiro de redação, tenente-coronel Octavio Sarmento que, aquele tempo, seguiu como sargento do 39º batalhão de infantaria do Exército como muitos de seus colegas, ex-alunos da Escola Militar, para o campo da luta, tendo tomado parte, sob o comando do bravo e então coronel César Sampaio, ao lado das forças do Amazonas, no combate decisivo que terminou pela tomada de Canudos, a 5 de outubro de 1897.

A 14 de agosto [1897] foi dispensado, a pedido, do cargo e posto de coronel comandante do Regimento o capitão do Exército Cordeiro Junior. A 16 de novembro, foi novamente nomeado o capitão Cordeiro Junior para, em comissão e temporariamente, exercer o cargo de comandante do Regimento. Deixou esse cargo em 7 de julho de 1900.

A 4 de julho de 1899 foi inaugurada a luz elétrica nos dois quartéis dos dois batalhões estaduais, 1º e 2º corpos.
Quartel da Polícia Militar do Amazonas, c1898
Por ato de 10 de dezembro de 1900 foi nomeado, em comissão, inspetor do Regimento Militar, o capitão do Exército Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, que assumiu também o cargo de comandante.
A 2 de fevereiro de 1902 tiveram lugar na Cachoeirinha, as primeiras grandes manobras do Regimento Militar do Estado. Por essa ocasião o Regimento recebeu a rica bandeira oferecida pelo Estado da Bahia, por intermédio do Dr. Leônidas de Sá, às forças que combateram em Canudos, sob o comando do Dr. Candido Mariano, o qual fora convidado por uma comissão de oficiais para assistir a esse ato solene.
Coronel Adolpho Lisboa,

Em 9 de maio foi dispensado do cargo de coronel comandante do Regimento o capitão Adolpho Lisboa que, a 12 de agosto, foi novamente nomeado em comissão.
A 26 de abril de 1903 realizou-se, ainda na Cachoeirinha, um grande exercício de campanha em que tomou parte todo o Regimento Militar do Estado. Assistiram às manobras os falecidos almirante Alexandrino de Alencar e general Henrique Valadares.