CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

19 de janeiro de 2011

Manáos versus Manaus

Apesar de esforços de muitos, uma mudança surda e implacável ocorre na estrutura de Manaus. Na nomenclatura dos logradouros, por exemplo. Aqui, para ilustrar, tomo como paradigma a atual praça da Matriz, ou será de Osvaldo Cruz, ou ainda do Comércio.

Como a praça foi tomada pela circulação de coletivos (terminal central) e de vendedores ambulantes (camelódromo), nem sei como se deve intitular aquele espaço.
Praça do Comércio, Manaus, 1905
Dia desses, em entrada no Jornal do Commercio, recolhi sobre o assunto uma contante preocupação do mestre Mário Ypiranga. Ao tempo, em seus sessenta e quatro anos de jornada na historiografia. Comentava ele sobre o esquecimento das nomenclaturas dos logradouros de Manaus, assegurando que “este é um povo sem memória”. Bastou um decênio para que o povo esquecesse o passado, argumentou.

Para elucidar o que dizia, Ypiranga narrou um fato: “tenho lido nas gazetas referências a uma ponte dos Bilhares”. Acontece que esta apenas existe devido ao “ponto de reunião de pessoas amantes do bilhar”, que utiliza um botequim desse nome, localizado ao longo da outrora estrada de Constantino Nery.
Na verdade, ensina o mestre, aquele local “chama-se oficialmente Chapada de Eduardo Ribeiro, abreviada para Chapada”. Enfim, a ponte é legalmente de Eduardo Ribeiro e não dos Bilhares.

Igualmente, desejando apenas elucidar, seguem algumas fotos de uma praça. A mesma que nos primórdios era a Praça do Comércio, e hoje?
Praça Osvaldo Cruz. Manaus, c1950
Praça da Matriz, na inauguração do Obelisco, em 1942

Outro aspecto da Praça Osvaldo Cruz, anos 1950